quinta-feira, 22 de outubro de 2026

King Crimson - Discipline

Olá, pessoal!

Estamos de volta para mais uma matéria, na qual falamos sobre um álbum ou um baixista. Neste mês, temos as linhas de contrabaixo do álbum Discipline, do King Crimson, analisadas para os leitores do site.

    Fonte da imagem: https://images.app.goo.gl/sTMTQtrxCkGezHk47

Este álbum marca o retorno do King Crimson aos estúdios após sete anos sem lançar material inédito. A relevância da banda no cenário do Rock Progressivo é marcante. O grupo lançou alguns dos grandes clássicos do gênero, como In the Court of the Crimson King, Larks' Tongues in Aspic e Red, entre 1969 e 1974. Após uma pausa nas atividades, a banda retornou com o álbum Discipline, que se tornou um clássico não apenas pela mudança na sonoridade do grupo, mas também pela criação de possibilidades sonoras que exploravam recursos até então pouco utilizados pela banda, tanto pelo emprego de instrumentos e recursos tecnológicos para a criação de novos timbres quanto pela execução das músicas com instrumentos pouco convencionais.

Outras características marcantes deste álbum são o trabalho dos guitarristas Robert Fripp e Adrian Belew, que executam linhas de guitarra em contraponto e exploram procedimentos polirrítmicos, e a atuação do baterista Bill Bruford, que apresentou inovações tecnológicas para a bateria, utilizando pads com controladores, além de sua conhecida habilidade na execução de compassos alternados.

Quanto ao que nos cabe nesta matéria, que é o trabalho do excepcional baixista Tony Levin, vale destacar que ele não apenas esteve na vanguarda de novas formas de tocar contrabaixo na música popular, como também ajudou a difundir, com este álbum, a técnica de Two-Handed Tapping e um instrumento pouco usual na época: o Chapman Stick de 12 cordas.

Análises

O álbum tem duração de aproximadamente 42 minutos e é formado por sete faixas.

Exemplo 1

Na primeira faixa, “Elephant Talk”, o groove principal da música é executado no Stick utilizando a técnica de Two Hands, e Levin emprega bastante swing nessa levada. Os sons de elefante que aparecem na música são produzidos pela guitarra de Belew.

No Exemplo 1, está transcrito o groove principal da música. Ele foi transposto para o contrabaixo de seis cordas, e o baixista constrói a frase utilizando os intervalos de F, ♭3 e 6 sobre o acorde de Am e F, 3 e 7 sobre o acorde de E7. Prestem atenção ao vibrato realizado no último tempo do compasso. 

Exemplo 2

No Exemplo 2, temos a base do segundo solo de guitarra, que ocorre por volta de 3:26. O trecho foi adaptado para o contrabaixo de cinco cordas e é construído utilizando F, 5, 6 e 7 do acorde.

A nota Fá, que aparece no quarto compasso, funciona como uma aproximação cromática.

Exemplo 3

Em “Frame by Frame”, Levin utiliza novamente o Stick. A base da voz desta música é construída em um compasso de 7/4.

O Exemplo 3 apresenta o interlúdio da música, que começa por volta de 0:37 e retorna outras duas vezes, em 2:12 e 3:49. O trecho foi transposto para o contrabaixo de cinco cordas e é construído com diversos slides, além das semicolcheias no último tempo de cada compasso, que soam quase percutidas devido à alta velocidade da frase.

Este trecho apresenta uma característica harmônica muito presente nas músicas do King Crimson: a harmonia modal. A frase está em C#m e se repete um tom e meio acima, em Em; novamente um tom e meio acima, em Gm; e, posteriormente, meio tom acima, em G#m.

Exemplo 4

Em “Matte Kudasai”, Levin utiliza um contrabaixo de quatro cordas e constrói uma levada bastante simples.

O aspecto interessante dessa linha está no acento sobre o tempo fraco, além do uso da tercina de semínima. No último tempo, é realizada uma passagem utilizando F, 2, ♯2 (blue note) e 3 do acorde. 

Exemplo 5

A faixa “Indiscipline” é mais uma gravação na qual Levin utiliza o Stick.

A frase principal, apresentada no Exemplo 5, está em compasso 4/4 e não apresenta maiores dificuldades técnicas. O grande desafio aparece no refrão da música, quando a estrutura rítmica dessa primeira frase é executada com a mão direita, utilizando F e 3 do acorde de A, enquanto a mão esquerda realiza uma linha em 5/4.

Essa linha é apresentada no Exemplo 6. Temos, portanto, uma situação bastante interessante: Levin realiza uma espécie de polirritmia consigo mesmo, combinando diferentes organizações métricas entre as duas mãos.

Vejam a linha completa no Exemplo 7 e reparem que a nota forte — Lá, na 12ª casa da corda Lá — coincide com o primeiro tempo apenas quando é tocada no primeiro compasso.

Exemplo 6

Exemplo 7

Exemplo 8

Em “Thela Hun Ginjeet”, a base para a linha vocal é construída utilizando a técnica de Slap, como apresentado no Exemplo 8.

Foram utilizadas a fundamental, a quarta e a sétima para a construção da frase. Também são empregados dois ligados cromáticos, um ascendente e outro descendente, em direção a essas notas.

No segundo tempo, aparecem duas notas abafadas: uma executada com Thumb e outra com Plucked. Por fim, no quarto tempo do último compasso, há uma aproximação cromática em direção à fundamental do acorde.

Exemplo 9

“The Sheltering Sky” é, em termos técnicos para o contrabaixo, a música mais simples do álbum. A linha é construída utilizando a fundamental de cada acorde.

Fiquem atentos, entretanto, aos contratempos utilizados pelo baixista na construção da linha. O trecho foi transposto para o contrabaixo de quatro cordas, mas, para quem possui um contrabaixo de cinco cordas, vale experimentar tocar o Dó sustenido uma oitava abaixo.

Exemplo 10

A última faixa do álbum, “Discipline”, é a música mais difícil de executar no contrabaixo.

No Exemplo 10, temos a linha de contrabaixo na primeira pauta e a linha principal de guitarra, transposta para o contrabaixo, na segunda pauta. Dessa maneira, podemos compreender melhor a construção da linha.

Enquanto a base da música é construída em um compasso de 5/4, a linha de Levin utiliza a técnica de Two Hands em um compasso de 9/16. Observem que a segunda passagem da frase começa no contratempo do terceiro tempo do segundo compasso.

As notas utilizadas para a construção da frase foram retiradas da escala Blues de Lá menor, uma pentatônica acrescida da blue note ♯4 (D♯), utilizada como nota de passagem no meio da frase.

O ideal é estudar a frase até memorizá-la e, posteriormente, tentar executá-la junto com a gravação.

Considerações finais

Este disco modificou o conceito sonoro de diversas bandas nos anos posteriores ao seu lançamento, influenciando grupos como Primus e Dream Theater, entre outros.

Discipline apresentou novos instrumentos e novas possibilidades sonoras e, além de tudo, é executado por quatro músicos de enorme experiência musical. Trata-se realmente de um clássico, resultado de uma combinação de experiência, experimentação e domínio técnico.

O álbum mantém o alto padrão de qualidade associado à produção do King Crimson na década de 1970, ao mesmo tempo em que flerta com diferentes vertentes da música, como o Rock Progressivo, a New Wave e o Pop, entre outras. O resultado é uma identidade sonora própria, que passou a acompanhar a trajetória do King Crimson nas décadas seguintes.

Esta matéria é gratuita e permanece disponível no ambiente virtual para os alunos dos meus cursos de contrabaixo, teoria, harmonia e análise.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Teoria e Análise: Modelos harmônicos e o estudo da improvisação no Jazz e no Fusion

 

Olá, pessoal!

Nesta semana, damos continuidade à nossa coluna de Teoria e Análise. Diferentemente das outras colunas deste blog, nas quais apresento estudos teóricos e práticos sobre os assuntos abordados, neste espaço buscamos refletir sobre os conteúdos e instigar novas pesquisas por parte dos leitores.

Ao longo da minha carreira, deparei-me diversas vezes com diferentes “padrões” de análise, como a harmonia funcional, as teorias tradicionais e outros modelos conhecidos e estudados pelos músicos.

Em 2017, fui apresentado, no LAMUS, à teoria de Robert Gjerdingen, que envolve os esquemas contrapontísticos do período galante — veja a coluna anterior, na qual apresentamos algumas referências bibliográficas sobre o assunto. A partir desse contato, comecei a refletir sobre a possibilidade de utilizar outros modelos, para além dos mais tradicionais, na análise da música popular como um todo.

Vamos começar pelo Jazz e pelo Fusion, a partir da minha experiência com o estudo desses estilos.

Entre os diversos autores que estudei, dois me chamaram especialmente a atenção, e busquei me aprofundar nas propostas apresentadas por eles. O primeiro foi Jamey Aebersold, autor do seminal Como Improvisar Jazz e Tocar —  veja a coluna sobre este livro aqui  — e, posteriormente, de uma extensa coleção de livros sobre o estilo — veja os livros para compra neste link. Nessas obras, o autor demonstra a aplicação de escalas e arpejos sobre sequências harmônicas e standards de jazz.

O segundo autor foi Mozart Mello, com quem tive a oportunidade de conviver não apenas como aluno, mas também como amigo e sócio. Ao longo desse período, tivemos extensas conversas sobre a música em toda a sua dimensão — você pode conferir os seus cursos aqui.

Em ambos os autores, chamou-me a atenção a semelhança com o modelo de ensino e estudo do período galante. Em outras palavras, encontramos a construção de protótipos sonoros — harmônicos, no caso do Jazz, e contrapontísticos, no caso do estilo galante — que serviam como base para a construção composicional e para a prática musical em ambos os universos.

Obviamente, não estou dizendo que exista uma conexão direta entre esses dois universos musicais, muito menos que os músicos de Jazz tenham se inspirado diretamente nos músicos do período galante. O que realmente quero dizer é que a criação e a utilização de esquemas constituem processos recorrentes na transmissão do conhecimento musical. O uso desses modelos faz parte, inclusive, de formas de transmissão de conhecimento “informais” entre músicos. Em outras palavras, trata-se de um código que o músico precisa dominar para transitar pelas sonoridades que deseja produzir.

Assim, sugiro que vocês não apenas observem o conteúdo apresentado por esses dois professores que citei, mas que procurem compreender também aquilo que está nas entrelinhas de seus escritos e métodos:

Pratiquem exaustivamente os protótipos musicais e busquem ampliá-los por meio da utilização de diferentes ferramentas sonoras, que poderão transformar positivamente a sua sonoridade.

John Coltrane (23 de setembro de 1926 — 17 de julho de 1967) dominou o estudo da forma Blues — como podemos observar em Mr. P.C. e Equinox — e dos standards, explorando suas sequências harmônicas, como o ii–V–I, tão recorrente no Jazz.

Após anos de prática sobre esses esquemas, o músico passou a buscar novas possibilidades e a explorar outras sonoridades, como aquelas apresentadas pelo músico e teórico Nicolas Slonimsky no livro Thesaurus of Scales and Melodic Patterns.

Esse estudo contribuiu para que Coltrane alcançasse um patamar de exploração sonora que o coloca entre os grandes nomes do Jazz. Sua sonoridade pode parecer inalcançável para muitos músicos, mas podemos compreender parte desse desenvolvimento a partir de um processo contínuo de estudo e experimentação sobre modelos de fraseado e esquemas harmônicos recorrentes no estilo.

Em suma, o que pretendo demonstrar para vocês é a necessidade de compreender os esquemas do Jazz e do Fusion e estudá-los progressivamente, desde as formas mais tradicionais até os modelos mais modernos.

Assim, aconselho ao aluno iniciante ou intermediário na prática da improvisação que estude exaustivamente arpejos, escalas e frases dentro de alguns dos esquemas básicos do repertório:

  • V7 – I ou V7 – i
  • ii – V7 – I ou iiø – V7 – i
  • Blues Maior
  • Blues Menor
  • ii – V7/III – III – VI – iiø – V7 – i – % (abertura de Autumn Leaves)
  • I – % – V7/V – % – ii – V7 – I – %

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).

É Doutor e Mestre em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.

"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001

"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Sugestão do Mês - Yes - The Yes Album


Olá, pessoal!

Estamos de volta com mais uma edição da coluna Sugestão de Álbum. Neste espaço, apresento álbuns, DVDs, livros e outras publicações que marcaram a história da música e que também contribuíram para minha formação musical, ampliando meu conhecimento sobre esse universo tão rico e fascinante.

Neste mês, a indicação é The Yes Album, terceiro álbum de estúdio da banda britânica Yes, lançado em 1971. Este trabalho marca a estreia do guitarrista Steve Howe na discografia do grupo e representa um momento importante na consolidação de sua identidade musical.

Ao longo do álbum, já é possível perceber características que seriam aprofundadas nos trabalhos seguintes, especialmente em Fragile (1971) e Close to the Edge (1972). A combinação entre estruturas musicais elaboradas, passagens instrumentais, mudanças rítmicas e interação entre os músicos contribuiu para estabelecer algumas das marcas mais reconhecíveis do rock progressivo.

Para os contrabaixistas, o álbum merece atenção especial pelas linhas de Chris Squire, cuja abordagem melódica, articulação e integração com os demais instrumentos ajudaram a ampliar o papel do contrabaixo no rock. Suas intervenções vão muito além da sustentação harmônica, participando ativamente da construção das texturas e do movimento musical.



Ficha técnica

Álbum: The Yes Album
Artista: Yes
Lançamento: 1971
Gênero: Rock progressivo
Gravadora: Atlantic Records

Faixas

  1. Yours Is No Disgrace — Bill Bruford, Chris Squire, Jon Anderson, Steve Howe e Tony Kaye — 9:40

  2. Clap — Steve Howe — 3:16

  3. Starship Trooper — 9:28

    • Life Seeker — Jon Anderson

    • Disillusion — Chris Squire

    • Würm — Steve Howe

  4. I've Seen All Good People — 6:55

    • Your Move — Jon Anderson

    • All Good People — Chris Squire

  5. A Venture — Jon Anderson — 3:20

  6. Perpetual Change — Chris Squire e Jon Anderson — 8:57

Músicos

  • Jon Anderson — voz e percussão

  • Steve Howe — violão, guitarra e voz

  • Chris Squire — contrabaixo e voz

  • Bill Bruford — bateria

  • Tony Kaye — piano, órgão e sintetizador

Créditos técnicos

  • Produção: Yes

  • Engenharia de som: Eddie Offord

  • Design: Jon Goodchild

Vídeo


Espero que gostem deste álbum dessa banda genial! Recomendo especialmente uma escuta atenta às linhas de contrabaixo de Chris Squire, procurando observar como o instrumento participa da construção melódica, rítmica e harmônica das composições.


A seção Sugestão de Álbum apresenta obras que marcaram a história da música e que podem servir de inspiração para músicos, pesquisadores, professores e apreciadores. A cada edição, uma nova indicação para ampliar o repertório de escuta e incentivar novas experiências musicais.

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Fernando Tavares

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Como aplicar o estudo de harmonia em suas composições

 Olá, pessoal!

Já viram a série de vídeos que fiz com o meu amigo Mauricio Fernandes?

Nela, conversamos sobre diversos temas relacionados à música e aos estudos em geral.


Neste vídeo, damos continuidade à série falando sobre harmonia, abordando alguns conceitos harmônicos que utilizamos em nossas composições e comentando como esses conceitos podem ser aplicados no processo de criação musical.

Curtam nossas redes e acompanhem o nosso trabalho. Estaremos sempre postando novidades!

Este vídeo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Fernando Tavares

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

TWO-HANDED TAPPING – PARTE 3 - Padrões para Execução de Acordes

Olá, pessoal!

Nesta semana damos continuidade à nossa série sobre Two-Handed Tapping, nesta terceira aula estudaremos diferentes padrões de dedilhado aplicados aos acordes.

Depois de compreender os movimentos básicos da técnica e praticar a construção de tríades maiores e menores, o próximo passo é desenvolver diferentes formas de execução dessas estruturas. A variação dos padrões de dedilhado amplia as possibilidades musicais da técnica, melhora a coordenação entre as mãos e prepara o estudante para aplicações em contextos de acompanhamento, improvisação e composição.


Exercício 1

Neste exercício, execute a fundamental e a terça maior com a mão esquerda, enquanto a mão direita toca a quinta justa e a oitava, utilizando os dedos indicador e médio, respectivamente.

Este é um dos padrões mais utilizados na execução de acordes com a técnica de Two-Handed Tapping, servindo como base para diversos tipos de dedilhados.

Exercício 2

Repita o mesmo padrão apresentado no exercício anterior, substituindo apenas a terça maior pela terça menor.

Essa pequena alteração modifica completamente a sonoridade do acorde, permitindo comparar, na prática, as características das tríades maiores e menores.

Exercício 3

Mantendo o posicionamento das duas mãos utilizado nos exercícios anteriores, execute um novo padrão de dedilhado.

O objetivo deste estudo é desenvolver maior independência entre as mãos e ampliar o repertório de possibilidades rítmicas e técnicas na execução dos acordes.


Exercício 4

Repita o padrão do exercício anterior, substituindo novamente a terça maior pela terça menor.

Procure tocar lentamente no início dos estudos, utilizando o metrônomo para garantir precisão rítmica, sincronismo entre as mãos e equilíbrio na intensidade das notas.

Música de aplicação

Two Hands – Música 03

Nesta terceira música, os padrões apresentados ao longo da aula são utilizados em um contexto musical, permitindo consolidar os conceitos estudados e compreender sua aplicação prática.

Uma excelente estratégia de estudo é utilizar esses exemplos como ponto de partida para criar novos padrões de dedilhado, explorando diferentes combinações rítmicas e melódicas sobre as tríades maiores e menores.

Vídeoaula


A seção Técnicas para Contrabaixo reúne estudos voltados ao desenvolvimento técnico e musical do instrumento. Os exercícios apresentados foram elaborados para auxiliar estudantes e profissionais na construção de uma técnica sólida, sempre associando os aspectos mecânicos à aplicação prática na música.

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Fernando Tavares

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

TESE DE DOUTORADO PUBLICADA

 Olá, pessoal!

Depois de um longo percurso de pesquisa, escrita e análise, a minha tese de doutorado em Musicologia já está disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo.

O trabalho, desenvolvido na Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), é dedicado ao estudo da obra sacra de José Maurício Nunes Garcia, tendo como eixo analítico a utilização dos esquemas galantes.

A pesquisa reúne um corpus de obras do compositor e procura compreender os processos estruturais e discursivos mobilizados em sua produção musical, articulando teoria e análise musical, esquemas galantes, contexto histórico e significação musical.

📚 A tese está disponível para consulta e download na Biblioteca Digital da USP.

👉 Acesse a tese na Biblioteca Digital da USP

Resumo em português

No decorrer do século XVIII consolidaram-se práticas pedagógicas e composicionais associadas ao estilo galante, fundamentadas na aprendizagem integrada do partimento, do solfejo e do contraponto. Esse modelo possibilitou aos músicos a internalização de padrões recorrentes, utilizados como procedimentos pré-composicionais na improvisação e na composição, posteriormente sistematizados pela teoria das galant schemata, proposta por Robert Gjerdingen. Considerando a circulação desses saberes no universo musical lusobrasileiro, bem como sua incorporação em práticas musicais locais, esta tese investiga o cabedal composicional do Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) a partir da perspectiva analítica dos esquemas galantes, buscando compreender de que modo o compositor mobilizou ferramentas composicionais disponíveis em seu âmbito social e temporal no interior de sua produção sacra. Para obtermos dados consistentes, promovemos a análise sistemática de um corpus composto por 67 obras, distribuídas entre hinos, motetos e missas, com o objetivo de identificar regularidades composicionais, recorrências esquemáticas e estratégias discursivas presentes nesses repertórios. Os resultados coletados e analisados demonstram que José Maurício dominava de maneira aprofundada um repertório amplo de esquemas galantes, empregando-os de forma flexível e funcional em posições estruturais de abertura, transição, prolongamento e fechamento. Ademais, mostramos como o compositor articulava tais procedimentos às exigências formais, litúrgicas e expressivas da música sacra no Brasil colonial. Concluímos que a escrita musical de José Maurício revela um equilíbrio entre o cumprimento do decoro e um grau considerável de inventividade, no qual os esquemas galantes atuam simultaneamente como recursos estruturais e expressivos. Assim, esta tese busca contribuir para o posicionamento crítico do compositor na historiografia musical brasileira e para o desenvolvimento de práticas analíticas voltadas à compreensão dos modelos composicionais e pedagógicos que sustentaram a música luso-brasileira do final do século XVIII e início do XIX, abrindo caminhos para investigações futuras que articulem outros níveis discursivos de significação musical e ampliem a aplicação do modelo analítico aqui proposto.

Palavras-chave em português

Análise Musical; Esquemas galantes; José Maurício Nunes Garcia; Música Galante; Música sacra luso-brasileira

Fernando Tavares
Doutor em Musicologia – ECA-USP

"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001

"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Baixista do mês - Tony Levin


Olá, pessoal!

Nesta semana, temos como destaque na coluna Baixista do Mês um dos músicos mais importantes e influentes do contrabaixo elétrico: Tony Levin.

Conhecido principalmente por seu trabalho com o King Crimson, Levin construiu uma trajetória marcada pela exploração de diferentes sonoridades, técnicas e possibilidades de utilização do contrabaixo. Além de sua atuação como baixista, tornou-se uma referência pela utilização do Chapman Stick, instrumento que explorou de maneira particularmente criativa.

Tony Levin

Nome: Tony Levin
Nascimento: 6 de junho de 1946, em Boston, Massachusetts, Estados Unidos.

Principais trabalhos e colaborações: King Crimson, Peter Gabriel, John Lennon, entre outros.



Discografia selecionada

Álbuns solo
  • 2024 — Bringing It Down to the Bass — Tony Levin
  • 2007 — Stick Man — Tony Levin
  • 2006 — Resonator — Tony Levin
  • 2002 — Double Espresso — Tony Levin Band
  • 2001 — Pieces of the Sun — Tony Levin
  • 2000 — Waters of Eden — Tony Levin
  • 1995 — World Diary — Tony Levin

King Crimson

  • 1981 — Discipline
  • 1982 — Beat
  • 1984 — Three of a Perfect Pair
  • 1994 — VROOOM
  • 1995 — THRAK

Liquid Tension Experiment

  • 1998 — Liquid Tension Experiment
  • 2001 — Liquid Tension Experiment 2

Discografia completa:
https://tonylevin.com/discography

Vídeo


Site oficial: 
https://tonylevin.com/

Para conhecer um pouco mais do trabalho de Tony Levin, vale conferir seu álbum solo mais recente, Bringing It Down to the Bass, lançado em 2024. O disco reúne diferentes sonoridades e abordagens do contrabaixo, apresentando um panorama da atuação de Levin como músico e explorador das possibilidades do instrumento.

Ouça no Spotify:


Na próxima coluna

No próximo conteúdo, vamos aprofundar nossa atenção sobre o trabalho de Tony Levin no King Crimson, tomando como ponto de partida o álbum Discipline, lançado em 1981.

O disco representa um momento particularmente importante na trajetória do baixista e também na história do próprio King Crimson, reunindo procedimentos composicionais e abordagens instrumentais que permitem observar diferentes possibilidades de construção das linhas de baixo e de interação entre os músicos.

Vamos analisar algumas dessas características e observar como Tony Levin participa da construção da sonoridade do álbum.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Bons estudos e até a próxima coluna!

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Abraços e até a próxima coluna!

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Teoria e Análise - Introdução aos materiais de estudo: modelos analíticos e estilos musicais

Olá, pessoal!

Iniciamos, nesta semana, uma coluna dedicada à Teoria e Análise Musical. A ideia principal é demonstrar, na prática, algumas possibilidades de utilização de modelos analíticos aplicados a diferentes estilos musicais.

De modo geral, pretendemos abordar o uso de esquemas harmônicos, melódicos e rítmicos, que nos fornecerão o cabedal teórico necessário para desenvolver análises mais coerentes com o pensamento musical de cada compositor e de cada período histórico.

Inicialmente, teremos como base a análise do período conhecido como Prática Comum, tendo como principais referências o livro de Steven Geoffrey Laitz, The Complete Musician: An Integrated Approach to Tonal Theory, Analysis, and Listening, de 2012, e o livro de Stefan Kostka e Dorothy Payne, Tonal Harmony, de 1999.


Steven Geoffrey Laitz, "The complete musician: an integrated approach to tonal theory, analysis, and listening" de 2012

Ambos os livros tratam detalhadamente de diversos aspectos da linguagem musical e auxiliam na construção do conhecimento que pretendemos transmitir aos estudantes de Música.

Vinculamos os três tópicos citados — harmonia, melodia e ritmo — porque acreditamos que uma análise musical precisa levar em consideração os diferentes eventos musicais em suas relações. Percebam, nas palavras de Laitz, como esses elementos se cruzam e chamam nossa atenção para duas questões fundamentais: os eventos importantes, isto é, aqueles que ocorrem em determinados pontos dentro de um aspecto musical, e a maneira como esses eventos nos indicam caminhos que o compositor pretende construir em sua obra. Vejamos:

“As notas que ocorrem depois das barras de compasso têm uma função especial na música tonal porque são acentuadas. Eventos musicais acentuados se destacam porque nossa atenção é atraída para eles. [...] Uma razão pela qual nossa atenção é atraída para um evento é que ele anuncia algo novo ou diferente, como uma mudança no padrão” (LAITZ, 2012, p. 2–3).

Em suma, esses eventos funcionam como elementos organizadores das demais ocorrências musicais presentes nas obras que serão abordadas. Com o decorrer dos estudos, compreenderemos melhor a função desses eventos e sua importância para a análise musical.

Também traremos discussões envolvendo esquemas contrapontísticos e harmônicos, que foram incorporados às discussões contemporâneas sobre o ensino e a análise da música a partir, entre outros trabalhos, da obra de Robert Gjerdingen, Music in the Galant Style, de 2007.


 Robert Gjerdingen, "Music in the galant stile" de 2007.

O trabalho de Gjerdingen aborda essencialmente as relações entre baixo e melodia, considerando combinações contrapontísticas que participam da construção de determinadas ideias dentro de uma composição. Essas combinações constituem modelos práticos que auxiliavam os compositores do estilo galante e eram estruturadas a partir de padrões recorrentes de movimento do baixo e da melodia.

Ao longo da coluna, tentaremos relacionar esses modelos a diferentes abordagens presentes no ensino de harmonia, como a harmonia funcional, a harmonia tradicional e o contraponto no modelo fuxiano, entre outras possibilidades.

A ideia é avançar progressivamente e vincular esses diferentes modelos epistemológicos a estilos musicais contemporâneos, como o Jazz e o Rock.

Para não nos estendermos demasiadamente, deixamos aqui o primeiro tópico que os estudantes devem dominar: a escala maior.

Em um período anterior, montei uma série de vídeos sobre harmonia, que vocês podem acessar aqui no site ou no canal do YouTube. No site, temos o conteúdo escrito e, no YouTube, estão disponíveis os vídeos correspondentes.

Conteúdos no site

Colunas 1 a 4 — Primeira etapa:
http://www.femtavares.com.br/2022/06/colunas-sobre-harmonia-primeira-etapa.html

Playlist no YouTube



Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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É isso aí, pessoal!

Aos poucos, introduziremos todas essas ideias de maneira mais abrangente, buscando refletir sobre nossos modelos analíticos e desenvolver ferramentas que nos permitam compreender diferentes repertórios e estilos musicais.

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Dissertação de Mestrado: Fernando Tavares - A Arte do Partimento em sua história, fundamentos, práticas e discussão musicológica: análise historiográfica para a consolidação de um saber para a pedagogia da música


Olá, pessoal!

Estou aqui hoje para compartilhar uma notícia especial: minha dissertação de mestrado, intitulada A Arte do Partimento em sua história, fundamentos, práticas e discussão musicológica: análise historiográfica para a consolidação de um saber para a pedagogia da música, está disponível no Banco de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo (USP).

Acesse a dissertação:

Essa pesquisa teve início por volta de março de 2018, quando ingressei no LAMUS-EACH — Laboratório de Musicologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Em 7 de fevereiro de 2019, ingressei no Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Comunicações e Artes da USP, no curso de Mestrado em Musicologia, sob orientação do Prof. Dr. Diósnio Machado Neto. A dissertação foi defendida e aprovada em 25 de outubro de 2021.

Atualmente, continuo essa trajetória no Doutorado em Música da USP, novamente sob orientação de Diósnio Machado Neto, desta vez dedicando-me à pesquisa sobre a obra de José Maurício Nunes Garcia.

Fiquem de olho nos artigos que temos publicado e que ainda publicaremos como parte dessa pesquisa!

Resumo

No decorrer do século XVIII desenvolveu-se nos Conservatórios de Nápoles uma maneira eficaz de ensinar música conhecida como partimento. Tal método consistia em transmitir os parâmetros musicais por linhas de baixo que continham combinações de notas compreendidas pelos músicos e que lhes proporcionavam informações para a realização de esquemas harmônicos e contrapontísticos. Estes esquemas eram usados para o exercício da improvisação e composição. O modelo de ensino pelos partimentos circulou por toda a Europa através das mãos de mestres que trabalharam ou formaram músicos para as diversas cortes do Antigo Regime. Na década de 1990, iniciou-se um movimento pela compreensão deste modelo de ensino e a partir da segunda metade da década de 2000, diversos trabalhos consolidaram a revisão metodológica deste modelo de ensino. Utilizando-se destes textos contemporâneos que revisitaram e reconstruíram o modelo de ensino pelo partimento, apresentamos nesta dissertação uma revisão bibliográfica com base no trabalho de musicólogos, analistas e teóricos musicais que escreveram sobre este assunto. Com base nos dados coletados, analisamos as informações obtidas e descrevemos como eram as principais escolas, mestres, conteúdos e características do ensino buscando a compreensão dos debates musicais que estavam sendo promovidos pelos músicos do período. A conclusão das análises nos fez compreender o método e criar uma base importante para a execução de um projeto futuro que visa demonstrar o benefício do ensino dos partimentos para auxiliar no ensino das disciplinas de criação musical.

Palavras-chave: Partimento. Contraponto. Conservatórios Napolitanos. Análise Musical. Música Galante.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

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Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

TRANSCRIÇÃO DO MÊS - B.B. King & Eric Clapton — Riding with the King Por Fernando Tavares

Por Fernando Tavares

B.B. King & Eric Clapton — Riding with the King
Nathan East no contrabaixo

Texto revisado em 2020. Publicado originalmente na edição nº 64 da revista Bass Player Brasil.

Olá, pessoal!

Na Transcrição do Mês, trazemos a faixa “Riding with the King”, de B.B. King e Eric Clapton, com a transcrição comentada da linha de contrabaixo executada por Nathan East.

Os músicos de rock do final dos anos 1960 tiveram importância significativa no resgate do blues como um estilo influente e fundamental para a música do século XX. Por isso, álbuns realizados em parceria por grandes nomes desses diferentes universos musicais não são tão raros quanto poderíamos imaginar.

Em 2000, dois dos maiores nomes da guitarra, B.B. King e Eric Clapton, reuniram-se para lançar um álbum em parceria, intitulado Riding with the King. O trabalho reúne diversos clássicos do blues, recebeu um Grammy Award e obteve excelente desempenho comercial.

Para comandar o contrabaixo do álbum, os músicos convidaram um dos baixistas mais representativos da música popular, o sensacional Nathan East, responsável pela linha que apresentamos nesta edição, justamente na faixa-título do álbum.

Vale destacar que, para construir a linha, Nathan East utilizou um contrabaixo de cinco cordas, explorando constantemente as notas da região grave do instrumento. Como a linha não apresenta grande complexidade técnica, aqueles que possuem um contrabaixo de quatro cordas podem transportar algumas dessas notas para regiões mais agudas.

Análise da linha de contrabaixo

No compasso 5, temos a introdução da canção, construída a partir de um dos padrões mais utilizados no blues: frases que exploram os intervalos de fundamental, quinta, sétima e oitava. Para quem ainda não domina esse padrão, vale a pena estudá-lo com atenção, pois se trata de uma ideia recorrente em inúmeras linhas de baixo do gênero.

No compasso 8, encontramos uma aproximação cromática em direção à fundamental do acorde de B7.

A base da voz, nos compassos 9–22 e 35–48, foi construída a partir da pentatônica menor de Si. A utilização da pentatônica menor sobre acordes dominantes é bastante comum nas linhas de baixo do blues e constitui uma importante característica da linguagem do gênero. Vale ficar atento também aos compassos em 2/4 que aparecem nesse trecho.

No compasso 23, temos o refrão da música, no qual o baixista executa principalmente as fundamentais dos respectivos acordes. Nos compassos 29 e 30, Nathan East realiza um slide ascendente e, em seguida, retoma uma ideia semelhante àquela apresentada na introdução. Essas ideias são repetidas no segundo refrão, que tem início no compasso 49.

No compasso 65, tem início a ponte da música. Novamente, encontramos acordes dominantes — acordes maiores com sétima menor — e as frases do contrabaixo giram em torno do padrão apresentado no início da análise: fundamental, quinta, sétima e oitava. Preste atenção também às aproximações cromáticas utilizadas nesse trecho.

No final da música, temos o solo de guitarra. Nesse momento, Nathan East explora algumas frases bastante interessantes, construídas principalmente a partir da pentatônica correspondente a cada acorde.

Vale a pena estudar atentamente as frases desse genial baixista. Nathan East possui uma abordagem extremamente musical: suas frases são colocadas exatamente nos momentos em que aparecem e contribuem de maneira decisiva para o arranjo da canção.

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A seção Transcrição do Mês apresenta linhas de baixo que marcaram a história da música, acompanhadas de análises técnicas e musicais. O objetivo é oferecer material de estudo que auxilie músicos e pesquisadores na compreensão da linguagem dos grandes baixistas e na ampliação de seu repertório técnico e estilístico.

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Bons estudos e até a próxima publicação!

Fernando Tavares

domingo, 6 de setembro de 2026

Sugestão do Mês - Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik

Olá, pessoal!

Na coluna deste mês, temos um dos trabalhos mais emblemáticos da década de 1990: o sensacional Blood Sugar Sex Magik, do Red Hot Chili Peppers.



Lançado em 24 de setembro de 1991, Blood Sugar Sex Magik é o quinto álbum de estúdio da banda e marcou um momento decisivo em sua trajetória, contribuindo para transformar o Red Hot Chili Peppers em um dos grandes nomes do rock mundial.

O álbum reúne uma série de canções marcantes, com destaque para The Power of Equality, Breaking the Girl, Suck My Kiss e Blood Sugar Sex Magik, além dos grandes sucessos Give It Away e Under the Bridge.

Além da importância do álbum para a história da banda, esta edição da coluna é uma oportunidade para observar o trabalho de Flea, um dos baixistas mais influentes da música popular contemporânea. Sua abordagem do contrabaixo combina elementos do funk, do rock e de outras tradições musicais, contribuindo de maneira decisiva para a identidade sonora do grupo.

Faixas

  1. The Power of Equality — 4:03
  2. If You Have to Ask — 3:37
  3. Breaking the Girl — 4:55
  4. Funky Monks — 5:23
  5. Suck My Kiss — 3:37
  6. I Could Have Lied — 4:04
  7. Mellowship Slinky in B Major — 4:00
  8. The Righteous and the Wicked — 4:08
  9. Give It Away — 4:43
  10. Blood Sugar Sex Magik — 4:32
  11. Under the Bridge — 4:24
  12. Naked in the Rain — 4:26
  13. Apache Rose Peacock — 4:43
  14. The Greeting Song — 3:14
  15. My Lovely Man — 4:39
  16. Sir Psycho Sexy — 8:17
  17. They're Red Hot — 1:11

Créditos

Todas as músicas foram escritas e compostas por Anthony Kiedis, Flea, John Frusciante e Chad Smith, exceto “They're Red Hot”, de Robert Johnson.

Músicos

  • Flea — contrabaixo, vocais de apoio, trompete, percussão e teclado
  • John Frusciante — guitarra, vocais de apoio e percussão
  • Anthony Kiedis — voz, percussão e guitarra base
  • Chad Smith — bateria

Músicos adicionais

  • Brendan O'Brien — Mellotron em “Breaking the Girl” e “Sir Psycho Sexy”
  • Gail Frusciante e seus amigos — coro em “Under the Bridge”
  • Pete Weiss — berimbau de boca em “Give It Away”

Vídeo

Confira o vídeo desta edição da coluna, no qual exploramos aspectos do álbum e do trabalho de Flea.




Ouça o álbum completo no Spotify e aproveite para revisitar um dos grandes discos do rock dos anos 1990.


Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Vídeo - Two Hands (Touch Style) — Edição #42 - Bass Player Brasil


Olá, pessoal!

Nesta semana, resgatamos do nosso arquivo uma matéria publicada originalmente na Bass Player Brasil #42, dedicada à técnica de Touch Style, também conhecida como Two Hands Technique.

O Touch Style constitui uma abordagem particular dos instrumentos de cordas, permitindo que as duas mãos atuem diretamente sobre a escala e possibilitando a execução simultânea de diferentes linhas e vozes. Embora muitas vezes seja associado ao Two Hands Tapping, trata-se de uma abordagem que apresenta características e possibilidades próprias.

A matéria foi publicada na edição que trazia Tony Levin na capa e fazia parte de um especial que incluía também uma entrevista e uma análise de seu estilo. Na ocasião, preparei uma série de exercícios voltados ao desenvolvimento inicial da técnica, buscando adaptá-los às possibilidades do contrabaixo de quatro cordas.

Para acompanhar a publicação, foi produzido também um vídeo para o canal da Bass Player Brasil, no qual apresento alguns dos conceitos e exercícios abordados na matéria.

▶️ Assista ao vídeo:

Este é mais um conteúdo de uma sequência em que resgatamos e publicamos aqui no site, materiais produzidos ao longo da minha trajetória como baixista, professor e colaborador de publicações especializadas.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

TWO-HANDED TAPPING – PARTE 2 - Estudos sobre Tríades Maiores e Menores

Olá, pessoal!

Nesta semana damos continuidade à nossa série sobre Two-Handed Tapping, nesta segunda aula avançaremos para a aplicação da técnica sobre tríades maiores e menores, desenvolvendo a coordenação entre as duas mãos e ampliando as possibilidades harmônicas no instrumento.

Enquanto a primeira aula apresentou os movimentos básicos de Tapping, Hammer-on e Pull-off, agora o foco passa a ser a construção de acordes e arpejos utilizando as duas mãos simultaneamente.

Exercício 1

Neste exercício, execute a fundamental e a terça maior com a mão esquerda, enquanto a mão direita toca a quinta justa e a oitava, utilizando os dedos indicador e médio, respectivamente.

Procure manter todas as notas com volume equilibrado e atenção ao sincronismo entre as duas mãos.

Exercício 2

Este exercício segue exatamente a mesma proposta do anterior, porém utilizando uma tríade menor.

A única alteração consiste na substituição da terça maior pela terça menor, permitindo ao estudante perceber as diferenças sonoras entre os dois tipos de tríades.

Exercício 3

Neste estudo, execute a fundamental com a mão esquerda e a quinta justa e a oitava com os dedos indicador e médio da mão direita.

Ao final da frase, utilize o dedo anelar da mão esquerda para executar a terça, completando a sonoridade do acorde.

Esse exercício exige maior independência entre as mãos e contribui para o desenvolvimento da coordenação motora necessária para a técnica de Two-Handed Tapping. 

Exercício 4

O quarto exercício repete a estrutura do exercício anterior, substituindo a tríade maior por uma tríade menor.

Estude lentamente, utilizando o metrônomo, procurando manter clareza na execução e igualdade de volume entre todas as notas.

Música de aplicação

Two Hands – Música 02

Nesta segunda música, os elementos técnicos estudados nos exercícios anteriores são aplicados em um contexto musical, permitindo desenvolver não apenas a técnica, mas também a musicalidade e a fluência da execução.

Two Hands Musica 02


Vídeo da aula 2

A seção Técnicas para Contrabaixo reúne estudos voltados ao desenvolvimento técnico e musical do instrumento. Os exercícios apresentados foram elaborados para auxiliar estudantes e profissionais na construção de uma técnica sólida, sempre associando os aspectos mecânicos à aplicação prática na música.

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Fernando Tavares