Fernando Tavares

Fernando Tavares

quarta-feira, 3 de março de 2021

Os Baixistas de Frank Zappa - Parte 1



Olá pessoal!

Nesta semana temos uma coluna especial, na qual apresentamos os baixistas que fizeram parte dos grupos liderados pelo guitarrista e compositor Frank Zappa.
Além de falar um pouco sobre os baixistas, apresentaremos alguns aspectos técnicos levando em consideração algumas músicas do repertório do artista.


Frank Zappa foi um dos maiores compositores da história da música moderna. Músico inquieto compunha o tempo inteiro e cobrava dos músicos que o acompanhavam um trabalho incessante e uma dedicação sobrenatural. Isso valia tanto para tocar as linhas complexas feitas pelo compositor, quanto ao fato de ter que ensaiar várias horas por dia.
Zappa era um descobridor nato de talentos, descobrindo e lançando vários músicos que vieram a ser referencia no cenário musical após a passagem por sua banda, também trabalhava com músicos já consagrados.
Só para citar alguns músicos que gravaram ou tocaram com o grande mestre, aqui vai uma lista com alguns:
George Duke (Teclado), Ian Underwood (Sax/Teclado), Aynsley Dunbar (bateria), Steve Vai (guitarra), Chad Wackerman (bateria), Warren Cucurrulo (guitarra), Vinnie Colaiuta (bateria), Chester Thompson (bateria), Jean Luc-Ponty (violino), Randy e Michael Brecker (Trumpete e Sax), Adrian Belew (guitarra e voz), Terry Bozzio (bateria), Tina Tuner (voz) entre outros músicos.
Com uma lista deste porte não tem como acreditar que os baixistas fossem uma exceção a excelência de seus companheiros e que ficavam abaixo tecnicamente de toda esta turma. Aos baixistas competia ter uma noção rítmica excepcional, pois, tocavam fórmulas de compassos extremamente complexas, além de uma noção muito boa de improvisação, pois, várias partes do show de Zappa eram improvisadas.
Como o número de baixistas que tocaram com Frank Zappa é muito grande resolvemos dividir os baixistas em três fases: a primeira fase com o “Mothers of Inventions” que vai de 1965 até 1968 e contou com o Baixista Roy Estrada (17/04/43) e entre 1968 e 1972, quando Zappa gravou alguns álbuns solos e contou com os baixistas Max Bennet, Suggy Otis, Jeff Simmons, Jim Pons e Erroneous.
Na segunda fase que vai de 1972 até 1979 e contou com os baixistas Tom Fowler entre os anos de 1972 e 1975 e Patrick O’ Hearn entre os anos de 1975 e 1979.
A terceira fase se passa durante os anos 80 e contou com os baixistas Arthur Barrow e Scott Thunes.

Parte 1


A primeira parte das nossas análises sobre os baixistas de Frank Zappa abrange os anos de 1965 a 1972.
Desta fase temos exemplos extraídos basicamente de três discos, que eu particularmente considero os mais influentes e importantes desta fase. Os discos são:

-Freak Out

-We’re Only in it for The Money

-Hot Hats

Exemplo 1

O primeiro exemplo é extraído da música “How Could I Be Such a Fool” e é referente a parte do refrão. Ela ocorre por volta de 1:30. A fórmula de compasso utilizada é o 3/4 e o baixista faz as frases utilizando as notas da escala de cada acorde.


Exemplo 2

No segundo exemplo temos a parte do refrão da música “Any Way The Wind Blows”, este trecho foi construído utilizando as 5ª e 8ª de cada acorde. Este trecho ocorre por volta dos 19 segundos.


Exemplo 3

Este exemplo corresponde a introdução da música. E foi utilizada a escala menor de G#, o baixista faz a mesma frase que a guitarra.


Exemplo 4

Este exemplo corresponde a base de voz da música “Hungry Freaks, Daddy” e o baixista utilizou a escala Pentatônica menor de A.


Exemplo 5

Este trecho ocorre como a parte “D” da música, o trecho é improvisado e as frases são criadas utilizando a escala de E maior e vários cromatismos entre as notas, a parte rítmica deste trecho é muito complexa, cuidado ao tocar as células rítmicas desta parte.


Esta é a primeira parte da Bass Clinic sobre os baixistas de Frank Zappa, ela corresponde a primeira fase do genial compositor, nesta fase já são apresentados alguns elementos que seriam desenvolvidos por Zappa mais adiante, portanto, ela tem uma importância histórica sobre toda a sua carreira. 
O último exemplo apresentado está presente no álbum “Hot Rats”, que para mim é considerado uma das obras primas deste compositor, se você pensa em começar a conhecer o trabalho de Frank Zappa eu aconselho a adquirir este álbum.
Abraços e até a próxima coluna!

Um comentário:

Unknown disse...

Frank, one of my preferred!!