Estou aqui hoje para apresentar o artigo acadêmico “I miss the comfort in being sad: a representação da melancolia do grunge na utilização dos modos maior e menor”, de minha autoria em coautoria com o querido amigo Aldo Luiz Leoni, no livro “Histórias locais e translocais da música: aproximações às narrativas pós-coloniais”. A obra foi organizada por Diósnio Machado Neto (Universidade de São Paulo – Escola de Artes, Ciências e Humanidades) e Fátima Graciela Musri (Universidad Nacional de San Juan – Instituto de Estudios Musicales), e publicada em 25 de agosto de 2025 pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).
Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.
Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
Estou aqui hoje para falar do trabalho "Partimentos com graus conjuntos: uma perspectiva para a análise e realização de esquemas de contraponto e harmonia" de 2021.
Ele foi apresentado no IV Congresso da Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical, realizado entre os dias 24 e 27 de novembro de 2021.
O programa do congresso pode ser encontrado no link:
O vídeo da apresentação pode ser assistido no link:
Resumo do trabalho
Os partimentos tinham como principal característica o ensino de contraponto e harmonia por meio de linhas de baixo que instruíam os estudantes de música. Tais linhas possuíam fragmentos e sequências de notas que seguiam determinados modelos apreendidos pelos músicos do período galante para improvisar e compor (figura 1, exemplo de partimento). A partir da compreensão desses movimentos de baixo, o músico os utilizava como base gramatical e como apoio para o sucesso do projeto discursivo organizado pela retórica musical. Esses movimentos de baixo poderiam ser feitos de diversas maneiras: por cromatismos ascendentes ou descendentes; por movimentos padronizados, como o da Romanesca (figura 2), que é caracterizado pelo movimento de quinta descendente, seguido por uma segunda ascendente e por graus conjuntos. Em suma, tais fragmentos instruíam o músico na melhor resolução para determinada sequência, ou partimento.
Figura 1: Exemplo de partimento extraído do caderno Francesco Durante, Principi e Regole: per accompagnare del sig.e Francesco Durante. 1760-1800, p. 15. Disponível em: http://www.internetculturale.it/
Figura 2: Exemplo do schema Romanesca extraído de Gjerdingen (2007, p. 32)
Assim, o objetivo principal deste trabalho é demonstrar as realizações de partimentos por graus conjuntos. Para tanto, um dos tópicos de ensino do modelo italiano, a Regra da Oitava, é demonstrado de maneira sintetizada, pois, em trabalhos anteriores deste grupo de estudo, ela foi contextualizada em seus pormenores, tanto na sua forma mais comum — a harmonização das escalas ascendentes e descendentes (figura 3) — quanto nas relações de fragmentos entre pequenos movimentos de baixo, com harmonizações particulares para cada grau da escala, denominada regola delle corde del tono.
Figura 3: Exemplo da Regra da Oitava nas formas ascendente e descendente com base no modelo de Fedele Fenroli (1775). Fonte: Tavares (2021, p. 88).
Assim, tendo como base essa regra tão difundida, iniciamos a comparação com outros modelos de harmonização para graus conjuntos. Para tanto, comparamos fragmentos que constituem a base de determinadas schemata e de combinações harmônicas estabelecidas como padrões utilizados pelos compositores e improvisadores, dentre elas a Romanesca (variação galante), Prinner, Do-Re-Mi, Fenaroli, entre outras. Além desses esquemas, comparamos com outro tópico chamado movimento de baixo por grau conjunto ascendente (figura 4) e descendente (figura 5), que demonstram ideias de realizações diferentes das demonstradas na Regra da Oitava.
Figura
4: Movimentos de baixo ascendente nomeados como 5-6, 7-6 e 9-8. Estes
movimentos foram editados por Tavares (2021, p. 99) com base nos modelos
de Fenaroli (1775) e Sanguinetti (2012)
Figura
5: Movimentos de baixo descendente nomeados como 6-5, 6-6 e 7-6.
Estes movimentos foram editados por Tavares (2021, p. 100) com base nos
modelos de Fenaroli (1775) e Sanguinetti (2012)
Para fins de compreensão de como montar as realizações de baixo, Fedele Fenaroli (1775) indica três níveis de resolução para os partimentos: (1) apenas com as consonâncias, que, na teoria do partimento, significam os intervalos que constroem os acordes na Regra da Oitava; (2) utilizando as dissonâncias, que seriam intervalos obtidos por meio da preparação por ligadura; e, por fim, (3) a utilização da diminuição e da imitação, que conferem ao partimento o seu estágio de arte.
A compreensão desses três tipos de resolução auxiliará o leitor na próxima etapa do nosso trabalho, que compreende a demonstração dessas ferramentas dentro de um acervo musical. Para tanto, foram utilizadas obras do Padre José Mauricio Nunes Garcia (1767–1830) e de Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791), compositores do período galante.
Como conclusão, afirmamos que este trabalho se enquadra nas pesquisas do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH/USP), que desenvolve uma atualização constante de informações teóricas cruzadas com modelos analíticos anteriores e posteriores ao período galante, para garantir aos pesquisadores de música as ferramentas adequadas para a análise dos compositores desse período.
PALAVRAS-CHAVE: Partimento. Esquema Galante. Ensino de Música. Contraponto. Harmonia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CHRISTENSEN, Thomas. “The ‘Règle De L'Octave’ in thorough-bass theory and practice.” Acta Musicologica, vol. 64, no. 2, 1992, pp. 91–117. JSTOR, www.jstor.org/stable/932911.
CHRISTENSEN, Thomas. et al. Partimento and continuo playning: In theory and in practice. Leuven: Leuven University Press, 2010.
DURANTE, Francesco. Principi e Regole: per accompagnare del sig.e francesco durante. Parma: S.I., 1760-1800. Manoscritti della Sezione musicale della Biblioteca Palatina di Parma. Disponível em: http://www.internetculturale.it/it/16/search/detail?instance=&case=&id=oai%3Awww.internetculturale.sbn.it%2FTeca%3A20%3ANT0000%3AN%3AIT%5C%5CICCU%5C%5CMSM%5C%5C0167066_1&qt=IT%5CICCU%5CMSM%5C0167066. Acesso em: 07 jul. 2021.
FENAROLI, Fedele. Partimenti a regole musicali per quelli che vogliono suonare coi numeri e per i principianti di Contrappunto. Milão: Giovanni Ricordi, 1847. 152 p. Disponível em: https://play.google.com/books/reader?id=fzyIzUDVXz4C&hl=pt-BR&printsec=frontcover&pg=GBS.PA6. Acesso em: 01 maio 2020.
_________. Regole Musicali Por Principianti Di Cembalo. 1775. Editado por Robert O. Gjerdingen. Disponível em: http://faculty-web.at.northwestern.edu/music/gjerdingen/Partimenti/collections/Fenaroli/regole/index. Acesso em: 01 maio 2020.
FURNO, Giovanni. Metodo Facile breve e chiaro delle prime ed essensiali regole per accompagnare Partimenti senza numeri del Maestro Giovanni Furno. 1817. Editado por Robert O. Gjerdingen. Disponível em: https://web.archive.org/web/20160410072202/http://faculty-web.at.northwestern.edu/music/gjerdingen/partimenti/collections/Furno/index.htm. Acesso em: 01 maio 2020.
GJERDINGEN, Robert O.. Music in the galant style. New York: Oxford University Press, Inc., 2007.
__________. Partimento, que me veux-tu? Journal of Music Theory. Durham, p. 85-135. fev. 2007a. Disponível em: <www.jstor.org/stable/40283109>. Acesso em: 27 fev. 2020.
IJZERMAN, Job. Harmony, Counterpoint, Partimento: a new method inspired by old masters. Nova Iorque: Oxford University Press, 2018.
INSANGUINE, Giacomo. Regole Con moti di Basso Partimenti, e Fuge Del Maestro Giacomo Insanguine Detto Monopoli. 1785. Editado por Robert O. Gjerdingen. Disponível em: https://web.archive.org/web/20160316180123/http://faculty-web.at.northwestern.edu/music/gjerdingen/partimenti/collections/Insanguine/index.htm. Acesso em: 01 maio 2020.
PAISIELLO, Giovanni. Regole e Partimenti del M.o Giovanni Paisiello Originale. Nápoles: S.i., 1761-1790. Disponível em: http://www.internetculturale.it/it/16/search?q=IT%5CICCU%5CMSM%5C0149061&instance=metaindice. Acesso em: 01 maio 2020.
PAISIELLO, Giovanni. Regole per bene accompagnare il partimento, o sia il Basso fondamentale sopra il cembalo di Giovanni Paisiello fatte per'uso di S.M.I. La Gran duchessa di tutte Le Russie [MANOSCRITTO]. São Petersburgo: S.i., 1782. Disponível em: http://www.internetculturale.it/it/16/search?q=IT%5CICCU%5CMSM%5C0155590&%20instance=metaindice. Acesso em: 01 maio 2020.
SANGUINETTI, Giorgio. The art of partimento: History, theory, and practice. New York: Oxford University Press, Inc., 2012.
___. The realization of partimenti: An introduction. Journal of Music Theory, [s.l.], v. 51, n. 1, p.51-83, 1 jan. 2007. Duke University Press. http://dx.doi.org/10.1215/00222909-2008-023.
TAVARES, Fernando. A Arte do Partimento em sua história, fundamentos, práticas e discussão musicológica: análise historiográfica para a consolidação de um saber para a pedagogia da música. 2021. 175 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Música, Escola de Comunicações e Arte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021.
VAN TOUR, Peter. Counterpoint and partimento: Methods of teaching composition in late eighteenth-century Naples. Uppsala: Uppsala Universitet, 2015. 318 p.
Abraços e até a próxima coluna!
Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"
Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com
Exercícios
Os três primeiros exercícios foram elaborados especificamente para o desenvolvimento do pizzicato. Inicie a prática utilizando dois dedos — abordagem bastante comum entre baixistas como Steve Harris. Somente passe para o uso de três dedos quando a execução rítmica estiver firme e controlada, adotando sempre a sequência: anelar, médio e indicador.
Exercício 1
Execute tercinas durante quatro tempos na nota A da corda Mi. Em seguida, toque quatro tempos na nota D da corda Lá, depois na nota G da corda Ré e, por fim, na nota C da corda Sol. Após concluir essa sequência ascendente, retorne pelo caminho inverso até a corda Mi, mantendo a regularidade rítmica e a alternância correta dos dedos.
Exercício 2
Repita o mesmo procedimento do exercício anterior, executando tercinas, porém realizando a mudança de nota a cada dois tempos. Mantenha atenção especial à consistência do tempo e à uniformidade da articulação.
Exercício 3
Novamente, mantenha a execução em tercinas e a mesma sequência de cordas, mas agora mudando de nota a cada tempo. Este exercício exige maior controle motor e precisão rítmica, portanto, pratique inicialmente em andamento lento, aumentando a velocidade gradualmente.
Exercício 4
Neste exercício, trabalhamos um trecho da música Rime of the Ancient Mariner. Nele, o baixo executa uma frase de maior complexidade rítmica, baseada na divisão de três notas por tempo. Procure estudar o trecho lentamente, garantindo clareza na articulação e estabilidade do pulso antes de aumentar o andamento.
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Nesta
semana, temos a última aula de harmonia da primeira fase do nosso curso. Foram doze
colunas, nas quais estudamos os intervalos, formação da escala
maior, da menor natural, da menor harmônica e da menor melódica. Além disso, estudamos ideias para aplicarmos os estudos técnicos de maneira criativa, aliadas à compreensão de como funciona o sistema e com o objetivo de entender o que podemos
utilizar em determinados momentos musicais.
Nesta
coluna temos a continuação do estudo das escalas que
vimos na aula 11, visando um estudo mais técnico para aplicação
destas em frases para improvisação e composição.
Vamos
aplicar o padrão melódico de quatro notas nas escalas maior e menor natural. Você pode aplicar também nas escalas, menor harmônica e menor
melódica.
Este artigo faz parte da minha coleção, que reúne diversos estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.
Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem:
Para mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com
Estude
este exercício com o auxílio de um metrônomo e tente tocar com
precisão as quatro notas que estão dentro de um tempo. Comece em 60
bpm. E aumente de 4 em 4 conforme se sentir confortável.
Vídeo
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