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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Transcrição do Mês - Chic - Good Times

 

Olá pessoal!

Nesta semana temos a transcrição com texto da música "Good Times" da banda Chic que saiu no álbum Risqué de 1979 e conta com o baixista Bernard Edwards.

Durante anos eu escrevi para publicações relacionadas ao contrabaixo. E atualmente trabalho como pesquisador e professor e divulgo as minhas pesquisas nesta área.

Essa música faz parte da minha coleção de transcrições e análises de baixistas de diversos estilos. Ela foi publicada na edição #11, da revista Bass Player Brasil em Agosto de 2012.


Chic - Good Times

Álbum: Risqué (1979)

Baixista: Bernard Edwards

Transcrição: Fernando Tavares

A música “Good Times” escrita por Bernard Edwards e Nile Rodgers é uma das canções mais conhecidas da música pop e isso se deve muito a sua linha de contrabaixo, uma das mais tocadas por contrabaixistas pelo mundo afora.

A música foi construída basicamente com duas linhas de baixo, sendo estas repetidas e variadas a todo o momento, mas sempre utilizando a estrutura base nas repetições.

A primeira linha equivale ao refrão e todas as partes da música, exceto a base de voz. Como exemplo podemos tomar o trecho compreendido entre os compassos 5 e 8, ele é a linha que o baixista mais repete durante toda a música e a partir dela cria variações. Ela foi construída sobre a escala de Mi menor dórico (escala obtida a partir do II Grau da escala de Ré Maior), e o baixista utiliza contratempos e um staccato martelado, este tipo de staccato é mais acentuado que o staccato simples e ele corta ¾ do som da nota, ou seja, a semínima com este sinal passa a valer ¼ de tempo, este tipo de escrita é utilizada para não poluir a partitura. A escala é tocada de forma ascendente desde a fundamental até a sua oitava. No terceiro compasso é tocada a fundamental do acorde e no quarto compasso do trecho o baixista utiliza uma variação com a quinta do acorde (a 5ª do acorde de Dmaj7 é a nota lá), sendo esta utilizada como nota pedal e a frase é articulada utilizando as notas da escala de Ré Maior, neste compasso o baixista sempre utiliza frases diferentes nos dois últimos tempos, sendo que a frase mais utilizada é a que esta transcrita no compasso 8.

No compasso 18 é apresentada a base de voz, nela o baixista explora os mesmos elementos da base anterior, criando uma variação com a Fundamental, a Sétima menor e a Oitava do acorde de Em7. No terceiro compasso do trecho o baixista toca a Fundamental do acorde e uma pequena variação com sua Quinta grave. 

Basicamente a música é formada com estes elementos, mas as variações criadas pelo baixista e o som seco do pizzicato de Edwards é que fazem desta linha um grande clássico do contrabaixo. Estude e preste atenção a execução precisa do baixista e a duração de cada nota para tirar o suingue necessário. 

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Esse conteúdo faz parte de um acervo produzido pelo autor e que estão relacionadas as suas pesquisas sobre contrabaixo, análise e teoria musical.

Para maiores informações entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"

domingo, 23 de abril de 2023

Transcrição do Mês - B.B. King - Sweet Little Angel

 

Olá pessoal!

Nesta semana temos a transcrição com texto da música "Sweet Little Angel" de B.B. King que saiu no álbum Live at the Regal de 1965 e conta com o baixista Leo Lauchie.

Durante anos eu escrevi para publicações relacionadas ao contrabaixo. E atualmente trabalho como pesquisador e professor e divulgo as minhas pesquisas nesta área.

Essa música faz parte da minha coleção de transcrições e análises de baixistas de diversos estilos.

B.B. King - Sweet Little Angel

Álbum: Live at The Regal (1965)

Baixista: Leo Lauchie

Transcrição: Fernando Tavares

O álbum “Live at The Regal” é considerado uma das maiores obras primas do Blues, ele foi gravado em Novembro de 1964 e lançado no ano posterior. Contando com Leo Lauchie no contrabaixo temos a canção Sweet Little Angel analisada e transcrita na íntegra. 

Esta canção é um Slow Blues utilizando a fórmula de compasso 12/8 e foi construída com a harmonia característica de um Blues de 12 compassos Fast Change, em Db maior. Para melhor entendimento lembramos que um Blues Fast Change é construído através dos graus I – IV – I – I – IV – IV – I – I – V – IV – I – V.

Os 12 compassos são repetidos cinco vezes, ou seja, são tocados cinco chorus, sendo um chorus para a introdução, três chorus para as bases de voz e um para o solo de guitarra. No final ele executa um trecho da sequencia e já entra a próxima canção do álbum. 

As frases são construídas utilizando determinados padrões como veremos nos exemplos à seguir. No compasso 2 foi utilizada a tríade como base para a construção da frase. Já as aproximações cromáticas são apresentadas no compasso 3. Nos compassos 4 e 5 são utilizadas as pentatônicas dos respectivos acordes. 

Utilizando-se destas ideias como alicerce, o baixista cria diversas ideias melódicas para a sua linha de contrabaixo. Vale chamar a atenção para o sinal de semicolcheia em tercinas no começo da trancrição que significa que devemos tocar as semicolcheias suingadas e não “uniformes” como tocaríamos em outras músicas. Podemos ver a sua aplicação de forma precisa no compasso 8.

Me agrada muito a linha construída por Lauchie para o último chorus da base de voz, pois nesta sequencia ele cria muitas variações para a sua linha de baixo. Tocar um blues não requer nenhum virtuosismo, porém, requer um bom gosto e um conhecimento bem profundo da linguagem do estilo. É muito legal perceber músicos que conseguem criar linhas cheias de variações respeitando os conceitos do estilo em que ele está trabalhando. 

Esta é uma linha que vale a pena estudar e ter como referencia para criar linhas para os Slow Blues.

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Esse conteúdo faz parte de um acervo produzido pelo autor e que estão relacionadas as suas pesquisas sobre contrabaixo, análise e teoria musical.

Para maiores informações entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"