Olá pessoal!
Fernando Tavares - Site Oficial
segunda-feira, 16 de março de 2026
Discografia - Fernando Tavares
quinta-feira, 12 de março de 2026
Transcrição do Mês - Charlie Brown Jr. - Tudo que ela gosta de escutar

Olá, pessoal!
Nesta semana, apresento uma transcrição com texto explicativo no site. Para esta coluna, escolhemos a música Tudo que ela gosta de escutar do Charlie Brown Jr. com Champignon no baixo.
Nesta coluna faremos uma homenagem ao baixista Champignon, que influenciou inúmeros músicos nos anos 2000. Nesta música apresentaremos algumas ideias voltadas principalmente para aqueles que estão iniciando seus estudos no universo do contrabaixo elétrico. Esta coluna saiu originalmente na edição 26 da Revista Bass Player Brasil de novembro de 2013 e foi reeditada para o site.
Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.
Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:
http://www.femtavares.com.br/p/midiaimpressa-fernandotavares-sempre.html
Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com
Charlie Brown Jr. - Tudo que ela gosta de escutar
Charlie Brown Jr. foi uma banda brasileira formada em Santos, em 1992. Liderada pelo vocalista Chorão, o grupo destacou-se pela fusão de rock, hardcore melódico, reggae, rap e skate culture, criando uma estética musical e lírica própria. Ao longo de sua trajetória, o Charlie Brown Jr. tornou-se uma das bandas mais representativas do rock brasileiro contemporâneo, influenciando gerações com seu repertório e identidade artística.
Champignon (Luiz Carlos Leão Duarte Júnior, 1978–2013) foi baixista e integrante fundamental da sonoridade do Charlie Brown Jr. Reconhecido pela técnica, musicalidade e criatividade, destacou-se pela combinação de linhas marcantes, uso expressivo do slap e grande sensibilidade rítmica. Sua atuação contribuiu decisivamente para a identidade sonora da banda, tornando-o uma referência para baixistas no Brasil.
Exercício 1
Neste exercício apresentamos as principais divisões rítmicas utilizadas na música.
No exercício 1a, temos a semínima. Em compasso 4/4, cada semínima corresponde a um tempo; portanto, a cada batida do metrônomo deve-se executar uma nota.
No exercício 1b, trabalha-se o conceito de staccato. O ponto colocado acima ou abaixo da nota indica que o valor deverá ser reduzido à metade do tempo previsto. Nos dois primeiros tempos do exemplo temos a semínima com staccato e, nos tempos três e quatro, a escrita demonstra como ela deve soar. Observe que a nota é tocada na cabeça do tempo e deve ser interrompida no contratempo, gerando uma pequena pausa.
No exercício 1c, estudamos o contratempo, divisão que pode ser mais complexa no início do aprendizado rítmico. Comece contando “1 e 2 e 3 e 4 e” e, em seguida, tente executar sempre no “e” de cada tempo.
No exercício 1d, apresentamos a rítmica da Base 1, acompanhada da contagem. Execute a nota no tempo um, depois no contratempo do segundo tempo e, em seguida, nos tempos três e quatro. Note que o terceiro tempo deve ser tocado em staccato.
No exemplo 1e, temos a rítmica das Bases 2 e 4, construídas em colcheias. Isso significa uma nota a cada meio tempo, totalizando oito notas por compasso.
No exemplo 1f, vemos a rítmica da Base 3. Ela é formada por duas colcheias no primeiro tempo, um contratempo no segundo tempo e duas semínimas em staccato nos tempos três e quatro.
Exercício 2
Exercício 3 – Base 1
Exercício 4 – Base 2
Esta base é utilizada no refrão da música e nela foram executadas as fundamentais de cada acorde.
Exercício 5 – Base 3
Neste exercício também são utilizadas as fundamentais de cada acorde. Ele corresponde à ponte e ao final da música, sendo que, na quarta repetição do fim, o baixista encerra a frase na nota Ab.
Exercício 6 – Base 4
Neste exercício executamos as fundamentais, e ele serve como base para o solo de guitarra.
Exercício 7 – Forma
A forma da música é a seguinte:
- Introdução = Base 1 – 1 vez
- Voz (0:12) – Base 1 – 2 vezes
- Ponte – Base 1 – 1 vez
- Voz – Base 1 – 2 vezes
- Refrão (0:54) – Base 2 – 2 vezes
- Voz (1:10) – Base 1 – 2 vezes
- Ponte – Base 1 – 1 vez
- Voz – Base 1 – 2 vezes
- Refrão (1:52) – Base 2 – 2 vezes
- Interlúdio (2:08) – Base 3 – 6 vezes
- Solo (2:20) – Base 4 – 2 vezes
- Refrão (2:29) – Base 2 – 2 vezes
- Final – Base 3 – 4 vezes
Estude cada parte separadamente e, depois, tente executá-las na mesma sequência da música. Bons estudos!
Conclusão
O estudo dessas bases e divisões rítmicas oferece uma excelente oportunidade para compreender a lógica musical presente nas linhas de baixo do Charlie Brown Jr., especialmente na obra de Champignon. Ao observar atentamente as fundamentais, a organização rítmica e a forma da música, o estudante desenvolve percepção, precisão e consciência estrutural — elementos essenciais para uma performance musical consistente e expressiva.
segunda-feira, 9 de março de 2026
Repertório para leitura – Partimentos #1 e #2 de Fedele Fenaroli
Olá, pessoal!
Nesta coluna de leitura, trabalharemos com os dois primeiros partimentos de Fedele Fenaroli, adaptados para o contrabaixo elétrico. Esses estudos contribuirão para o desenvolvimento e a continuidade da prática de leitura à primeira vista.
Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.
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Todas as colunas anteriores foram importantes para adquirir o conhecimento necessário e, assim, colocarmos o conteúdo em prática ao tocar uma música diretamente da partitura.
Iniciando a leitura
Depois de estudar o diagrama e identificar as notas da tonalidade proposta, procure um ambiente tranquilo para praticar. Comece com o metrônomo a 60 bpm e vá aumentando o andamento gradualmente, apenas quando se sentir confortável.
Evite memorizar o exercício. O objetivo aqui é ler a partitura em tempo real. Por isso, as indicações de dedos, cifras e outros elementos foram propositalmente retiradas, de modo que sua atenção permaneça somente na leitura das notas.
Partimento #1 - Sol Maior
Diagrama - Sol Menor
Partimento #2 - Sol MenorConcluindo, os partimentos de Fedele Fenaroli oferecem uma excelente oportunidade para desenvolver a leitura à primeira vista de forma consciente e progressiva. Ao organizar previamente a digitação, compreender a tonalidade e praticar com metrônomo, você fortalece não apenas a leitura, mas também o controle técnico do instrumento.
Procure manter a regularidade dos estudos e volte a estes exercícios sempre que possível. A leitura musical é uma habilidade construída ao longo do tempo — quanto mais você pratica, mais natural ela se torna.
Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.
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Bons estudos e até a próxima coluna!
Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Estudo e análise da linha de baixo composta por Sam Jones na gravação de Autumn Leaves - Somethin’ Else, por Vinícius Dembicki
Olá, pessoal!
Nesta semana apresentamos um trabalho escrito pelo baixista Vinícius Dembicki, no qual ele analisa a linha de baixo executada por Sam Jones na gravação de “Autumn Leaves”, do álbum Somethin’ Else.
Autumn Leaves — Análise da linha de baixo de Sam Jones
Por Vinícius Dembicki
INTRODUÇÃO
“Autumn Leaves” (Les Feuilles Mortes) é uma música de origem francesa, composta por Joseph Kosma (1905–1969) em 1945. A letra original, em francês, foi escrita pelo poeta Jacques Prévert, e a versão em inglês por Johnny Mercer.
A composição é considerada um jazz standard — peça amplamente gravada e integrante do repertório comum entre músicos de jazz. Assim, foi regravada por inúmeros artistas, como Frank Sinatra, Miles Davis e Cannonball Adderley, entre outros.
O objeto de estudo para este trabalho é a gravação de “Autumn Leaves” presente no álbum Somethin’ Else (1958), de Cannonball Adderley. A formação dessa gravação é:
Cannonball Adderley — saxofone (líder)
Miles Davis — trompete
Hank Jones — piano
Sam Jones — contrabaixo
Art Blakey — bateria
Sam Jones (1924–1981) foi um importante músico norte-americano, atuando no contrabaixo e no violoncelo. Iniciou sua carreira em Nova Iorque em 1955, gravando com Tiny Bradshaw, Bill Evans, Bobby Timmons, entre outros. Seu trabalho mais reconhecido está ligado ao quinteto de Cannonball Adderley, do qual participou entre 1955–1956 e 1959–1964. No contrabaixo, consolidou fundamentos essenciais para a construção de linhas no hard bop; no violoncelo, gravou diversos álbuns como líder.
Este trabalho resulta da análise da linha de baixo criada por Sam Jones, com o objetivo de compreender sua lógica musical e estudar os motivos e frases que ele desenvolve.
“Autumn Leaves” possui forma AABC, com progressões harmônicas características do jazz, como:
ii–V–I (em tonalidades maiores)
iiø–V–i (em tonalidades menores)
Na gravação do álbum Somethin’ Else, a tonalidade é Sol menor.
Frases e conceitos observados
No chorus — seção específica de uma composição — em que Cannonball começa a tocar, após quatro compassos, percebemos a primeira frase de iiø–V–i desenvolvida por Sam Jones, a qual se torna um motivo recorrente ao longo de toda a música, apresentando variações esporádicas.
Frase iiø - V - i:
O cromatismo utilizado por Sam Jones é pensado para alcançar a fundamental do próximo acorde da sequência, e isso fica muito claro quando analisamos essa frase. Esse recurso cria a sensação de que estamos sempre caminhando para a frente — um dos princípios do walking bass — evitando que o ritmo e a harmonia fiquem estagnados.
Após essa passagem, observamos uma linha de baixo já nos registros mais agudos do instrumento, o que cria um contraste interessante em relação aos caminhos mais graves anteriormente percorridos, também configurando uma frase de ii–V–I.
Percebemos um grande uso das tríades. Estas são muito importantes, pois, a partir delas, conseguimos identificar as sensações (funções) que os acordes provocam e, além disso, utilizá-las como base para caminhar para outros acordes da harmonia. Nesta frase, observamos os cromatismos (G–Gb–F) e (C–B–Bb).
Aprendemos o seguinte movimento: 1–3–5–A.C. — em que 1, 3 e 5 correspondem às notas do acorde (1 = fundamental; 3 = terça; 5 = quinta) e A.C. significa Aproximação Cromática para a fundamental do próximo acorde.
Sam Jones não desenvolve a linha apenas de maneira ascendente. A partir do compasso 89, observamos uma frase de ii–V–I combinando movimentos descendentes e ascendentes.
Um movimento comum utilizado por Sam Jones é o padrão 1–3–6–5 e 1–5–3–1, aplicado para caminhar e preencher um compasso quando apenas um acorde está sendo tocado. O baixista costuma empregar esses padrões de forma sequencial quando há uma progressão I–IV, pois, dessa maneira, conseguimos criar caminhos diatônicos bastante interessantes.
Quando um acorde se mantém por dois compassos consecutivos, Sam Jones utiliza duas frases que se mostraram predominantes na gravação. A primeira delas é uma frase construída em terças sobre um acorde i, seguida por um acorde V.
A primeira oitava dessa frase é intercambiável, ou seja, podemos iniciá-la em uma altura mais grave ou mais aguda. Essa escolha pode depender de diversos fatores artísticos, como um caminho melódico já estabelecido (ascendente ou descendente) ou, simplesmente, de uma decisão estética.
Apenas o primeiro intervalo não é uma terça — sendo ele uma quinta ou uma quarta —, enquanto todos os demais intervalos são terças. Esse movimento permite que o baixista continue caminhando dentro de uma harmonia relativamente estática.
A segunda frase baseia-se em um padrão de oitavas, percorrendo as notas de um acorde para alcançar uma oitava mais aguda e, em seguida, retornar à oitava mais grave.
Essa frase também pode apresentar o movimento contrário, por exemplo:
CONCLUSÃO
Este estudo permite compreender melhor os motivos e frases utilizados por Sam Jones em sua gravação de “Autumn Leaves”, ampliando o nosso vocabulário e refinando nossas ideias musicais.
Jones busca sempre servir à progressão de acordes, conduzindo a linha de forma clara, cromática e diatônica, priorizando a chegada na fundamental do próximo acorde.
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