quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Baixista do mês - Tony Levin


Olá, pessoal!

Nesta semana, temos como destaque na coluna Baixista do Mês um dos músicos mais importantes e influentes do contrabaixo elétrico: Tony Levin.

Conhecido principalmente por seu trabalho com o King Crimson, Levin construiu uma trajetória marcada pela exploração de diferentes sonoridades, técnicas e possibilidades de utilização do contrabaixo. Além de sua atuação como baixista, tornou-se uma referência pela utilização do Chapman Stick, instrumento que explorou de maneira particularmente criativa.

Tony Levin

Nome: Tony Levin
Nascimento: 6 de junho de 1946, em Boston, Massachusetts, Estados Unidos.

Principais trabalhos e colaborações: King Crimson, Peter Gabriel, John Lennon, entre outros.



Discografia selecionada

Álbuns solo
  • 2024 — Bringing It Down to the Bass — Tony Levin
  • 2007 — Stick Man — Tony Levin
  • 2006 — Resonator — Tony Levin
  • 2002 — Double Espresso — Tony Levin Band
  • 2001 — Pieces of the Sun — Tony Levin
  • 2000 — Waters of Eden — Tony Levin
  • 1995 — World Diary — Tony Levin

King Crimson

  • 1981 — Discipline
  • 1982 — Beat
  • 1984 — Three of a Perfect Pair
  • 1994 — VROOOM
  • 1995 — THRAK

Liquid Tension Experiment

  • 1998 — Liquid Tension Experiment
  • 2001 — Liquid Tension Experiment 2

Discografia completa:
https://tonylevin.com/discography

Vídeo


Site oficial: 
https://tonylevin.com/

Para conhecer um pouco mais do trabalho de Tony Levin, vale conferir seu álbum solo mais recente, Bringing It Down to the Bass, lançado em 2024. O disco reúne diferentes sonoridades e abordagens do contrabaixo, apresentando um panorama da atuação de Levin como músico e explorador das possibilidades do instrumento.

Ouça no Spotify:


Na próxima coluna

No próximo conteúdo, vamos aprofundar nossa atenção sobre o trabalho de Tony Levin no King Crimson, tomando como ponto de partida o álbum Discipline, lançado em 1981.

O disco representa um momento particularmente importante na trajetória do baixista e também na história do próprio King Crimson, reunindo procedimentos composicionais e abordagens instrumentais que permitem observar diferentes possibilidades de construção das linhas de baixo e de interação entre os músicos.

Vamos analisar algumas dessas características e observar como Tony Levin participa da construção da sonoridade do álbum.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

http://www.femtavares.com.br/p/midiaimpressa-fernandotavares-sempre.html

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Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

Abraços e até a próxima coluna!

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Teoria e Análise - Introdução aos materiais de estudo: modelos analíticos e estilos musicais

Olá, pessoal!

Iniciamos, nesta semana, uma coluna dedicada à Teoria e Análise Musical. A ideia principal é demonstrar, na prática, algumas possibilidades de utilização de modelos analíticos aplicados a diferentes estilos musicais.

De modo geral, pretendemos abordar o uso de esquemas harmônicos, melódicos e rítmicos, que nos fornecerão o cabedal teórico necessário para desenvolver análises mais coerentes com o pensamento musical de cada compositor e de cada período histórico.

Inicialmente, teremos como base a análise do período conhecido como Prática Comum, tendo como principais referências o livro de Steven Geoffrey Laitz, The Complete Musician: An Integrated Approach to Tonal Theory, Analysis, and Listening, de 2012, e o livro de Stefan Kostka e Dorothy Payne, Tonal Harmony, de 1999.


Steven Geoffrey Laitz, "The complete musician: an integrated approach to tonal theory, analysis, and listening" de 2012

Ambos os livros tratam detalhadamente de diversos aspectos da linguagem musical e auxiliam na construção do conhecimento que pretendemos transmitir aos estudantes de Música.

Vinculamos os três tópicos citados — harmonia, melodia e ritmo — porque acreditamos que uma análise musical precisa levar em consideração os diferentes eventos musicais em suas relações. Percebam, nas palavras de Laitz, como esses elementos se cruzam e chamam nossa atenção para duas questões fundamentais: os eventos importantes, isto é, aqueles que ocorrem em determinados pontos dentro de um aspecto musical, e a maneira como esses eventos nos indicam caminhos que o compositor pretende construir em sua obra. Vejamos:

“As notas que ocorrem depois das barras de compasso têm uma função especial na música tonal porque são acentuadas. Eventos musicais acentuados se destacam porque nossa atenção é atraída para eles. [...] Uma razão pela qual nossa atenção é atraída para um evento é que ele anuncia algo novo ou diferente, como uma mudança no padrão” (LAITZ, 2012, p. 2–3).

Em suma, esses eventos funcionam como elementos organizadores das demais ocorrências musicais presentes nas obras que serão abordadas. Com o decorrer dos estudos, compreenderemos melhor a função desses eventos e sua importância para a análise musical.

Também traremos discussões envolvendo esquemas contrapontísticos e harmônicos, que foram incorporados às discussões contemporâneas sobre o ensino e a análise da música a partir, entre outros trabalhos, da obra de Robert Gjerdingen, Music in the Galant Style, de 2007.


 Robert Gjerdingen, "Music in the galant stile" de 2007.

O trabalho de Gjerdingen aborda essencialmente as relações entre baixo e melodia, considerando combinações contrapontísticas que participam da construção de determinadas ideias dentro de uma composição. Essas combinações constituem modelos práticos que auxiliavam os compositores do estilo galante e eram estruturadas a partir de padrões recorrentes de movimento do baixo e da melodia.

Ao longo da coluna, tentaremos relacionar esses modelos a diferentes abordagens presentes no ensino de harmonia, como a harmonia funcional, a harmonia tradicional e o contraponto no modelo fuxiano, entre outras possibilidades.

A ideia é avançar progressivamente e vincular esses diferentes modelos epistemológicos a estilos musicais contemporâneos, como o Jazz e o Rock.

Para não nos estendermos demasiadamente, deixamos aqui o primeiro tópico que os estudantes devem dominar: a escala maior.

Em um período anterior, montei uma série de vídeos sobre harmonia, que vocês podem acessar aqui no site ou no canal do YouTube. No site, temos o conteúdo escrito e, no YouTube, estão disponíveis os vídeos correspondentes.

Conteúdos no site

Colunas 1 a 4 — Primeira etapa:
http://www.femtavares.com.br/2022/06/colunas-sobre-harmonia-primeira-etapa.html

Playlist no YouTube



Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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É isso aí, pessoal!

Aos poucos, introduziremos todas essas ideias de maneira mais abrangente, buscando refletir sobre nossos modelos analíticos e desenvolver ferramentas que nos permitam compreender diferentes repertórios e estilos musicais.

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Dissertação de Mestrado: Fernando Tavares - A Arte do Partimento em sua história, fundamentos, práticas e discussão musicológica: análise historiográfica para a consolidação de um saber para a pedagogia da música


Olá, pessoal!

Estou aqui hoje para compartilhar uma notícia especial: minha dissertação de mestrado, intitulada A Arte do Partimento em sua história, fundamentos, práticas e discussão musicológica: análise historiográfica para a consolidação de um saber para a pedagogia da música, está disponível no Banco de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo (USP).

Acesse a dissertação:

Essa pesquisa teve início por volta de março de 2018, quando ingressei no LAMUS-EACH — Laboratório de Musicologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Em 7 de fevereiro de 2019, ingressei no Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Comunicações e Artes da USP, no curso de Mestrado em Musicologia, sob orientação do Prof. Dr. Diósnio Machado Neto. A dissertação foi defendida e aprovada em 25 de outubro de 2021.

Atualmente, continuo essa trajetória no Doutorado em Música da USP, novamente sob orientação de Diósnio Machado Neto, desta vez dedicando-me à pesquisa sobre a obra de José Maurício Nunes Garcia.

Fiquem de olho nos artigos que temos publicado e que ainda publicaremos como parte dessa pesquisa!

Resumo

No decorrer do século XVIII desenvolveu-se nos Conservatórios de Nápoles uma maneira eficaz de ensinar música conhecida como partimento. Tal método consistia em transmitir os parâmetros musicais por linhas de baixo que continham combinações de notas compreendidas pelos músicos e que lhes proporcionavam informações para a realização de esquemas harmônicos e contrapontísticos. Estes esquemas eram usados para o exercício da improvisação e composição. O modelo de ensino pelos partimentos circulou por toda a Europa através das mãos de mestres que trabalharam ou formaram músicos para as diversas cortes do Antigo Regime. Na década de 1990, iniciou-se um movimento pela compreensão deste modelo de ensino e a partir da segunda metade da década de 2000, diversos trabalhos consolidaram a revisão metodológica deste modelo de ensino. Utilizando-se destes textos contemporâneos que revisitaram e reconstruíram o modelo de ensino pelo partimento, apresentamos nesta dissertação uma revisão bibliográfica com base no trabalho de musicólogos, analistas e teóricos musicais que escreveram sobre este assunto. Com base nos dados coletados, analisamos as informações obtidas e descrevemos como eram as principais escolas, mestres, conteúdos e características do ensino buscando a compreensão dos debates musicais que estavam sendo promovidos pelos músicos do período. A conclusão das análises nos fez compreender o método e criar uma base importante para a execução de um projeto futuro que visa demonstrar o benefício do ensino dos partimentos para auxiliar no ensino das disciplinas de criação musical.

Palavras-chave: Partimento. Contraponto. Conservatórios Napolitanos. Análise Musical. Música Galante.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

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Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

TRANSCRIÇÃO DO MÊS - B.B. King & Eric Clapton — Riding with the King Por Fernando Tavares

Por Fernando Tavares

B.B. King & Eric Clapton — Riding with the King
Nathan East no contrabaixo

Texto revisado em 2020. Publicado originalmente na edição nº 64 da revista Bass Player Brasil.

Olá, pessoal!

Na Transcrição do Mês, trazemos a faixa “Riding with the King”, de B.B. King e Eric Clapton, com a transcrição comentada da linha de contrabaixo executada por Nathan East.

Os músicos de rock do final dos anos 1960 tiveram importância significativa no resgate do blues como um estilo influente e fundamental para a música do século XX. Por isso, álbuns realizados em parceria por grandes nomes desses diferentes universos musicais não são tão raros quanto poderíamos imaginar.

Em 2000, dois dos maiores nomes da guitarra, B.B. King e Eric Clapton, reuniram-se para lançar um álbum em parceria, intitulado Riding with the King. O trabalho reúne diversos clássicos do blues, recebeu um Grammy Award e obteve excelente desempenho comercial.

Para comandar o contrabaixo do álbum, os músicos convidaram um dos baixistas mais representativos da música popular, o sensacional Nathan East, responsável pela linha que apresentamos nesta edição, justamente na faixa-título do álbum.

Vale destacar que, para construir a linha, Nathan East utilizou um contrabaixo de cinco cordas, explorando constantemente as notas da região grave do instrumento. Como a linha não apresenta grande complexidade técnica, aqueles que possuem um contrabaixo de quatro cordas podem transportar algumas dessas notas para regiões mais agudas.

Análise da linha de contrabaixo

No compasso 5, temos a introdução da canção, construída a partir de um dos padrões mais utilizados no blues: frases que exploram os intervalos de fundamental, quinta, sétima e oitava. Para quem ainda não domina esse padrão, vale a pena estudá-lo com atenção, pois se trata de uma ideia recorrente em inúmeras linhas de baixo do gênero.

No compasso 8, encontramos uma aproximação cromática em direção à fundamental do acorde de B7.

A base da voz, nos compassos 9–22 e 35–48, foi construída a partir da pentatônica menor de Si. A utilização da pentatônica menor sobre acordes dominantes é bastante comum nas linhas de baixo do blues e constitui uma importante característica da linguagem do gênero. Vale ficar atento também aos compassos em 2/4 que aparecem nesse trecho.

No compasso 23, temos o refrão da música, no qual o baixista executa principalmente as fundamentais dos respectivos acordes. Nos compassos 29 e 30, Nathan East realiza um slide ascendente e, em seguida, retoma uma ideia semelhante àquela apresentada na introdução. Essas ideias são repetidas no segundo refrão, que tem início no compasso 49.

No compasso 65, tem início a ponte da música. Novamente, encontramos acordes dominantes — acordes maiores com sétima menor — e as frases do contrabaixo giram em torno do padrão apresentado no início da análise: fundamental, quinta, sétima e oitava. Preste atenção também às aproximações cromáticas utilizadas nesse trecho.

No final da música, temos o solo de guitarra. Nesse momento, Nathan East explora algumas frases bastante interessantes, construídas principalmente a partir da pentatônica correspondente a cada acorde.

Vale a pena estudar atentamente as frases desse genial baixista. Nathan East possui uma abordagem extremamente musical: suas frases são colocadas exatamente nos momentos em que aparecem e contribuem de maneira decisiva para o arranjo da canção.

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A seção Transcrição do Mês apresenta linhas de baixo que marcaram a história da música, acompanhadas de análises técnicas e musicais. O objetivo é oferecer material de estudo que auxilie músicos e pesquisadores na compreensão da linguagem dos grandes baixistas e na ampliação de seu repertório técnico e estilístico.

Para conhecer outros trabalhos e artigos publicados ao longo dos anos, acesse:

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Contato: femtavares@gmail.com

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Bons estudos e até a próxima publicação!

Fernando Tavares