quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Transcrição do Mês - Duran Duran - Hungry Like The Wolf

 


Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento uma transcrição com texto explicativo no site. Para esta coluna, escolhemos a música Hungry Like the Wolf do Duran Duran com John Taylor no baixo.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical. 

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

http://www.femtavares.com.br/p/midiaimpressa-fernandotavares-sempre.html

Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Duran Duran - Hungry Like The Wolf

Álbum: Rio (1982)

Baixista: John Taylor

Transcrição: Fernando Tavares

Duran Duran

O Duran Duran é uma banda britânica formada em 1978 em Birmingham, Inglaterra, pelos músicos Nick Rhodes (teclados) e John Taylor (baixo), com a entrada posterior de Simon Le Bon (vocais), Roger Taylor (bateria) e Andy Taylor (guitarra). Considerado um dos maiores fenômenos da música pop e new wave da década de 1980, o grupo destacou-se pela fusão de elementos eletrônicos com rock e funk, além de sua estética visual inovadora, fortemente associada ao surgimento da MTV.

O impacto do Duran Duran foi ampliado pela produção de videoclipes cinematográficos e estilizados, que contribuíram para a construção da imagem da banda como ícone da cultura visual e musical da época. O álbum Rio (1982) consolidou o sucesso internacional do grupo, contendo uma série de faixas que se tornaram clássicos, como “Rio”, “Hungry Like the Wolf” e “Save a Prayer”, e estabeleceu o Duran Duran como referência de excelência estética, inovação sonora e apelo popular.


John Taylor

John Taylor (nascido John Bates em 20 de junho de 1960, em Solihull, Inglaterra) é um baixista, compositor e músico reconhecido por seu trabalho com o Duran Duran. Sua abordagem ao baixo combina técnicas rítmicas refinadas com sensibilidade melódica, fluindo entre linhas funk, pop e rock com grande caráter. Taylor foi um dos principais arquitetos do som distintivo da banda, contribuindo com linhas de baixo memoráveis que, apesar da popularidade visual do grupo, se destacam pela musicalidade e pela inventividade.

Ao longo de sua carreira, Taylor participou de diversos projetos paralelos, colaborou com outros artistas e explorou diferentes vertentes musicais, sempre mantendo o baixo como instrumento expressivo e protagonista em muitos arranjos.


Análise da Transcrição de “Hungry Like the Wolf”

Na década de 1980, o Duran Duran tornou-se um dos maiores fenômenos da música pop, em grande parte por sua capacidade de unir excelência musical, estética visual e a nova forma de difusão musical promovida pela MTV. Ainda hoje, a obra da banda merece ser estudada não apenas pelo impacto cultural, mas também pelos aspectos técnicos e composicionais presentes em suas gravações.

A música “Hungry Like the Wolf” apresenta uma estrutura relativamente direta, articulada por duas partes principais: a base vocal e o refrão. A ponte central recria a mesma ideia da voz principal, porém com manipulação de dinâmica que favorece a inserção de múltiplos efeitos no arranjo.

Um aspecto rítmico notável é a escolha do baixista John Taylor de deixar o primeiro tempo de cada compasso em silêncio. Mesmo nas frases de passagem, essa abordagem é explorada de forma deliberada, resultando em linhas de baixo que se localizam predominantemente nos tempos fracos do compasso (segundo e quarto tempos), criando um senso de impulso rítmico característico.

No que tange ao conteúdo melódico, o baixista enfatiza a nota fundamental de cada acorde, utilizando passagens cromáticas em todas as seções. Também se observam variações de oitava, que enriquecem a linha de baixo com movimento e versatilidade tímbrica.

No refrão, a performance do baixo adquire mais liberdade rítmica; com exceção do acorde de C, as demais frases enfatizam os tempos fortes (primeiro e terceiro tempos), refletindo uma mudança de energia que acompanha o desenvolvimento da canção.

No compasso 56, existe um sinal de plucked isolado — a tradicional “puxada” com o dedo indicador sem o uso do thumb, técnica comumente associada ao slap. A transcrição, à primeira vista, pode sugerir um erro ou a ausência do thumb. No entanto, John Taylor adota, neste trecho, uma abordagem diferenciada: ele aplica pizzicato normal nas notas graves e apenas plucked nas notas agudas. Essa técnica proporciona uma variedade sonora distinta da execução habitual de slap e merece ser explorada para ampliar possibilidades sonoras no contrabaixo.

Ao estudar esta transcrição, é fundamental abordar todas as variações utilizadas pelo instrumentista e perceber como ele desenvolve ideias diferentes em cada repetição dos trechos. A exploração detalhada dessas nuances não apenas enriquece a compreensão técnica, mas também revela o pensamento musical sofisticado por trás de um dos baixos mais influentes do repertório pop/rock moderno.

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Conclusão

A transcrição de “Hungry Like the Wolf” revela um trabalho de baixo muito mais complexo e musicalmente rico do que a percepção simplista de uma “banda visual”. O estudo atento das escolhas rítmicas, técnicas e melódicas de John Taylor demonstra a excelência instrumental que caracterizou o Duran Duran desde o início de sua carreira.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:
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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Repertório para leitura – The Beatles – Love me do

 Olá, pessoal!

Nesta coluna de leitura, analisaremos a música “Love Me Do”, dos Beatles, e demonstrarei, passo a passo, como iniciar a leitura à primeira vista.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Todas as colunas anteriores foram importantes para adquirir o conhecimento necessário e, assim, colocarmos o conteúdo em prática ao tocar uma música diretamente da partitura.

Vale ressaltar que todos os compassos estão numerados para facilitar a localização.

Iniciando a leitura

O primeiro passo é fazer uma análise completa da partitura e compreender alguns pontos antes de iniciar a leitura. Vamos lá:

1. Antes de qualquer procedimento, observe a clave.
No caso da nossa música, temos a clave de fá, portanto uma clave com a qual o baixista já deve estar, ao menos, um pouco familiarizado em relação ao posicionamento das notas.

2. Observe a fórmula de compasso.
Na música, o compasso é 4/4, portanto utilizaremos a fórmula que já trabalhamos na maioria dos exemplos. Neste ponto, você já deve saber que a semibreve dura quatro tempos, a mínima dura dois tempos, a semínima dura um tempo, e assim por diante.

3. O terceiro ponto é observar a armadura de clave.
Nesta transcrição, optei por não utilizar acidentes fixos, pois ainda não trabalhamos esse conteúdo em nossas aulas.

Esses três passos são fundamentais antes de qualquer execução.

Dando continuidade à nossa análise, vamos identificar quais são as notas que aparecem no decorrer da transcrição (ou apenas em um trecho específico, caso a música seja muito longa).

Exercício 1


No Exercício 1, apresento as notas utilizadas na transcrição juntamente com a digitação sugerida — que segue o mesmo padrão estudado na aula anterior.

Observe que, para a nota , proponho duas possibilidades: na primeira parte da música, recomendo o Ré pressionado com o dedo 4; já na ponte e no solo, sugiro o Ré na corda solta.

Há ainda a presença de um fá sustenido, que deve ser tratado como qualquer outra nota: localize-o no braço do instrumento e execute-o com o dedo 3.

Exercício 2

Agora é a hora de observar os sinais de repetição. No caso desta música, temos as barras duplas com dois pontos, que indicam a repetição dos compassos contidos entre elas.

Por exemplo, entre os compassos 36 e 39 existem essas barras, e você deve tocar esses quatro compassos e, em seguida, repeti-los. O mesmo ocorre entre os compassos 1–2, 27–28 e 44–45; acima da barra que indica o retorno, escrevi “tocar 3x”, ou seja, esses trechos devem ser repetidos três vezes antes de prosseguir na música. Sempre que o número de repetições for igual ou superior a três, isso deve ser indicado na pauta. Caso não haja indicação, o trecho deve ser repetido duas vezes.

Entre os compassos 5 e 17 também existe uma barra de repetição, porém no compasso 17 há um sinal chamado Final (Endings, em inglês). Ele indica que você deve tocar o trecho contido na chave na primeira vez e, na repetição, substituir o compasso com Final 1 pelo compasso com Final 2 (compasso 18). Em resumo: na primeira passagem, toque do compasso 5 ao 17; na repetição, toque do compasso 5 ao 16 e pule diretamente para o compasso 18.

Sempre que nos deparamos com algo novo, é natural surgirem dificuldades. Por isso, essa ordem sugerida para a leitura tem o objetivo de orientar seus primeiros passos na leitura à primeira vista. Com o tempo e a prática constante, esses procedimentos se tornarão cada vez mais claros e automáticos.

Leia com frequência, mantenha essas ideias sempre à mão e, gradualmente, você perceberá que o processo de leitura ficará mais fluido e natural.

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Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Álbuns Clássicos - Stanley Clarke - School Days


Olá, pessoal!

Nesta semana temos o álbum School Days, do genial baixista Stanley Clarke, na coluna Sugestão do Mês.
Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Este álbum é uma das maiores referências para contrabaixistas do mundo inteiro. Foi lançado originalmente em 1976 e gravado no Electric Lady Studios, em Nova York, no mês de junho daquele ano — com exceção da faixa “Life Is Just a Game”, registrada no A&M Studios, em Los Angeles. O álbum foi produzido pelo próprio Stanley Clarke.

Os destaques do disco são:

  • School Days — faixa-título, na qual o baixista utiliza as técnicas de string skipping e slap com maestria, além de apresentar um dos solos mais incríveis de contrabaixo que já ouvi.

  • Quiet Afternoon — belíssimo tema executado no piccolo bass.

  • Hot Fun — um groove simplesmente matador criado por Stanley.


Faixas

01 — School Days — 7:52
02 — Quiet Afternoon — 5:08
03 — The Dancer — 5:24
04 — Desert Song — 6:55
05 — Hot Fun — 2:52
06 — Life Is Just a Game — 9:00

*Todas as faixas compostas por Stanley Clarke.


Músicos

Stanley Clarke — contrabaixo; piccolo bass (faixas 2, 3 e 6); contrabaixo acústico (faixa 6); voz (faixas 1 e 6); piano (faixas 2 e 3)
Gerry Brown — bateria (faixas 1, 3 e 5); handbells (faixa 1)
John McLaughlin — violão (faixa 4)
Steve Gadd — bateria (faixa 2)
Billy Cobham — bateria e Moog 1500 (faixa 6)
Milt Holland — percussão (faixas 3 e 4)
David Sancious — guitarra (faixa 5); teclado (faixa 1); órgão (faixa 3); Minimoog (faixas 2 e 3)
Icarus Johnson — guitarra (faixa 6)
Ray Gomez — guitarra (faixas 1, 3 e 5)
George Duke — teclado (faixa 6)

Metais: Albert Aarons, William Peterson, Robert Findley, Buddy Childers, Dalton Smith, Gary Grant, George Bohanon, Jack Nimitz, Lew McCreary, Stuart Blumberg

Cordas: David Campbell, Dennis Karmazyn, Gordon Marron, Janice Adele Gower, John Wittenberg, Karen Jones, Lya Stern, Marcia Van Dyke, Marilyn Baker, Robert Dubow, Rollice Dale, Ronald Strauss, Thomas Buffum


Vídeo



A ideia desta coluna é oferecer a vocês informações sobre grandes álbuns de música. Naturalmente, os discos escolhidos fazem parte da minha formação musical e são sugestões de audição.

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Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Resenha: Brian F. Wright. 2024. The Bastard Instrument: A Cultural History of the Electric Bass

Olá, pessoal!

Estou aqui para comunicar que saiu o novo número da Revista Contrapulso: Revista Latinoamericana de Estudios en Música Popular. Vol. 7 Núm. 2 (2026).
Nessa edição, foi publicada a resenha que fiz do livro The Bastard Instrument de Brian Wright. O livro conta a história do contrabaixo elétrico desde os primórdios até os anos 60.
Gostaria de agradecer imensamente a Juan Pablo González pela oportunidade de produzir este trabalho.
A resenha pode ser encontrada no link:

Para quem quiser saber mais sobre a revista, basta acessar:



Resenha: Brian F. Wright. 2024. The Bastard Instrument: A Cultural History of the Electric Bass. Ann Arbor: University Of Michigan Press, 379 pp.

Fernando Tavares

Lançamento: 26 de janeiro de 2026.

Local: Revista Contrapulso

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Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.


Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).

É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.

"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001