Fernando Tavares

Fernando Tavares

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Artigos & Resenhas - EP High Level Low Profile / CaSch - Por Luiz Domingues


Olá pessoal! 


Estamos de volta para mais um ano de parceria com o querido amigo Luiz Domingues e suas colunas sobre bandas que estão fora do mainstream. A ideia desta coluna é divulgar o trabalho de bandas autorais do cenário brasileiro, com o nosso parceiro "destrinchando" os álbuns de artistas importantes. Para dar sequência ao trabalho, o Luiz nos enviou o EP de estreia da banda "Cash", High Level Low Profile


A matéria original pode ser encontrada neste link.

http://luiz-domingues.blogspot.com/2019/01/ep-high-level-low-profile-casch-por.html


Lembrando que o nosso amigo possui três blogs diferentes que estão nos links abaixo.

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/

http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/

http://luizdomingues3.blogspot.com.br/


Um breve release do Luiz feito pelo próprio:


Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.


Sem mais, vamos ao texto do Luiz:

EP High Level Low Profile / CaSch - Por Luiz Domingues



Facilita ao extremo a vida do crítico, que escreve resenhas sobre discos, quando o produto nem foi ouvido, mas ele já sabe que é bom. Na contrapartida, dificulta muito a sua dissertação, quando o trabalho em si foi realizado por amigos fraternais de longa data e cuja relação musical foi estreita em trabalhos realizados no passado, em comum. 

Eis o que ocorreu-me quando recebi uma cópia do CD “High Level Low Profile” do CaSch, banda formada há bem pouco tempo por Rolando Castello Junior e os irmãos Schevano, Ricardo e Marcello. Ética e estética a duelar em minha mente, fui obrigado a precaver-me para não soar ao leitor, um resenhista parcial por manter tal laço de amizade com os três componentes e ao mesmo tempo, não exagerar na dose da imparcialidade forçada e ser áspero em minha avaliação da obra, apenas para não dar margem de dúvida aos que poderiam relevar as minhas ponderações.



O CaSch é uma banda formada por três instrumentistas virtuosos e experientes. O álbum foi gravado em um estúdio com nível internacional e a sua operação técnica, a cargo de técnicos gabaritados, mediante alto padrão, portanto, não haveria nenhuma possibilidade desse álbum não ficar excepcional. 

A proposta sonora, ao longo das cinco faixas apresentadas nesse EP, foi a de unir o Hard-Rock mais moderno, com peso e tendência aos andamentos acelerados, quase no limite do Heavy-Metal, ao velho estilo setentista do Rock Progressivo, a apresentar o virtuosismo em torno de passagens intrincadas em suas tradicionais suítes. Competência para tocar Prog Rock a moda antiga, é o que os componentes dessa banda tem de sobra, aliadas ao fato que no seu natural arquivo de influências, tal escola antiga pulsa com muita força e propriedade, sei disso por experiência própria ao conhecê-los muito bem. 

E a opção pelo som mais moderno e pesado do Hard-Rock atual, também passa com naturalidade pelos irmãos Schevano, visto que ambos mantém há anos, a sua banda, "Carro Bomba", que transita por tal seara. Igualmente para o Rolando Castello Junior, pode-se afirmar, visto que a condução da Patrulha do Espaço em seus últimos anos de carreira pendeu para essa sonoridade. Portanto, a opção do trio por essa mistura, foi muito natural em termos de escolha estética.


Sobre as letras, foi feita a opção pelo uso do idioma inglês e certamente que tal estratégia da banda mostra-se a mais acertada pelo trabalho que propuseram-se a fazer, porém, principalmente a pensar na questão do mercado interno brasileiro, que nunca foi tão desfavorável para o Rock como um todo, e na atualidade, dá mostras até de um maior recrudescimento do pouco que havia disponível. 

Portanto, os amigos estão certos em direcionar os seus esforços ao mercado internacional e certamente, com um produto dessa qualidade em mãos, a banda haverá por obter êxito artístico e comercial. 

Ainda a falar sobre as letras, elas tem em linha geral, um cunho pesado, a acompanhar a sonoridade, certamente, mas além disso, por conter críticas ácidas à sociedade, com questionamentos duros, mas realistas sobre o papel opressor exercido pelos dogmas religiosos e na condução das forças governamentais totalitárias. Todavia, houve espaço para um pouco de descontração, vide a ode que foi feita a uma amigo querido e comum para todos nós, na canção: “Big Paul’s Basement”. Não cabe aqui esmiuçar, mas apenas reforço que o porão descrito, de fato, foi por décadas o espaço mais Rock’n' Roll daquele bairro da zona sul de São Paulo, onde situou-se (falo sobre o bairro de Moema), e dali, a vibração, sob o sentido sonoro e pelo astral, igualmente, fez balançar os galhos das árvores do Parque do Ibirapuera.



Antes de avançar nesta resenha, preciso comentar que o nome da banda foi uma das melhores escolhas que eu já testemunhei para batizar-se uma banda de Rock. A junção feliz pela coincidência, do sobrenome dos três componentes, ficou magnífica. “Cas” de Castello com o “Sch” de Schevano, a formar o “CaSch” e ao manter o "S" maiúsculo para realçar a letra que os une, foi uma tacada de mestre para quem idealizou tal junção. E ainda tem o subliminar da letra “S” poder sugerir o sinal de cifrão e a sonoridade do neologismo, “CaSch”, soar como a gíria em inglês, “Cash”, a denotar dinheiro, ou seja, no mercado internacional isso causará furor.

A respeito da capa, impressionei-me com o capricho gráfico ao fazer uso de uma embalagem com padrão luxuoso. Também apreciei a qualidade das fotos e a ficha técnica bem escrita, e nesse caso, sei bem que não haveria de ser diferente por tratar-se desses três artistas que eu conheço bem, portanto, sei que pautam-se sempre pelo esmero, em tudo que assinam. 

Marta Benévolo, vocalista da Patrulha do Espaço nos últimos anos de existência da banda, é uma artista plástica e designer, sensacional e trabalhou com afinco nesse Lay-Out caprichado e a ilustração da capa ficou a cargo do desenhista, André Kitagawa. 

Sobre a sonoridade, eu já falei que é impossível alguma produção sair do estúdio Orra Meu de São Paulo, sem qualidade, dada a sua capacitação técnica, tanto em termos de equipamentos e tecnologia disponível, quanto dos profissionais super preparados que ali trabalham, incluso os próprios irmãos, Schevano, mas há para acrescentar que a mixagem e masterização feita pelo excepcional, Heros Trench, veio de encontro à proposta da banda em soar pesada e coadunada com estéticas modernas do Hard-Rock e Heavy-Metal internacional. Nesse sentido, a escolha foi a mais acertada possível, visto ser tal técnico, muito experiente; competente e tarimbado para esse tipo de escola dentro do Rock nacional.


Sobre as músicas, eis abaixo a especificação das minhas impressões: 

“High Level”

Hard-Rock bastante acelerado, certamente a observar as tendências contemporâneas dentro desse estilo, apresenta uma condução geral da cozinha que mostra um fôlego impressionante. O Riff é muito poderoso e o duo estabelecido entre o baixo e a guitarra, tem uma precisão absurda. A harmonia que remonta ao espectro sombrio, faz parte da temática expressa na temática da letra, a evocar a obscura beligerância interna do Ser Humano. Rolando impõe a sua técnica, milhas acima da média dos bateristas comuns, com uma condução matadora, sua praxe, aliás.

“God”

Essa canção soa mais Prog-Rock, em princípio, por conta da sua introdução com teclados grandiloquentes. Mostra-se excelente o timbre do baixo, o que também não é uma novidade visto que conheço bem o Ricardo Schevano e sei o quanto ele aprecia as sonoridades vintage. O solo do Marcello é impressionante. Não surpreende-me algo desse nível perpetrado por ele, mas precisa ser realçado, com muito entusiasmo de minha parte. 

Sobre a condução da cozinha, Ricardo e Rolando mostram-se tão entrosados que eu creio terem construído uma fortaleza. É uma base sólida, precisa e inapelável. Há uma bonita intervenção ao piano e mais uma dose de Prog-Rock clássico, advém ao final.

“Earth Spinning Backwards”

Esta faixa tem mais a ver com o puro Prog-Rock clássico setentista, por conter menos o peso do Hard-Rock moderno. Os teclados mostram-se proeminentes e mais uma vez a letra propõe imagens fortes a corroborar um discurso eloquente. A voz do Marcello mostra-se diferente e não falo sobre o processamento do áudio da gravação, que sim, é muito caprichado, mas o seu estilo, normalmente mais agressivo, a parecer um cantor de Soul Music, com a voz rasgada, mostra-se adocicado, bem mais melodioso do que habituáramo-nos a ouvi-lo em seus trabalhos anteriores com a Patrulha do Espaço e sobretudo com o Carro Bomba, onde por força das circunstâncias de sua sonoridade, a volúpia faz-se mister.

“Big Paul’s Basement”

Eis aqui um Rock’n' Roll bastante vigoroso que tem o peso moderno em sua sonoridade, como modus operandi, mas em seu âmago traz a bandeira do velho Blues-Rock setentista. Riff forte, melodia empolgante e ótimas atuações dos três componentes em suas atuações individuais. Slide guitar sob muito bom gosto a permear o colorido constante junto à base, baixo que preenche tudo (Ricardo mostra-se um baixista sensacional, na verdade), e a bateria de Rolando, espetacular, como sempre.

“Flesh”

Essa seja talvez a faixa mais genuinamente Prog-Rock, mas há a ressalva que o peso está muito destacado, em princípio pela clara inspiração nos sons ultra densos do King Crimson, em sua fase setentista em torno dos LP’s “Larks Tongues in Aspic” e “Red”, mas há também a menção ao King Crimson mais moderno, com um peso Prog contemporâneo, todavia construído em torno de uma resolução harmônica dissonante, bem típica do trabalho dessa grande banda britânica, que eu sei bem, todos os meus amigos do CaSch, apreciam, como eu. 

Todavia, também apresenta muitas nuances de outras influências marcantes do Rock Progressivo clássico, expresso por outras tantas bandas e assim, com muitas evoluções em torno de partes e pontes/convenções, o tema é longo, rico e emociona pela belíssima profusão de solos sob diversos teclados, todos tipicamente vintage. 

Tudo é muito bem tocado, com extremo bom gosto e virtuosismo da parte dos três instrumentistas. Por ser um EP com apenas cinco músicas, é óbvio que ao encerrar, fica aquela vontade para degustar mais e assim, espero que um novo trabalho seja lançado em breve, a dar continuidade. 

Ainda não existe a postagem do álbum, na íntegra, no YouTube. Por enquanto, fique apenas coma faixa: “God” para experimentar a sonoridade da banda:

Eis o Link para acessar no You Tube:

https://www.youtube.com/watch?v=gNe9Qi8y40o

Enfim, este primeiro registro do CaSch é exatamente o que os Rockers antenados na trajetória desses grandes músicos esperariam que eles apresentassem, ou seja, um trabalho sob padrão internacional.


Gravado, mixado e masterizado no estúdio Orra Meu, em São Paulo-SP

Técnicos de gravação: Marcello Schevano, Ricardo Schevanno, Gustavo Barcellos, André Miskalo e Breno Calmon

Técnico de mixagem e masterização: Heros Trench

Ilustração da capa: André Kitagawa

Lay-Out: Marta Benévolo

Fotos: Adrian Arellano, Bolívia & Cátia, Santi Sombra, Sebas Michia e Zapata Leon

Produção geral: CaSch



Formação do CaSch:

Marcello Schevano: Voz; Guitarra e Teclados

Ricardo Schevano: Baixo

Rolando Castello Junior: Bateria


Para conhecer melhor o trabalho do CaSch, acesse a sua página no Facebook:

https://www.facebook.com/CaSchOficial/

É isso aí pessoal!
Espero que vocês gostem da resenha do Luiz e principalmente, conheçam o som da banda.
Grande abraço e até a próxima coluna!


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