quinta-feira, 5 de março de 2026

Estudo e análise da linha de baixo composta por Sam Jones na gravação de Autumn Leaves - Somethin’ Else, por Vinícius Dembicki

Olá, pessoal!

Nesta semana apresentamos um trabalho escrito pelo baixista Vinícius Dembicki, no qual ele analisa a linha de baixo executada por Sam Jones na gravação de “Autumn Leaves”, do álbum Somethin’ Else.

Vinícius é baixista e pesquisador de Curitiba, e transcreve e analisa diversas linhas de baixo. Vocês podem encontrá-lo no Instagram:

Autumn Leaves — Análise da linha de baixo de Sam Jones

Por Vinícius Dembicki

INTRODUÇÃO

“Autumn Leaves” (Les Feuilles Mortes) é uma música de origem francesa, composta por Joseph Kosma (1905–1969) em 1945. A letra original, em francês, foi escrita pelo poeta Jacques Prévert, e a versão em inglês por Johnny Mercer.

A composição é considerada um jazz standard — peça amplamente gravada e integrante do repertório comum entre músicos de jazz. Assim, foi regravada por inúmeros artistas, como Frank Sinatra, Miles Davis e Cannonball Adderley, entre outros.

O objeto de estudo para este trabalho é a gravação de “Autumn Leaves” presente no álbum Somethin’ Else (1958), de Cannonball Adderley. A formação dessa gravação é:

  • Cannonball Adderley — saxofone (líder)

  • Miles Davis — trompete

  • Hank Jones — piano

  • Sam Jones — contrabaixo

  • Art Blakey — bateria

Sam Jones (1924–1981) foi um importante músico norte-americano, atuando no contrabaixo e no violoncelo. Iniciou sua carreira em Nova Iorque em 1955, gravando com Tiny Bradshaw, Bill Evans, Bobby Timmons, entre outros. Seu trabalho mais reconhecido está ligado ao quinteto de Cannonball Adderley, do qual participou entre 1955–1956 e 1959–1964. No contrabaixo, consolidou fundamentos essenciais para a construção de linhas no hard bop; no violoncelo, gravou diversos álbuns como líder.


Este trabalho resulta da análise da linha de baixo criada por Sam Jones, com o objetivo de compreender sua lógica musical e estudar os motivos e frases que ele desenvolve.

“Autumn Leaves” possui forma AABC, com progressões harmônicas características do jazz, como:

  • ii–V–I (em tonalidades maiores)

  • iiø–V–i (em tonalidades menores)

Na gravação do álbum Somethin’ Else, a tonalidade é Sol menor.

Frases e conceitos observados

No chorus — seção específica de uma composição — em que Cannonball começa a tocar, após quatro compassos, percebemos a primeira frase de iiø–V–i desenvolvida por Sam Jones, a qual se torna um motivo recorrente ao longo de toda a música, apresentando variações esporádicas.

Frase iiø - V - i:


O cromatismo utilizado por Sam Jones é pensado para alcançar a fundamental do próximo acorde da sequência, e isso fica muito claro quando analisamos essa frase. Esse recurso cria a sensação de que estamos sempre caminhando para a frente — um dos princípios do walking bass — evitando que o ritmo e a harmonia fiquem estagnados.

Após essa passagem, observamos uma linha de baixo já nos registros mais agudos do instrumento, o que cria um contraste interessante em relação aos caminhos mais graves anteriormente percorridos, também configurando uma frase de ii–V–I.

Percebemos um grande uso das tríades. Estas são muito importantes, pois, a partir delas, conseguimos identificar as sensações (funções) que os acordes provocam e, além disso, utilizá-las como base para caminhar para outros acordes da harmonia. Nesta frase, observamos os cromatismos (G–Gb–F) e (C–B–Bb).

Aprendemos o seguinte movimento: 1–3–5–A.C. — em que 1, 3 e 5 correspondem às notas do acorde (1 = fundamental; 3 = terça; 5 = quinta) e A.C. significa Aproximação Cromática para a fundamental do próximo acorde.

Sam Jones não desenvolve a linha apenas de maneira ascendente. A partir do compasso 89, observamos uma frase de ii–V–I combinando movimentos descendentes e ascendentes.

Um movimento comum utilizado por Sam Jones é o padrão 1–3–6–5 e 1–5–3–1, aplicado para caminhar e preencher um compasso quando apenas um acorde está sendo tocado. O baixista costuma empregar esses padrões de forma sequencial quando há uma progressão I–IV, pois, dessa maneira, conseguimos criar caminhos diatônicos bastante interessantes.

Quando um acorde se mantém por dois compassos consecutivos, Sam Jones utiliza duas frases que se mostraram predominantes na gravação. A primeira delas é uma frase construída em terças sobre um acorde i, seguida por um acorde V.

A primeira oitava dessa frase é intercambiável, ou seja, podemos iniciá-la em uma altura mais grave ou mais aguda. Essa escolha pode depender de diversos fatores artísticos, como um caminho melódico já estabelecido (ascendente ou descendente) ou, simplesmente, de uma decisão estética.

Apenas o primeiro intervalo não é uma terça — sendo ele uma quinta ou uma quarta —, enquanto todos os demais intervalos são terças. Esse movimento permite que o baixista continue caminhando dentro de uma harmonia relativamente estática.

A segunda frase baseia-se em um padrão de oitavas, percorrendo as notas de um acorde para alcançar uma oitava mais aguda e, em seguida, retornar à oitava mais grave.

Essa frase também pode apresentar o movimento contrário, por exemplo:


sses são os principais motivos desenvolvidos por Sam Jones ao longo de sua extensa linha. Esta versão de Autumn Leaves possui cerca de 10 minutos e, por isso, Sam Jones apresenta variações desses motivos justamente para evitar a repetição literal. Alguns exemplos são:

Frase iiø - V - i: 

Encadeamento de ii - V com passagens ascendentes e descendentes:

Caminho em regiões agudas do instrumento:

 

CONCLUSÃO

Este estudo permite compreender melhor os motivos e frases utilizados por Sam Jones em sua gravação de “Autumn Leaves”, ampliando o nosso vocabulário e refinando nossas ideias musicais.

Jones busca sempre servir à progressão de acordes, conduzindo a linha de forma clara, cromática e diatônica, priorizando a chegada na fundamental do próximo acorde.

Esses recursos ajudam a construir uma cozinha sólida e coesa, aplicável tanto a harmonias simples quanto complexas.
Ao estudar essas frases em diversas tonalidades, ampliamos nossa preparação para jams, gigs e gravações.


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segunda-feira, 2 de março de 2026

MKK BASS SESSIONS - Programa #16 - Palheta

Olá, pessoal!

Durante vários anos, produzi e apresentei um programa totalmente dedicado ao contrabaixo na MKK Web Radio (https://mkkwebradio.com.br/. O programa ultrapassou a marca de 100 edições e, por esse motivo, decidi compartilhar com os ouvintes os episódios anteriores para os quais desenvolvi pesquisas e roteiros especiais.

Todos os programas podem ser ouvidos no Spotify e no Mixcloud. Os links estão disponíveis abaixo:

https://www.mixcloud.com/discover/

Programa 16 - Palheta


No programa 16, tivemos um especial com baixistas que tocam com palheta.

Esse tema sempre gera muita discussão, mas estamos aqui para mostrar que não importa a ferramenta — o importante é tirar o melhor som possível e criar linhas de baixo bem legais.

Como sempre, temos baixistas brasileiros e internacionais que se consagraram utilizando essa técnica.

Lembrando que o programa inédito vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, às 22h, com reprise aos domingos, às 20h, aqui na MKK Web Radio.


Mike Rutherford — Genesis

Todos nós sabemos que o rock progressivo produziu grandes baixistas. Além de dominar as ferramentas necessárias para o instrumento, esses músicos também eram excelentes compositores. Entre as lendas do estilo que usavam palheta estão Chris Squire e Greg Lake, por exemplo.

Mas, neste especial, tivemos o baixista e compositor do Genesis, Mike Rutherford, com a música “Get ’Em Out by Friday”, do álbum “Foxtrot” (1972). Prestem atenção às frases com pentatônica e às tercinas que o baixista executa no refrão.

O Genesis teve várias formações, mas a que apresentamos no programa é considerada a clássica da banda:

  • Peter Gabriel — voz, flauta, oboé e percussão

  • Tony Banks — teclados e violão de 12 cordas

  • Steve Hackett — guitarras

  • Phil Collins — bateria

  • Mike Rutherford — baixo, guitarras e sintetizador Dewtron “Mister Bassman”, que funcionava como o famoso Moog Taurus. Esse tipo de sintetizador é interessante porque permite ao músico tocar o baixo com o pé (ou teclado), deixando as mãos livres para outro instrumento. Chris Squire, Billy Sheehan e Geddy Lee também usaram esse recurso.


Dewtron "Mister Bassman"


Phil Lynott — Thin Lizzy

Agora vamos escutar o sensacional baixista e vocalista Phil Lynott e sua banda Thin Lizzy.

A música apresentada no programa foi “Waiting for an Alibi”, primeiro single do álbum “Black Rose: A Rock Legend” (1979).

Esse foi o único álbum do Thin Lizzy gravado enquanto o guitarrista Gary Moore ainda fazia parte da banda.

O primeiro grande sucesso do grupo veio com a música “Whiskey in the Jar” (1972) — que também ficou famosa na versão do Metallica.

A sonoridade de Lynott é bem característica. Suas linhas de baixo têm antecipações muito marcantes, o que dá um balanço incrível às músicas.

Phil Lynott faleceu em 4 de janeiro de 1986, aos 36 anos. Em 2005, uma estátua em bronze em tamanho real foi inaugurada em Dublin em sua homenagem.


Luiz Domingues — Kim Kehl e os Kurandeiros

Uma das bandas mais legais do cenário independente de São Paulo é Kim Kehl e os Kurandeiros, com o sensacional baixista Luiz Domingues.

Luiz tocou nas bandas A Chave do Sol, Língua de Trapo, Pedra, Pit Bulls On Crack, Patrulha do Espaço, entre outras. Na década de 1980, ele tocava com os dedos e já tinha uma pegada incrível.

Em uma das nossas conversas, Luiz contou que migrou para a palheta pelas possibilidades sonoras que a ferramenta oferece. Isso mostra como a busca por timbre e linguagem própria é o que realmente importa.

No programa, escutamos um pouco do Luiz com os Kurandeiros na música “O Filho do Vodu”.

A linguagem roqueira da banda vem da experiência de seus músicos na cena paulista. Kim Kehl, por exemplo, já tocou em bandas como Lírio de Vidro e Made in Brazil, além de uma banda cover dos Rolling Stones.

O baterista Carlinhos Machado também tocou com Gerson Conrad, Lee Recorda, entre outros.

Além de músico, Luiz é um importante escritor. Ele mantém três blogs sobre música e publicou uma série de três livros sobre música no cinema — vale a pena conferir!


Joan Bedin — The Mönic

Mais um destaque da nova geração do contrabaixo brasileiro é Joan Bedin, baixista da banda The Mönic, formada em 2017.

Hoje vamos ouvir a música “Maldizer”, do álbum “Deus Picio” (2019), lançado pela gravadora Deck. O som de baixo é excelente, e a produção do disco é muito bem feita.

A banda surgiu do encontro entre Ale Labelle, Joan Bedin e Daniely Simões. Em menos de três meses, elas já tinham mais de 10 músicas gravadas em uma demo. Mesmo com pouco tempo de estrada, a banda já tocou em eventos importantes, como a Virada Cultural de São Paulo, Oxigênio Festival, Big Dia da Música, entre outros.

Em 2021, a baterista Daniely Simões deixou a banda, sendo substituída por Thiago Coyote. Nesse mesmo ano, o grupo lançou o EP acústico “Refúgio”, gravado remotamente durante a pandemia.



Gene Simmons — Kiss

Agora vamos escutar um dos grandes nomes do contrabaixo mundial.

Gene Simmons (nome artístico de Chaim Witz) é vocalista, baixista e fundador do Kiss. Ele pertence ao grupo de baixistas que preferem a palheta — embora, em clipes com playback, muitas vezes apareça tocando com os dedos.

No programa, ouvimos “I Was Made for Lovin’ You”, do álbum “Dynasty” (1979), um dos grandes sucessos mundiais da banda.

A música foi composta por Paul Stanley e Desmond Child, e nela podemos perceber a influência de baixistas clássicos que tocavam com palheta, como Carol Kaye.

Junto com Paul Stanley, Simmons é o único membro remanescente da formação original e participou de todos os álbuns da banda.


David Ellefson — Megadeth

Agora vamos escutar um dos baixistas mais importantes do thrash metal.

David Ellefson é cofundador do Megadeth, ao lado de Dave Mustaine. Rápido e técnico, Ellefson sempre chamou atenção por suas linhas executadas com palheta — muitas delas bastante complexas. Ele utiliza baixos Jackson, tendo inclusive um modelo signature.

Para nosso especial, escolhemos o clássico “Peace Sells”, do álbum “Peace Sells… but Who’s Buying?” (1986).

Ellefson esteve na banda de 1983 a 2000, retornando em 2010 e permanecendo até 2021. Nesse período, também integrou grupos como Temple of Brutality, F5, Soulfly e Killing Machine.


Marcos Brandão — Liar Symphony

Agora vamos ouvir uma das mais importantes bandas do heavy metal nacional: Liar Symphony, com o baixista Marcos Brandão.

Quando o programa foi ao ar, a banda havia relançado a música “Negative Foreseeing”, originalmente lançada em 2000, no álbum “Affair of Honour”, que saiu no Japão e na Europa.

O Liar Symphony possui seis álbuns de estúdio, além de um CD e um DVD ao vivo.


Canisso — Raimundos

Nos anos 1990, surgiu em Brasília uma banda que ficou famosa em todo o país: Raimundos.

Lançada pelo selo Banguela Records, criado por integrantes dos Titãs e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, a banda estourou já no primeiro álbum, misturando forró e rock. O baixista dessa fase era Canisso, que também integrou a banda Rodox.

No programa, ouvimos “Nariz de 12”, do álbum “Lapadas do Povo” (1997) — um disco com sonoridade mais pesada e letras de cunho social.


Steve Swallow

Muita gente associa a palheta ao rock, mas no programa ouvimos um dos grandes nomes do jazz que toca com palheta: Steve Swallow.

A música foi “Radio”, do álbum “Swallow Tales” (2020), do guitarrista John Scofield.

Swallow foi um dos primeiros baixistas de jazz a adotar o baixo elétrico e a utilizar a corda dó aguda. Formado em música, ele lecionou no Berklee College of Music, tocou com Carla Bley e mantém longa parceria com John Scofield.

Suas composições foram gravadas por músicos como Jim Hall, Bill Evans, Chick Corea, Stan Getz e Gary Burton.



É isso aí, pessoal!

Espero que escutem o programa 😊

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Baixistas do Rock - Parte 9


Olá, pessoal!

Nesta coluna, iniciamos um conjunto de duas colunas sobre o baixista Steve Harris do Iron Maiden e suas técnicas e abordagens musicais.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Pequena bio do Steve Harris

Steve Harris é baixista, compositor e fundador do Iron Maiden, uma das bandas mais influentes da história do heavy metal. Nascido em 1956, em Londres, Harris desenvolveu um estilo inconfundível, marcado por linhas de baixo melódicas, uso intenso de palhetadas alternadas com os dedos e forte presença rítmica. Além de assinar grande parte das composições do grupo, ele também atua na direção musical e visual da banda. Seu trabalho ajudou a definir a sonoridade do metal britânico dos anos 1980 e influenciou gerações de baixistas ao redor do mundo.

Steve Harris e suas principais características técnicas e rítmicas serão abordados. Alguns elementos que ele utiliza, principalmente a cavalgada, serão explorados em outra oportunidade. Optei por enfatizar a tercina, uma vez que a cavalgada já foi comentada em outras ocasiões, enquanto essa figura rítmica foi pouco explicada até agora.


Exercício 1

No primeiro exemplo, são apresentadas quiálteras de tercina. A quiáltera consiste em uma subdivisão rítmica irregular, devendo ser sempre indicada graficamente a alteração realizada.

Primeiro compasso: as semínimas, que normalmente ocupariam um tempo cada em um compasso de 2/4, são reorganizadas em três unidades no lugar de duas. Essa modificação é indicada pelo número “3” sobre o grupo.

Segundo compasso: a mesma lógica é aplicada às colcheias, configuração que corresponde ao uso mais comum das tercinas.

Terceiro compasso: o princípio é estendido às semicolcheias. No primeiro tempo, temos três tercinas de semicolcheia no lugar de duas; no segundo tempo, é possível substituir quatro semicolcheias por seis sextinas. Há, entretanto, uma diferença sutil entre essas duas formas de subdivisão.



Exercício 2 

No segundo exercício, execute as tercinas ao longo dos quatro tempos e, posteriormente, realize a mudança para a nota localizada na corda inferior. Inicie a prática em andamento lento e aumente gradualmente a velocidade, de forma controlada.


 

Exercício 3

Neste exercício, trabalhamos as escalas de G maior e de E menor, ambas amplamente utilizadas por Steve Harris na construção de suas linhas melódicas. Caso você ainda não tenha familiaridade com o estudo de escalas, recomenda-se buscar a orientação de um professor, uma vez que esses conteúdos constituem elementos essenciais para o desenvolvimento musical. As escalas de G maior e de E menor possuem as mesmas notas: G, A, B, C, D, E e F#.



Exercício 4

No exercício 4, é apresentado um trecho de “Rime of the Ancient Mariner”, no qual o baixista executa a escala maior relativa a cada um dos acordes da progressão harmônica.


Concluindo, o estudo das linhas de Steve Harris evidencia como recursos rítmicos, como a tercina e a cavalgada, aliados ao uso consciente de escalas, podem gerar frases marcantes e altamente expressivas no contrabaixo elétrico. A análise desses elementos não apenas amplia o vocabulário técnico do instrumentista, como também desenvolve a percepção rítmica e melódica aplicada ao rock e ao heavy metal. A prática dos exercícios propostos oferece uma base sólida para compreender a estética musical de Harris e, ao mesmo tempo, contribui para a formação de uma linguagem própria por parte do estudante.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Harmonia - Aula 11 – Escalas – Padrões – Parte 1


Olá, pessoal!

Nesta semana, temos mais uma aula de harmonia. Seguimos com o estudo das escalas e, desta vez, iniciaremos um trabalho mais técnico, voltado à aplicação dessas escalas na construção de frases para improvisação e composição.

Nesta aula, aplicaremos as escalas maior e menor natural utilizando o padrão melódico de três notas. Você também pode estudar o mesmo padrão com as escalas menor harmônica e menor melódica.

Este artigo faz parte da minha coleção, que reúne diversos estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.

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Vídeo


Estude este exercício com o auxílio de um metrônomo e tente tocar com precisão as três notas que estão dentro de um tempo. Comece em 60 bpm e aumente de 4 em 4 conforme se sentir confortável.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Transcrição exclusiva para alunos - Jaco Pastorius - Come On, Come Over


Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento a transcrição e a explicação da linha de baixo da música "Come On, Come Over" do baixista Jaco Pastorius, disponível para os alunos do meu curso de contrabaixo, tanto na modalidade presencial quanto on-line.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O estilo musical de Mike Rutherford no álbum Foxtrot


Olá, pessoal!

Nesta semana, trago uma coluna especial que escrevi para a antiga revista Coverbaixo, na qual analiso as principais características das linhas de baixo do álbum Foxtrot, da banda Genesis, com o baixista Mike Rutherford.

Este artigo integra minha coleção de estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.

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O Genesis e o álbum Foxtrot

O Genesis surgiu na Inglaterra em 1967, tendo como núcleo inicial Peter Gabriel (vocais, flautas, percussão e oboé), Mike Rutherford (contrabaixo, guitarra e cítara) e Tony Banks (órgão, guitarra, piano e teclado). Ao longo da carreira, o grupo alcançou expressiva projeção internacional, com cerca de 150 milhões de discos vendidos, consolidando-se entre os trinta artistas mais bem-sucedidos da história da música popular.

A trajetória da banda estendeu-se por mais de três décadas e pode ser compreendida, de maneira geral, em duas grandes fases. Na primeira, durante os anos 1970, o Genesis destacou-se como um dos principais representantes do rock progressivo, caracterizando-se por estruturas musicais elaboradas, instrumentação sofisticada e apresentações marcadas por forte componente teatral. Entre os álbuns mais representativos desse período encontram-se Nursery Cryme (1971), Foxtrot (1972) e Selling England by the Pound (1973), este último responsável por ampliar de forma decisiva a presença do grupo no mercado norte-americano. A partir da década de 1980, observa-se uma gradual aproximação do repertório com o universo pop, o que ampliou ainda mais o alcance do grupo junto ao grande público.

É nesse contexto histórico e estético que se insere o álbum analisado nesta coluna.

O álbum Foxtrot, lançado em 1972, representa um marco na trajetória artística do Genesis. A obra consolidou a banda como uma das principais referências do rock progressivo britânico, tanto pela complexidade estrutural de suas composições quanto pelo caráter narrativo e teatral de suas performances. A formação responsável pelo álbum reúne Peter Gabriel (vocal, flauta e percussão), Mike Rutherford (contrabaixo e guitarra), Tony Banks (teclados), Steve Hackett (guitarra) e Phil Collins (bateria e vocais).

O disco apresenta um conjunto de obras que combinam elementos de tradição erudita, experimentação tímbrica e uso sofisticado de métricas e texturas musicais. Entre as faixas mais emblemáticas, destacam-se Watcher of the Skies, com sua introdução marcada pelo mellotron, e a suíte Supper’s Ready, composição de grande fôlego estrutural e expressivo impacto narrativo, frequentemente considerada uma das criações mais ambiciosas do gênero.

Em Foxtrot, o Genesis aprofunda a integração entre conteúdo poético, teatralidade e elaboração instrumental, desenvolvendo uma linguagem própria que teria repercussão duradoura na estética do rock progressivo. Nesse contexto, o contrabaixo de Mike Rutherford desempenha papel fundamental, articulando sustentação harmônica, desenho melódico e construção rítmica de maneira orgânica e expressiva ao longo do álbum.

Genesis - Foxtrot


Watcher of the Skies

Este trecho corresponde à base da voz (2’19’’) e é executado sobre a fórmula de compasso 6/4. O interessante, nesse caso, é que o compasso não é subdividido em dois tempos fortes de três tempos cada, como ocorre normalmente, mas sim em uma organização rítmica que sugere quatro tempos seguidos de dois. Atenção especial deve ser dada ao padrão rítmico, que inclui notas executadas em staccato. A frase é construída a partir da quinta e da oitava do acorde.



Time Table — 1

Este trecho ocorre por volta de 1’04’’ e corresponde à base do refrão. Nos dois primeiros compassos, é utilizada a escala de Dó menor dórico; no terceiro compasso, a escala pentatônica de Si bemol. No quarto compasso, são executadas as tônicas de cada acorde no contratempo.



Time Table — 2

Esta base corresponde ao solo de piano que ocorre durante o interlúdio da música (1’43’’), momento em que o baixo realiza um pequeno solo. No primeiro e no terceiro compassos, o baixista trabalha sobre a tríade do acorde. No segundo e no quarto compassos, a frase é construída sobre a pentatônica de Mi maior. O quinto compasso utiliza a pentatônica de Ré maior e o sexto, a escala menor de Si.



Get ’Em Out by Friday — 1

Esta frase corresponde à introdução da música. Nos três primeiros compassos, é utilizada apenas a tônica do acorde e, a partir do quarto compasso, o baixista emprega a escala de Lá maior para construir a frase. Nos compassos 6, 7 e 8, volta-se à tônica, e, a partir do 9º compasso, passa-se à escala de Fá♯ menor.



Get ’Em Out by Friday — 2

Este trecho corresponde à base da voz e é repetido diversas vezes ao longo da música. A frase é construída sobre a pentatônica de Lá menor e utiliza como elemento fundamental a célula rítmica de tercinas.



Supper’s Ready

Durante a maior parte desta música, o baixista toca violão, enquanto as linhas de baixo são realizadas por meio do pedal Moog. Em boa parte do trecho, é utilizada apenas a tônica do acorde. Na sexta seção — “Apocalypse in 9/8” — a frase principal da base da voz e do solo de teclado é construída sobre a fórmula de compasso 9/8. Nesse trecho (16’15’’), a maior dificuldade encontra-se na rítmica, marcada por uma acentuação bastante incomum.


A análise das faixas de Foxtrot evidencia a relevância do trabalho de Mike Rutherford na consolidação de uma linguagem própria para o contrabaixo dentro do rock progressivo. Suas linhas aliam clareza estrutural, senso melódico e precisão rítmica, articulando-se de forma orgânica com os arranjos complexos característicos do Genesis nesse período. Ao mesmo tempo, observa-se uma escrita que respeita o papel funcional do instrumento, mas que, sempre que necessário, assume protagonismo musical com equilíbrio e musicalidade.

O álbum confirma o momento de maturidade criativa da banda, na qual a integração entre narrativa, teatralidade e elaboração instrumental alcança alto grau de consistência estética. Para estudantes, pesquisadores e instrumentistas, Foxtrot constitui um material de grande valor analítico, permitindo compreender como o contrabaixo pode atuar de maneira expressiva e estruturante em um contexto de linguagem expandida.

Espero que estas observações contribuam para uma escuta mais atenta e reflexiva do trabalho de Rutherford e reforcem a importância do estudo sistemático das linhas de baixo no repertório do rock progressivo.

Link para ouvir o álbum


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Transcrição - Apostrophe' Trio - Apostrophe'


Olá pessoal!

Em 2017, lancei um CD com o Apostrophe' Trio e disponibilizarei as transcrições aqui neste site ao longo deste ano.

Neste mês, temos a transcrição da música Apostrophe' lançada no álbum homônimo de 2017.

É possível ouvir o álbum no Spotify, no YouTube ou em outras plataformas de streaming.

Youtube:



Apostrophe'


A primeira transcrição é da música "Apostrophe'", que nomeia o álbum do Apostrophe' Trio e o abre.

A composição desta música segue uma forma estrutural composta por quatro partes distintas: A-B-A'-C-D = solos-A-B-C-B.

Na seção A, os compassos 7 a 8 apresentam a base fundamental da música. Esta base é construída pela escala de Mi menor natural, com a blue note #4 (A#) e um cromatismo com a sétima maior (D#). Os compassos 1 a 2 exibem a melodia do baixo, criada utilizando as tríades correspondentes a cada nota presente na base dos compassos 7 a 8. Os acordes empregados compreendem: Em, F#º, Em/G, Am, Bb, B, juntamente com o cromatismo.

Na seção B, eu escrevi um trecho utilizando o campo harmônico de Mi DomDim, construindo a linha do contrabaixo a partir dos baixos E-D-F-E. Todas as notas utilizadas estão dentro da escala de Mi DomDim.

Na seção C, duas bases distintas são introduzidas: a primeira é constituída pelos acordes de A (I), E (V) e D (IV). As frases foram elaboradas a partir da escala de Lá maior. Já a segunda base é construída utilizando a escala de Si menor.

Por fim, a base para o solo é composta com a tonalidade de Lá maior, e optei pelos acordes de Bm/D, C#m e E. Para dar um caráter mais fusion, utilizei a escala de Ré Lídio para improvisar, dado que possuo várias frases previamente estudadas nesse modelo. É possível explorar outras opções de frases, como a Pentatônica de C#m, que se ajusta muito bem. Para aqueles que dominam frases no modo Dórico, é viável empregá-las em Si menor, gerando um efeito sonoro igualmente satisfatório.

Transcrição

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Apostrophe' Trio: Apostrophe'

Música por Fernando Tavares

Performance:
Fernando Tavares: Contrabaixo
Lucas Barbosa Fragiacomo: Guitarra
Thiago Sonho: Bateria

Gravado, mixado e masterizado por Armando Leite no Estúdio Tecnoarte!
Produzido por Fernando Tavares

Abraço e até a próxima coluna!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Artigo “De outras terras e outras línguas te acordar: Taiguara, a música como campo de batalha”

Olá, pessoal!

Estou aqui hoje para apresentar o artigo “De outras terras e outras línguas te acordar: Taiguara, a música como campo de batalha”, que se relaciona à linha de pesquisa "Significação Musical e Teoria Crítica aplicadas às Dimensões Sociopolíticas, Culturais e Decoloniais da Música Brasileira" do LAMUS (Laboratório de Musicologia) da EACH-USP Leste, coordenada pelo Prof. Dr. Diósnio Machado Neto.

O artigo é uma produção conjunta de Aldo Luiz Leoni, Fernando Tavares e Diósnio Machado Neto do LAMUS e resultado dos encontros do Grupo de Estudos sobre o Rock, feitos quinzenalmente pelo grupo. O artigo saiu no dossiê: “Álbumes del exilio: música popular, política y experiencias” no Volume 6, Número 1 (2024) da Revista Contrapulso, disponível no link:

https://contrapulso.uahurtado.cl/index.php/cp/issue/view/10

O artigo pode ser encontrado neste link:

https://contrapulso.uahurtado.cl/index.php/cp/article/view/240/105

Resumo do artigo

Este trabalho aborda a vigilância ideológica e de costumes dos aparelhos do Estado durante a Ditadura Militar no Brasil, especialmente na música. Destaca-se o caso de Taiguara, um compositor que ao tentar reiteradamente defender pessoalmente suas canções acabou criando no meio censório uma reputação de inconformista. Isso eventualmente se agravou à medida que o regime militar passou não só a cercear canções sobre costumes, mas também conteúdo considerado subversivo. Assim a carreira do músico em paralelo à escalada da repressão desde o Golpe de 1964 estabelece um nexo de causalidade. A vigilância começa a se evidenciar mesmo durante os festivais musicais televisionados na década de 60 nos quais o músico tinha presença constante. Isso iria causar os dois períodos de exílio de Taiguara, o primeiro na Inglaterra e o segundo na Tanzânia. O álbum Imyra, Tayra, Ipy(1976) foi o auge da perseguição, pois, mesmo tendo passado na peneira censória foi recolhido às pressas logo após sua distribuição. Além da discussão sobre o exílio e a censura enfrentados por Taiguara, são analisadas soluções musicais e letras do compositor nesse contexto. A postura crítica e a defesa de pautas que hoje seriam classificadas como progressistas destacaram-no como um artista em busca de liberdade de expressão.

Palavras-chave: Taiguara, exílio, ditadura militar brasileira, censura, Imyra Tayra Ipy.

Para quem quiser saber mais informações sobre o LAMUS, pode acessar o site:

https://sites.usp.br/lamus-each/

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.


Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).

É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.

"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Transcrição do Mês - Duran Duran - Hungry Like The Wolf

 


Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento uma transcrição com texto explicativo no site. Para esta coluna, escolhemos a música Hungry Like the Wolf do Duran Duran com John Taylor no baixo.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical. 

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Duran Duran - Hungry Like The Wolf

Álbum: Rio (1982)

Baixista: John Taylor

Transcrição: Fernando Tavares

Duran Duran

O Duran Duran é uma banda britânica formada em 1978 em Birmingham, Inglaterra, pelos músicos Nick Rhodes (teclados) e John Taylor (baixo), com a entrada posterior de Simon Le Bon (vocais), Roger Taylor (bateria) e Andy Taylor (guitarra). Considerado um dos maiores fenômenos da música pop e new wave da década de 1980, o grupo destacou-se pela fusão de elementos eletrônicos com rock e funk, além de sua estética visual inovadora, fortemente associada ao surgimento da MTV.

O impacto do Duran Duran foi ampliado pela produção de videoclipes cinematográficos e estilizados, que contribuíram para a construção da imagem da banda como ícone da cultura visual e musical da época. O álbum Rio (1982) consolidou o sucesso internacional do grupo, contendo uma série de faixas que se tornaram clássicos, como “Rio”, “Hungry Like the Wolf” e “Save a Prayer”, e estabeleceu o Duran Duran como referência de excelência estética, inovação sonora e apelo popular.


John Taylor

John Taylor (nascido John Bates em 20 de junho de 1960, em Solihull, Inglaterra) é um baixista, compositor e músico reconhecido por seu trabalho com o Duran Duran. Sua abordagem ao baixo combina técnicas rítmicas refinadas com sensibilidade melódica, fluindo entre linhas funk, pop e rock com grande caráter. Taylor foi um dos principais arquitetos do som distintivo da banda, contribuindo com linhas de baixo memoráveis que, apesar da popularidade visual do grupo, se destacam pela musicalidade e pela inventividade.

Ao longo de sua carreira, Taylor participou de diversos projetos paralelos, colaborou com outros artistas e explorou diferentes vertentes musicais, sempre mantendo o baixo como instrumento expressivo e protagonista em muitos arranjos.


Análise da Transcrição de “Hungry Like the Wolf”

Na década de 1980, o Duran Duran tornou-se um dos maiores fenômenos da música pop, em grande parte por sua capacidade de unir excelência musical, estética visual e a nova forma de difusão musical promovida pela MTV. Ainda hoje, a obra da banda merece ser estudada não apenas pelo impacto cultural, mas também pelos aspectos técnicos e composicionais presentes em suas gravações.

A música “Hungry Like the Wolf” apresenta uma estrutura relativamente direta, articulada por duas partes principais: a base vocal e o refrão. A ponte central recria a mesma ideia da voz principal, porém com manipulação de dinâmica que favorece a inserção de múltiplos efeitos no arranjo.

Um aspecto rítmico notável é a escolha do baixista John Taylor de deixar o primeiro tempo de cada compasso em silêncio. Mesmo nas frases de passagem, essa abordagem é explorada de forma deliberada, resultando em linhas de baixo que se localizam predominantemente nos tempos fracos do compasso (segundo e quarto tempos), criando um senso de impulso rítmico característico.

No que tange ao conteúdo melódico, o baixista enfatiza a nota fundamental de cada acorde, utilizando passagens cromáticas em todas as seções. Também se observam variações de oitava, que enriquecem a linha de baixo com movimento e versatilidade tímbrica.

No refrão, a performance do baixo adquire mais liberdade rítmica; com exceção do acorde de C, as demais frases enfatizam os tempos fortes (primeiro e terceiro tempos), refletindo uma mudança de energia que acompanha o desenvolvimento da canção.

No compasso 56, existe um sinal de plucked isolado — a tradicional “puxada” com o dedo indicador sem o uso do thumb, técnica comumente associada ao slap. A transcrição, à primeira vista, pode sugerir um erro ou a ausência do thumb. No entanto, John Taylor adota, neste trecho, uma abordagem diferenciada: ele aplica pizzicato normal nas notas graves e apenas plucked nas notas agudas. Essa técnica proporciona uma variedade sonora distinta da execução habitual de slap e merece ser explorada para ampliar possibilidades sonoras no contrabaixo.

Ao estudar esta transcrição, é fundamental abordar todas as variações utilizadas pelo instrumentista e perceber como ele desenvolve ideias diferentes em cada repetição dos trechos. A exploração detalhada dessas nuances não apenas enriquece a compreensão técnica, mas também revela o pensamento musical sofisticado por trás de um dos baixos mais influentes do repertório pop/rock moderno.

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Conclusão

A transcrição de “Hungry Like the Wolf” revela um trabalho de baixo muito mais complexo e musicalmente rico do que a percepção simplista de uma “banda visual”. O estudo atento das escolhas rítmicas, técnicas e melódicas de John Taylor demonstra a excelência instrumental que caracterizou o Duran Duran desde o início de sua carreira.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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