quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Workshop "As funções de cada instrumento numa banda de Rock" - Medusa Trio

Confira um pouco de como foi o workshop "As funções de cada instrumento numa banda de Rock" com o Medusa Trio​ , realizado em 24/07,  no Sesc Santos​ !

Gostaríamos muito de realizar este workshop em todos os lugares possíveis. Que tal na sua cidade?

Então, entrem em contato conosco!

Obrigado pela atenção!

Abraços.

Filmagem e edição: Renata Pereira​








terça-feira, 6 de agosto de 2019

Partimento


SANGUINETTI, Giorgio. The Realization of Partimenti: An Introduction. Journal Of Music Theory, [s.l.], v. 51, n. 1, p.51-83, 1 jan. 2007. Duke University Press. http://dx.doi.org/10.1215/00222909-2008-023.


A partimento is a linear guide for the improvisation of a keyboard piece. Partimenti were developed for the training of composers in the conservatories of Naples during the eighteenth century. They contain all the information needed for the realization of complete pieces of music, and their practice bestowed on practitioners a fluency in composition unparalleled since then. The Neapolitan masters usually recommended different stages of realization, from the simplest (con le sole consonanze) to highly elaborate textures. The rules for the realization of partimenti have survived in many sources, but they cover only the first stage of realization because the tech niques for more advanced realizations were transmitted orally. With the decadence and extinction of the living tradition, the realization of partimenti became a lost art. However, some principles for advanced realization may be inferred from the surviving written realizations, and from the analysis of the partimento in question. Relying on the foundation formed by the rules, and integrating them with these principles, the present article shows some examples of how a present-day musician can create a satisfying realization (SANGUINETTI, 2010, p. 51)

Um partimento é um guia linear para a improvisação de uma peça de teclado. Partimenti foram desenvolvidos para o treinamento de compositores nos conservatórios de Nápoles durante o século XVIII. Eles contêm todas as informações necessárias para a realização de peças completas de música, e sua prática conferiu aos profissionais uma fluência na composição inigualável desde então. Os mestres napolitanos geralmente recomendam diferentes estágios de realização, desde os mais simples (con le sole consonanze) até texturas altamente elaboradas. As regras para a realização dos partimenti sobreviveram em muitas fontes, mas elas cobrem apenas o primeiro estágio de realização, porque as técnicas para realizações mais avançadas foram transmitidas oralmente. Com a decadência e extinção da tradição viva, a realização de partimenti tornou-se uma arte perdida. No entanto, alguns princípios para a realização avançada podem ser inferidos das realizações escritas sobreviventes e da análise do partimento em questão. Baseando-se no fundamento formado pelas regras e integrando-as com esses princípios, o presente artigo mostra alguns exemplos de como um músico atual pode criar uma realização satisfatória.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Canal de Vídeos no Youtube

Olá pessoal!
Segue um recado para os seguidores do blog.

Já se inscreveram no meu canal do Youtube?
www.youtube.com/femtavares
O canal contém várias playlists para vocês poderem curtir músicas, aulas e muito mais.
Vídeo-Aula - Lições
https://youtu.be/IEQ7fucKPSI
Vídeo-Aula - Repertórios
https://youtu.be/GItYQ8xdS9k
Abraços e bons estudos!

Sugestão de Estudo - Revista Bass Player - Edição 13 - Steve Harris

Olá pessoal!
Estou aqui hoje para falar sobre as matérias de capa da Revista Bass Player Brasil das quais participei na construção e elaboração. Estas matérias eram feitas pensando no melhor desenvolvimento do estudante de contrabaixo, sendo que nelas, eu buscava transmitir informações teóricas e práticas de uma maneira bem leve e que proporcionasse um melhor aprendizado. Estas matérias são acompanhadas de vídeo e se transformam em verdadeiras vídeo-aulas dos assuntos abordados.
Na edição #13 eu fiz uma matéria com 25 exemplos de músicas do Iron Maiden para dissecar toda a técnica e características do baixista Steve Harris. Uma verdadeira aula para quem quer aprender e desvendar todos os segredos deste mestre do contrabaixo.

Vídeo


A edição

Neste link vocês podem visualizar as matérias que saíram nesta edição:

http://bassplayerbrasil.com.br/?area=edicoes&id=38

E neste link você pode adquirir esta edição:

Bons estudos e até a próxima!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Artigos & Resenhas - Flying Chair / 1º Álbum - Por Luiz Domingues

Olá pessoal!

Estamos de volta com mais uma coluna Artigos e Resenhas aqui no nosso site. Dessa vez o sensacional Luiz Domingues nos fala sobre o primeiro álbum da banda Flying Chair. Mais uma banda que Luiz nos apresenta e que vale escutar o trabalho com muita atenção.

A matéria original pode ser encontrada neste link.

Lembrando que o nosso amigo possui três blogs diferentes que estão nos links abaixo.
http://luiz-domingues.blogspot.com.br/
http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/
http://luizdomingues3.blogspot.com.br/

Um breve release do Luiz feito pelo próprio:
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Sem mais, vamos ao texto do Luiz

Flying Chair / 1º Álbum - Por Luiz Domingues


Eis que numa feliz combinação de fatos correlatos, surge no horizonte do Rock Brasileiro mais uma banda com energia para dar e vender, contrastando com a falta de oportunidades absoluta com a qual o gênero vem enfrentando em termos mainstream, há anos. Claro que mais um soldado a reforçar o nosso combalido exército, vem a calhar e ainda mais com essa vontade toda que vem demonstrando. E qual seria a tal combinação citada logo no começo desta resenha ? 
Bem, trata-se do encontro do compositor, cantor & poeta, Ciro Pessoa, com a dupla de guitarristas da ótima banda, “8080”, ou seja, Chico Marques e Claudio “Moco” Costa, que uniram-se em torno de um novo projeto e a toque de caixa, rapidamente lançaram um EP prévio ao final de 2016, e agora, anunciam o lançamento de um CD completo, seu debut oficial discográfico.
Batizada como “Flying Chair”, só por ter em suas fileiras tais componentes, e pelo próprio título da banda, sugerindo lisergia Rocker perdida no tempo e no espaço, já seria um alento para nós que amargamos décadas de obscurantismo no gênero, mas a boa nova é que não fica apenas na esperança, mas tudo confirma-se quando uma audição do álbum mostra-nos uma banda com trabalho forte, mostrando intenso vigor criativo e compromisso com o Rock’n Roll, isso expresso no seu sentido mais amplo, naturalmente.


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Videoaula - O estilo de Jack Bruce por Fernando Tavares

Olá pessoal!

Neste mês temos uma coluna com uma das maiores lendas do contrabaixo, Jack Bruce. Nascido como John Symon Asher Bruce em Bishopbriggs, Escócia no dia 14 de maio de 1943 e falecido em Suffolk, 25 de outubro de 2014 ) é considerado uma das maiores influências no universo do contrabaixo.


Fez parte da famosa banda "Cream" junto com Eric Clapton e Ginger Baker, também teve uma sólida carreira solo e tocou com vários artistas famosos como Frank Zappa e John McLaughlin.
Nesta coluna temos uma matéria produzida para a antiga revista Bass Player Brasil, na qual foram passados 10 exemplos das linhas de baixo do grande mestre.

Estas matérias estão disponíveis como material de apoio para os meus alunos de contrabaixo, presencial e/ou on-line.
Informações pelo e-mail femtavares@gmail.com

A matéria escrita está dividida em duas partes no site:

Parte 1

http://www.femtavares.com.br/2019/05/baixista-do-mes-jack-bruce-parte-1.html

Parte 2

http://www.femtavares.com.br/2019/06/baixista-do-mes-jack-bruce-parte-2.html

Abraços e bons estudos!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Transcrição para alunos - Duran Duran - Hungry like the Wolf



Olá Pessoal!

Nesta semana temos a transcrição com explicação da linha de baixo da música "Hungry Like the Woulf" da banda Duran Duran disponível para os alunos do meu curso de contrabaixo presencial e online.

Para maiores informações sobre o curso entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Abraços e até a próxima matéria!

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Transcrição do Mês - Ozzy Osbourne - Mr. Crowley


Olá Pessoal!

Nesta semana temos a transcrição da música "Mr. Crowley" da banda Ozzy Osbourne disponível gratuitamente no meu site.

Ozzy Osbourne - Mr. Crowley 



Esta transcrição faz parte de um acervo com mais de 1000 tablaturas/partituras que são usadas como material de apoio nas aulas do meu curso de contrabaixo presencial e on-line.

Para maiores informações sobre o curso entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Bons estudos e até a próxima coluna!

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Técnicas para Contrabaixo - Mini-Curso - Two Hands


Olá Pessoal!

Em anos anteriores eu lancei alguns mini-cursos aqui no site.
Postarei alguns deles aqui para vocês.
Este é o mini-curso com as aulas 9, 10, 11 e 12 sobre a técnica de Two Hands.
Para quem não assistiu as quatro primeiras aulas, elas podem ser encontradas neste link:
http://www.femtavares.com.br/2019/02/tecnicas-para-contrabaixo-mini-curso.html

Aula 09

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2015/09/two-hands-09.html

Aula 10

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2015/10/two-hands-10.html

Aula 11

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2015/11/two-hands-11.html

Aula 12

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2015/12/two-hands-12.html

Estude as colunas com calma e tente fazer na ordem, pois elas possuem uma sequencia que aumenta a dificuldade de forma gradual.

Abraço e bons estudos!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Artigos & Resenhas - Blind Horse / Patagonia - Por Luiz Domingues


Olá pessoal!

Estamos de volta com mais uma coluna Artigos e Resenhas aqui no nosso site. Dessa vez o sensacional Luiz Domingues nos fala sobre o álbum "Patagonia" da banda Blind Horse. Mais uma banda que Luiz nos apresenta e que vale escutar o trabalho com muita atenção.

A matéria original pode ser encontrada neste link.

Lembrando que o nosso amigo possui três blogs diferentes que estão nos links abaixo.

Um breve release do Luiz feito pelo próprio:
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Sem mais, vamos ao texto do Luiz

Blind Horse / Patagonia - Por Luiz Domingues


Nos tempos atuais em que vivemos, onde a qualidade musical passa ao largo da difusão cultural mainstream, artistas genuínos que prontificam-se a trabalhar mesmo sob condições inóspitas no que tange às oportunidades democráticas (digamos assim), merecem aplausos dobrados. Como se não bastasse a sua arte autêntica, feita com labuta e honestidade (longe dos esquemas arquitetados pelos marqueteiros e seus famigerados lacaios, os “formadores de opinião”), ainda ter que lutar contra uma máquina poderosa atrapalhando-os acintosamente, é mesmo uma luta inglória.
E se está ruim para artistas que militam na música em geral, o que dizer então dos Rockers que são marginalizados por natureza e mesmo quando num breve período da história da música no Brasil, refiro-me aos anos oitenta, o Rock teve uma certa notoriedade na difusão oficial, vamos ser francos, quem beneficiou-se na verdade fora um seleto grupinho de artistas escolhidos pelos marqueteiros de então, e na verdade rezando pela cartilha do Pós Punk em voga, portanto, “Rock” verdadeiramente não era...
Diante de tal panorama, quando vejo artistas lutando bravamente, lançando álbuns e tocando ao vivo da melhor maneira possível, visto que as oportunidades são muitas escassas também no campo das apresentações ao vivo, claro que animo-me e sinto esperança por dias melhores. Ao final de 2015, publiquei em meu Blog 2 uma entrevista com a super promissora banda carioca, “Blind Horse”, repercutindo o lançamento de seu primeiro EP “In the Arms of Road”. Leia ou releia essa entrevista : 


Foto promocional do Blind Horse por ocasião do lançamento de seu excelente LP, "Patagonia"

Recentemente, 2017, os rapazes lançaram seu segundo álbum, denominado “Patagonia” e demonstram o mesmo caldeirão de influências ótimas já mostradas no EP anterior e sim, revelam ainda maior consistência e amadurecimento do trabalho, embora o tempo transcorrido entre uma obra e a outra, seja relativamente curto. Com capa muito bonita e um trabalho de estúdio muito bom, salvaguardando a qualidade do áudio. A maioria das canções é cantada em idiomas estrangeiros (inglês em predominância e uma em castellaño), e apenas uma em português. Naturalmente que os rapazes apostam suas chances maiores no mercado internacional e relembrando tudo o que eu disse nos primeiros parágrafos, realmente não dá para criticá-los por isso. Se o mundo está maltratando a música neste século XXI em curso, imagine no Brasil onde todos os esforços são feitos para valorizar a subcultura e pior ainda, a anticultura de massa...
Portanto, fazer Rock com esse padrão de qualidade e comprometimento com assumidas influências tão boas do passado glorioso do gênero, já faz da obra e da banda, vitoriosas. Mas o disco vai muito além da hombridade artística e realmente destaca-se pela qualidade. Trata-se de seis faixas, o que em princípio caracterizaria um EP com duração mais curta, mas como não existe linearidade na metragem das canções, o disco tem duração longa, no padrão dos velhos LP’s. Sobre as faixas, muitos são seus atrativos.

“Patagonia”



Na faixa de abertura, por exemplo, “Patagonia”, canção título do álbum, observa-se uma densidade sonora muito grande. Canção com quase 16 minutos de duração, mostra-se pesada, com troca de ritmos em seu decorrer, apresentando desdobradas, inclusive. Sua linha melódica primordial lembrou-me o estilo do Ronnie James Dio, com uma carga interpretativa dramática. E muitos solos inspirados de guitarra, além de um solo de sintetizador Mini Moog com timbre ultra setentista e remetendo aos melhores discos da carreira solo do tecladista britânico, Rick Wakeman (referindo-me aos seus álbuns onde foi menos sinfônico e mais Prog Rock tradicional, tais como “The Six Wives of Henry VIII”; “No Earthly Connection” e “Criminal Record”, por exemplo). Há de destacar-se igualmente a presença de um órgão Hammond com uso de Caixa Leslie rápida, muito bacana. Partes distintas propondo mudanças bruscas ficaram muito interessantes, inclusive com o uso de looping contínuo em alguns trechos, um recurso bem setentista e claro, muito salutar. Sobre influências, é o tal negócio, minha orientação pessoal é totalmente 1960 / 1970, portanto eu tendo a ouvir música fazendo associações com múltiplos artistas que conheço e aprecio, cuja época de atuação centrou-se nessas duas décadas citadas. Sei de antemão que a base primordial dos componentes do Blind Horse também é essa, mas existe igualmente conexão com sonoridades mais contemporâneas da parte deles e das quais eu nem consigo detectar, mas deduzo que existam. Por exemplo, nessa faixa, ouvindo suas múltiplas passagens, além do Ronnie James Dio já citado (e acredite, Dio para o meu conceito é “modernoso” e sua verve metálica, incomoda-me...), pensei em bandas de searas diferentes, como : “Camel”; “Beggar’s Opera”; “Caravan” e até o “Curved Air”. Em partes mais lentas, a lembrança do “Nektar” também ocorreu-me, mas como já disse, sei que os rapazes também tem suas influências modernas, portanto, não descarto que suas inspirações versem nesses termos. Ao final, uma improvável incursão ao Funk-Rock levou-me direto à lembrança da “James Gang”, com o grande Joe Walsh swingando para valer na sua guitarra.

“Stun Bomb Blues”



Na faixa seguinte, é inevitável haver uma constatação em relação à primeira. Após uma faixa longa, com densidade e intensidade , temos em “Stun Bomb Blues”, uma antítese. Trata-se de uma faixa curta, uma vinheta praticamente, e mais inusitado ainda, uma performance solo do vocalista, “a cappela”, com a voz bem processada no áudio. E mostrando força interpretativa, parecendo quase um monólogo e ator dramático. Muito interessante.

“Rock’n Roll Me”



Chega a terceira faixa, “Rock’n Roll Me”, com uma dose setentista fortíssima. Lembrou-me o som vigoroso do "Thin Lizzy", misturando influências diferentes e até díspares, tais como o “Cactus”, principalmente em se considerando a linha melódica primordial da canção. Uma parte com acentos fortes chamou-me a atenção, por um detalhe que tende a passar despercebido, mas eu achei muito bonito. Ao acentuar junto, na campana do seu prato Ride, o baterista foi muito criativo e feliz pelo timbre extraído.

“Noite Estranha”



A faixa seguinte, “Noite Estranha”, é a única cantada em português e começa de uma maneira bastante instigante, ao evocar o cinema nacional marginal, Rogério Sganzerla na veia, graças a uma locução extraída de seu filme, “O Bandido da Luz Vermelha”. Ouvir um diálogo de 1968, travado entre os personagens protagonizados pelos atores Helena Ignes e Paulo Villaça já chamaria a atenção por si só, mas o fato é que a música é muito boa, lembrando bastante o trabalho do "Deep Purple" em seus melhores dias, com riffs fortes, tendo a atuação da guitarra pontuando com notas isoladas e não necessariamente com acordes, uma marca registrada do Ritchie Blackmore, realçando a ideia do Purple como influência, e reforçando, o órgão Hammond atua bastante, igualmente e com Jon Lord no pedaço, o púrpura profundo acentuou-se.

“Soul Locomotive”



A quinta faixa, chama-se “Soul Locomotive” e aí o blues chegou, que beleza...
Recentemente (2017), um guitarrista desses virtuoses do mundo do Heavy-Metal declarou que ao perder o elo com o Blues, o “Metal” degringolou. Eu já penso bem diferente e acho que o metal (com o perdão aos amantes desse gênero e dos quais tenho muitos amigos), pouco tem a ver com o Rock e na verdade, esse rompimento de elo já começou décadas atrás com ele mesmo e o Punk Rock. Mas a declaração desse músico norte-americano, tem um fundo de verdade, no sentido de que todo o sentido do Rock está no Blues e quanto mais distanciamo-nos de sua raiz, mais vamos maltratando o Rock ou arremedo de Rock, como temos visto nos dias atuais.
Mas o Blind Horse, valentemente encara essa missão e vai buscar ali no trilho do trem, nas estações ferroviárias cantadas em verso e prosa pelos velhos bluesman do passado, essa verdade, e claro que isso emociona. Não é exatamente uma pegada de blues clássico, os rapazes incorporam modernidades, mas em nada desabona o resultado final que é muito bom. De início, um riff pontuando uma escala que chega a lembrar melodias nipônicas, dá um toque inusitado, até. Mas isso é rápido e o que predomina é a intenção calcada no Blues-Rock. Uma desdobrada muito bonita, recordou-me o som do guitarrista Robin Trower em seus discos solo, com longas intervenções baseadas no "Slow Blues", porém com pegada "Hendrixiana". Gostei novamente das intervenções do órgão Hammond e a voz com efeito de eco distante. O uso de vibrato e outros efeitos em intervenções pontuais de guitarras sobrepostas, também agradou-me, certamente. Uma segunda desdobrada na música com um solo muito inspirado, lembrou-me a veia Bluesy do "Pink Floyd", quando a banda flutuava para David Gilmour fazer a sua Fender Stratocaster chorar, e o Blind Horse conseguiu tal resultado semelhante, não tenho dúvida.
E ao final, uma intervenção de áudio traz um cântico muito bonito, evocando o Blues remoto da raiz mais profunda, aquele autêntico coro dos escravos nos campos de algodão, transmutando sua dor e humilhação em arte in natura, e muito bela, apesar de melancólica.

“Los Heraldos Negros”



Mais uma surpresa ao final, o disco encerra-se com outra faixa curta (“Los Heraldos Negros”), destoando das longas digressões das faixas de maior duração. É impossível não pensar-se no “The Doors” como inspiração, pois a banda faz uma base contínua, mezzo blues / mezzo psicodélica (o órgão com timbre de Farfisa ou Vox, traz o elemento psicodélico, sem dúvida), enquanto um poema declamado quase de forma monocórdica, é puro Jim Morrison. A letra em castellaño é oriunda de um poema de autoria de César Vallejo, autor peruano, sendo um dos mais importantes poetas latino-americanos do século XX, e certamente que ao musicar tal poema com esse quilate, o Blind Horse lembrou-me a contundência de artistas da seara do “Folk Protest Song”, latinoamericano, como Mercedes Sosa e Violeta Parra. Tal poema é também título de um livro de César Vallejo, lançado em 1919, portanto, mais um ponto muito positivo do Blind Horse para esse disco, ao trazer uma obra poética da mais alta relevância. E tudo a ver com a expressão do sofrimento nos campos de algodão, não resta dúvida de que existe uma conexão sutil nesse texto do poeta peruano. Muito interessante trazer essa peça tão diferente do bojo do álbum, para justamente encerrá-lo, fugindo do esperado.

Sobre a performance individual dos componentes, só elogios. São músicos de alto gabarito, criativos e muito técnicos. Isso reflete-se também na produção do áudio do disco, privilegiando os timbres vintage, compatíveis e imprescindíveis eu diria, em se considerando as ótimas influências que eles carregam na sua formação pessoal.
Portanto, no cômputo geral, eis aí uma banda que confirma as ótimas expectativas geradas quando do lançamento de seu primeiro EP e indo além, avança, mostrando desenvolvimento nítido.

Gravado e lançado em 2017. Produzido por Sergio Filho no Mitinga Studio, na cidade de Barra de São João / RJ. 

Formação do Blind Horse nesse álbum :
Alejandro Sainz : voz, violão e gaita 
Rodrigo Blasquez: guitarra e backing vocals. 
Eddie Asheton: baixo e backing vocals. 
Maicon Martins: bateria 

Músico convidado:  Ronaldo Rodrigues : teclados
Capa : criação e lay out final : Alejandro Sainz
Foto da capa: Eliseo Miciu

Uma versão do álbum na íntegra, não do canal oficial da banda, mas certamente com sua aprovação.


Contatos com a banda :
Site oficial :

Página do Facebook :

Canal do You Tube :

Bandcamp :

É isso pessoal!
Espero que vocês curtam o som desta incrível banda indicada e resenhada pelo meu amigo Luiz Domingues. 
Abraços e até a próxima coluna!

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Baixista do Mês - Jack Bruce - Parte 2



Olá pessoal!
Nesta semana temos a segunda parte da coluna com o lendário Jack Bruce. Nascido como John Symon Asher Bruce em Bishopbriggs, Escócia no dia 14 de maio de 1943 e falecido em Suffolk, 25 de outubro de 2014 ) é considerado uma das maiores influências no universo do contrabaixo. 

Fonte: https://www.notreble.com/buzz/2013/07/01/jack-bruce-signs-with-esoteric-antenna-announces-new-album/

Apostrophe' – Tema A


Nesta música do genial Frank Zappa, Bruce utiliza todo o seu vasto repertório de improvisação. Neste primeiro exemplo temos o “Tema A” construído com a Pentatônica de E menor.


Apostrophe' – Solo de Baixo – 0:17


Neste exemplo temos um magnífico solo de Baixo criado por Bruce. A ideia aqui é modal, assim como várias músicas de Frank Zappa e a escala utilizada é a de D mixolídio para o acorde de D e a escala de C Maior para o acorde de C, obviamente durante todo o trecho o baixista abusa das “Blue Notes” tão características do Blues.

Drone – Voz – 0:57


A fórmula de compasso desta música é inusitada (11/8) e mais uma vez eu passo a ideia de que é legal gravar a frase ao invés de ficar contando. A escala utilizada é a Pentatônica Menor dos respectivos acordes.

Rusty Lady – Intro


Novamente a Pentatônica Menor serve como base para a criação da frase.

No Surrender – Intro


Como aqui temos um pequeno trecho da música a base está escrita com a pulsação na metade do tempo, para simplificar as anotações da transcrição, ela poderia ser indicada com o tempo normal e escrever “Half-Time Feel” para indicar esta ideia. Para a frase o baixista explorou basicamente as fundamentais de cada acorde. O grande segredo está na rítmica do trecho.

Abraços e até a próxima coluna!

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Apostilas para contrabaixo - Fernando Tavares

Olá pessoal!

São diversos métodos com materiais relacionados as pesquisas realizadas pelo autor durante toda a sua carreira como professor, colunista, editor e autor de matérias e estudos de contrabaixo, harmonia, educação e metodologia.
Os métodos são lançados sistematicamente pelo autor e abaixo temos os três primeiros lançamentos da coleção: 

- Método de Contrabaixo - Básico - Volume 1
- Método de Contrabaixo - Básico - Volume 2
- Padrões Melódicos para Contrabaixo 

Além destes, o autor possui diversos songbooks para contrabaixo elétrico como: 
- Classic Rock (coletânea com 15 linhas de baixo de músicas de classic rock)
- Fusion (coletânea com 10 linhas de baixo de músicas do estilo fusion e de baixistas solo)
- O melhor do Rock Nacional (coletânea com 10 linhas de baixo de músicas das principais bandas de rock nacional)
- 50 Temas de Jazz (transcrições no formato melodia e cifra de 50 temas de jazz)

Para maiores informações envie um e-mail para femtavares@gmail.com
Entre no link http://www.femtavares.com.br/p/livros-e-songbooks.html para ver as descrições completas das apostilas e dos songbooks.
E consulte sobre outros songbooks do autor relacionados a bandas específicas.

Abraços e bons estudos!

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Projeto TMF - Aula 06 - A importância de tocar com outros músicos

Olá pessoal!


Já viram a série de vídeos que estou fazendo com o meu amigo Mauricio Fernandes?
Nela falamos sobre diversos temas sobre música e estudos em geral.
Este é o sexto vídeo da série, no qual falamos sobre a importância de tocar com outros músicos.


Curtam nossas redes e acompanhem o nosso trabalho, sempre estaremos postando novidades.

Informações:

Vídeo sobre harmonia com os músicos Mauricio Fernandes (guitarra) e Fernando Tavares (contrabaixo).
Filmado e editado por Renata Pereira.

O projeto TMF Trio engloba aulas, composições próprias, workshops e muito mais, sempre com muita música.

Fique de olho em nossas redes sociais @oficialtmf

Muita música para todos vocês!

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Transcrição para alunos - Chic - Good Times


Olá Pessoal!

Nesta semana temos a transcrição com explicação da linha de baixo da música "Good Times" da banda Chic disponível para os alunos do meu curso de contrabaixo presencial e online.

Para maiores informações sobre o curso entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Abraços e até a próxima matéria!

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Técnicas para Contrabaixo - Mini-Curso - Two Hands - Aulas 05 a 08


Olá Pessoal!

Em anos anteriores eu lancei alguns mini-cursos aqui no site.
Postarei alguns deles aqui para vocês.
Este é o mini-curso com as aulas 5, 6, 7 e 8 sobre a técnica de Two Hands.
Para quem não assistiu as quatro primeiras aulas, elas podem ser encontradas neste link:
http://www.femtavares.com.br/2019/02/tecnicas-para-contrabaixo-mini-curso.html

Aula 05

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2015/06/two-hands-05.html

Aula 06

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2015/07/two-hands-06-every-breath-you-take.html

Aula 07

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2015/07/two-hands-07.html

Aula 08

Aula texto completa:

http://www.femtavares.com.br/2012/05/two-hands-08.html

Estude as colunas com calma e tente fazer na ordem, pois elas possuem uma sequencia que aumenta a dificuldade de forma gradual.

Abraço e bons estudos!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Transcrição do Mês - Toto - Africa


Olá Pessoal!

Nesta semana temos a transcrição da música "Africa" da banda Toto disponível gratuitamente no meu site.

Toto - Africa



Esta transcrição faz parte de um acervo com mais de 1000 tablaturas/partituras que são usadas como material de apoio nas aulas do meu curso de contrabaixo presencial e on-line.

Para maiores informações sobre o curso entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Bons estudos e até a próxima coluna!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Apostilas e Songbooks - Fernando Tavares

Olá pessoal!

Apostilas para contrabaixo - Fernando Tavares


São diversos métodos com materiais relacionados as pesquisas realizadas pelo autor durante toda a sua carreira como professor, colunista, editor e autor de matérias e estudos de contrabaixo, harmonia, educação e metodologia.

Vendas pelo e-mail: femtavares@gmail.com e pelo mercado livre nos endereços postados abaixo da publicação.

Método de Contrabaixo - Vol. 1 - Básico



Esta é a primeira parte de uma série de apostilas com aulas específicas para contrabaixo elétrico.
A apostila está dividida em 24 unidades de estudo que contém harmonia, teoria, técnica e estudos para aplicação dos assuntos aprendidos. No final ainda são disponibilizadas quatro músicas para aplicação dos estudos compreendidos na apostila. 
Os materiais são organizados desde as primeiras noções de música até a compreensão das primeiras ideias estruturais para o desenvolvimento de uma linguagem musical. Os assuntos vão desde nome das cordas até construção das escalas maiores, passando por intervalos, sendo este material intercalado com noções de leitura de partitura aplicada ao instrumento e domínio da técnica de pizzicato e de digitação para a mão esquerda.
A apostila contém 27 faixas de playbacks para aplicação dos estudos disponibilizadas em um arquivo digital.
Esta foi construída através de pesquisas e conteúdos adquiridos pelo autor como professor de Contrabaixo Elétrico durante mais de vinte anos. A ideia é que cada unidade de estudo se apresente conforme a necessidade de aprendizado do aluno, abrangendo os conceitos básicos de Harmonia, Teoria, Técnica e Repertório.

Mercado Livre


Método de Contrabaixo - Vol. 2 - Básico



Esta é a segunda parte de uma série de apostilas com aulas específicas para contrabaixo elétrico.
A apostila está dividida em 24 unidades de estudo que contém harmonia, teoria, técnica e estudos para aplicação dos assuntos aprendidos. No final ainda são disponibilizadas quatro músicas para aplicação dos estudos compreendidos na apostila.
Os materiais são organizados dando sequencia ao Método de Contrabaixo - Básico Vol. 1, e contém noções essenciais para o desenvolvimento de uma linguagem musical. Os assuntos partem de um estudo da escala maior, passando por tríades e campo harmônico, intercalando com estudos de leitura musical aplicada ao instrumento e técnicas de digitação e slap.
A apostila contém 37 faixas de playbacks para aplicação dos estudos disponibilizadas em um arquivo digital.
Esta foi construída através de pesquisas e conteúdos adquiridos pelo autor como professor de Contrabaixo Elétrico durante mais de vinte anos. A ideia é que cada unidade de estudo se apresente conforme a necessidade de aprendizado do aluno, abrangendo os conceitos básicos de Harmonia, Teoria, Técnica e Repertório.

 Mercado Livre


Padrões Melódicos para Contrabaixo



Este livro contém material para o estudo de Contrabaixo elétrico, sendo os estudos voltados para o desenvolvimento melódico do estudante através de padrões que são utilizados por diversos instrumentistas obtendo um melhor aprofundamento técnico e musical na construção e elaboração de frases e melodias. Estes padrões foram organizados através do conhecimento adquirido em aulas de contrabaixo, improvisação e composição que o autor teve durante a sua carreira.
O livro está dividido em três partes, sendo estas:
- Padrões para Tétrades
- Padrões para Pentatônicas
- Padrões para Escalas com três notas por corda
Ao aprofundar os estudos, um aluno poderá começar a propor os padrões de pentatônica para qualquer digitação que envolva duas notas por corda e os padrões para escalas para qualquer proposta que utilize três notas por corda.

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Songbook - O Melhor do Classic Rock - Volume 1



Este livro contém material para contrabaixo elétrico, apresentando transcrições no formato – cifra/ partitura/ tablatura de 15 grandes clássicos do Rock N'Roll, as músicas foram escolhidas após anos de pesquisa e trabalho do autor tocando com várias bandas em diversas casas da grande São Paulo. Estas músicas fazem parte do repertório da maioria das bandas de Classic Rock.

Transcrições

    1. Beds Are Burning – Midnight Oil
    2. Come Together – The Beatles
    3. Confortably Numb – Pink Floyd
    4. Crazy Train – Ozzy Osbourne
    5. Detroit Rock City – Kiss
    6. Have You Ever Seen The Rain? – Credence Clearwater Revival
    7. Paranoid – Black Sabbath
    8. Roadhouse Blues – The Doors
    9. Roxanne – The Police
    10. Scholl’s Out – Alice Cooper
    11. Smoke On The Water – Deep Purple
    12. Sultans of Swing – Dire Straits
    13. Under Pressure – Queen & David Bowie
    14. You Give Love A Bad Name – Bon Jovi
    15. You Shook Me All Night Long – Ac/Dc

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https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1235913709-songbook-classic-rock-_JM?quantity=1

Songbook - Fusion para Contrabaixo



Este livro contém material para contrabaixo elétrico, apresentando transcrições no formato: cifra/ partitura/ tablatura de 10 grandes músicas do Jazz-Rock/Fusion, as músicas foram escolhidas após anos de pesquisa e trabalho do autor tocando com várias bandas do estilo. 

Transcrições

    1. Pat Metheny – Bright Size Life 
    2. Mike Stern – Chromazone 
    3. Tribal Tech – Elvis at the Hop  
    4. Mahavishnu Orchestra – Hope 
    5. Marcus Miller – Panther
    6. Jaco Pastorius – Portrait of Tracy 
    7. Stanley Clarke – School Days
    8. Jeff Berlin – Tears In Heaven
    9. Allan Holdsworth – Tokio Dream
    10. Victor Wooten – U Cant' Hold No Groove

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Songbook - O Melhor do Rock Nacional



Este livro contém material para contrabaixo elétrico, apresentando transcrições no formato: cifra/ partitura/ tablatura de 10 músicas das bandas de Rock Nacional dos anos 80, as músicas foram escolhidas após anos de pesquisa e trabalho do autor tocando com várias bandas do estilo.

Transcrições

    1. Engenheiros do Hawaii – Alívio Imediato
    2. Nenhum de Nós – Camila, Camila
    3. Biquini Cavadão – Chove Chuva
    4. Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens – Como Eu Quero
    5. RPM – Louras Geladas
    6. Barão Vermelho – Maior Abandonado
    7. Titãs – Marvin (Patches)
    8. Paralamas do Sucesso – Meu Erro
    9. Ultraje a Rigor – Sexo
    10. Legião Urbana – Teatro dos Vampiros

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Para maiores informações envie um e-mail para femtavares@gmail.com

Consulte sobre outros songbooks do autor relacionados a bandas específicas.

Abraços e bons estudos!

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Artigos & Resenhas - Marcenaria (1º Álbum) - Por Luiz Domingues


Olá pessoal!

Estamos de volta com mais uma coluna "Artigos e Resenhas" aqui no nosso site. Dessa vez o nosso querido amigo e sensacional escritor Luiz Domingues nos fala sobre o primeiro álbum da banda Marcenaria, um grande trabalho que envolve grandes músicos. Vale a pena conhecer o trabalho desta banda apresentada pelo Luiz.

A matéria original pode ser encontrada neste link.


Lembrando que o nosso amigo possui três blogs diferentes que estão nos links abaixo.


Um breve release do Luiz feito pelo próprio:

Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Sem mais, vamos ao texto do Luiz

Marcenaria (1º Álbum) - Por Luiz Domingues


Os tempos atuais são tão desoladores no âmbito cultural em geral no Brasil e no mundo, que chega a causar estupefação que ainda haja artista que empenhe-se em perpetrar obras com substância artística inquestionável e nesse caso, agrega-se um fator a mais a enaltecer-se : a incrível resiliência que demonstra ter, com tal determinação.
É o caso do sexteto “Marcenaria”, que produz um som de extrema complexidade e baseado num caldeirão tão vasto de boas e diferentes influências, que torna o seu trabalho, um verdadeiro exemplo de que ficar nos lamentos pelas redes sociais, em nada ajuda-nos a vencer a guerra contra o baixo astral do show business dominado por gente deliberadamente comprometida com a subcultura, anticultura e afins. O negócio é dar apoio a quem está trabalhando firme, mesmo sem respaldo algum dos grandes meios de comunicação e mesmo assim, mostrando seu valor, que é muito grande, caso dessa banda. Ecléticos e polivalentes, os componentes do Marcenaria são todos multi instrumentistas com extrema destreza nos muitos instrumentos que tocam, cada um, e diga-se de passagem, eles também mantém trabalhos paralelos com outras bandas de carreira (o ótimo “Cosmo Drah”, é um exemplo) e trabalham como side man de artistas importantes.


Neste seu primeiro trabalho fonográfico, o Marcenaria transborda sua musicalidade riquíssima em todas as faixas, fazendo uma amálgama forte entre a urbanidade, e as tradições rurais do Brasil. As músicas interligam-se, sem que no entanto o disco seja assumidamente conceitual ou no formato “ópera”, mas simplesmente a conexão existe e tudo é reforçado pelo apoio de um esmerado trabalho gráfico que mescla o conceito “Comics” ou História em Quadrinhos, melhor dizendo. Não trata-se de nenhuma novidade estética, muitos artistas já usaram desse expediente anteriormente, basta uma rápida consulta aos registros na história do Rock, contudo, não vejo mal algum em reutilizar-se o mesmo recurso e basta usar de criatividade para deixar a marca pessoal, e é o que acontece nesse trabalho, com ilustrações de qualidade e texto amarrado inteligentemente, usando as letras das canções.
Sobre o nível instrumental dos componentes, qualidade das canções e sofisticação dos arranjos, sob esses parâmetros citados, é altíssimo. Não surpreendeu-me em nada, já esperava por isso quando recebi o disco em mãos, e como se não bastasse tal fato, ainda fazem vocalizações em harmonia muito sofisticadas, ou seja, algo muito fora do padrão do que ouve-se no mundo mainstream das emissoras de rádio FM ou na televisão e devo observar, ainda bem ! Os rapazes não estão nem aí para os padrões da música pasteurizada que os marqueteiros determinam que o povo vá ouvir. Maravilha, a preocupação é fazer arte e eles cumprem seu objetivo com galhardia e devo acrescentar, hombridade artística.

Sobre as faixas, são 12 canções muito intensas, apresentando sofisticação musical ímpar, belas harmonias; além de melodias e letras buscando signos do folk brasileiro (entenda isso pelo sentido amplo do termo “Folk”), misturando à urbanidade / modernidade das grandes metrópoles.


Em “Intro”, as convenções com acentos mostram força logo no início. Gostei muito das trocas de ritmos e fórmulas de compasso, mostrando destreza instrumental. A brasilidade evocada é nítida e lembrou-me bastante os bons momentos do “Som Imaginário” de Wagner Tiso & Cia., de outrora. Hermeto Pascoal creio que também encaixar-se-ia como influência. Vocais em harmonia muito bonitos e o som de viola caipira passeando com os sopros intermitentes, são muito ricos. E fora o fato de que frases agressivas executadas por guitarra, baixo e bateria, com instrumentos de sopros cortando tudo em passeios assim, são puro Prog Rock, na tradição de bandas como o "Gong" e "Van Der Graaf Generator", entre outras que usavam tal prerrogativa, certamente 

A faixa seguinte, “Meio Tom Acima do Chão” tem muita inspiração na dita psicodelia nordestina dos anos setenta. Não obstante o fato de evocar Lula Cortes, tem elementos sofisticados que muito lembram o Jazz fusion brasuca de Egberto Gismonti, pleno de brasilidades e virtuosismo. As intervenções de sopros são belas ao extremo, garantindo um colorido ininterrupto, como se uma revoada monumental de pássaros coloridos passasse pela janela enquanto ouvimos a faixa. Gostei muito de um solo de guitarra ao estilo “backwards” que é executado sobre uma batida tribal e linha de baixo num “looping” meio caribenho. E o parte final vai para a quebradeira total (ótimo !). Chamou-me a atenção um trecho da letra : 

“Lei de Newton, debaixo da castanheira, um banzeiro na minha cabeça... 
as vezes pareço andar meio tom acima do chão”...

Acho que uma imagem assim espelha bem a proposta da banda em buscar a poética das raízes, sob o viés da amálgama urbana.

Em “Guarânia”, trata-se de fato de desse gênero musical sulamericano / paraguaio / guarany, mas claro, sob uma sofisticação instrumental que a faz mais parecer uma música do "Jethro Tull", tamanha a profusão de detalhes e pegada Progger Rock. Gostei muito do solo de flauta, executado por Claudia Rivera, uma instrumentista convidada especial da banda. E a letra / linha melódica e também interpretação, eu diria, tem uma lembrança forte do trabalho do Zé Rodrix, a meu ver, bem daqueles discos solo dele dos anos setenta, que se o leitor nunca ouviu, conclamo-o a procurá-los no You Tube. É aquele toque de urbanidade que o saudoso Rodrix tão bem sabia dar no seu recado e o Marcenaria parece ter recuperado, ainda bem.

A faixa “Vire o Disco !” tem na sua proposta uma crítica ácida, mas muito pertinente à inércia da atual juventude. Todo mundo com olhos e dedinhos que não desgrudam dos celulares, mas de conteúdo bom que tal interação sócio tecnológica poder-se-ia resultar, nada, absolutamente nada !! E nesse deserto de ideias, chega a ser indecente termos tanta tecnologia disponível para que a imensa maioria fique hipnotizada por futilidades múltiplas. Portanto, a metáfora proposta pela letra é muito boa, ao utilizar a imagem do velho disco de vinil e sua inevitável necessidade gerada de obrigar o ouvinte a vira-lo na pick up, a cada término de lado executado.

“É hora de virar o disco, esse lado já se acabou. 
Levante o corpo do sofá e o braço da vitrola”.

Muito boa a mensagem, faça alguma coisa edificante, senhor "abduzido" das redes sociais...
Musicalmente, essa faixa fez lembrar-me bastante o som da banda Prog Rock brasileira dos anos setenta, “Terreno Baldio”, pela mescla de virtuosismo instrumental "Progger", com brasilidades. Sopros e violas caipiras passeiam o tempo todo.

A faixa seguinte, “O Trem” tem um sabor Blues, todavia pelo viés de um “quase” reggae. A proposta da letra lembrou-me o Zé Ramalho de seus mais inspirados trabalhos e um solo de guitarra, de arrepiar, trouxe o elemento Rock com muita força.

“Bruxismo”, tem fortes elementos do Jazz-Fusion, lembrando-me inicialmente o trabalho do “Weather Report”, mas como a pegada dos rapazes é de Rockers, acredito que soe mais Jazz-Rock, algo na linha do “Soft Machine”. Admirável a quebradeira ao longo das mudanças bruscas no tema. Tem algo de experimental bem na tradição dos compositores malditos da MPB setentista, bem naquela predisposição nonsense de artistas como Tom Zé; Jards Macalé & Walter Franco, com direito a intervenções de vozes e risadas. Muito bom, meninos, sabemos desde os anos setenta que loucura pouca é bobagem.

“Teste de Viola” é um tema instrumental e parece que o “Captain Beyond” foi tocar com violeiros caipiras, tamanho o peso Hard-Rock (em alguns trechos) e uma tremenda performance da viola. Um longo interlúdio, pleno de climas dá espaço para os solos.

“Fusa Roceira” tem uma base harmônica bastante sofisticada, com ótimos vocais em harmonia, percussão criativa e lembrou-me bastante os primeiros trabalhos do Alceu Valença, quando este era menos “pop” e mais instigante como artista, eu diria. As intervenções de guitarra ao final, lembraram-me o som cerebral de Robert Fripp e gostei muito do final épico, que despertou-me a lembrança da sofisticação do “Wishbone Ash”. Bacana o piano, incluso.

“Pessoas de alumínio e cobre, presas de jacaré e pedra. 
Só para descobrir. 
Mais um ponto do encerado pra eu arrochar. 
Mais um ponto do mistério pra eu descobrir”...

Uma letra que deixa bem clara a dicotomia da visão da vida moderna, pelo viés da sabedoria caipira. A pensar-se...

A canção “Chuva”, traz efeitos muito interessantes no seu início. Gostei da onomatopeia que fez-me recordar de uma linhagem melódica da MPB, que simplesmente não existe mais e até meados dos anos 1960, era ouvida em profusão no rádio e na TV. Gostei bastante da linha de bateria e baixo, com um sentido de preenchimento de espaços muito criativo. Fora as múltiplas convenções super técnicas. Tem climas jazzísticos acentuados, igualmente.

Na canção “Rinha de Galo”, a proposta é aparentemente mais regional, com acordeon, mas o Marcenaria não abre mão de seu esmero instrumental e logo entram elementos experimentais diversos. Gostei muito de uma desdobrada proeminente, e logo a seguir, um solo de guitarra ultra anos sessenta, que dá a impressão que Randy California ou Jorma Kaukonen foram trazidos por uma máquina do tempo, direto do palco do Fillmore West, de San Francisco em 1968, para o estúdio. Muito legal. Ótimas as convenções finais e com o belo solo de sax, dobrado.

Na faixa seguinte, “Camping de Noel”, é muito clara a semelhança com os trabalhos mais experimentais / psicodélicos dos primeiros discos dos Mutantes, com direito à robustez dos arranjos do maestro, Rogério Duprat. Mais uma vez, as vozes fazem um belo trabalho em harmonia.

A última canção do álbum tem um título conclusivo : ...”Mas no Final”..., uma ideia interessante, sem dúvida em dar ao ouvinte, um norte do que pretendem, com a obra. Na letra, fala-se :

“Olhou para si, olhou para o céu. 
E se pôs a lembrar tudo o que aconteceu quando então saiu de si em sua Marcenaria”...

Muito bacana dar essa opção para que o ouvinte faça de sua auto reflexão um mergulho, cada qual em sua “marcenaria”, ou seja, sua própria vida. Pela metáfora da oficina e das ferramentas todas à disposição para a livre manipulação e criação de seu caminho / obra / vida.
Sobre a sonoridade dessa canção, soa como um baião bastante sofisticado e com elementos no arranjo que muito recordou-me o som do “Ave Sangria”, uma banda nordestina dos anos setenta, infelizmente pouco citada, mas muito relevante. O final da canção tem mais uma vez um sabor “Van Der Graaf Generator”, muito bonito, a meu ver.


O Marcenaria é formado por Anderson Ziemmer (voz; guitarra; clarinete e percussão); Augusto Miranda (voz; guitarra; viola caipira; violão e flauta transversal); Bruno Costa (sax soprano e tenor); David Forell (voz e bateria); Elton Amorim (baixo; violão; acordeon; piano e viola caipira); Paulo Costa (voz; clarinete baixo; clarinete soprano; sax tenor e percussão).

Além da versatilidade da banda, ainda convidaram músicos para colaborar, casos de Claudia Rivera (Flauta Transversal); Clara Andrade (percussão) e Renato Amorim (guitarra).

Gravado no estúdio X, com Giorgio Karatchuk na operação do áudio; Thiago Nacif na mixagem e André Ferraz na masterização. Criação e lay out final de capa e encarte por Augusto Mendonça. Produção executiva por Marcelo Spindola Bacha. Selo : Melômano / Rock Company.

No cômputo geral, trata-se de um álbum com excelente áudio; é moderno, com pressão e definição, mas apresentando timbres bastante próximos de uma sonoridade mais “vintage” (viva !!). A qualidade musical da banda impressiona muito, tanto no nível instrumental quanto vocal, além da elaboração de arranjos sofisticados e letras com poética muito além da pasmaceira pasteurizada da música mainstream dos tempos atuais de 2017.

Contato direto com a banda, via E-mail : 
marcenaria@gmail.com

O Site oficial da banda :
https://www.bandamarcenaria.com

Eis abaixo, o álbum na íntegra para o leitor conhecer esse trabalho : 


O Link do álbum na íntegra, no You Tube :

Facebook :

É isso pessoal!
Espero que vocês curtam esta incrível banda indicada e resenhada pelo meu amigo Luiz Domingues. O grande "barato" de fazer esta coluna é conhecer bandas como a Marcenaria.
Abraços e até a próxima coluna!