segunda-feira, 11 de maio de 2026

Transcrição do mês - Tima Maia - Lábio de Mel com Jamil Joanes no baixo

 
Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento uma transcrição com texto explicativo no site. Para esta coluna, escolhemos uma música de Tim Maia, com Jamil Joanes no contrabaixo.

Nesta coluna, abordaremos aspectos importantes da construção de grooves no contexto da música brasileira, com ênfase no swing, na articulação e no desenvolvimento de variações a partir de estruturas harmônicas recorrentes. Este material foi originalmente publicado na revista Bass Player Brasil (v. 15, p. 74–78, 03 dez. 2012).

O vídeo com a explicação está no canal de Bass Player Brasil.



Lançado no segundo semestre de 1979 pela gravadora EMI-Odeon, Reencontro é o décimo primeiro álbum de estúdio de Tim Maia e marca seu retorno ao circuito fonográfico após o período vinculado à Cultura Racional. O disco se inicia com “Boogie Esperto”, parceria com Hyldon, evidenciando uma sonoridade fortemente orientada ao funk, com presença marcante de metais e linhas de baixo em destaque. A produção do álbum é assinada pelo próprio Tim Maia, com arranjos e regência de Lincoln Olivetti, configurando um padrão estético caracterizado pela densidade tímbrica e pela sofisticação rítmica.

A banda é composta por músicos de destaque da cena brasileira, incluindo o contrabaixista Jamil Joanes, cuja atuação é central na construção do groove do álbum. A seção rítmica conta ainda com Paulinho Braga (bateria) e Don Chacal (percussão), enquanto os arranjos de metais — com nomes como Paulinho Trompete e Marcio Montarroyos — e a presença de cordas reforçam a complexidade textural das faixas. Nesse contexto, o álbum consolida uma síntese entre soul, funk e música popular brasileira, reafirmando o lugar de Tim Maia como um dos principais articuladores dessas linguagens no Brasil.


Biografia — Jamil Joanes

Jamil Joanes (nascido em 12 de março de 1952, em Belo Horizonte) é um dos mais importantes contrabaixistas da música popular brasileira, com atuação destacada a partir da década de 1970.

Integrou grupos fundamentais como a Banda Black Rio e o Som Imaginário, consolidando-se como um dos principais representantes da fusão entre música brasileira e influências do soul e do funk norte-americano. Sua atuação nesses contextos foi decisiva para a construção de uma linguagem de baixo marcada pelo groove, pela síncope e pela interação entre estilos.

Ao longo de sua carreira, participou de gravações e apresentações com importantes nomes da música brasileira, como Tim Maia, Maria Bethânia, João Bosco e Gonzaguinha, além de colaborar internacionalmente com George Duke.

Sua trajetória também inclui trabalhos como compositor e intensa atividade em estúdio e em turnês, sendo reconhecido por sua versatilidade e pela capacidade de articular elementos da música popular brasileira com a tradição da música negra norte-americana.


Esta música foi lançada no álbum Reencontro e tornou-se um dos maiores sucessos de Tim Maia, contando também com a presença do não menos genial Jamil Joanes nos graves.

A introdução, a base da voz e o refrão são construídos sobre os acordes de Emaj9, Bmaj9 e um II–V–I para Ré maior (Em7, A7 e Dmaj7). No pré-refrão, ocorre um II–V–I para Si maior (C#m7, F#7 e Bmaj7) e, em seguida, o mesmo II–V sem resolução no primeiro grau, conduzindo ao acorde de Dmaj7; na repetição do trecho, essa cadência resolve no acorde de Bmaj7 (I grau do trecho).

A música apresenta caráter fortemente swingado, com diversas variações e uso recorrente de notas abafadas. Sua memorização é relativamente acessível, pois o baixista mantém um princípio construtivo recorrente nas frases. Na introdução, na base de voz e no refrão, utiliza-se a fundamental, a quinta e a oitava do acorde de Emaj9, antecipando a fundamental do acorde seguinte (Bmaj9) por meio de sua quinta (nota fá sustenido). Cabe observar que esse acorde surge sistematicamente uma colcheia antes do primeiro tempo do segundo compasso, mantendo a nota sustentada até o segundo tempo.

No II–V (Em7 e A7), o baixo trabalha predominantemente com a fundamental de cada acorde. Já sobre Ré maior, há ampliação do campo variacional, com uso recorrente da pentatônica de Ré maior, sendo nesse ponto que se concentram as maiores variações do trecho. A introdução ocorre entre os compassos 1 e 8; a base de voz entre os compassos 9 e 16, 33 e 40 e 57 e 64; e o refrão entre os compassos 25 e 32, 49 e 56 e a partir do compasso 73 até o final.

O pré-refrão situa-se entre os compassos 17 e 24, 41 e 48 e 65 e 72, mantendo essencialmente os mesmos princípios construtivos das seções anteriores.

Esta música constitui um ótimo estudo para baixistas interessados em swing e improvisação na construção de grooves. Embora não apresente grande densidade teórica na elaboração de Jamil Joanes, trata-se de uma linha que exige atenção à articulação, ao timbre e ao feeling característicos da gravação.


Página 1


Página 2

Página 3

Página 4
Página 5


Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com.

Redes sociais:

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

#estudosepesquisasfemtavares #fernandotavaresbaixo #femtavaresbaixo #contrabaixo #contrabajo #bassguitar #baixista #bajista #bassplayer #medusatrio #apostrophetrio #escutenossocabo #cabosdatalink #giannini_brasil #giannini_strings #usp #lamus #mkkbasssession #mkkwebradio #harmonia #música #pesquisa #estudo

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Baixistas do Rock - Parte 11


Olá, pessoal!

Nesta coluna, iniciamos um conjunto de duas colunas sobre o baixista Cliff Burton do Metallica e suas técnicas e abordagens musicais.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com


Pequena bio do Cliff Burton

Cliff Burton foi baixista do Metallica e um dos músicos mais influentes da história do heavy metal. Nascido em 1962, na Califórnia, destacou-se por sua abordagem musical sofisticada, incorporando ao metal elementos do rock progressivo, da música erudita e do blues. Seu estilo era marcado pelo uso expressivo de distorção, pela aplicação de técnicas pouco comuns ao baixo elétrico na época e por uma forte preocupação com a construção melódica das linhas de baixo. Além de instrumentista, Burton também contribuiu significativamente para o desenvolvimento composicional do Metallica em seus primeiros álbuns. Sua musicalidade e visão artística ajudaram a ampliar as possibilidades do contrabaixo no rock pesado, influenciando gerações de músicos.

Cliff Burton e alguns aspectos de sua linguagem musical serão abordados a seguir. Entre os elementos recorrentes em sua forma de tocar, destacam-se o uso de levadas com influência do blues, a aplicação de escalas pentatônicas com blue notes e a exploração de texturas timbrísticas por meio de efeitos. Nesta oportunidade, enfatizaremos a levada de shuffle, recurso que aparece em diversos contextos do rock e do blues e que também pode ser observado em passagens do repertório do Metallica.


Exercício 1

O shuffle é uma levada muito característica do blues e é construída a partir da subdivisão ternária do pulso, resultando na relação de uma semínima tercinada seguida de uma colcheia tercinada. Na escrita musical, costuma ser grafado com colcheias regulares, acompanhadas da indicação de que devem ser interpretadas em shuffle feel.

Exercício 2

Neste exercício, toque a nota Mi primeiro com colcheias regulares e, em seguida, execute o mesmo padrão utilizando o shuffle feel, a fim de perceber claramente a diferença entre as duas levadas.



Exercício 3

No terceiro exercício, temos a escala Pentatônica de Lá menor no primeiro compasso e, no segundo, a escala Blues de Lá menor. A escala Blues corresponde à pentatônica acrescida da quarta aumentada, conhecida como blue note, que geralmente funciona como nota de passagem e acrescenta tensão expressiva ao fraseado.



Exercício 4

No quarto exercício, apresentamos um exemplo extraído da música The Four Horsemen, construído a partir da levada em shuffle.


Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Redes sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/femtavares
Instagram: https://www.instagram.com/femtavaresbaixo

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos DLK Music.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Vídeo: Aplicando harmonia em composições próprias


Olá, pessoal! 

Já viram a série de vídeos que eu fiz com o meu amigo Mauricio Fernandes? 

Nela, falamos sobre diversos temas relacionados à música e aos estudos em geral. Este é o primeiro vídeo da série, no qual abordamos harmonia.

Curtam nossas redes e acompanhem o nosso trabalho; estaremos sempre postando novidades.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:
http://www.femtavares.com.br/p/midiaimpressa-fernandotavares-sempre.html

Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Vídeo


Informações:

Vídeo sobre harmonia com os músicos Mauricio Fernandes (guitarra) e Fernando Tavares (contrabaixo).
Filmado e editado por Renata Pereira.

Redes sociais:
Facebook: https://www.facebook.com/femtavares
Instagram: https://www.instagram.com/femtavaresbaixo

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos DLK Music.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Transcrição exclusiva para alunos - Milton Nascimento - Clube da Esquina 2

Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento a transcrição e a explicação da linha de baixo da música "Clube da Esquina 2" do cantor Milton Nascimento, disponível para os alunos do meu curso de contrabaixo, tanto na modalidade presencial quanto on-line.

Este artigo integra minha coleção de estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem:

Para mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com.

Redes sociais:

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

Abraços e até a próxima matéria!