quinta-feira, 12 de março de 2026

Transcrição do Mês - Charlie Brown Jr. - Tudo que ela gosta de escutar

  


Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento uma transcrição com texto explicativo no site. Para esta coluna, escolhemos a música Tudo que ela gosta de escutar do Charlie Brown Jr. com Champignon no baixo.

Nesta coluna faremos uma homenagem ao baixista Champignon, que influenciou inúmeros músicos nos anos 2000. Nesta música apresentaremos algumas ideias voltadas principalmente para aqueles que estão iniciando seus estudos no universo do contrabaixo elétrico. Esta coluna saiu originalmente na edição 26 da Revista Bass Player Brasil de novembro de 2013 e foi reeditada para o site.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical. 

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

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Para obter mais informações, entrem em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com

Charlie Brown Jr. - Tudo que ela gosta de escutar

Charlie Brown Jr. foi uma banda brasileira formada em Santos, em 1992. Liderada pelo vocalista Chorão, o grupo destacou-se pela fusão de rock, hardcore melódico, reggae, rap e skate culture, criando uma estética musical e lírica própria. Ao longo de sua trajetória, o Charlie Brown Jr. tornou-se uma das bandas mais representativas do rock brasileiro contemporâneo, influenciando gerações com seu repertório e identidade artística.

Champignon (Luiz Carlos Leão Duarte Júnior, 1978–2013) foi baixista e integrante fundamental da sonoridade do Charlie Brown Jr. Reconhecido pela técnica, musicalidade e criatividade, destacou-se pela combinação de linhas marcantes, uso expressivo do slap e grande sensibilidade rítmica. Sua atuação contribuiu decisivamente para a identidade sonora da banda, tornando-o uma referência para baixistas no Brasil.

Exercício 1

Neste exercício apresentamos as principais divisões rítmicas utilizadas na música.

No exercício 1a, temos a semínima. Em compasso 4/4, cada semínima corresponde a um tempo; portanto, a cada batida do metrônomo deve-se executar uma nota.

No exercício 1b, trabalha-se o conceito de staccato. O ponto colocado acima ou abaixo da nota indica que o valor deverá ser reduzido à metade do tempo previsto. Nos dois primeiros tempos do exemplo temos a semínima com staccato e, nos tempos três e quatro, a escrita demonstra como ela deve soar. Observe que a nota é tocada na cabeça do tempo e deve ser interrompida no contratempo, gerando uma pequena pausa.

No exercício 1c, estudamos o contratempo, divisão que pode ser mais complexa no início do aprendizado rítmico. Comece contando “1 e 2 e 3 e 4 e” e, em seguida, tente executar sempre no “e” de cada tempo.

No exercício 1d, apresentamos a rítmica da Base 1, acompanhada da contagem. Execute a nota no tempo um, depois no contratempo do segundo tempo e, em seguida, nos tempos três e quatro. Note que o terceiro tempo deve ser tocado em staccato.

No exemplo 1e, temos a rítmica das Bases 2 e 4, construídas em colcheias. Isso significa uma nota a cada meio tempo, totalizando oito notas por compasso.

No exemplo 1f, vemos a rítmica da Base 3. Ela é formada por duas colcheias no primeiro tempo, um contratempo no segundo tempo e duas semínimas em staccato nos tempos três e quatro.


Exercício 2

O campo harmônico utilizado para a construção da harmonia da música é o de dó menor (C menor), formado pelos seguintes acordes: 

Observação: as indicações de “b” na cifra analítica indicam que os graus bIII, bVI e bVII foram rebaixados em relação ao campo harmônico maior. Neste exemplo, o uso de bemóis decorre do fato de estarmos em dó menor. Em outros tons, esses graus nem sempre apresentarão acidentes descendentes.

Na Base 1 são utilizados os acordes: Cm (Im), Eb (bIII) e Fm (IVm).
Na Base 2 são utilizados os acordes: Cm (Im), Eb (bIII), Fm (IVm) e Bb (bVII).
Na Base 3 são utilizados os acordes: Cm (Im), Ab (bVI) e Eb (bIII).
Na Base 4 são utilizados os acordes: Cm (Im), Eb (bIII), Bb (bVII) e Ab (bVI).

Exercício 3 – Base 1

Esta base foi construída com as fundamentais e corresponde à introdução e à linha de baixo da parte vocal da música. No exercício 7 apresentarei a forma completa e a quantidade de repetições de cada base.


Exercício 4 – Base 2

Esta base é utilizada no refrão da música e nela foram executadas as fundamentais de cada acorde.


Exercício 5 – Base 3

Neste exercício também são utilizadas as fundamentais de cada acorde. Ele corresponde à ponte e ao final da música, sendo que, na quarta repetição do fim, o baixista encerra a frase na nota Ab.


Exercício 6 – Base 4

Neste exercício executamos as fundamentais, e ele serve como base para o solo de guitarra.


Exercício 7 – Forma

A forma da música é a seguinte:

  • Introdução = Base 1 – 1 vez
  • Voz (0:12) – Base 1 – 2 vezes
  • Ponte – Base 1 – 1 vez
  • Voz – Base 1 – 2 vezes
  • Refrão (0:54) – Base 2 – 2 vezes
  • Voz (1:10) – Base 1 – 2 vezes
  • Ponte – Base 1 – 1 vez
  • Voz – Base 1 – 2 vezes
  • Refrão (1:52) – Base 2 – 2 vezes
  • Interlúdio (2:08) – Base 3 – 6 vezes
  • Solo (2:20) – Base 4 – 2 vezes
  • Refrão (2:29) – Base 2 – 2 vezes
  • Final – Base 3 – 4 vezes

Estude cada parte separadamente e, depois, tente executá-las na mesma sequência da música. Bons estudos!

Conclusão

O estudo dessas bases e divisões rítmicas oferece uma excelente oportunidade para compreender a lógica musical presente nas linhas de baixo do Charlie Brown Jr., especialmente na obra de Champignon. Ao observar atentamente as fundamentais, a organização rítmica e a forma da música, o estudante desenvolve percepção, precisão e consciência estrutural — elementos essenciais para uma performance musical consistente e expressiva.

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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Repertório para leitura – Partimentos #1 e #2 de Fedele Fenaroli

Olá, pessoal!

Nesta coluna de leitura, trabalharemos com os dois primeiros partimentos de Fedele Fenaroli, adaptados para o contrabaixo elétrico. Esses estudos contribuirão para o desenvolvimento e a continuidade da prática de leitura à primeira vista.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Todas as colunas anteriores foram importantes para adquirir o conhecimento necessário e, assim, colocarmos o conteúdo em prática ao tocar uma música diretamente da partitura.

Iniciando a leitura

A escolha dos partimentos de Fedele Fenaroli deve-se ao fato de que eles trabalham leituras melódicas em clave de fá, sempre dentro de uma tonalidade específica. Por isso, recomendamos que, antes de iniciar a leitura, você estruture a digitação da escala na região em que irá tocar.

Exemplo: o Partimento nº 1 está em Sol maior. Assim, organize a digitação posicionando o dedo 1 na 2ª casa. Em seguida, consulte o diagrama da escala, onde estão indicados os intervalos e os dedos sugeridos para cada nota.

Desenvolver o hábito de montar os desenhos da escala previamente torna o processo de leitura muito mais eficiente e consciente.
 

Depois de estudar o diagrama e identificar as notas da tonalidade proposta, procure um ambiente tranquilo para praticar. Comece com o metrônomo a 60 bpm e vá aumentando o andamento gradualmente, apenas quando se sentir confortável.

Evite memorizar o exercício. O objetivo aqui é ler a partitura em tempo real. Por isso, as indicações de dedos, cifras e outros elementos foram propositalmente retiradas, de modo que sua atenção permaneça somente na leitura das notas.

Partimento #1 - Sol Maior


Diagrama - Sol Menor

Partimento #2 - Sol Menor


Concluindo, os partimentos de Fedele Fenaroli oferecem uma excelente oportunidade para desenvolver a leitura à primeira vista de forma consciente e progressiva. Ao organizar previamente a digitação, compreender a tonalidade e praticar com metrônomo, você fortalece não apenas a leitura, mas também o controle técnico do instrumento.

Procure manter a regularidade dos estudos e volte a estes exercícios sempre que possível. A leitura musical é uma habilidade construída ao longo do tempo — quanto mais você pratica, mais natural ela se torna.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Estudo e análise da linha de baixo composta por Sam Jones na gravação de Autumn Leaves - Somethin’ Else, por Vinícius Dembicki

Olá, pessoal!

Nesta semana apresentamos um trabalho escrito pelo baixista Vinícius Dembicki, no qual ele analisa a linha de baixo executada por Sam Jones na gravação de “Autumn Leaves”, do álbum Somethin’ Else.

Vinícius é baixista e pesquisador de Curitiba, e transcreve e analisa diversas linhas de baixo. Vocês podem encontrá-lo no Instagram:

Autumn Leaves — Análise da linha de baixo de Sam Jones

Por Vinícius Dembicki

INTRODUÇÃO

“Autumn Leaves” (Les Feuilles Mortes) é uma música de origem francesa, composta por Joseph Kosma (1905–1969) em 1945. A letra original, em francês, foi escrita pelo poeta Jacques Prévert, e a versão em inglês por Johnny Mercer.

A composição é considerada um jazz standard — peça amplamente gravada e integrante do repertório comum entre músicos de jazz. Assim, foi regravada por inúmeros artistas, como Frank Sinatra, Miles Davis e Cannonball Adderley, entre outros.

O objeto de estudo para este trabalho é a gravação de “Autumn Leaves” presente no álbum Somethin’ Else (1958), de Cannonball Adderley. A formação dessa gravação é:

  • Cannonball Adderley — saxofone (líder)

  • Miles Davis — trompete

  • Hank Jones — piano

  • Sam Jones — contrabaixo

  • Art Blakey — bateria

Sam Jones (1924–1981) foi um importante músico norte-americano, atuando no contrabaixo e no violoncelo. Iniciou sua carreira em Nova Iorque em 1955, gravando com Tiny Bradshaw, Bill Evans, Bobby Timmons, entre outros. Seu trabalho mais reconhecido está ligado ao quinteto de Cannonball Adderley, do qual participou entre 1955–1956 e 1959–1964. No contrabaixo, consolidou fundamentos essenciais para a construção de linhas no hard bop; no violoncelo, gravou diversos álbuns como líder.


Este trabalho resulta da análise da linha de baixo criada por Sam Jones, com o objetivo de compreender sua lógica musical e estudar os motivos e frases que ele desenvolve.

“Autumn Leaves” possui forma AABC, com progressões harmônicas características do jazz, como:

  • ii–V–I (em tonalidades maiores)

  • iiø–V–i (em tonalidades menores)

Na gravação do álbum Somethin’ Else, a tonalidade é Sol menor.

Frases e conceitos observados

No chorus — seção específica de uma composição — em que Cannonball começa a tocar, após quatro compassos, percebemos a primeira frase de iiø–V–i desenvolvida por Sam Jones, a qual se torna um motivo recorrente ao longo de toda a música, apresentando variações esporádicas.

Frase iiø - V - i:


O cromatismo utilizado por Sam Jones é pensado para alcançar a fundamental do próximo acorde da sequência, e isso fica muito claro quando analisamos essa frase. Esse recurso cria a sensação de que estamos sempre caminhando para a frente — um dos princípios do walking bass — evitando que o ritmo e a harmonia fiquem estagnados.

Após essa passagem, observamos uma linha de baixo já nos registros mais agudos do instrumento, o que cria um contraste interessante em relação aos caminhos mais graves anteriormente percorridos, também configurando uma frase de ii–V–I.

Percebemos um grande uso das tríades. Estas são muito importantes, pois, a partir delas, conseguimos identificar as sensações (funções) que os acordes provocam e, além disso, utilizá-las como base para caminhar para outros acordes da harmonia. Nesta frase, observamos os cromatismos (G–Gb–F) e (C–B–Bb).

Aprendemos o seguinte movimento: 1–3–5–A.C. — em que 1, 3 e 5 correspondem às notas do acorde (1 = fundamental; 3 = terça; 5 = quinta) e A.C. significa Aproximação Cromática para a fundamental do próximo acorde.

Sam Jones não desenvolve a linha apenas de maneira ascendente. A partir do compasso 89, observamos uma frase de ii–V–I combinando movimentos descendentes e ascendentes.

Um movimento comum utilizado por Sam Jones é o padrão 1–3–6–5 e 1–5–3–1, aplicado para caminhar e preencher um compasso quando apenas um acorde está sendo tocado. O baixista costuma empregar esses padrões de forma sequencial quando há uma progressão I–IV, pois, dessa maneira, conseguimos criar caminhos diatônicos bastante interessantes.

Quando um acorde se mantém por dois compassos consecutivos, Sam Jones utiliza duas frases que se mostraram predominantes na gravação. A primeira delas é uma frase construída em terças sobre um acorde i, seguida por um acorde V.

A primeira oitava dessa frase é intercambiável, ou seja, podemos iniciá-la em uma altura mais grave ou mais aguda. Essa escolha pode depender de diversos fatores artísticos, como um caminho melódico já estabelecido (ascendente ou descendente) ou, simplesmente, de uma decisão estética.

Apenas o primeiro intervalo não é uma terça — sendo ele uma quinta ou uma quarta —, enquanto todos os demais intervalos são terças. Esse movimento permite que o baixista continue caminhando dentro de uma harmonia relativamente estática.

A segunda frase baseia-se em um padrão de oitavas, percorrendo as notas de um acorde para alcançar uma oitava mais aguda e, em seguida, retornar à oitava mais grave.

Essa frase também pode apresentar o movimento contrário, por exemplo:


sses são os principais motivos desenvolvidos por Sam Jones ao longo de sua extensa linha. Esta versão de Autumn Leaves possui cerca de 10 minutos e, por isso, Sam Jones apresenta variações desses motivos justamente para evitar a repetição literal. Alguns exemplos são:

Frase iiø - V - i: 

Encadeamento de ii - V com passagens ascendentes e descendentes:

Caminho em regiões agudas do instrumento:

 

CONCLUSÃO

Este estudo permite compreender melhor os motivos e frases utilizados por Sam Jones em sua gravação de “Autumn Leaves”, ampliando o nosso vocabulário e refinando nossas ideias musicais.

Jones busca sempre servir à progressão de acordes, conduzindo a linha de forma clara, cromática e diatônica, priorizando a chegada na fundamental do próximo acorde.

Esses recursos ajudam a construir uma cozinha sólida e coesa, aplicável tanto a harmonias simples quanto complexas.
Ao estudar essas frases em diversas tonalidades, ampliamos nossa preparação para jams, gigs e gravações.


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segunda-feira, 2 de março de 2026

MKK BASS SESSIONS - Programa #16 - Palheta

Olá, pessoal!

Durante vários anos, produzi e apresentei um programa totalmente dedicado ao contrabaixo na MKK Web Radio (https://mkkwebradio.com.br/. O programa ultrapassou a marca de 100 edições e, por esse motivo, decidi compartilhar com os ouvintes os episódios anteriores para os quais desenvolvi pesquisas e roteiros especiais.

Todos os programas podem ser ouvidos no Spotify e no Mixcloud. Os links estão disponíveis abaixo:

https://www.mixcloud.com/discover/

Programa 16 - Palheta


No programa 16, tivemos um especial com baixistas que tocam com palheta.

Esse tema sempre gera muita discussão, mas estamos aqui para mostrar que não importa a ferramenta — o importante é tirar o melhor som possível e criar linhas de baixo bem legais.

Como sempre, temos baixistas brasileiros e internacionais que se consagraram utilizando essa técnica.

Lembrando que o programa inédito vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, às 22h, com reprise aos domingos, às 20h, aqui na MKK Web Radio.


Mike Rutherford — Genesis

Todos nós sabemos que o rock progressivo produziu grandes baixistas. Além de dominar as ferramentas necessárias para o instrumento, esses músicos também eram excelentes compositores. Entre as lendas do estilo que usavam palheta estão Chris Squire e Greg Lake, por exemplo.

Mas, neste especial, tivemos o baixista e compositor do Genesis, Mike Rutherford, com a música “Get ’Em Out by Friday”, do álbum “Foxtrot” (1972). Prestem atenção às frases com pentatônica e às tercinas que o baixista executa no refrão.

O Genesis teve várias formações, mas a que apresentamos no programa é considerada a clássica da banda:

  • Peter Gabriel — voz, flauta, oboé e percussão

  • Tony Banks — teclados e violão de 12 cordas

  • Steve Hackett — guitarras

  • Phil Collins — bateria

  • Mike Rutherford — baixo, guitarras e sintetizador Dewtron “Mister Bassman”, que funcionava como o famoso Moog Taurus. Esse tipo de sintetizador é interessante porque permite ao músico tocar o baixo com o pé (ou teclado), deixando as mãos livres para outro instrumento. Chris Squire, Billy Sheehan e Geddy Lee também usaram esse recurso.


Dewtron "Mister Bassman"


Phil Lynott — Thin Lizzy

Agora vamos escutar o sensacional baixista e vocalista Phil Lynott e sua banda Thin Lizzy.

A música apresentada no programa foi “Waiting for an Alibi”, primeiro single do álbum “Black Rose: A Rock Legend” (1979).

Esse foi o único álbum do Thin Lizzy gravado enquanto o guitarrista Gary Moore ainda fazia parte da banda.

O primeiro grande sucesso do grupo veio com a música “Whiskey in the Jar” (1972) — que também ficou famosa na versão do Metallica.

A sonoridade de Lynott é bem característica. Suas linhas de baixo têm antecipações muito marcantes, o que dá um balanço incrível às músicas.

Phil Lynott faleceu em 4 de janeiro de 1986, aos 36 anos. Em 2005, uma estátua em bronze em tamanho real foi inaugurada em Dublin em sua homenagem.


Luiz Domingues — Kim Kehl e os Kurandeiros

Uma das bandas mais legais do cenário independente de São Paulo é Kim Kehl e os Kurandeiros, com o sensacional baixista Luiz Domingues.

Luiz tocou nas bandas A Chave do Sol, Língua de Trapo, Pedra, Pit Bulls On Crack, Patrulha do Espaço, entre outras. Na década de 1980, ele tocava com os dedos e já tinha uma pegada incrível.

Em uma das nossas conversas, Luiz contou que migrou para a palheta pelas possibilidades sonoras que a ferramenta oferece. Isso mostra como a busca por timbre e linguagem própria é o que realmente importa.

No programa, escutamos um pouco do Luiz com os Kurandeiros na música “O Filho do Vodu”.

A linguagem roqueira da banda vem da experiência de seus músicos na cena paulista. Kim Kehl, por exemplo, já tocou em bandas como Lírio de Vidro e Made in Brazil, além de uma banda cover dos Rolling Stones.

O baterista Carlinhos Machado também tocou com Gerson Conrad, Lee Recorda, entre outros.

Além de músico, Luiz é um importante escritor. Ele mantém três blogs sobre música e publicou uma série de três livros sobre música no cinema — vale a pena conferir!


Joan Bedin — The Mönic

Mais um destaque da nova geração do contrabaixo brasileiro é Joan Bedin, baixista da banda The Mönic, formada em 2017.

Hoje vamos ouvir a música “Maldizer”, do álbum “Deus Picio” (2019), lançado pela gravadora Deck. O som de baixo é excelente, e a produção do disco é muito bem feita.

A banda surgiu do encontro entre Ale Labelle, Joan Bedin e Daniely Simões. Em menos de três meses, elas já tinham mais de 10 músicas gravadas em uma demo. Mesmo com pouco tempo de estrada, a banda já tocou em eventos importantes, como a Virada Cultural de São Paulo, Oxigênio Festival, Big Dia da Música, entre outros.

Em 2021, a baterista Daniely Simões deixou a banda, sendo substituída por Thiago Coyote. Nesse mesmo ano, o grupo lançou o EP acústico “Refúgio”, gravado remotamente durante a pandemia.



Gene Simmons — Kiss

Agora vamos escutar um dos grandes nomes do contrabaixo mundial.

Gene Simmons (nome artístico de Chaim Witz) é vocalista, baixista e fundador do Kiss. Ele pertence ao grupo de baixistas que preferem a palheta — embora, em clipes com playback, muitas vezes apareça tocando com os dedos.

No programa, ouvimos “I Was Made for Lovin’ You”, do álbum “Dynasty” (1979), um dos grandes sucessos mundiais da banda.

A música foi composta por Paul Stanley e Desmond Child, e nela podemos perceber a influência de baixistas clássicos que tocavam com palheta, como Carol Kaye.

Junto com Paul Stanley, Simmons é o único membro remanescente da formação original e participou de todos os álbuns da banda.


David Ellefson — Megadeth

Agora vamos escutar um dos baixistas mais importantes do thrash metal.

David Ellefson é cofundador do Megadeth, ao lado de Dave Mustaine. Rápido e técnico, Ellefson sempre chamou atenção por suas linhas executadas com palheta — muitas delas bastante complexas. Ele utiliza baixos Jackson, tendo inclusive um modelo signature.

Para nosso especial, escolhemos o clássico “Peace Sells”, do álbum “Peace Sells… but Who’s Buying?” (1986).

Ellefson esteve na banda de 1983 a 2000, retornando em 2010 e permanecendo até 2021. Nesse período, também integrou grupos como Temple of Brutality, F5, Soulfly e Killing Machine.


Marcos Brandão — Liar Symphony

Agora vamos ouvir uma das mais importantes bandas do heavy metal nacional: Liar Symphony, com o baixista Marcos Brandão.

Quando o programa foi ao ar, a banda havia relançado a música “Negative Foreseeing”, originalmente lançada em 2000, no álbum “Affair of Honour”, que saiu no Japão e na Europa.

O Liar Symphony possui seis álbuns de estúdio, além de um CD e um DVD ao vivo.


Canisso — Raimundos

Nos anos 1990, surgiu em Brasília uma banda que ficou famosa em todo o país: Raimundos.

Lançada pelo selo Banguela Records, criado por integrantes dos Titãs e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, a banda estourou já no primeiro álbum, misturando forró e rock. O baixista dessa fase era Canisso, que também integrou a banda Rodox.

No programa, ouvimos “Nariz de 12”, do álbum “Lapadas do Povo” (1997) — um disco com sonoridade mais pesada e letras de cunho social.


Steve Swallow

Muita gente associa a palheta ao rock, mas no programa ouvimos um dos grandes nomes do jazz que toca com palheta: Steve Swallow.

A música foi “Radio”, do álbum “Swallow Tales” (2020), do guitarrista John Scofield.

Swallow foi um dos primeiros baixistas de jazz a adotar o baixo elétrico e a utilizar a corda dó aguda. Formado em música, ele lecionou no Berklee College of Music, tocou com Carla Bley e mantém longa parceria com John Scofield.

Suas composições foram gravadas por músicos como Jim Hall, Bill Evans, Chick Corea, Stan Getz e Gary Burton.



É isso aí, pessoal!

Espero que escutem o programa 😊

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