Este álbum é uma das maiores referências para contrabaixistas do mundo inteiro. Foi lançado originalmente em 1976 e gravado no Electric Lady Studios, em Nova York, no mês de junho daquele ano — com exceção da faixa “Life Is Just a Game”, registrada no A&M Studios, em Los Angeles. O álbum foi produzido pelo próprio Stanley Clarke.
Os destaques do disco são:
School Days — faixa-título, na qual o baixista utiliza as técnicas de string skipping e slap com maestria, além de apresentar um dos solos mais incríveis de contrabaixo que já ouvi.
Quiet Afternoon — belíssimo tema executado no piccolo bass.
Hot Fun — um groove simplesmente matador criado por Stanley.
Faixas
01 — School Days — 7:52
02 — Quiet Afternoon — 5:08
03 — The Dancer — 5:24
04 — Desert Song — 6:55
05 — Hot Fun — 2:52
06 — Life Is Just a Game — 9:00
*Todas as faixas compostas por Stanley Clarke.
Músicos
Stanley Clarke — contrabaixo; piccolo bass (faixas 2, 3 e 6); contrabaixo acústico (faixa 6); voz (faixas 1 e 6); piano (faixas 2 e 3)
Gerry Brown — bateria (faixas 1, 3 e 5); handbells (faixa 1)
John McLaughlin — violão (faixa 4)
Steve Gadd — bateria (faixa 2)
Billy Cobham — bateria e Moog 1500 (faixa 6)
Milt Holland — percussão (faixas 3 e 4)
David Sancious — guitarra (faixa 5); teclado (faixa 1); órgão (faixa 3); Minimoog (faixas 2 e 3)
Icarus Johnson — guitarra (faixa 6)
Ray Gomez — guitarra (faixas 1, 3 e 5)
George Duke — teclado (faixa 6)
Metais: Albert Aarons, William Peterson, Robert Findley, Buddy Childers, Dalton Smith, Gary Grant, George Bohanon, Jack Nimitz, Lew McCreary, Stuart Blumberg
Cordas: David Campbell, Dennis Karmazyn, Gordon Marron, Janice Adele Gower, John Wittenberg, Karen Jones, Lya Stern, Marcia Van Dyke, Marilyn Baker, Robert Dubow, Rollice Dale, Ronald Strauss, Thomas Buffum
Vídeo
A ideia desta coluna é oferecer a vocês informações sobre grandes álbuns de música. Naturalmente, os discos escolhidos fazem parte da minha formação musical e são sugestões de audição.
Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com.
Estou aqui para comunicar que saiu o novo número da Revista Contrapulso: Revista Latinoamericana de Estudios en Música Popular. Vol. 7 Núm. 2 (2026). Nessa edição, foi publicada a resenha que fiz do livro The Bastard Instrument de Brian Wright. O livro conta a história do contrabaixo elétrico desde os primórdios até os anos 60.
Gostaria de agradecer imensamente a Juan Pablo González pela oportunidade de produzir este trabalho.
Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.
Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
Durante vários anos, produzi e apresentei um programa totalmente dedicado ao contrabaixo na MKK Web Radio (https://mkkwebradio.com.br/. O programa ultrapassou a marca de 100 edições e, por esse motivo, decidi compartilhar com os ouvintes os episódios anteriores para os quais desenvolvi pesquisas e roteiros especiais.
Todos os programas podem ser ouvidos no Spotify e no Mixcloud. Os links estão disponíveis abaixo:
No programa 14, apresentamos um especial dedicado ao contrabaixo fretless. A seguir, você encontra a pauta e o roteiro completos do programa.
Música 1 – Jaco Pastorius – “Continuum”
Os primeiros registros do baixo fretless remontam às experiências de Bill Wyman (Rolling Stones), no início dos anos 1960. O primeiro modelo comercial surgiu em 1966, com o Ampeg AUB-1. Posteriormente, músicos como Ralphe Armstrong e Jack Bruce contribuíram para a consolidação do instrumento. A grande transformação, entretanto, ocorreu em 1976, com o álbum de estreia de Jaco Pastorius, que leva seu próprio nome.
Música 2 – Claudio Bertrami – “Cheiro Verde”
No Brasil, o fretless ganhou destaque com Claudio Bertrami, já no álbum “LeGal” (1970), de Gal Costa. Nos anos 80, ele fundou o grupo Medusa. Em “Cheiro Verde”, do álbum “Ferrovias” (1983), Bertrami utiliza um fretless piccolo, explorando timbres singulares. Considerado um dos pilares do contrabaixo brasileiro, Bertrami deixou uma contribuição imensa para a música instrumental no país.
Música 3 – Michael Manring – “The Enormous Room”
Michael Manring é reconhecido por sua abordagem experimental do contrabaixo, explorando múltiplos instrumentos e afinações alternativas. Um exemplo marcante é “My Three Moons”, apresentada no Bass Day 1998.
Além disso, Michael Manring faz uso de uma grande variedade de efeitos e desenvolve linhas extremamente criativas ao longo de seus álbuns.
Para este especial, selecionamos uma música construída com o auxílio de seu baixo Zon, equipado com tarraxas e um mecanismo na ponte que permitem alterar a afinação do instrumento em tempo real. Grande parte do que vocês ouvirão nessa faixa é executado utilizando cordas soltas.
Seguimos, então, com “The Enormous Room”, do álbum “Thonk” (1994).
Manring é um excelente compositor.
Para quem não sabe, ele foi aluno de Jaco Pastorius, mas trilhou o seu próprio caminho e, diferentemente de seu mestre, utiliza diversas técnicas, como two-hands, slap, entre outras, além de dominar o fretless e explorar os harmônicos, assim como seu mentor.
O músico é dono de uma das maiores obras para o contrabaixo, pois levou o instrumento ao extremo de suas possibilidades sonoras.
Música 4 — Pino Palladino — “Everytime You Go Away”
Agora vamos falar de Pino Palladino, que é um dos maiores baixistas a empunhar o fretless.
Um importante músico de estúdio nos anos 80, Pino obteve grande destaque com o álbum “I, Assassin”, de Gary Numan. Também tocou com Paul Young, Go West, John Mayer Trio, The Who, Jeff Beck, entre outros.
Ele utilizava um Music Man StingRay fretless de 1979.
Então, vamos escutar a música “Everytime You Go Away”, de Paul Young, lançada em 1985.
Prestem atenção nessa super linha de baixo.
Outra música com uma linha marcante de fretless, com a mesma dupla, é “Wherever I Lay My Hat”. E, já que estamos falando dos anos 80, outras músicas com linhas memoráveis de fretless são “Lady in Red” (Chris de Burgh), “As the World Falls Down” (David Bowie, com Will Lee no baixo) e “King of Pain” (The Police).
Música 5 — Yuri Popoff — “Vida e Música”
Agora vamos falar de um baixista brasileiro de Montes Claros.
Yuri Popoff é um daqueles músicos que deveriam, obrigatoriamente, ser estudados nos cursos de contrabaixo. Ele domina o instrumento e sua linguagem como poucos. Preste atenção em como ele faz cada nota soar: parece que todas as notas têm vida própria.
Tocou em algumas orquestras nos anos 70 e começou a utilizar o fretless no final dessa década.
Segundo Benjamin “BJ” Bentes, em 1982, Popoff foi o primeiro a gravar uma música com solo de fretless. O registro está no disco “Instrumental”, de Mara do Nascimento.
Além disso, trabalhou com grandes nomes da música brasileira, como Beto Guedes, Toninho Horta, Cássia Eller e Tavinho Moura.
Na matéria da Bass Player, BJ escreve que ele possui dois baixos Pedulla fretless — um de 5 cordas e outro de 8 cordas (em pares oitavados, como em um violão de 12 cordas) — além de um modelo Yamaha, um baixolão e um Tokai japonês, todos fretless.
Para este especial, escolhemos a canção “Vida e Música”, do álbum “De Paris a Minas” (2019). Esta música foi indicada pelo próprio Yuri.
A formação da faixa é: Yuri Popoff — baixo fretless; Manuel Rocheman — piano; Olivier Ker Ourio — harmônica; Christophe Bras — bateria.
O álbum “De Paris a Minas” foi gravado no Sextan Studio, em Paris (França), entre os dias 11 e 13 de junho de 2017.
Ele contou com a colaboração de renomados músicos do cenário contemporâneo do jazz europeu.
O álbum traz temas inéditos, além de sua mais conhecida criação, “Era Só Começo o Nosso Fim”.
As informações foram gentilmente fornecidas por Berenice Chaves.
Música 6 — João Baptista — “Clube da Esquina 2”
Agora vamos escutar uma música de Milton Nascimento que conta com o baixista João Baptista no fretless.
A música é a belíssima “Clube da Esquina 2”, gravada com um fretless de 5 cordas.
Ela está no álbum “Angelus”, que contou com a participação de diversos músicos, como Pat Metheny, Jon Anderson (Yes), Wayne Shorter e James Taylor. Além de João, o disco traz também a lenda do contrabaixo acústico Ron Carter.
Se vocês quiserem conferir o desempenho de Carter, Metheny e Shorter, escutem a música “Vera Cruz”.
Vamos, então, ouvir a linda canção de Milton Nascimento, em parceria com os irmãos Lô e Márcio Borges: “Clube da Esquina 2”, do álbum “Angelus” (1993).
Música 7 — Brenda Martin — “Sin La Red”
Como sempre, abrimos espaço aqui no nosso programa para os baixistas latino-americanos e, desta vez, o destaque vai para a sensacional Brenda Martin.
Brenda é uma baixista argentina que desenvolve um trabalho incrível com a banda Eruca Sativa. Se vocês ouvirem a banda, perceberão que ela utiliza diversos modelos de contrabaixo.
Para este especial, escolhemos a música “Sin La Red”, na qual ela toca fretless e realiza um belo solo no meio da canção.
Brenda é bacharel em Música pela Escuela Superior de Música Popular La Colmena (Córdoba, Argentina).
Posteriormente, tornou-se professora na própria escola e também em outras instituições, como a Academia Musical Sol e a Academia Yamaha, além de trabalhar com alunos particulares.
A banda Eruca Sativa foi formada na Argentina em 2007, e seus integrantes são: Lula Bertoldi (guitarra e voz), Brenda Martin (baixo e voz) e Gabriel Pedernera (bateria e voz).
Música 8 — Steve Di Giorgio — “The Philosopher” (Death)
Agora vamos escutar o fretless no thrash metal.
Isso mesmo! Um dos maiores nomes do contrabaixo no estilo é Steve Di Giorgio, que utiliza um baixo fretless para gravar a maior parte de seu trabalho.
Para este especial, separamos uma música da banda Death.
Procurem no YouTube — há vários vídeos desse baixista tocando com esse tipo de instrumento.
Por falar em som pesado, uma música bem famosa com fretless nesse estilo é “Until It Sleeps”, do Metallica, com Jason Newsted no baixo.
Música 9 — Steve Bailey — “Stan the Man”
Steve Bailey é um dos grandes nomes do contrabaixo.
Ele utiliza um fretless de seis cordas e vocês podem conferir suas performances nesse trabalho interessante ao lado de Victor Wooten.
Eles montaram um projeto chamado Bass Extremes, que foi muito importante para o contrabaixo na década de 90. O projeto envolveu uma vídeo-aula e um livro com as linhas e lições, acompanhado de um CD. Em todos os shows, Steve empunhou o seu fretless. Posteriormente, eles lançaram músicas novas com a participação de outros músicos.
Para este especial, separamos uma música de que eu gosto muito, feita em homenagem a Stanley Clarke. O nome da música é “Stan the Man”, e prestem atenção aos acordes executados com harmônicos artificiais.
Para quem não sabe, essa técnica consiste em tocar com um dedo da mão direita enquanto outro dedo da mesma mão produz o harmônico — na maior parte das vezes, uma oitava acima. Porém, como podemos perceber, Steve explora diversos intervalos. Geralmente, o baixista utiliza o indicador para gerar o harmônico e, apenas para registrar, Jaco executava os harmônicos artificiais com o polegar.
O baterista do trio é Gregg Bissonette.
Nesse trabalho, há também uma música solo de Steve chamada “Moonridge”.
Espero que escutem o programa.
Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.
Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:
Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com
Pequena bio do Flea
Flea, nome artístico de Michael Peter Balzary, é um dos baixistas mais influentes da história do rock. Fundador e integrante da banda Red Hot Chili Peppers, Flea é conhecido por seu estilo energético, que combina elementos de funk, punk, e rock alternativo. Ele é um mestre do slap bass, técnica que emprega com maestria em linhas melódicas e ritmicamente complexas. Com uma carreira que abrange mais de quatro décadas, Flea é também um músico versátil, participando de colaborações em gêneros variados e explorando outros instrumentos, como o trompete.
Exercício 1
Nesta coluna, vamos explorar o elemento de articulação denominado slide, que consiste, basicamente, em arrastar um dos dedos da mão esquerda sobre a escala do braço do instrumento. As três maneiras mais comuns de se realizar o slide estão apresentadas nos três primeiros exercícios.
No primeiro exercício, toque a nota Lá e arraste até a nota Si, emitindo-a assim que alcançar essa nota. Tenha cuidado para não fazer soar o Si antes de articulá-lo com a mão direita. No segundo compasso, realize o movimento inverso. Repita o exercício em todas as cordas.
Exercício 2
No segundo exercício, toque a nota Lá e arraste até a nota Si, sem emitir esta última com a mão direita. No segundo compasso, realize o movimento inverso.
Exercício 3
Neste exercício, trabalhamos um tipo de slide bastante comum: inicie o movimento do slide e, somente após isso, articule a nota com a mão direita. Nesse tipo de slide, a casa de origem é indiferente, pois o efeito sonoro produzido será o mesmo. No segundo compasso, articule a nota e, em seguida, deslize em direção descendente por meio do slide.
Exercício 4
Neste exercício, trabalhamos a linha de base da música “Purple Stain”, na qual são empregadas diversas formas de slide.
Concluindo, o slide constitui um importante recurso de articulação, capaz de ampliar as possibilidades expressivas do instrumento. A prática sistemática dos exercícios apresentados contribui para o desenvolvimento da coordenação entre as mãos, do controle sonoro e da consciência de movimento ao longo do braço do instrumento. Ao dominar as diferentes formas de slide, o músico passa a dispor de um vocabulário técnico mais rico para aplicação em contextos de improvisação, acompanhamento e composição.
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Nesta aula, damos continuidade aos estudos das escalas menores. Chegamos à décima aula de harmonia e, até aqui, já abordamos diversos temas, entre eles: intervalos, escala maior, aplicação de 5ª e 8ª, escala menor e menor harmônica. Agora, estudaremos a escala menor melódica, encerrando o primeiro ciclo de escalas fundamentais para os nossos estudos de harmonia no contrabaixo.
Este artigo faz parte da minha coleção, que reúne diversos estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.
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Escala Menor Melódica
A escala menor melódica distingue-se da escala menor natural pelo uso da sexta maior e da sétima maior. Essa escala apresenta uma forma descendente diferente da ascendente: ao subir, os intervalos são T, 2, 3m, 4, 5, 6, 7M, enquanto, ao descer, correspondem aos da escala menor natural. Conhecer essa forma é importante para a condução de vozes, aspecto muito comum no trabalho de músicos arranjadores e compositores.
No jazz e no fusion, porém, a escala menor melódica costuma ser utilizada mantendo os mesmos intervalos tanto na forma ascendente quanto na descendente. Nesses contextos, ela também recebe o nome de escala menor bachiana.
Em nossa coluna, tratarei apenas da forma ascendente, na qual os tons e semitons estão organizados da seguinte maneira:
Agora temos a digitação da escala menor melódica.
Estudem a parte teórica e prática desta escala partindo de outras fundamentais.
Vídeo:
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Nesta semana, apresento a transcrição e a explicação da linha de baixo da música “Letters of Marque”, do guitarrista Allan Holdsworth, disponível para os alunos do meu curso de contrabaixo, tanto na modalidade presencial quanto on-line.
Este artigo integra minha coleção de estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.
Nesta semana, trago uma coluna especial que escrevi para a edição nº 54, de março de 2007, da antiga revista Coverbaixo, na qual analiso as principais características das linhas de baixo do álbum Selling England by the Pound, da banda Genesis, com o baixista Mike Rutherford.
Este artigo integra minha coleção de estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.
Para conferir outros trabalhos e artigos que publiquei, acesse:
Caso tenha interesse em mais informações, entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com
O Genesis e o álbum Selling England by the Pound
O Genesis foi formado na Inglaterra, em 1967, por Peter Gabriel (vocal, flautas, percussão e oboé), Mike Rutherford (contrabaixo, guitarra e cítara) e Tony Banks (órgão, guitarra, piano e teclado). Com aproximadamente 150 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, o grupo é considerado um dos trinta maiores artistas de todos os tempos.
A banda destacou-se por mais de três décadas e é conhecida por duas fases musicais distintas. Na fase inicial da carreira, durante a década de 1970, tornou-se uma das bandas mais reverenciadas do rock progressivo por apresentar estruturas musicais complexas, instrumentação elaborada e performances de forte caráter teatral. Obras clássicas desse período incluem os álbuns Nursery Cryme, Foxtrot e Selling England by the Pound (1973), o primeiro a alcançar o mercado norte-americano. A partir da década de 1980, sua produção passou gradualmente a dialogar com o universo pop, tornando o grupo mais acessível ao grande público.
O álbum analisado nesta coluna, Selling England by the Pound, é composto por oito faixas e apresenta grande riqueza musical: referências à música erudita, compassos alternados, duetos instrumentais e extensas seções instrumentais. O disco conta com Steve Hackett (guitarras) e Phil Collins (bateria, percussão, backing vocals e vocal em “More Fool Me”), além de Mike Rutherford, Peter Gabriel e Tony Banks.
O baixista inglês Mike Rutherford (nascido Michael John Cleote Crawford Rutherford, em 2 de outubro de 1950, em Guildford, Surrey), além do contrabaixo, toca também guitarra e cítara neste álbum. Por esse motivo, alguns trechos não apresentam linhas de baixo. Sua escrita para o instrumento é conhecida pela precisão técnica, pela construção melódica detalhada e pelo caráter inovador.
As faixas que compõem o álbum são:
“Dancing with the Moonlit Knight”, “I Know What I Like (In Your Wardrobe)”, “Firth of Fifth”, “More Fool Me”, “The Battle of Epping Forest”, “After the Ordeal”, “The Cinema Show” e “Aisle of Plenty”.
Análises
Dancing with the Moonlit Knight
A música abre o álbum de forma marcante, com vários trechos em contraponto, inclusive na base da voz. O trecho analisado corresponde ao dueto entre baixo e teclado que ocorre por volta de 4’59’’. As fórmulas de compasso mudam ao longo do trecho e exigem atenção do intérprete. Sem uma harmonia fixa definida, as frases são realizadas em uníssono sobre a escala de Sol maior, com ocorrências de cromatismo nas passagens.
The Battle of Epping Forest
A quinta faixa apresenta uma linha de baixo muito bem construída, com frases de execução bastante complexa. O trecho transcrito corresponde à base da voz e inicia-se em 1’13’’. A levada foi criada sobre a fórmula de compasso 7/4 e está estruturada na escala de Si maior, alternando-se com outras frases ao longo dos trechos cantados.
I Know What I Like (In Your Wardrobe)
Esta é a música mais conhecida do álbum. Embora simples em sua construção formal, apresenta um refrão marcante e uma linha de baixo muito bem elaborada por Mike Rutherford. Nos dois primeiros compassos, o baixista utiliza a escala de Lá mixolídio e, nos terceiro e quarto, a escala de Ré maior. As células rítmicas são baseadas em subdivisões em semicolcheias.
Firth of Fifth
O trecho analisado está na tonalidade de Si bemol e corresponde à base do tema do teclado, iniciando-se por volta de 4’33’’. A interpretação exige domínio de leitura musical, uma vez que a passagem está escrita na fórmula de compasso 13/16. No segundo compasso, o baixo realiza aproximações cromáticas com oitavas.
A análise de Selling England by the Pound evidencia o papel central desempenhado por Mike Rutherford na consolidação de uma abordagem refinada para o contrabaixo no rock progressivo. Suas linhas combinam precisão rítmica, elaboração melódica e integração orgânica com a estrutura formal das músicas, contribuindo de maneira decisiva para a identidade sonora do Genesis nesse período.
O álbum revela um momento de maturidade artística do grupo e oferece material de grande valor para estudantes, pesquisadores e instrumentistas interessados no papel do contrabaixo na música popular. Espera-se que esta leitura estimule novas escutas atentas e o aprofundamento analítico da obra de Rutherford, reafirmando a relevância do contrabaixo elétrico na construção estética do rock progressivo.
Link do álbum para escutar
Espero que esta coluna contribua para uma escuta mais atenta das linhas de baixo de Mike Rutherford neste grande clássico do rock progressivo.