Fernando Tavares

Fernando Tavares

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Teoria e Análise - Estudos de Jazz - PARTE 1


Olá pessoal!

Iniciamos nesta semana uma nova coluna aqui no site sobre Jazz. Nesta coluna apresentaremos algumas ideias características deste importante e famoso estilo. Esta primeira parte foi lançada originalmente como coluna na edição #43 da revista Bass Player Brasil. Acompanhem as colunas e deixe os seus comentários. 


O Jazz possui algumas características próprias e que devem ser respeitadas para se executar e pensar dentro da linguagem que o estilo pede. Inicialmente deve-se entender como interpretar e qual o tipo de escrita é utilizada para a transmissão das canções neste estilo.

Diferentemente de outros estilos, no Jazz a capacidade de se improvisar é levada muito em conta e se torna a principal característica dos músicos, sendo assim, o estudo da improvisação é a peça primordial para se entender os elementos deste belo estilo musical.

A forma de transmissão das principais canções se deu por meio de um livro chamado “Real Book” que continha um formato de melodia e cifra e deixava aberto para o músico, a construção do acompanhamento, assim como a interpretação da canção, a forma e outros aspectos importantes da música. Portanto, antes de entrarmos no estilo em si, aprenderemos a interpretar a escrita deste livro.

Imagem: The Real Book

Fonte: https://www.halleonard.com/product/240221/the-real-book--volume-i--sixth-edition

Origens do livro

Na década de 1940 foi lançado um predecessor deste tipo de livro que continha letra, cifra e melodia das principais músicas da época, mas este livro não recolhia os direitos autorais e foi passado “clandestinamente” de mão em mão pelos músicos norte americanos, principalmente os jazzistas. Por muitos anos estes livros foram chamados de “Fake Book”. No final da década de 40 foram lançados dois volumes do “Fake Book” que continham mais de 2000 músicas das décadas de 1920 a 1950.

Depois deste período foram copilados vários livros de qualidade duvidosa em que era necessária uma certa experiência do músico para conseguir entender algumas grafias meio “estranhas”. Após muitos anos, mais precisamente durante a década de 1970 alguns alunos da Berklee College of Music compilaram e corrigiram muitas destas músicas e lançaram o “Real Book” (o nome deve fazer alusão a estas correções feitas nas músicas do Fake Book) que é o livro mais famoso e “pirateado” destes tipos de livro. Mas este livro ainda continuou ilegal, pois não eram recolhidos os direitos autorais para os compositores e continuaram sendo passados de mão em mão. Somente em 2004 a Hall Leonard publicou uma edição licenciada e que pagava os devidos royalties aos autores das músicas. Hoje, obviamente existem vários destes livros que contém o formato: letra, cifra e melodia e de vários estilos, tem para música brasileira, country, blues e os mais famosos são os Real Books I, II e III e o New Real Book I, II e III, temos também o Real Book para instrumentos que utilizam a Clave de Fá, entre eles o contrabaixo. Estes livros são tão difundidos que até os programas de música utilizam uma fonte que simula a fonte do Real Book. 


Como ler o Real Book

O Real Book geralmente transmite “apenas” a melodia e a cifra. Para os baixistas, a principal ideia é pegar a cifra e interpretá-la, sendo assim, o grande “barato” da coisa está na capacidade de criar uma nova linha a cada repetição da passagem. Outro ponto interessante é perceber que não se tem a música inteira escrita, mas somente um trecho dela, que corresponde a apresentação do tema e é chamada pelos músicos de “chorus”, por exemplo:

Em uma conversa entre dois músicos, um deles diz a outro músico:

- Você improvisará dois chorus!

Quer dizer que o músico irá solar sobre a sequencia de acordes duas vezes.

Veja um exemplo na música Blue In Green de Miles Davis.

As melodias geralmente são interpretadas por um instrumento de sopro, mas nada impede que o baixista também toque esta parte, então como primeiro exercício prático, tente ler esta melodia.

É isso aí pessoal!
Na próxima coluna continuarei falando sobre este estilo sensacional. Abraços!

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