Apostila de Contrabaixo Elétrico idealizada, escrita e editada por Fernando Tavares.
Esta é a primeira parte de uma série de apostilas com aulas específicas para contrabaixo elétrico.
A apostila está dividida em 24 unidades de estudo que contém harmonia, teoria, técnica e estudos para aplicação dos assuntos aprendidos. No final ainda são disponibilizadas quatro músicas para aplicação dos estudos compreendidos na apostila.
Os materiais são organizados desde as primeiras noções de música até a compreensão das primeiras ideias estruturais para o desenvolvimento de uma linguagem musical. Os assuntos vão desde nome das cordas até construção das escalas maiores, passando por intervalos, sendo este material intercalado com noções de leitura de partitura aplicada ao instrumento e domínio da técnica de pizzicato e de digitação para a mão esquerda.
A apostila contém 27 faixas de playbacks para aplicação dos estudos disponibilizadas em um arquivo digital.
Esta foi construída através de pesquisas e conteúdos adquiridos pelo autor como professor de Contrabaixo Elétrico durante mais de vinte anos. A ideia é que cada unidade de estudo se apresente conforme a necessidade de aprendizado do aluno, abrangendo os conceitos básicos de Harmonia, Teoria, Técnica e Repertório.
O autor é um dos mais renomados e reconhecidos professores do instrumento no país. É autor de 243 publicações nas revistas Coverbaixo e Bass Player Brasil, além de ser um dos mais ativos musicólogos do país, com o título de Mestre em Musicologia pela USP (Universidade de São Paulo).
O material foi idealizado tanto para o aluno que está iniciando, quanto para o professor do instrumento que necessita de um conteúdo didático completo.
Estamos de volta com mais uma coluna sobre acordes no contrabaixo.
Estas colunas saíram originalmente pela antiga revista Bass Player Brasil e fazem parte do material de apoio utilizado em minhas aulas de contrabaixo presencial e a distância.
Para maiores informações sobre as aulas, entre em contato pelo e-mail femtavares@gmail.com
ACORDES (PARTE 2) – Tríades – Modelos alternativos para acordes com três vozes
Dando sequência a primeira coluna que fizemos sobre acordes, apresentaremos nesta coluna modelo alternativos para o desenho básico.
No modelo 2, temos a ideia de oitavar a terça, formando um acorde com salto de corda, esta ideia é interessante, pois nos dá uma opção de som mais “aberto” (figura 1).
Agora no terceiro modelo vamos omitir notas. A primeira nota que podemos omitir é a quinta justa, obviamente nos acordes diminutos e aumentados não aconselhamos a omissão da quinta, pois os acordes perderiam o som característico deles, percebam que não passei esta ideia de omissão para estes acordes. Temos os modelos 1 e 2 pensando na omissão da quinta e substituição dela pela oitava (figura 2).
É isso aí pessoal! Na próxima coluna passarei alguns padrões de dedilhado para estudarmos estes modelos de acorde.
Estamos de volta com mais uma coluna Artigos e Resenhas aqui no nosso site. Dessa vez o sensacional Luiz Domingues nos fala sobre o álbum solo do guitarrista Bruno Moscatiello, conceitual, bem no estilo do Rock Progressivo e com embalagem luxuosa: "Rio de Lágrimas".
A matéria original pode ser encontrada neste link.
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.
Sem mais, vamos ao texto do Luiz:
CD Brazilian Progressive Rock Soundtrack Volume 1 - Rio de Lágrimas / Bruno Moscatiello - Por Luiz Domingues
Eis aqui um exemplo impressionante de uma obra que se fosse apreciada de uma maneira isolada, já seria por si só, excepcional, no entanto, este trabalho faz parte de um conglomerado portentoso, e não apenas expresso pelo seu aspecto musical, ou seja, dessa forma mostra uma substância cultural multifacetada e muito rica.
Para explicar do que trata-se exatamente esse álbum, é preciso destacar que toda a inspiração musical nele advinda, vem de encontro com o pensamento filosófico de Renato Shimmi, um pesquisador muito sério no meio acadêmico, daí a sua sólida proposta em termos de mote. Não obstante tal estrutura intelectual fortíssima, há também o aparato ilustrativo, assinado por dois desenhistas incríveis, mestres na arte dos quadrinhos, Zé Otávio e Glaucus Noia.
Na parte musical, uma parte é preenchida pelo trabalho do excepcional guitarrista, Bruno Moscatiello, cercado por músicos convidados (todos do mais alto calibre, entre eles, alguns históricos dentro da cena do Rock Brasileiro), e a sua conclusão dá-se com a intervenção do grupo Kaoll, um grande nome do cenário moderno do Rock Progressivo, e grupo esse em que Bruno Moscatiello, também é integrante.
Cabe explicar também, que das onze faixas que constam neste álbum coletânea, seis são oriundas do álbum : “Sob os Olhos de Eva”, do grupo Kaoll, daí a ideia do elo que complementa o conceito em torno da obra como um todo.
Como o CD do Kaoll já foi devidamente resenhado em meu Blog, deixo abaixo o link para que o leitor tome conhecimento do que foi analisado dessa obra em separado do contexto maior, e assim, posteriormente eu avanço para repercutir a parte inicial da coletânea, com a obra: “Rio das Lágrimas”, assinada por Bruno Moscatiello e a contar com a presença de diversos convidados, muito especiais.
Eis o Link para acessar a resenha sobre o CD: “Sob Os Olhos de Eva”, do Kaoll:
Sobre as canções que compõem a parte da obra denominada, “Rio das Lágrimas”, trata-se de um conjunto formado por cinco temas instrumentais, a observar uma excelência musical inquestionável e nesse caso, não é uma surpresa, por motivos óbvios, ao considerar-se os músicos aqui reunidos para cumprir tal missão.
O elo com a obra posterior, assumida pelo grupo Kaoll, é total em termos de linearidade musical, embora haja uma sutil linha divisória a delinear cada trabalho. E isso ocorre não apenas por uma questão de coerência, se analisada pelo aspecto musical tão somente, mas certamente a seguir o libreto proposto pelo ensaio filosófico escrito por Renato Shimmi e devidamente embasado, visualmente, neste caso em específico, pela arte em quadrinhos assinada por Glaucus Noia.
A história trata da representação simbólica em torno de uma fábula muito bem embasada, a repercutir sutilmente um assunto vital, mas que não é necessariamente absorvido pela grande massa dentro da sociedade. Ou seja, a questão estrutural em torno da geopolítica que dita as normas no mundo, a usar de força desmedida, geralmente, para atingir os seus objetivos. Nesses termos, o belíssimo livro a apresentar o acompanhamento dessa fábula em quadrinhos, reforça e muito a força do texto.
Portanto, ao lançar a ideia em contar com a palavra, o som e a ilustração, em união para provocar deliberadamente a percepção sensorial do público, mostra-se perfeita, como estratégia. Dessa maneira, quando a própria editora usa como slogan publicitário, a frase de efeito a subverter a ordem natural dos sentidos: “ouvir o texto, ver a música e ler as ilustrações”, creio que revela-se muito feliz em exprimir a proposta deste projeto.
Ouça abaixo, um resumo sobre as faixas da parte "Rio de Lágrimas":
https://www.youtube.com/watch?v=WpT7qmS5Nu4
Sobre a parte musical de “Rio das Lágrimas”, cabe uma reflexão sobre as faixas:
“O Acordo”
Mostra-se impressionante o som do órgão de igreja, algo que há tempos eu não escutava em trabalhos modernos dentro do Rock brasileiro, nem mesmo em termos progressivos. Tal grandiloquência a evocar o conceito sinfônico, ornou muito bem, portanto. Assim como o uso de instrumentos de percussão, geralmente usados na música erudita e que foram bem utilizados por bandas clássicas do Rock Progressivo setentista, como os tímpanos e o tubullar bells. Em alguns momentos, a música assumiu um caráter cinematográfico, eu diria, pois abriu um campo auditivo capaz de propor imagens e assim reforçar certamente o conceito expresso pela obra em ser uma mistura sensorial entre as palavras, ilustrações e notas musicais.
“Batalha dos Minotauros”
A ideia de trazer um tipo de fraseado que lembrou um pouco as tradições da música Folk mexicana, pareceu-me interessante, mesmo que não haja na ficha técnica, anotada a participação de algum trompetista para tal execução, o que seria o usual em tal tipo de citação. O solo lento da guitarra, na perfeita exploração de notas longas, ficou muito bonito. Gostei muito da linha rítmica estabelecida pelo baixo e bateria.
“Rio de Lágrimas”
Mais uma intervenção de uma guitarra a explorar as notas longas, ou como costumamos chamar, no jargão musical, como “solo chorado”. Achei muito bonita a linha do baixo e a percussão muito criativa. A observação de diversas pontes entre as partes, dignificou as tradições do Rock Progressivo e enriqueceu o arranjo, obviamente. A presença de um belo solo de violão, dividido com outro ao sintetizador, mostra mais do que a destreza da parte dos instrumentistas, mas também revela uma beleza ímpar. Há também inserções em torno da polimelodia, e mais dois solos muitos bons ao final do tema, desta feita da parte de uma guitarra e igualmente do sintetizador.
“Morte do Sonho”
Gostei bastante da base harmônica estabelecida pelos teclados, com um teor lúgubre, tenso, no entanto, pleno em beleza. A presença de um belo solo lento à guitarra e também de um arranjo a privilegiar o violão, que engrandeceu a música.
“O Último Ato”
Mais uma vez é destacada a digitação ao violão. Gostei muito (mais uma vez) da linha de baixo e bateria e do peso estabelecido pelos teclados. Uma rápida passagem pelo piano, ficou muito bonita a destacar um belo timbre.
Em uma outra determinada parte, a música adquiriu um caráter sinfônico, a mesclar-se com um violão muito balançado, a propor uma parte dançante, até, por incrível que pareça. Há mais um belo solo de guitarra a acontecer, com a bateria e o baixo e pontuar uma linha com muito “groove”. E encerra-se com uma boa convenção, toda tercinada em sua divisão rítmica.
Sobre a capa do CD coletânea, “Brazilian Progressive Rock Soundtrack Volume 1”, há uma mixagem das imagens do livro de história em quadrinhos que acompanha o disco, com as imagens propostas no CD “Sob os Olhos de Eva”, do Kaoll, que também faz parte do pacote completo.
No caso da parte assinada por Bruno Moscatiello e de seus convidados, denominada como: “Rio das Lágrimas”, o trabalho do desenhista, Glaucus Noia é magnífico. A arte final foi creditada ao coletivo cultural, Sopa Art Br.
Uma boa ficha técnica é disponibilizada através de um caprichado encarte, com o texto em inglês, naturalmente idealizado como uma estratégia a buscar-se o reconhecimento internacional desta obra.
Para encerrar, recapitulo ao leitor que este CD é conceitual em torno do ensaio filosófico concebido pelo filósofo, Renato Shimmi.
A parte inicial da obra musical, em torno das cinco primeiras faixas, chamada como: “Rio de Lágrimas”, é um esforço criativo do guitarrista, Bruno Moscatiello, na companhia de muitos músicos convidados. Da sexta à décima primeira faixa, assume a batuta do disco, o grupo “Kaoll”, a expressar a obra: “Sob os Olhos de Eva”.
No cômputo geral, em termos de texto, trata-se na verdade de um único conceito, dividido em duas partes e escrito por Shimmi.
Na parte gráfica, o primeiro livro apresenta ilustrações de Zé Otávio e no segundo, são da autoria de Glaucus Noia. É notória a diferença de estilos entre tais artistas e ambos são excepcionais. Aliás, digno de nota, o luxo do acabamento gráfico, impressiona.
Está de parabéns a editora Red Clown, em conjunto com o coletivo Sopa Art Br e da gravadora Masque, pois no cômputo geral, todos os produtos são apresentados com um alto teor de qualidade, mediante a observação de um material de primeira categoria, com nível internacional.
E sobre a proposta filosófica expressa pelo pensador, Renato Shimmi, esta fábula mostra-se muito rica. Se o leitor & ouvinte prestar atenção, ele haverá por identificar muito claramente o que é dominação mediante a estratégia do domínio dos recursos energéticos vitais. Em termos físicos, seria a tática do estrangulamento, que impossibilita a reação e por conseguinte, estabelece quem domina e quem será sempre dominado. Portanto, transposto diretamente à realidade que norteia-nos, exprime o que está em jogo na acirrada disputa geopolítica exercida em nosso mundo.
Foi gravado no estúdio, Brainless Brothers Studio, em São Paulo.
Masterização no estúdio Sabatt Studio
Técnico de som (captura e mixagem): Fabio Ribeiro
Masterização: Saulo Battesini
Texto: Renato Shimmi
Ilustrações: Glaucus Noia
Arte Final: Sopa Art
Livro HQ editado pela Red Clown
Gravadora Masque Records
Músicos:
Bruno Moscatiello: Guitarra; violão e teclados
Kleber Vogel: Violino
Saulo Battesini: Teclados
Claudio Dantas: Percussão
Eduardo Aguilar: Baixo
Edu Varallo: Percussão
Nana Mathias: Violino
Erico Jones: Baixo
Fred Barley: Bateria
Fabio Ribeiro: Teclados
Willy Verdaguer : Baixo
Tainan Cristina: Cello
Para saber mais sobre o livro HQ/comics que acompanha este CD (assim como o livro que acompanha a parte da obra creditada ao Kaoll, “Sob os Olhos de Eva - Revoluções”, com mais ênfase ao texto do pensador, Renato Shimmi, e a conter ilustrações de Zé Otávio), acesse o site da editora Rede Clown:
Estamos de volta com mais uma coluna Artigos e Resenhas aqui no nosso site. Dessa vez o sensacional Luiz Domingues nos fala sobre o CD Springtime do grupo de Rock Progressivo, Wejah.
A matéria original pode ser encontrada neste link.
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.
Sem mais, vamos ao texto do Luiz:
CD Springtime / Wejah - Por Luiz Domingues
O Wejah é um grupo que foi formado nos idos de 1982, fortemente inspirado pelo Rock Progressivo setentista, sob várias vertentes e a acrescentar doses generosas dos gêneros: Jazz-Rock, Fusion e música instrumental em geral.
A década de oitenta, como é bem sabido, não foi nada favorável para uma manifestação artística versada por tais estéticas e pelo contrário, revelou-se hostil para os artistas, que mesmo veladamente insinuassem em seus trabalhos, tais nobres influências de um passado considerado apócrifo pelos detratores em voga, portanto, a culminar em uma dificuldade tremenda para projetar-se adequadamente.
Dessa forma, a extrema contrariedade com a qual artistas dessas vertentes obtiveram para expressar-se, ganha ao olhar moderno, uma avaliação positiva ainda maior, pois a despeito da sua arte pautada pela excelência musical, o simples fato em ter tido tantas dificuldades para poder trabalhar, faz com que só possamos ter ainda mais admiração pela sua obstinação ante os obstáculos impostos.
Nesses termos, o Wejah foi valente e resistiu até demais, ao construir uma carreira que durou até o início dos anos noventa. Houve uma tentativa de retomada das atividades ao final dessa década, mas não bem sucedida, infelizmente, e somente em meados dos anos 2000, a banda reuniu forças para voltar à cena, com maior desenvoltura e desde então vem a trabalhar fortemente dentro das suas convicções artísticas e estéticas.
Eis que o seu último lançamento foi então através do CD denominado, “Springtime”, gravado em 2006 e lançado no início de 2007. E nada poderia ter sido melhor do que apontar para a perspectiva de uma florida e alvissareira primavera, após um longo inverno, não resta dúvida.
Tal trabalho apresenta canções absolutamente inéditas, gravadas entre 2003 e 2006, e a contar com três diferentes formações da banda (incluso a primeira, original dos anos oitenta), sempre conduzida pelos obstinados irmãos Sanchez: Nelson e Jorge. Foi lançado como CD tradicional em 2007 e recentemente, início de 2019, o trabalho foi incorporado em diversas plataformas digitais.
Ao escutar tal obra, chama a atenção que o lado mais Fusion da influência desses artistas, não deixa que exista um peso excessivo na sua criação e isso tem o lado bom, na medida em que muitos grupos Neo-Progressivos (principalmente após os anos noventa), buscam inspiração em artistas que mesclam o velho e bom Rock Progressivo setentista, com tendências pesadas, oriundas de vertentes do Heavy-Metal e particularmente, isso desagrada-me.
Claro, trata-se de uma mera opinião pessoal, mas eu considero que mesmo ao analisar grupos setentistas que trabalharam com peso em suas respectivas obras e são muitos os bons exemplos nesse campo, com o King Crimson como uma referência forte, só para citar uma, eu penso que grupos mais modernos que resgataram o Rock Progressivo nos anos noventa e dois mil, mas ao acrescentar correntes oriundas do Heavy-Metal, não fizeram a leitura correta do que realmente representou o Prog-Rock setentista em sua essência e nesse sentido, ao fundir com o Metal, inventaram uma receita indigesta.
Bem, não é o caso do Wejah, e como já observei, essa influência do Fusion que os seus componentes observam, tratou por não haver a menor possibilidade de existir um peso inconveniente em seu trabalho, mediante a observação de timbres e maneirismos que simplesmente não combinam adequadamente com o conceito do Prog-Rock clássico.
E mais um detalhe, o Wejah trabalha com uma vertente mais amena do Prog-Rock em si, onde busca-se uma maior aproximação com o som mais sinfônico, em paralelo ao Soft-Rock de uma maneira geral ou a trocar em miúdos, há o lado mais a pender para o som de Vangelis, principalmente naquela fase em que este grande tecladista grego construiu um projeto com o vocalista do Yes, Jon Anderson, para situar melhor o leitor.
O Wejah em foto ao vivo, sob formação como Power Trio, por ocasião do lançamento do CD Springtime. Teatro Santos Dumont, em São Caetano do Sul-SP, no ano de 2007
Sobre a atuação individual dos componentes no álbum, é realizada sob alto nível técnico, com muito bom gosto nas performances individuais e no tocante ao arranjo coletivo, que é bem amparado por uma ótima produção de áudio, e a incluir-se nesse bojo, o bom uso de timbres, a sobressair a opção sempre agradabilíssima em torno da escolha pelo padrão vintage. Em suma, a reforçar a ideia de que seja uma experiência prazerosa escutar tal álbum.
Não se trata de um trabalho exclusivamente instrumental, embora as canções mostrem-se quase que inteiramente construídas nesses termos. No entanto, observa-se pequenos trechos cantados em algumas faixas e embora a atenção despendida à vocalização seja menor, quando a cantoria aparece, tem uma qualidade muito grande, tanto na composição das melodias propostas, quanto na interpretação. E a opção é pelo uso do idioma inglês, e por conta desse detalhe, certamente tratou-se de uma estratégia da banda para adequar-se ao mercado internacional.
Sobre a capa do disco, a imagem usada foi a de uma paisagem cósmica, penso que uma foto obtida por um telescópio ou satélite. Sóbria, bonita e ao mesmo tempo profunda, por mostrar a amplitude do Universo e o logotipo da banda, que é muito funcional e ao mesmo tempo bem estiloso, compõe bem a imagem frontal dessa arte gráfica. Concepção e arte final do guitarrista, Nelson Sanchez. Enquanto o leitor prossegue nesta leitura, convido-o a escutar o álbum, “Springtime”, na íntegra:
Sobre as canções em si, resta-me observar mais alguns detalhes.
O Wejah ao vivo, como quarteto, desta feita, durante o Festival de Inverno de Paranapiacaba, em Santo André-SP, no ano de 2008
“Beginning of Life”
Com uma introdução bem climática, a destacar-se os teclados e a presença de sussurros fantasmagóricos, este tema desenvolve-se posteriormente em torno de uma bela levada de bateria e baixo, ao dar vazão para uma sucessão de acordes bem desenhados pela guitarra. Após uma desdobrada rítmica estratégica, acontece a parte cantada. Ao final, a bateria avança sob uma sutil intenção tribal e encerra-se o tema, mediante uma boa base obtida através do sintetizador e um bom solo de guitarra, mediante o seu timbre limpo.
“First Spring Flower”
Revela-se muita boa a condução rítmica inicial, gostei muito. Depois disso, uma base intermitente do sintetizador mostrou-se muito criativa. Apreciei bastante os ricos desenhos executados pela guitarra, tudo muito bem encaixado e a seguir, um solo de piano, muito bonito. O vocal entra e depois abre caminho para um solo de guitarra. O uso do recurso amparado por onomatopeia melódica, a la George Benson, é bem interessante.
"Insanity"
Logo no começo, uma insinuação de solo de baixo, chama a atenção. O tema fica mais pesado a mostrar densidade, e assim, impressiona o arranjo a privilegiar a inclusão de uma camada de teclados, muito bem concatenada. O uso da fórmula de compasso 6/8, traz a sutileza da influência jazzística e abre espaço para um solo de piano. Sussurros são escutados ao final, para garantir uma atmosfera misteriosa e o som do piano encerra a canção com uma intervenção deveras criativa.
"Burned Out"
Canção balançada, praticamente a caracterizá-la como um R’n‘B, apresenta um bom solo ao sintetizador e posteriormente, ocorre um outro momento solo e ótimo, desta feita executado ao piano elétrico. Gostei da parte toda arpejada pela guitarra, do solo posterior e da segunda voz em contraponto, ao final da música.
"North South East West"
Com boa base harmônica ao sintetizador, e também o solo ameno de guitarra, começa bem esta faixa. Apreciei a base desdobrada para dar vazão a um solo climático. A voz bem processada com uma reverberação mais profunda, também mostrou-se criativa e a linha de bateria ficou excelente.
"The Path"
Este tema, mostra-se bem denso, lembrou-me a canção, “Squonk” do Genesis, pela intenção. Apreciei bastante a sua sonoridade.
"Bragdah"
Talvez a música mais explicitamente influenciada pelo Jazz-Rock setentista clássico, mostra uma quebradeira rítmica memorável da parte pelos instrumentistas da banda. Gostei das convenções mais complexas, executadas com extrema habilidade.
"Box of Surprises"
Mais um tema a demonstrar destreza técnica de todos os componentes desta banda, também chamou-me a atenção um solo de baixo e a parte quebrada, onde a voz foi muito bem delineada. Gostei igualmente do solo final e dos efeitos propostos pelos teclados, a garantir uma sensação de loucura, no melhor sentido dessa expressão.
Recomendo a audição deste álbum, assim como a discografia geral do Wejah (álbuns: "Renascença", de 1988, e "Sendas", de 1996), por tratar-se de uma banda com influências nobres em sua formação artística, a contar com ótimos instrumentistas e inspirados compositores.
Gravado no estúdio próprio da banda em São Caetano do Sul-SP, e no Pro Studio, além do apoio de outros estúdios não arrolados, entre 2003 e 2006
Técnico de som (captura), mixagem e masterização: Cassio Martin
Capa (criação e lay-out): Nelson Sanchez
Produção Geral: Wejah
Formação do Wejah na faixa, "Insanity"
Nelson Sanchez: Guitarras
Jorge Sanchez: Voz e Baixo
Marcelo Perez: Teclados
Braulio Veiga: Bateria
Formação do Wejah nas faixas: “Beginning of Life”, “First Spring Flower”, “Bragdah” e “Box of Surprises”:
Nelson Sanchez: Guitarras
Jorge Sanchez: Baixo e Voz
Wladimir Augusto: Bateria
Formação do Wejah nas faixas: "Burned Out", "The Path" e "North South East and West"
Nelson Sanchez: Guitarras
Jorge Sanchez: Baixo e Voz
Marcelo Perez: Teclados
Luiz Fernando: “Piriquito”
Produção independente
O Wejah sente a aspereza do mercado, que sempre foi muito duro para o Rock Progressivo e neste momento de 2019, diante do quadro atual, ainda mais e apenas planeja compor novas músicas, mas sem perspectiva para lançamento ou mesmo shows ao vivo, por enquanto. No entanto, sinceramente, espero que oportunidades surjam para que esses artistas voltem a apresentar-se com maior regularidade e lançar novos trabalhos. Trata-se de um trabalho feito sob alto padrão técnico, a esbanjar criatividade e nobres propósitos.
Estou aqui hoje para falar sobre as matérias de capa da Revista Bass Player Brasil das quais participei na construção e elaboração. Estas matérias eram feitas pensando no melhor desenvolvimento do estudante de contrabaixo, sendo que nelas, eu buscava transmitir informações teóricas e práticas de uma maneira bem leve e que proporcionasse um melhor aprendizado. Estas matérias são acompanhadas de vídeo e se transformam em verdadeiras videoaulas dos assuntos abordados.
Matéria de capa com vídeo que fiz para a edição 39 da antiga revista Bass Player Brasil.
Nesta matéria de capa eu falei sobre o estilo do baixista Glenn Hughes. São diversos exemplos explorando a parte técnica, harmônica e rítmica desta lenda do contrabaixo elétrico.