segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Teoria e Análise: Modelos harmônicos e o estudo da improvisação no Jazz e no Fusion

 

Olá, pessoal!

Nesta semana, damos continuidade à nossa coluna de Teoria e Análise. Diferentemente das outras colunas deste blog, nas quais apresento estudos teóricos e práticos sobre os assuntos abordados, neste espaço buscamos refletir sobre os conteúdos e instigar novas pesquisas por parte dos leitores.

Ao longo da minha carreira, deparei-me diversas vezes com diferentes “padrões” de análise, como a harmonia funcional, as teorias tradicionais e outros modelos conhecidos e estudados pelos músicos.

Em 2017, fui apresentado, no LAMUS, à teoria de Robert Gjerdingen, que envolve os esquemas contrapontísticos do período galante — veja a coluna anterior, na qual apresentamos algumas referências bibliográficas sobre o assunto. A partir desse contato, comecei a refletir sobre a possibilidade de utilizar outros modelos, para além dos mais tradicionais, na análise da música popular como um todo.

Vamos começar pelo Jazz e pelo Fusion, a partir da minha experiência com o estudo desses estilos.

Entre os diversos autores que estudei, dois me chamaram especialmente a atenção, e busquei me aprofundar nas propostas apresentadas por eles. O primeiro foi Jamey Aebersold, autor do seminal Como Improvisar Jazz e Tocar —  veja a coluna sobre este livro aqui  — e, posteriormente, de uma extensa coleção de livros sobre o estilo — veja os livros para compra neste link. Nessas obras, o autor demonstra a aplicação de escalas e arpejos sobre sequências harmônicas e standards de jazz.

O segundo autor foi Mozart Mello, com quem tive a oportunidade de conviver não apenas como aluno, mas também como amigo e sócio. Ao longo desse período, tivemos extensas conversas sobre a música em toda a sua dimensão — você pode conferir os seus cursos aqui.

Em ambos os autores, chamou-me a atenção a semelhança com o modelo de ensino e estudo do período galante. Em outras palavras, encontramos a construção de protótipos sonoros — harmônicos, no caso do Jazz, e contrapontísticos, no caso do estilo galante — que serviam como base para a construção composicional e para a prática musical em ambos os universos.

Obviamente, não estou dizendo que exista uma conexão direta entre esses dois universos musicais, muito menos que os músicos de Jazz tenham se inspirado diretamente nos músicos do período galante. O que realmente quero dizer é que a criação e a utilização de esquemas constituem processos recorrentes na transmissão do conhecimento musical. O uso desses modelos faz parte, inclusive, de formas de transmissão de conhecimento “informais” entre músicos. Em outras palavras, trata-se de um código que o músico precisa dominar para transitar pelas sonoridades que deseja produzir.

Assim, sugiro que vocês não apenas observem o conteúdo apresentado por esses dois professores que citei, mas que procurem compreender também aquilo que está nas entrelinhas de seus escritos e métodos:

Pratiquem exaustivamente os protótipos musicais e busquem ampliá-los por meio da utilização de diferentes ferramentas sonoras, que poderão transformar positivamente a sua sonoridade.

John Coltrane (23 de setembro de 1926 — 17 de julho de 1967) dominou o estudo da forma Blues — como podemos observar em Mr. P.C. e Equinox — e dos standards, explorando suas sequências harmônicas, como o ii–V–I, tão recorrente no Jazz.

Após anos de prática sobre esses esquemas, o músico passou a buscar novas possibilidades e a explorar outras sonoridades, como aquelas apresentadas pelo músico e teórico Nicolas Slonimsky no livro Thesaurus of Scales and Melodic Patterns.

Esse estudo contribuiu para que Coltrane alcançasse um patamar de exploração sonora que o coloca entre os grandes nomes do Jazz. Sua sonoridade pode parecer inalcançável para muitos músicos, mas podemos compreender parte desse desenvolvimento a partir de um processo contínuo de estudo e experimentação sobre modelos de fraseado e esquemas harmônicos recorrentes no estilo.

Em suma, o que pretendo demonstrar para vocês é a necessidade de compreender os esquemas do Jazz e do Fusion e estudá-los progressivamente, desde as formas mais tradicionais até os modelos mais modernos.

Assim, aconselho ao aluno iniciante ou intermediário na prática da improvisação que estude exaustivamente arpejos, escalas e frases dentro de alguns dos esquemas básicos do repertório:

  • V7 – I ou V7 – i
  • ii – V7 – I ou iiø – V7 – i
  • Blues Maior
  • Blues Menor
  • ii – V7/III – III – VI – iiø – V7 – i – % (abertura de Autumn Leaves)
  • I – % – V7/V – % – ii – V7 – I – %

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

http://www.femtavares.com.br/p/midiaimpressa-fernandotavares-sempre.html

Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com.

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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).

É Doutor e Mestre em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.

"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001

"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Sugestão do Mês - Yes - The Yes Album


Olá, pessoal!

Estamos de volta com mais uma edição da coluna Sugestão de Álbum. Neste espaço, apresento álbuns, DVDs, livros e outras publicações que marcaram a história da música e que também contribuíram para minha formação musical, ampliando meu conhecimento sobre esse universo tão rico e fascinante.

Neste mês, a indicação é The Yes Album, terceiro álbum de estúdio da banda britânica Yes, lançado em 1971. Este trabalho marca a estreia do guitarrista Steve Howe na discografia do grupo e representa um momento importante na consolidação de sua identidade musical.

Ao longo do álbum, já é possível perceber características que seriam aprofundadas nos trabalhos seguintes, especialmente em Fragile (1971) e Close to the Edge (1972). A combinação entre estruturas musicais elaboradas, passagens instrumentais, mudanças rítmicas e interação entre os músicos contribuiu para estabelecer algumas das marcas mais reconhecíveis do rock progressivo.

Para os contrabaixistas, o álbum merece atenção especial pelas linhas de Chris Squire, cuja abordagem melódica, articulação e integração com os demais instrumentos ajudaram a ampliar o papel do contrabaixo no rock. Suas intervenções vão muito além da sustentação harmônica, participando ativamente da construção das texturas e do movimento musical.



Ficha técnica

Álbum: The Yes Album
Artista: Yes
Lançamento: 1971
Gênero: Rock progressivo
Gravadora: Atlantic Records

Faixas

  1. Yours Is No Disgrace — Bill Bruford, Chris Squire, Jon Anderson, Steve Howe e Tony Kaye — 9:40

  2. Clap — Steve Howe — 3:16

  3. Starship Trooper — 9:28

    • Life Seeker — Jon Anderson

    • Disillusion — Chris Squire

    • Würm — Steve Howe

  4. I've Seen All Good People — 6:55

    • Your Move — Jon Anderson

    • All Good People — Chris Squire

  5. A Venture — Jon Anderson — 3:20

  6. Perpetual Change — Chris Squire e Jon Anderson — 8:57

Músicos

  • Jon Anderson — voz e percussão

  • Steve Howe — violão, guitarra e voz

  • Chris Squire — contrabaixo e voz

  • Bill Bruford — bateria

  • Tony Kaye — piano, órgão e sintetizador

Créditos técnicos

  • Produção: Yes

  • Engenharia de som: Eddie Offord

  • Design: Jon Goodchild

Vídeo


Espero que gostem deste álbum dessa banda genial! Recomendo especialmente uma escuta atenta às linhas de contrabaixo de Chris Squire, procurando observar como o instrumento participa da construção melódica, rítmica e harmônica das composições.


A seção Sugestão de Álbum apresenta obras que marcaram a história da música e que podem servir de inspiração para músicos, pesquisadores, professores e apreciadores. A cada edição, uma nova indicação para ampliar o repertório de escuta e incentivar novas experiências musicais.

Para conhecer outros trabalhos e artigos publicados ao longo dos anos, acesse:

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Bons estudos e até a próxima publicação!

Fernando Tavares

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Como aplicar o estudo de harmonia em suas composições

 Olá, pessoal!

Já viram a série de vídeos que fiz com o meu amigo Mauricio Fernandes?

Nela, conversamos sobre diversos temas relacionados à música e aos estudos em geral.


Neste vídeo, damos continuidade à série falando sobre harmonia, abordando alguns conceitos harmônicos que utilizamos em nossas composições e comentando como esses conceitos podem ser aplicados no processo de criação musical.

Curtam nossas redes e acompanhem o nosso trabalho. Estaremos sempre postando novidades!

Este vídeo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Bons estudos e até a próxima!

Fernando Tavares

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

TWO-HANDED TAPPING – PARTE 3 - Padrões para Execução de Acordes

Olá, pessoal!

Nesta semana damos continuidade à nossa série sobre Two-Handed Tapping, nesta terceira aula estudaremos diferentes padrões de dedilhado aplicados aos acordes.

Depois de compreender os movimentos básicos da técnica e praticar a construção de tríades maiores e menores, o próximo passo é desenvolver diferentes formas de execução dessas estruturas. A variação dos padrões de dedilhado amplia as possibilidades musicais da técnica, melhora a coordenação entre as mãos e prepara o estudante para aplicações em contextos de acompanhamento, improvisação e composição.


Exercício 1

Neste exercício, execute a fundamental e a terça maior com a mão esquerda, enquanto a mão direita toca a quinta justa e a oitava, utilizando os dedos indicador e médio, respectivamente.

Este é um dos padrões mais utilizados na execução de acordes com a técnica de Two-Handed Tapping, servindo como base para diversos tipos de dedilhados.

Exercício 2

Repita o mesmo padrão apresentado no exercício anterior, substituindo apenas a terça maior pela terça menor.

Essa pequena alteração modifica completamente a sonoridade do acorde, permitindo comparar, na prática, as características das tríades maiores e menores.

Exercício 3

Mantendo o posicionamento das duas mãos utilizado nos exercícios anteriores, execute um novo padrão de dedilhado.

O objetivo deste estudo é desenvolver maior independência entre as mãos e ampliar o repertório de possibilidades rítmicas e técnicas na execução dos acordes.


Exercício 4

Repita o padrão do exercício anterior, substituindo novamente a terça maior pela terça menor.

Procure tocar lentamente no início dos estudos, utilizando o metrônomo para garantir precisão rítmica, sincronismo entre as mãos e equilíbrio na intensidade das notas.

Música de aplicação

Two Hands – Música 03

Nesta terceira música, os padrões apresentados ao longo da aula são utilizados em um contexto musical, permitindo consolidar os conceitos estudados e compreender sua aplicação prática.

Uma excelente estratégia de estudo é utilizar esses exemplos como ponto de partida para criar novos padrões de dedilhado, explorando diferentes combinações rítmicas e melódicas sobre as tríades maiores e menores.

Vídeoaula


A seção Técnicas para Contrabaixo reúne estudos voltados ao desenvolvimento técnico e musical do instrumento. Os exercícios apresentados foram elaborados para auxiliar estudantes e profissionais na construção de uma técnica sólida, sempre associando os aspectos mecânicos à aplicação prática na música.

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Bons estudos e até a próxima publicação!

Fernando Tavares