segunda-feira, 2 de março de 2026

MKK BASS SESSIONS - Programa #16 - Palheta

Olá, pessoal!

Durante vários anos, produzi e apresentei um programa totalmente dedicado ao contrabaixo na MKK Web Radio (https://mkkwebradio.com.br/. O programa ultrapassou a marca de 100 edições e, por esse motivo, decidi compartilhar com os ouvintes os episódios anteriores para os quais desenvolvi pesquisas e roteiros especiais.

Todos os programas podem ser ouvidos no Spotify e no Mixcloud. Os links estão disponíveis abaixo:

https://www.mixcloud.com/discover/

Programa 16 - Palheta


No programa 16, tivemos um especial com baixistas que tocam com palheta.

Esse tema sempre gera muita discussão, mas estamos aqui para mostrar que não importa a ferramenta — o importante é tirar o melhor som possível e criar linhas de baixo bem legais.

Como sempre, temos baixistas brasileiros e internacionais que se consagraram utilizando essa técnica.

Lembrando que o programa inédito vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, às 22h, com reprise aos domingos, às 20h, aqui na MKK Web Radio.


Mike Rutherford — Genesis

Todos nós sabemos que o rock progressivo produziu grandes baixistas. Além de dominar as ferramentas necessárias para o instrumento, esses músicos também eram excelentes compositores. Entre as lendas do estilo que usavam palheta estão Chris Squire e Greg Lake, por exemplo.

Mas, neste especial, tivemos o baixista e compositor do Genesis, Mike Rutherford, com a música “Get ’Em Out by Friday”, do álbum “Foxtrot” (1972). Prestem atenção às frases com pentatônica e às tercinas que o baixista executa no refrão.

O Genesis teve várias formações, mas a que apresentamos no programa é considerada a clássica da banda:

  • Peter Gabriel — voz, flauta, oboé e percussão

  • Tony Banks — teclados e violão de 12 cordas

  • Steve Hackett — guitarras

  • Phil Collins — bateria

  • Mike Rutherford — baixo, guitarras e sintetizador Dewtron “Mister Bassman”, que funcionava como o famoso Moog Taurus. Esse tipo de sintetizador é interessante porque permite ao músico tocar o baixo com o pé (ou teclado), deixando as mãos livres para outro instrumento. Chris Squire, Billy Sheehan e Geddy Lee também usaram esse recurso.


Dewtron "Mister Bassman"


Phil Lynott — Thin Lizzy

Agora vamos escutar o sensacional baixista e vocalista Phil Lynott e sua banda Thin Lizzy.

A música apresentada no programa foi “Waiting for an Alibi”, primeiro single do álbum “Black Rose: A Rock Legend” (1979).

Esse foi o único álbum do Thin Lizzy gravado enquanto o guitarrista Gary Moore ainda fazia parte da banda.

O primeiro grande sucesso do grupo veio com a música “Whiskey in the Jar” (1972) — que também ficou famosa na versão do Metallica.

A sonoridade de Lynott é bem característica. Suas linhas de baixo têm antecipações muito marcantes, o que dá um balanço incrível às músicas.

Phil Lynott faleceu em 4 de janeiro de 1986, aos 36 anos. Em 2005, uma estátua em bronze em tamanho real foi inaugurada em Dublin em sua homenagem.


Luiz Domingues — Kim Kehl e os Kurandeiros

Uma das bandas mais legais do cenário independente de São Paulo é Kim Kehl e os Kurandeiros, com o sensacional baixista Luiz Domingues.

Luiz tocou nas bandas A Chave do Sol, Língua de Trapo, Pedra, Pit Bulls On Crack, Patrulha do Espaço, entre outras. Na década de 1980, ele tocava com os dedos e já tinha uma pegada incrível.

Em uma das nossas conversas, Luiz contou que migrou para a palheta pelas possibilidades sonoras que a ferramenta oferece. Isso mostra como a busca por timbre e linguagem própria é o que realmente importa.

No programa, escutamos um pouco do Luiz com os Kurandeiros na música “O Filho do Vodu”.

A linguagem roqueira da banda vem da experiência de seus músicos na cena paulista. Kim Kehl, por exemplo, já tocou em bandas como Lírio de Vidro e Made in Brazil, além de uma banda cover dos Rolling Stones.

O baterista Carlinhos Machado também tocou com Gerson Conrad, Lee Recorda, entre outros.

Além de músico, Luiz é um importante escritor. Ele mantém três blogs sobre música e publicou uma série de três livros sobre música no cinema — vale a pena conferir!


Joan Bedin — The Mönic

Mais um destaque da nova geração do contrabaixo brasileiro é Joan Bedin, baixista da banda The Mönic, formada em 2017.

Hoje vamos ouvir a música “Maldizer”, do álbum “Deus Picio” (2019), lançado pela gravadora Deck. O som de baixo é excelente, e a produção do disco é muito bem feita.

A banda surgiu do encontro entre Ale Labelle, Joan Bedin e Daniely Simões. Em menos de três meses, elas já tinham mais de 10 músicas gravadas em uma demo. Mesmo com pouco tempo de estrada, a banda já tocou em eventos importantes, como a Virada Cultural de São Paulo, Oxigênio Festival, Big Dia da Música, entre outros.

Em 2021, a baterista Daniely Simões deixou a banda, sendo substituída por Thiago Coyote. Nesse mesmo ano, o grupo lançou o EP acústico “Refúgio”, gravado remotamente durante a pandemia.



Gene Simmons — Kiss

Agora vamos escutar um dos grandes nomes do contrabaixo mundial.

Gene Simmons (nome artístico de Chaim Witz) é vocalista, baixista e fundador do Kiss. Ele pertence ao grupo de baixistas que preferem a palheta — embora, em clipes com playback, muitas vezes apareça tocando com os dedos.

No programa, ouvimos “I Was Made for Lovin’ You”, do álbum “Dynasty” (1979), um dos grandes sucessos mundiais da banda.

A música foi composta por Paul Stanley e Desmond Child, e nela podemos perceber a influência de baixistas clássicos que tocavam com palheta, como Carol Kaye.

Junto com Paul Stanley, Simmons é o único membro remanescente da formação original e participou de todos os álbuns da banda.


David Ellefson — Megadeth

Agora vamos escutar um dos baixistas mais importantes do thrash metal.

David Ellefson é cofundador do Megadeth, ao lado de Dave Mustaine. Rápido e técnico, Ellefson sempre chamou atenção por suas linhas executadas com palheta — muitas delas bastante complexas. Ele utiliza baixos Jackson, tendo inclusive um modelo signature.

Para nosso especial, escolhemos o clássico “Peace Sells”, do álbum “Peace Sells… but Who’s Buying?” (1986).

Ellefson esteve na banda de 1983 a 2000, retornando em 2010 e permanecendo até 2021. Nesse período, também integrou grupos como Temple of Brutality, F5, Soulfly e Killing Machine.


Marcos Brandão — Liar Symphony

Agora vamos ouvir uma das mais importantes bandas do heavy metal nacional: Liar Symphony, com o baixista Marcos Brandão.

Quando o programa foi ao ar, a banda havia relançado a música “Negative Foreseeing”, originalmente lançada em 2000, no álbum “Affair of Honour”, que saiu no Japão e na Europa.

O Liar Symphony possui seis álbuns de estúdio, além de um CD e um DVD ao vivo.


Canisso — Raimundos

Nos anos 1990, surgiu em Brasília uma banda que ficou famosa em todo o país: Raimundos.

Lançada pelo selo Banguela Records, criado por integrantes dos Titãs e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, a banda estourou já no primeiro álbum, misturando forró e rock. O baixista dessa fase era Canisso, que também integrou a banda Rodox.

No programa, ouvimos “Nariz de 12”, do álbum “Lapadas do Povo” (1997) — um disco com sonoridade mais pesada e letras de cunho social.


Steve Swallow

Muita gente associa a palheta ao rock, mas no programa ouvimos um dos grandes nomes do jazz que toca com palheta: Steve Swallow.

A música foi “Radio”, do álbum “Swallow Tales” (2020), do guitarrista John Scofield.

Swallow foi um dos primeiros baixistas de jazz a adotar o baixo elétrico e a utilizar a corda dó aguda. Formado em música, ele lecionou no Berklee College of Music, tocou com Carla Bley e mantém longa parceria com John Scofield.

Suas composições foram gravadas por músicos como Jim Hall, Bill Evans, Chick Corea, Stan Getz e Gary Burton.



É isso aí, pessoal!

Espero que escutem o programa 😊

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Baixistas do Rock - Parte 9


Olá, pessoal!

Nesta coluna, iniciamos um conjunto de duas colunas sobre o baixista Steve Harris do Iron Maiden e suas técnicas e abordagens musicais.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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Pequena bio do Steve Harris

Steve Harris é baixista, compositor e fundador do Iron Maiden, uma das bandas mais influentes da história do heavy metal. Nascido em 1956, em Londres, Harris desenvolveu um estilo inconfundível, marcado por linhas de baixo melódicas, uso intenso de palhetadas alternadas com os dedos e forte presença rítmica. Além de assinar grande parte das composições do grupo, ele também atua na direção musical e visual da banda. Seu trabalho ajudou a definir a sonoridade do metal britânico dos anos 1980 e influenciou gerações de baixistas ao redor do mundo.

Steve Harris e suas principais características técnicas e rítmicas serão abordados. Alguns elementos que ele utiliza, principalmente a cavalgada, serão explorados em outra oportunidade. Optei por enfatizar a tercina, uma vez que a cavalgada já foi comentada em outras ocasiões, enquanto essa figura rítmica foi pouco explicada até agora.


Exercício 1

No primeiro exemplo, são apresentadas quiálteras de tercina. A quiáltera consiste em uma subdivisão rítmica irregular, devendo ser sempre indicada graficamente a alteração realizada.

Primeiro compasso: as semínimas, que normalmente ocupariam um tempo cada em um compasso de 2/4, são reorganizadas em três unidades no lugar de duas. Essa modificação é indicada pelo número “3” sobre o grupo.

Segundo compasso: a mesma lógica é aplicada às colcheias, configuração que corresponde ao uso mais comum das tercinas.

Terceiro compasso: o princípio é estendido às semicolcheias. No primeiro tempo, temos três tercinas de semicolcheia no lugar de duas; no segundo tempo, é possível substituir quatro semicolcheias por seis sextinas. Há, entretanto, uma diferença sutil entre essas duas formas de subdivisão.



Exercício 2 

No segundo exercício, execute as tercinas ao longo dos quatro tempos e, posteriormente, realize a mudança para a nota localizada na corda inferior. Inicie a prática em andamento lento e aumente gradualmente a velocidade, de forma controlada.


 

Exercício 3

Neste exercício, trabalhamos as escalas de G maior e de E menor, ambas amplamente utilizadas por Steve Harris na construção de suas linhas melódicas. Caso você ainda não tenha familiaridade com o estudo de escalas, recomenda-se buscar a orientação de um professor, uma vez que esses conteúdos constituem elementos essenciais para o desenvolvimento musical. As escalas de G maior e de E menor possuem as mesmas notas: G, A, B, C, D, E e F#.



Exercício 4

No exercício 4, é apresentado um trecho de “Rime of the Ancient Mariner”, no qual o baixista executa a escala maior relativa a cada um dos acordes da progressão harmônica.


Concluindo, o estudo das linhas de Steve Harris evidencia como recursos rítmicos, como a tercina e a cavalgada, aliados ao uso consciente de escalas, podem gerar frases marcantes e altamente expressivas no contrabaixo elétrico. A análise desses elementos não apenas amplia o vocabulário técnico do instrumentista, como também desenvolve a percepção rítmica e melódica aplicada ao rock e ao heavy metal. A prática dos exercícios propostos oferece uma base sólida para compreender a estética musical de Harris e, ao mesmo tempo, contribui para a formação de uma linguagem própria por parte do estudante.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Harmonia - Aula 11 – Escalas – Padrões – Parte 1


Olá, pessoal!

Nesta semana, temos mais uma aula de harmonia. Seguimos com o estudo das escalas e, desta vez, iniciaremos um trabalho mais técnico, voltado à aplicação dessas escalas na construção de frases para improvisação e composição.

Nesta aula, aplicaremos as escalas maior e menor natural utilizando o padrão melódico de três notas. Você também pode estudar o mesmo padrão com as escalas menor harmônica e menor melódica.

Este artigo faz parte da minha coleção, que reúne diversos estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.

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Vídeo


Estude este exercício com o auxílio de um metrônomo e tente tocar com precisão as três notas que estão dentro de um tempo. Comece em 60 bpm e aumente de 4 em 4 conforme se sentir confortável.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Transcrição exclusiva para alunos - Jaco Pastorius - Come On, Come Over


Olá, pessoal!

Nesta semana, apresento a transcrição e a explicação da linha de baixo da música "Come On, Come Over" do baixista Jaco Pastorius, disponível para os alunos do meu curso de contrabaixo, tanto na modalidade presencial quanto on-line.

Este artigo integra minha coleção de estudos sobre contrabaixo, teoria musical e análise musical.

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