quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lugar de Baixo é na Cozinha

A principal característica da cozinha deste estilo é a precisão. Bateria e Contrabaixo andam juntos ritmicamente dando suporte as frases de guitarras e teclados, sendo que neste estilo, são freqüentes as mudanças na fórmula de compasso e muitas frases em suas levadas. Apesar de existirem varias bandas influentes neste estilo, a cozinha tem características bem variadas dependendo dos músicos ou da banda. O baixista trabalha geralmente criando uma linha em contraponto com a melodia, ou ainda criando uma linha fixa sobre a harmonia, deixando a cargo dos outros instrumentos a parte harmônica da musica. Quanto às frases os baixistas utilizam muitas escalas para criar suas linhas cheias de variações, dando sempre preferência para a escala maior, a menor relativa e a Pentatonica, ainda é bem freqüente o uso de acordes, arpejos e outros elementos muito bem explorados pelos representantes do nosso instrumento.
Os bateristas encaixam a parte rítmica nas frases do contrabaixo ou na melodia da musica, utilizando sempre uma linha mais simples como base e criando algumas variações em cima dela. È importante salientar que os bateristas deste estilo quando aparecem os compassos alternados fazem à levada conforme o tema e não simplesmente quebrando o tempo como é feito em outros estilos. O Rock Progressivo é um dos estilos mais complexos para se tocar, compor ou entender. É necessária muita aplicação do musico tanto na parte harmônica quanto na parte rítmica, aconselho a estudar algum livro que trata de compassos alternados e o mais importante de tudo é ouvir as bandas que fizeram deste estilo um dos mais fascinantes de se tocar.

Long Distance Runaround

Esta musica tem em minha opinião a “cozinha” mais fantástica do Rock Progressivo, ela conta com o Baixista Chris Squire e o Baterista Bill Bruford e foi lançada no Álbum “Fragile” de 1972, realmente o trabalho feito pelos dois músicos neste álbum e particularmente nesta musica é extraordinário. O trecho transcrito corresponde à introdução da musica que retorna mais tarde no interlúdio, o tema da introdução é feito pela guitarra e pelo teclado enquanto o Baixo e a Bateria cuidam da levada feita sobre a célula rítmica de colcheia, neste trecho não há mudanças na fórmula de compasso, mas a acentuação é feita sempre no contratempo do compasso anterior. Vale prestar atenção a forma musical deste trecho que é feito em nove compassos, o que não é muito comum visto que isto sempre é feito em compassos múltiplos de quatro, isto ocorre porque nos três últimos compassos a “cozinha” do Yes usa uma de suas principais característica, que são as notas pontuadas (neste caso a semínima), que faz com que tenhamos a sensação de rallentando no final, é muito interessante este recurso que Chris Squire e Bill Bruford faziam com extrema precisão. A linha de Baixo foi construída sobre a escala de Dó Mixolídio, sendo que o Fá sustenido que aparece na linha é uma blue-note, no final são utilizadas as tônicas dos acordes correspondentes. Já a linha de bateria foi feita utilizando semínimas na condução, atente para o uso de caixas e bumbos feitos nos contratempos, o baterista Bill Bruford faz isto com muita freqüência em suas linhas de bateria e causa uma estranha sensação de que esta tocando “fora do tempo”, mãos a obra e estudem bastante este trecho.


Spirit Of The Radio

Esta talvez seja a “cozinha” mais famosa do Rock Progressivo, estamos falando do Baixista Geddy Lee e do Baterista Neil Peart, dotados de uma técnica impressionante os músicos constroem linhas marcantes e complexas. O trecho transcrito corresponde à introdução da musica The Spirit of Radio que está presente no álbum “Permanent Waves” de 1980, onde os músicos construíram uma linha cheia de frases de difícil execução e utilização de varias fórmulas de compasso, preste atenção na parte rítmica deste trecho, em minha opinião é a parte mais difícil de entender. Foram utilizadas semicolcheias e tercinas de semicolcheia que correspondem a seis notas dentro de um tempo. O baixista Geddy Lee utiliza a escala de Ré maior pra construir sua linha, cuidado com a duração das notas, elas devem ser tocadas e ter o som cortado respeitando o valor escrito. O baterista Neil Peart utiliza quase todas as peças da bateria durante a execução desta parte, ele faz as frases distribuindo as notas em sua bateria já que nesta parte da musica ele não esta fazendo nenhuma levada. Procure estudar este trecho com muita paciência, pois é muito complexo e de difícil execução, procure limpar as notas e tocar junto com um baterista, quando estiver na velocidade da musica as notas tem que estar limpas e precisas, cuidado pra não ocorrer nenhuma nota adiantada ou atrasada e não perca a pegada, lembre-se a principal característica deste estilo é a precisão.


Abraços e até a próxima coluna!