segunda-feira, 3 de março de 2025

Álbuns Clássicos - Milton Nascimento & Lô Borges - Clube da Esquina


Olá, pessoal!

Nesta semana temos uma matéria especial sobre o álbum Clube da Esquina de Milton Nascimento e Lô Borges.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:
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Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com.


Clube da Esquina


 

Álbum de estúdio lançado em março de 1972 por Milton Nascimento e Lô Borges, Clube da Esquina é amplamente reconhecido como um dos lançamentos mais importantes da música brasileira. O disco combina elementos de diversos estilos musicais, como rock, jazz e música brasileira, além de apresentar letras de altíssima qualidade, marcando um ponto de inovação e criatividade na música popular do país.

Destaques do álbum
Embora a audição completa do álbum seja altamente recomendada, algumas faixas merecem menção especial, como:

  • Cais, Trem Azul, Saídas e Bandeiras nº 1 (com uma linha de baixo marcante), Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, San Vicente e Nada Será Como Antes. Várias dessas canções se tornaram clássicos da música brasileira.

Curiosidades sobre o disco

  • Clube da Esquina é o trabalho de um coletivo de músicos conhecidos pelo mesmo nome, liderado por Milton Nascimento e Lô Borges. O álbum é creditado a ambos os artistas.
  • A icônica capa traz a imagem de dois meninos, Cacau e Tonho, fotografados em uma estrada de terra próxima a Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, perto da casa dos pais adotivos de Milton Nascimento.
  • O disco foi eleito pela versão brasileira da Rolling Stone como o sétimo melhor álbum brasileiro de todos os tempos, evidenciando seu impacto duradouro e relevância cultural.

A genialidade do Clube da Esquina reside na sua capacidade de mesclar gêneros e criar uma linguagem única, capturando as complexidades e a riqueza da cultura musical brasileira.

Faixas

01-Tudo Que Você Podia Ser (Lô Borges, Márcio Borges) – 2:56 - Voz: Milton Nascimento
02-Cais (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 2:45 - Voz: Milton Nascimento
03-O Trem Azul (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – 4:05 - Voz: Lô Borges
04-Saídas e Bandeiras nº 1 (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 0:45 – Voz: Beto Guedes e Milton Nascimento
05-Nuvem Cigana (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – 3:00 - Voz: Milton Nascimento
06-Cravo e Canela (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 2:32 – Voz: Lô Borges e Milton Nascimento
07-Dos Cruces (Carmelo Larrea) – 5:22 – Voz: Milton Nascimento
08-Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (Lô Borges, Márcio Borges) – 4:13 – Voz: Lô Borges
09-San Vicente (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 2:47 – Voz: Milton Nascimento
10-Estrelas (Lô Borges, Márcio Borges) – 0:29 – Voz: Lô Borges
11-Clube da Esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges) – 3:39
12-Paisagem da Janela" (Lô Borges, Fernando Brant) – 2:58 – Voz: Lô Borges
13-Me Deixa em Paz (Monsueto, Ayrton Amorim) – 3:06 – Voz: Alaíde Costa e Milton Nascimento
14-Os Povos (Milton Nascimento, Márcio Borges) – 4:31 – Voz: Milton Nascimento
15-Saídas e Bandeiras nº 2 (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 1:31 -  Voz: Beto Guedes e Milton Nascimento
16-Um Gosto de Sol (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 4:21 – Voz: Milton Nascimento
17-Pelo Amor de Deus" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 2:06 – Voz: Milton Nascimento
18-Lilia (Milton Nascimento) – 2:34 -  Voz: Milton Nascimento
19-Trem de Doido (Lô Borges, Márcio Borges) – 3:58 – Voz: Lô Borges
20-Nada Será Como Antes (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 3:24 – Voz: Beto Guedes e Milton Nascimento
21-Ao Que Vai Nascer (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 3:21 – Voz: Milton Nascimento

Créditos:

Alaide Costa – Voz
Beto Guedes – Contrabaixo, Carrilhão, Viola, Voz e Backing Vocals
Lô Borges – Guitarra, Percussão, Viola, Voz e Backing Vocals
Luís Alves – Contrabaixo e Caxixi
Luiz Gonzaga – Backing Vocals
Milton Nascimento – Guitarra, Piano, Viola e Voz
Nelson Ângelo – Guitarra, Percussão, Piano e Surdo
Paulinho Braga – Percussão
Robertinho Silva – Bateria e Percussão
Rubinho – Tumbadora
Tavito – Guitarra, Viola e Voz
Toninho Horta – Guitarra, Percussão e Backing Vocals
Wagner Tiso – Orgão e Piano

Link para escutar o álbum no spotify:


Link para o Youtube


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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Técnicas para contrabaixo - Elementos de Interpretação – Parte 2

Olá, pessoal!

Nesta semana, dou continuidade à coluna da edição anterior, abordaremos mais um elemento essencial de interpretação: o Slide. Esta técnica, popularmente conhecida como a "escorregada" sobre as cordas, é amplamente utilizada e apreciada por músicos. A coluna foi originalmente publicada na seção "ABC do Baixo" da antiga revista Bass Player Brasil.

Este artigo faz parte de minha coleção de estudos, que abrange tópicos como contrabaixo, teoria musical e análise.

Para acessar outros artigos e trabalhos que publiquei, visite o link:

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O Slide

O Slide consiste em deslizar o dedo ao longo da corda para criar uma transição suave entre notas. É o famoso "vroom" que muitos músicos adoram incorporar em suas performances. Ao contrário do que alguns baixistas podem pensar, existem diversos tipos de Slide, que serão apresentados a seguir em quatro exercícios distintos.

Na notação musical, o Slide é representado por um traço inclinado. Um traço ascendente indica o movimento do grave para o agudo, enquanto um traço descendente indica o movimento do agudo para o grave.


Exercício 1: Slide de transição

Neste exercício, o Slide é utilizado para transitar de uma nota para outra de forma quase imperceptível. Essa técnica é especialmente útil em passagens que exigem mudanças de posição no instrumento.

  • Exercício 1a: Toque a nota Lá (5ª casa da corda Mi) e deslize o dedo até a nota Si (7ª casa da mesma corda). Em seguida, toque a nota Si com a mão direita. Certifique-se de que apenas duas notas sejam ouvidas: Lá e Si. É importante evitar que o som da nota Si soe como um prolongamento do Slide. Repita o exercício em todas as cordas.
  • Exercício 1b: Execute o mesmo movimento no sentido descendente, ou seja, do agudo para o grave.


Exercício 2: Slide ligado

Este exercício introduz o Slide com som ligado, ou seja, sem a intervenção da mão direita após o início do movimento.

  • Exercício 2a: Toque a nota Lá (5ª casa da corda Mi) e deslize o dedo até a nota Si, sem tocá-la novamente com a mão direita. O som deve ser contínuo e ligado. Repita em todas as cordas.
  • Exercício 2b: Execute o mesmo movimento no sentido descendente.


Exercício 3: Slide sem ponto de partida fixo

Neste exercício, o Slide começa de qualquer ponto do braço do instrumento, sem uma nota definida antes do movimento.

  • Exercício 3a: Inicie o Slide do grave para o agudo, terminando na nota Si.
  • Exercício 3b: Realize o movimento inverso, do agudo para o grave, também finalizando na nota Si.



Exercício 4: Slide de saída

Aqui exploramos o que denomino "Slide de saída", utilizado para encerrar frases musicais de forma estilizada.

  • Exercício 4a: Toque a nota Si e deslize para uma região mais grave, "apagando" o som da corda antes de tocar a próxima nota.
  • Exercício 4b: Repita o mesmo movimento, mas deslizando para uma região mais aguda.



Exercício 5: Levada com Slide

Este exercício aplica combinações de Slides em um groove baseado na escala de Dó maior. A prática de linhas melódicas com Slides permitirá uma compreensão mais profunda dessa técnica.



Recomendo o estudo de músicas que utilizem Slides e outros elementos de interpretação. Incorporar essas técnicas ao seu repertório pessoal é fundamental para enriquecer sua performance. Pesquise músicas de baixistas que você admira e observe como eles aplicam esses elementos em suas linhas de baixo.

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares
Utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Harmonia - Aula 02 - Escala Maior

Olá, pessoal!

Nesta semana, daremos continuidade ao curso de harmonia aqui no site. O tema desta coluna será a Escala Maior.

Este artigo faz parte da minha coleção, que reúne diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical. Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acesse o link:

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O que é uma escala?

De acordo com a Enciclopédia do Estudante da Editora Moderna, "escala é a sucessão de notas ordenadas do grave para o agudo (ascendente) ou do agudo para o grave (descendente). Existem vários tipos de escala, que variam de acordo com a quantidade de notas e os intervalos que as compõem. Esta é a definição mais precisa e abrangente, visto que outras definições acabam esbarrando em algumas exceções".

A Escala Maior é construída com a seguinte sequência de intervalos: Tom, Tom, Semitom, Tom, Tom, Tom e Semitom.

Por exemplo, a escala de Dó maior é formada pelas notas:
Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si e Dó.



Ao analisar os intervalos dessa escala:

  • Do 1º para o 2º grau, a distância é de um tom (Dó para Ré).
  • Do 2º para o 3º grau, também temos um tom (Ré para Mi).
  • Do 3º para o 4º grau, a distância é de um semitom (Mi para Fá).
    E assim por diante, seguindo a sequência acima.

Exemplo prático: Escala de Sol Maior

A escala de Sol maior é formada pelas notas:
Sol (G), Lá (A), Si (B), Dó (C), Ré (D), Mi (E), Fá sustenido (F#) e Sol (G).

Note que, originalmente, entre o 6º grau (Mi) e o 7º grau (Fá), a distância é de um semitom, o que não corresponde à sequência de intervalos da escala maior. Para corrigir isso, elevamos o 7º grau (Fá) em meio tom, transformando-o em Fá sustenido.

Portanto, a escala de Sol maior segue os mesmos intervalos da escala de Dó maior:
T, 2ª Maior, 3ª Maior, 4ª Justa, 5ª Justa, 6ª Maior e 7ª Maior.



Observações importantes

Todas as escalas maiores seguem a mesma lógica de construção. Além disso, as digitações no instrumento permanecem iguais à da escala de Dó maior. Para transportar o modelo para outra escala, basta alterar a fundamental para a nota desejada e manter a mesma configuração.




Estude o modelo padrão e aplique-o em diferentes escalas para desenvolver fluidez e familiaridade com o desenho. Para dúvidas ou sugestões, entre em contato!

Vídeo



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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

O estilo musical de Jack Bruce - Parte 1

Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento a primeira parte da coluna sobre o estilo musical de Jack Bruce (1943–2014).

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Jack Bruce

Matéria original publicada na Bass Player Brasil #34 de julho de 2014.

Jack Bruce, nascido em 14 de maio de 1943, em Bishopbriggs, Escócia, foi um renomado baixista, cantor, compositor e multi-instrumentista, amplamente reconhecido como um dos pioneiros na elevação do baixo elétrico ao status de instrumento solista no rock. Ele foi um dos membros fundadores do lendário power trio Cream, ao lado de Eric Clapton e Ginger Baker, grupo que definiu a era do rock psicodélico dos anos 1960.

Formado em violoncelo e composição pela Royal Scottish Academy of Music, Bruce desenvolveu uma abordagem única ao baixo, combinando técnica avançada com um senso melódico refinado, influenciado por gêneros como jazz, blues e música clássica. Sua habilidade de improvisação e seu estilo vocal expressivo contribuíram para sucessos icônicos do Cream, como Sunshine of Your Love, White Room e Crossroads.

Após a dissolução do Cream em 1968, Bruce manteve uma prolífica carreira solo, lançando álbuns notáveis como Songs for a Tailor (1969) e colaborando com artistas de diferentes gêneros, incluindo Frank Zappa, John McLaughlin e Carla Bley. Sua versatilidade musical permitiu-lhe explorar diversas vertentes, do rock progressivo ao jazz fusion.

Jack Bruce faleceu em 25 de outubro de 2014, em Suffolk, Inglaterra, devido a complicações de uma doença hepática. Seu legado permanece como uma referência fundamental no universo do contrabaixo elétrico, influenciando gerações de músicos e consolidando-o como um dos maiores baixistas da história.

Análise das Linhas de Baixo de Jack Bruce

Badge – Base do Solo – 1:38

Nesta base, Bruce utiliza variações das notas dos arpejos, além de aproximações cromáticas e da escala da tonalidade. Nos compassos 9 e 11, ele aplica a escala pentatônica de Ré menor sobre o acorde de Ré, onde a nota F atua como uma “blue note”, uma ideia amplamente explorada no blues.


Sunshine of Your Love – Base de Voz e Refrão – 0:17

As influências do blues estão presentes tanto na estrutura quanto na concepção da frase melódica, que é uma das mais emblemáticas da carreira do Cream. A frase foi construída com as escalas blues dos acordes de Ré menor e Sol menor.


I Feel Free – Refrão – 0:48

Nesta base, Bruce utiliza um padrão comum no rock, formado pelos intervalos de fundamental, quinta, sétima e oitava. Esse padrão é mais uma herança do blues.


No Surrender – Intro

A base é escrita com a pulsação na metade do tempo, facilitando a notação. Poderia ser indicada no tempo normal com a anotação “half-time feel” para expressar essa ideia. A frase explora principalmente as fundamentais de cada acorde, com o destaque rítmico sendo o segredo do trecho.


Strange Brew – Intro

A estrutura de Strange Brew reflete um blues de 12 compassos, com Bruce utilizando as notas da escala pentatônica menor sobre os acordes maiores, uma prática recorrente no blues.


Fiquem atentos na segunda e última parte da nosa coluna sobre o lendário baixista Jack Bruce que saíra no próximo mês.

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