Olá, pessoal!
Iniciamos, nesta semana, uma coluna dedicada à Teoria e Análise Musical. A ideia principal é demonstrar, na prática, algumas possibilidades de utilização de modelos analíticos aplicados a diferentes estilos musicais.
De modo geral, pretendemos abordar o uso de esquemas harmônicos, melódicos e rítmicos, que nos fornecerão o cabedal teórico necessário para desenvolver análises mais coerentes com o pensamento musical de cada compositor e de cada período histórico.
Inicialmente, teremos como base a análise do período conhecido como Prática Comum, tendo como principais referências o livro de Steven Geoffrey Laitz, The Complete Musician: An Integrated Approach to Tonal Theory, Analysis, and Listening, de 2012, e o livro de Stefan Kostka e Dorothy Payne, Tonal Harmony, de 1999.
Ambos os livros tratam detalhadamente de diversos aspectos da linguagem musical e auxiliam na construção do conhecimento que pretendemos transmitir aos estudantes de Música.
Vinculamos os três tópicos citados — harmonia, melodia e ritmo — porque acreditamos que uma análise musical precisa levar em consideração os diferentes eventos musicais em suas relações. Percebam, nas palavras de Laitz, como esses elementos se cruzam e chamam nossa atenção para duas questões fundamentais: os eventos importantes, isto é, aqueles que ocorrem em determinados pontos dentro de um aspecto musical, e a maneira como esses eventos nos indicam caminhos que o compositor pretende construir em sua obra. Vejamos:
“As notas que ocorrem depois das barras de compasso têm uma função especial na música tonal porque são acentuadas. Eventos musicais acentuados se destacam porque nossa atenção é atraída para eles. [...] Uma razão pela qual nossa atenção é atraída para um evento é que ele anuncia algo novo ou diferente, como uma mudança no padrão” (LAITZ, 2012, p. 2–3).
Em suma, esses eventos funcionam como elementos organizadores das demais ocorrências musicais presentes nas obras que serão abordadas. Com o decorrer dos estudos, compreenderemos melhor a função desses eventos e sua importância para a análise musical.
Também traremos discussões envolvendo esquemas contrapontísticos e harmônicos, que foram incorporados às discussões contemporâneas sobre o ensino e a análise da música a partir, entre outros trabalhos, da obra de Robert Gjerdingen, Music in the Galant Style, de 2007.
O trabalho de Gjerdingen aborda essencialmente as relações entre baixo e melodia, considerando combinações contrapontísticas que participam da construção de determinadas ideias dentro de uma composição. Essas combinações constituem modelos práticos que auxiliavam os compositores do estilo galante e eram estruturadas a partir de padrões recorrentes de movimento do baixo e da melodia.
Ao longo da coluna, tentaremos relacionar esses modelos a diferentes abordagens presentes no ensino de harmonia, como a harmonia funcional, a harmonia tradicional e o contraponto no modelo fuxiano, entre outras possibilidades.
A ideia é avançar progressivamente e vincular esses diferentes modelos epistemológicos a estilos musicais contemporâneos, como o Jazz e o Rock.
Para não nos estendermos demasiadamente, deixamos aqui o primeiro tópico que os estudantes devem dominar: a escala maior.
Em um período anterior, montei uma série de vídeos sobre harmonia, que vocês podem acessar aqui no site ou no canal do YouTube. No site, temos o conteúdo escrito e, no YouTube, estão disponíveis os vídeos correspondentes.
Conteúdos no site
Colunas 1 a 4 — Primeira etapa:
http://www.femtavares.com.br/2022/06/colunas-sobre-harmonia-primeira-etapa.html
Playlist no YouTube
É isso aí, pessoal!
Aos poucos, introduziremos todas essas ideias de maneira mais abrangente, buscando refletir sobre nossos modelos analíticos e desenvolver ferramentas que nos permitam compreender diferentes repertórios e estilos musicais.

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