Olá, pessoal!
Durante vários anos, produzi e apresentei um programa totalmente dedicado ao contrabaixo na MKK Web Radio (https://mkkwebradio.com.br/. O programa ultrapassou a marca de 100 edições e, por esse motivo, decidi compartilhar com os ouvintes os episódios anteriores para os quais desenvolvi pesquisas e roteiros especiais.
Todos os programas podem ser ouvidos no Spotify e no Mixcloud. Os links estão disponíveis abaixo:
https://www.mixcloud.com/discover/
Programa 16 - Palheta
No programa 16, tivemos um especial com baixistas que tocam com palheta.
Esse tema sempre gera muita discussão, mas estamos aqui para mostrar que não importa a ferramenta — o importante é tirar o melhor som possível e criar linhas de baixo bem legais.
Como sempre, temos baixistas brasileiros e internacionais que se consagraram utilizando essa técnica.
Lembrando que o programa inédito vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, às 22h, com reprise aos domingos, às 20h, aqui na MKK Web Radio.
Mike Rutherford — Genesis
Todos nós sabemos que o rock progressivo produziu grandes baixistas. Além de dominar as ferramentas necessárias para o instrumento, esses músicos também eram excelentes compositores. Entre as lendas do estilo que usavam palheta estão Chris Squire e Greg Lake, por exemplo.
Mas, neste especial, tivemos o baixista e compositor do Genesis, Mike Rutherford, com a música “Get ’Em Out by Friday”, do álbum “Foxtrot” (1972). Prestem atenção às frases com pentatônica e às tercinas que o baixista executa no refrão.
O Genesis teve várias formações, mas a que apresentamos no programa é considerada a clássica da banda:
Peter Gabriel — voz, flauta, oboé e percussão
Tony Banks — teclados e violão de 12 cordas
Steve Hackett — guitarras
Phil Collins — bateria
Mike Rutherford — baixo, guitarras e sintetizador Dewtron “Mister Bassman”, que funcionava como o famoso Moog Taurus. Esse tipo de sintetizador é interessante porque permite ao músico tocar o baixo com o pé (ou teclado), deixando as mãos livres para outro instrumento. Chris Squire, Billy Sheehan e Geddy Lee também usaram esse recurso.
Phil Lynott — Thin Lizzy
Agora vamos escutar o sensacional baixista e vocalista Phil Lynott e sua banda Thin Lizzy.
A música apresentada no programa foi “Waiting for an Alibi”, primeiro single do álbum “Black Rose: A Rock Legend” (1979).
Esse foi o único álbum do Thin Lizzy gravado enquanto o guitarrista Gary Moore ainda fazia parte da banda.
O primeiro grande sucesso do grupo veio com a música “Whiskey in the Jar” (1972) — que também ficou famosa na versão do Metallica.
A sonoridade de Lynott é bem característica. Suas linhas de baixo têm antecipações muito marcantes, o que dá um balanço incrível às músicas.
Phil Lynott faleceu em 4 de janeiro de 1986, aos 36 anos. Em 2005, uma estátua em bronze em tamanho real foi inaugurada em Dublin em sua homenagem.
Luiz Domingues — Kim Kehl e os Kurandeiros
Uma das bandas mais legais do cenário independente de São Paulo é Kim Kehl e os Kurandeiros, com o sensacional baixista Luiz Domingues.
Luiz tocou nas bandas A Chave do Sol, Língua de Trapo, Pedra, Pit Bulls On Crack, Patrulha do Espaço, entre outras. Na década de 1980, ele tocava com os dedos e já tinha uma pegada incrível.
Em uma das nossas conversas, Luiz contou que migrou para a palheta pelas possibilidades sonoras que a ferramenta oferece. Isso mostra como a busca por timbre e linguagem própria é o que realmente importa.
No programa, escutamos um pouco do Luiz com os Kurandeiros na música “O Filho do Vodu”.
A linguagem roqueira da banda vem da experiência de seus músicos na cena paulista. Kim Kehl, por exemplo, já tocou em bandas como Lírio de Vidro e Made in Brazil, além de uma banda cover dos Rolling Stones.
O baterista Carlinhos Machado também tocou com Gerson Conrad, Lee Recorda, entre outros.
Além de músico, Luiz é um importante escritor. Ele mantém três blogs sobre música e publicou uma série de três livros sobre música no cinema — vale a pena conferir!
Joan Bedin — The Mönic
Mais um destaque da nova geração do contrabaixo brasileiro é Joan Bedin, baixista da banda The Mönic, formada em 2017.
Hoje vamos ouvir a música “Maldizer”, do álbum “Deus Picio” (2019), lançado pela gravadora Deck. O som de baixo é excelente, e a produção do disco é muito bem feita.
A banda surgiu do encontro entre Ale Labelle, Joan Bedin e Daniely Simões. Em menos de três meses, elas já tinham mais de 10 músicas gravadas em uma demo. Mesmo com pouco tempo de estrada, a banda já tocou em eventos importantes, como a Virada Cultural de São Paulo, Oxigênio Festival, Big Dia da Música, entre outros.
Em 2021, a baterista Daniely Simões deixou a banda, sendo substituída por Thiago Coyote. Nesse mesmo ano, o grupo lançou o EP acústico “Refúgio”, gravado remotamente durante a pandemia.
Gene Simmons — Kiss
Agora vamos escutar um dos grandes nomes do contrabaixo mundial.
Gene Simmons (nome artístico de Chaim Witz) é vocalista, baixista e fundador do Kiss. Ele pertence ao grupo de baixistas que preferem a palheta — embora, em clipes com playback, muitas vezes apareça tocando com os dedos.
No programa, ouvimos “I Was Made for Lovin’ You”, do álbum “Dynasty” (1979), um dos grandes sucessos mundiais da banda.
A música foi composta por Paul Stanley e Desmond Child, e nela podemos perceber a influência de baixistas clássicos que tocavam com palheta, como Carol Kaye.
Junto com Paul Stanley, Simmons é o único membro remanescente da formação original e participou de todos os álbuns da banda.
David Ellefson — Megadeth
Agora vamos escutar um dos baixistas mais importantes do thrash metal.
David Ellefson é cofundador do Megadeth, ao lado de Dave Mustaine. Rápido e técnico, Ellefson sempre chamou atenção por suas linhas executadas com palheta — muitas delas bastante complexas. Ele utiliza baixos Jackson, tendo inclusive um modelo signature.
Para nosso especial, escolhemos o clássico “Peace Sells”, do álbum “Peace Sells… but Who’s Buying?” (1986).
Ellefson esteve na banda de 1983 a 2000, retornando em 2010 e permanecendo até 2021. Nesse período, também integrou grupos como Temple of Brutality, F5, Soulfly e Killing Machine.
Marcos Brandão — Liar Symphony
Agora vamos ouvir uma das mais importantes bandas do heavy metal nacional: Liar Symphony, com o baixista Marcos Brandão.
Quando o programa foi ao ar, a banda havia relançado a música “Negative Foreseeing”, originalmente lançada em 2000, no álbum “Affair of Honour”, que saiu no Japão e na Europa.
O Liar Symphony possui seis álbuns de estúdio, além de um CD e um DVD ao vivo.
Canisso — Raimundos
Nos anos 1990, surgiu em Brasília uma banda que ficou famosa em todo o país: Raimundos.
Lançada pelo selo Banguela Records, criado por integrantes dos Titãs e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, a banda estourou já no primeiro álbum, misturando forró e rock. O baixista dessa fase era Canisso, que também integrou a banda Rodox.
No programa, ouvimos “Nariz de 12”, do álbum “Lapadas do Povo” (1997) — um disco com sonoridade mais pesada e letras de cunho social.
Steve Swallow
Muita gente associa a palheta ao rock, mas no programa ouvimos um dos grandes nomes do jazz que toca com palheta: Steve Swallow.
A música foi “Radio”, do álbum “Swallow Tales” (2020), do guitarrista John Scofield.
Swallow foi um dos primeiros baixistas de jazz a adotar o baixo elétrico e a utilizar a corda dó aguda. Formado em música, ele lecionou no Berklee College of Music, tocou com Carla Bley e mantém longa parceria com John Scofield.
Suas composições foram gravadas por músicos como Jim Hall, Bill Evans, Chick Corea, Stan Getz e Gary Burton.
É isso aí, pessoal!
Espero que escutem o programa 😊
Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.
Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:
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Bons estudos e até a próxima coluna!
Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.







