segunda-feira, 28 de setembro de 2026

TWO-HANDED TAPPING – PARTE 3 - Padrões para Execução de Acordes

Olá, pessoal!

Nesta semana damos continuidade à nossa série sobre Two-Handed Tapping, nesta terceira aula estudaremos diferentes padrões de dedilhado aplicados aos acordes.

Depois de compreender os movimentos básicos da técnica e praticar a construção de tríades maiores e menores, o próximo passo é desenvolver diferentes formas de execução dessas estruturas. A variação dos padrões de dedilhado amplia as possibilidades musicais da técnica, melhora a coordenação entre as mãos e prepara o estudante para aplicações em contextos de acompanhamento, improvisação e composição.


Exercício 1

Neste exercício, execute a fundamental e a terça maior com a mão esquerda, enquanto a mão direita toca a quinta justa e a oitava, utilizando os dedos indicador e médio, respectivamente.

Este é um dos padrões mais utilizados na execução de acordes com a técnica de Two-Handed Tapping, servindo como base para diversos tipos de dedilhados.

Exercício 2

Repita o mesmo padrão apresentado no exercício anterior, substituindo apenas a terça maior pela terça menor.

Essa pequena alteração modifica completamente a sonoridade do acorde, permitindo comparar, na prática, as características das tríades maiores e menores.

Exercício 3

Mantendo o posicionamento das duas mãos utilizado nos exercícios anteriores, execute um novo padrão de dedilhado.

O objetivo deste estudo é desenvolver maior independência entre as mãos e ampliar o repertório de possibilidades rítmicas e técnicas na execução dos acordes.


Exercício 4

Repita o padrão do exercício anterior, substituindo novamente a terça maior pela terça menor.

Procure tocar lentamente no início dos estudos, utilizando o metrônomo para garantir precisão rítmica, sincronismo entre as mãos e equilíbrio na intensidade das notas.

Música de aplicação

Two Hands – Música 03

Nesta terceira música, os padrões apresentados ao longo da aula são utilizados em um contexto musical, permitindo consolidar os conceitos estudados e compreender sua aplicação prática.

Uma excelente estratégia de estudo é utilizar esses exemplos como ponto de partida para criar novos padrões de dedilhado, explorando diferentes combinações rítmicas e melódicas sobre as tríades maiores e menores.

Vídeoaula


A seção Técnicas para Contrabaixo reúne estudos voltados ao desenvolvimento técnico e musical do instrumento. Os exercícios apresentados foram elaborados para auxiliar estudantes e profissionais na construção de uma técnica sólida, sempre associando os aspectos mecânicos à aplicação prática na música.

Para conhecer outros trabalhos e artigos publicados ao longo dos anos, acesse:

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Bons estudos e até a próxima publicação!

Fernando Tavares

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

TESE DE DOUTORADO PUBLICADA

 Olá, pessoal!

Depois de um longo percurso de pesquisa, escrita e análise, a minha tese de doutorado em Musicologia já está disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo.

O trabalho, desenvolvido na Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), é dedicado ao estudo da obra sacra de José Maurício Nunes Garcia, tendo como eixo analítico a utilização dos esquemas galantes.

A pesquisa reúne um corpus de obras do compositor e procura compreender os processos estruturais e discursivos mobilizados em sua produção musical, articulando teoria e análise musical, esquemas galantes, contexto histórico e significação musical.

📚 A tese está disponível para consulta e download na Biblioteca Digital da USP.

👉 Acesse a tese na Biblioteca Digital da USP

Resumo em português

No decorrer do século XVIII consolidaram-se práticas pedagógicas e composicionais associadas ao estilo galante, fundamentadas na aprendizagem integrada do partimento, do solfejo e do contraponto. Esse modelo possibilitou aos músicos a internalização de padrões recorrentes, utilizados como procedimentos pré-composicionais na improvisação e na composição, posteriormente sistematizados pela teoria das galant schemata, proposta por Robert Gjerdingen. Considerando a circulação desses saberes no universo musical lusobrasileiro, bem como sua incorporação em práticas musicais locais, esta tese investiga o cabedal composicional do Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) a partir da perspectiva analítica dos esquemas galantes, buscando compreender de que modo o compositor mobilizou ferramentas composicionais disponíveis em seu âmbito social e temporal no interior de sua produção sacra. Para obtermos dados consistentes, promovemos a análise sistemática de um corpus composto por 67 obras, distribuídas entre hinos, motetos e missas, com o objetivo de identificar regularidades composicionais, recorrências esquemáticas e estratégias discursivas presentes nesses repertórios. Os resultados coletados e analisados demonstram que José Maurício dominava de maneira aprofundada um repertório amplo de esquemas galantes, empregando-os de forma flexível e funcional em posições estruturais de abertura, transição, prolongamento e fechamento. Ademais, mostramos como o compositor articulava tais procedimentos às exigências formais, litúrgicas e expressivas da música sacra no Brasil colonial. Concluímos que a escrita musical de José Maurício revela um equilíbrio entre o cumprimento do decoro e um grau considerável de inventividade, no qual os esquemas galantes atuam simultaneamente como recursos estruturais e expressivos. Assim, esta tese busca contribuir para o posicionamento crítico do compositor na historiografia musical brasileira e para o desenvolvimento de práticas analíticas voltadas à compreensão dos modelos composicionais e pedagógicos que sustentaram a música luso-brasileira do final do século XVIII e início do XIX, abrindo caminhos para investigações futuras que articulem outros níveis discursivos de significação musical e ampliem a aplicação do modelo analítico aqui proposto.

Palavras-chave em português

Análise Musical; Esquemas galantes; José Maurício Nunes Garcia; Música Galante; Música sacra luso-brasileira

Fernando Tavares
Doutor em Musicologia – ECA-USP

"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001

"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Baixista do mês - Tony Levin


Olá, pessoal!

Nesta semana, temos como destaque na coluna Baixista do Mês um dos músicos mais importantes e influentes do contrabaixo elétrico: Tony Levin.

Conhecido principalmente por seu trabalho com o King Crimson, Levin construiu uma trajetória marcada pela exploração de diferentes sonoridades, técnicas e possibilidades de utilização do contrabaixo. Além de sua atuação como baixista, tornou-se uma referência pela utilização do Chapman Stick, instrumento que explorou de maneira particularmente criativa.

Tony Levin

Nome: Tony Levin
Nascimento: 6 de junho de 1946, em Boston, Massachusetts, Estados Unidos.

Principais trabalhos e colaborações: King Crimson, Peter Gabriel, John Lennon, entre outros.



Discografia selecionada

Álbuns solo
  • 2024 — Bringing It Down to the Bass — Tony Levin
  • 2007 — Stick Man — Tony Levin
  • 2006 — Resonator — Tony Levin
  • 2002 — Double Espresso — Tony Levin Band
  • 2001 — Pieces of the Sun — Tony Levin
  • 2000 — Waters of Eden — Tony Levin
  • 1995 — World Diary — Tony Levin

King Crimson

  • 1981 — Discipline
  • 1982 — Beat
  • 1984 — Three of a Perfect Pair
  • 1994 — VROOOM
  • 1995 — THRAK

Liquid Tension Experiment

  • 1998 — Liquid Tension Experiment
  • 2001 — Liquid Tension Experiment 2

Discografia completa:
https://tonylevin.com/discography

Vídeo


Site oficial: 
https://tonylevin.com/

Para conhecer um pouco mais do trabalho de Tony Levin, vale conferir seu álbum solo mais recente, Bringing It Down to the Bass, lançado em 2024. O disco reúne diferentes sonoridades e abordagens do contrabaixo, apresentando um panorama da atuação de Levin como músico e explorador das possibilidades do instrumento.

Ouça no Spotify:


Na próxima coluna

No próximo conteúdo, vamos aprofundar nossa atenção sobre o trabalho de Tony Levin no King Crimson, tomando como ponto de partida o álbum Discipline, lançado em 1981.

O disco representa um momento particularmente importante na trajetória do baixista e também na história do próprio King Crimson, reunindo procedimentos composicionais e abordagens instrumentais que permitem observar diferentes possibilidades de construção das linhas de baixo e de interação entre os músicos.

Vamos analisar algumas dessas características e observar como Tony Levin participa da construção da sonoridade do álbum.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

Para conferir alguns dos trabalhos e artigos que publiquei, acessem o link:

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Bons estudos e até a próxima coluna!

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Abraços e até a próxima coluna!

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Teoria e Análise - Introdução aos materiais de estudo: modelos analíticos e estilos musicais

Olá, pessoal!

Iniciamos, nesta semana, uma coluna dedicada à Teoria e Análise Musical. A ideia principal é demonstrar, na prática, algumas possibilidades de utilização de modelos analíticos aplicados a diferentes estilos musicais.

De modo geral, pretendemos abordar o uso de esquemas harmônicos, melódicos e rítmicos, que nos fornecerão o cabedal teórico necessário para desenvolver análises mais coerentes com o pensamento musical de cada compositor e de cada período histórico.

Inicialmente, teremos como base a análise do período conhecido como Prática Comum, tendo como principais referências o livro de Steven Geoffrey Laitz, The Complete Musician: An Integrated Approach to Tonal Theory, Analysis, and Listening, de 2012, e o livro de Stefan Kostka e Dorothy Payne, Tonal Harmony, de 1999.


Steven Geoffrey Laitz, "The complete musician: an integrated approach to tonal theory, analysis, and listening" de 2012

Ambos os livros tratam detalhadamente de diversos aspectos da linguagem musical e auxiliam na construção do conhecimento que pretendemos transmitir aos estudantes de Música.

Vinculamos os três tópicos citados — harmonia, melodia e ritmo — porque acreditamos que uma análise musical precisa levar em consideração os diferentes eventos musicais em suas relações. Percebam, nas palavras de Laitz, como esses elementos se cruzam e chamam nossa atenção para duas questões fundamentais: os eventos importantes, isto é, aqueles que ocorrem em determinados pontos dentro de um aspecto musical, e a maneira como esses eventos nos indicam caminhos que o compositor pretende construir em sua obra. Vejamos:

“As notas que ocorrem depois das barras de compasso têm uma função especial na música tonal porque são acentuadas. Eventos musicais acentuados se destacam porque nossa atenção é atraída para eles. [...] Uma razão pela qual nossa atenção é atraída para um evento é que ele anuncia algo novo ou diferente, como uma mudança no padrão” (LAITZ, 2012, p. 2–3).

Em suma, esses eventos funcionam como elementos organizadores das demais ocorrências musicais presentes nas obras que serão abordadas. Com o decorrer dos estudos, compreenderemos melhor a função desses eventos e sua importância para a análise musical.

Também traremos discussões envolvendo esquemas contrapontísticos e harmônicos, que foram incorporados às discussões contemporâneas sobre o ensino e a análise da música a partir, entre outros trabalhos, da obra de Robert Gjerdingen, Music in the Galant Style, de 2007.


 Robert Gjerdingen, "Music in the galant stile" de 2007.

O trabalho de Gjerdingen aborda essencialmente as relações entre baixo e melodia, considerando combinações contrapontísticas que participam da construção de determinadas ideias dentro de uma composição. Essas combinações constituem modelos práticos que auxiliavam os compositores do estilo galante e eram estruturadas a partir de padrões recorrentes de movimento do baixo e da melodia.

Ao longo da coluna, tentaremos relacionar esses modelos a diferentes abordagens presentes no ensino de harmonia, como a harmonia funcional, a harmonia tradicional e o contraponto no modelo fuxiano, entre outras possibilidades.

A ideia é avançar progressivamente e vincular esses diferentes modelos epistemológicos a estilos musicais contemporâneos, como o Jazz e o Rock.

Para não nos estendermos demasiadamente, deixamos aqui o primeiro tópico que os estudantes devem dominar: a escala maior.

Em um período anterior, montei uma série de vídeos sobre harmonia, que vocês podem acessar aqui no site ou no canal do YouTube. No site, temos o conteúdo escrito e, no YouTube, estão disponíveis os vídeos correspondentes.

Conteúdos no site

Colunas 1 a 4 — Primeira etapa:
http://www.femtavares.com.br/2022/06/colunas-sobre-harmonia-primeira-etapa.html

Playlist no YouTube



Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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É isso aí, pessoal!

Aos poucos, introduziremos todas essas ideias de maneira mais abrangente, buscando refletir sobre nossos modelos analíticos e desenvolver ferramentas que nos permitam compreender diferentes repertórios e estilos musicais.

Bons estudos e até a próxima coluna!

Fernando Tavares utiliza cordas Giannini e cabos Datalink.

Fernando Tavares é pesquisador, professor e contrabaixista. Contribuiu com diversas publicações para revistas especializadas em contrabaixo e hoje é membro do LAMUS (Laboratório de Musicologia da EACH-USP Leste), do CEMUPE (Centro de Musicologia de Penedo) e do LEDEP (Laboratório de Educação e Desenvolvimento Psicológico da EACH-USP Leste).
É Mestre e Doutorando em Musicologia pela ECA-USP e é bolsista da CAPES.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
"This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001"

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Dissertação de Mestrado: Fernando Tavares - A Arte do Partimento em sua história, fundamentos, práticas e discussão musicológica: análise historiográfica para a consolidação de um saber para a pedagogia da música


Olá, pessoal!

Estou aqui hoje para compartilhar uma notícia especial: minha dissertação de mestrado, intitulada A Arte do Partimento em sua história, fundamentos, práticas e discussão musicológica: análise historiográfica para a consolidação de um saber para a pedagogia da música, está disponível no Banco de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo (USP).

Acesse a dissertação:

Essa pesquisa teve início por volta de março de 2018, quando ingressei no LAMUS-EACH — Laboratório de Musicologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Em 7 de fevereiro de 2019, ingressei no Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Comunicações e Artes da USP, no curso de Mestrado em Musicologia, sob orientação do Prof. Dr. Diósnio Machado Neto. A dissertação foi defendida e aprovada em 25 de outubro de 2021.

Atualmente, continuo essa trajetória no Doutorado em Música da USP, novamente sob orientação de Diósnio Machado Neto, desta vez dedicando-me à pesquisa sobre a obra de José Maurício Nunes Garcia.

Fiquem de olho nos artigos que temos publicado e que ainda publicaremos como parte dessa pesquisa!

Resumo

No decorrer do século XVIII desenvolveu-se nos Conservatórios de Nápoles uma maneira eficaz de ensinar música conhecida como partimento. Tal método consistia em transmitir os parâmetros musicais por linhas de baixo que continham combinações de notas compreendidas pelos músicos e que lhes proporcionavam informações para a realização de esquemas harmônicos e contrapontísticos. Estes esquemas eram usados para o exercício da improvisação e composição. O modelo de ensino pelos partimentos circulou por toda a Europa através das mãos de mestres que trabalharam ou formaram músicos para as diversas cortes do Antigo Regime. Na década de 1990, iniciou-se um movimento pela compreensão deste modelo de ensino e a partir da segunda metade da década de 2000, diversos trabalhos consolidaram a revisão metodológica deste modelo de ensino. Utilizando-se destes textos contemporâneos que revisitaram e reconstruíram o modelo de ensino pelo partimento, apresentamos nesta dissertação uma revisão bibliográfica com base no trabalho de musicólogos, analistas e teóricos musicais que escreveram sobre este assunto. Com base nos dados coletados, analisamos as informações obtidas e descrevemos como eram as principais escolas, mestres, conteúdos e características do ensino buscando a compreensão dos debates musicais que estavam sendo promovidos pelos músicos do período. A conclusão das análises nos fez compreender o método e criar uma base importante para a execução de um projeto futuro que visa demonstrar o benefício do ensino dos partimentos para auxiliar no ensino das disciplinas de criação musical.

Palavras-chave: Partimento. Contraponto. Conservatórios Napolitanos. Análise Musical. Música Galante.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

TRANSCRIÇÃO DO MÊS - B.B. King & Eric Clapton — Riding with the King Por Fernando Tavares

Por Fernando Tavares

B.B. King & Eric Clapton — Riding with the King
Nathan East no contrabaixo

Texto revisado em 2020. Publicado originalmente na edição nº 64 da revista Bass Player Brasil.

Olá, pessoal!

Na Transcrição do Mês, trazemos a faixa “Riding with the King”, de B.B. King e Eric Clapton, com a transcrição comentada da linha de contrabaixo executada por Nathan East.

Os músicos de rock do final dos anos 1960 tiveram importância significativa no resgate do blues como um estilo influente e fundamental para a música do século XX. Por isso, álbuns realizados em parceria por grandes nomes desses diferentes universos musicais não são tão raros quanto poderíamos imaginar.

Em 2000, dois dos maiores nomes da guitarra, B.B. King e Eric Clapton, reuniram-se para lançar um álbum em parceria, intitulado Riding with the King. O trabalho reúne diversos clássicos do blues, recebeu um Grammy Award e obteve excelente desempenho comercial.

Para comandar o contrabaixo do álbum, os músicos convidaram um dos baixistas mais representativos da música popular, o sensacional Nathan East, responsável pela linha que apresentamos nesta edição, justamente na faixa-título do álbum.

Vale destacar que, para construir a linha, Nathan East utilizou um contrabaixo de cinco cordas, explorando constantemente as notas da região grave do instrumento. Como a linha não apresenta grande complexidade técnica, aqueles que possuem um contrabaixo de quatro cordas podem transportar algumas dessas notas para regiões mais agudas.

Análise da linha de contrabaixo

No compasso 5, temos a introdução da canção, construída a partir de um dos padrões mais utilizados no blues: frases que exploram os intervalos de fundamental, quinta, sétima e oitava. Para quem ainda não domina esse padrão, vale a pena estudá-lo com atenção, pois se trata de uma ideia recorrente em inúmeras linhas de baixo do gênero.

No compasso 8, encontramos uma aproximação cromática em direção à fundamental do acorde de B7.

A base da voz, nos compassos 9–22 e 35–48, foi construída a partir da pentatônica menor de Si. A utilização da pentatônica menor sobre acordes dominantes é bastante comum nas linhas de baixo do blues e constitui uma importante característica da linguagem do gênero. Vale ficar atento também aos compassos em 2/4 que aparecem nesse trecho.

No compasso 23, temos o refrão da música, no qual o baixista executa principalmente as fundamentais dos respectivos acordes. Nos compassos 29 e 30, Nathan East realiza um slide ascendente e, em seguida, retoma uma ideia semelhante àquela apresentada na introdução. Essas ideias são repetidas no segundo refrão, que tem início no compasso 49.

No compasso 65, tem início a ponte da música. Novamente, encontramos acordes dominantes — acordes maiores com sétima menor — e as frases do contrabaixo giram em torno do padrão apresentado no início da análise: fundamental, quinta, sétima e oitava. Preste atenção também às aproximações cromáticas utilizadas nesse trecho.

No final da música, temos o solo de guitarra. Nesse momento, Nathan East explora algumas frases bastante interessantes, construídas principalmente a partir da pentatônica correspondente a cada acorde.

Vale a pena estudar atentamente as frases desse genial baixista. Nathan East possui uma abordagem extremamente musical: suas frases são colocadas exatamente nos momentos em que aparecem e contribuem de maneira decisiva para o arranjo da canção.

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A seção Transcrição do Mês apresenta linhas de baixo que marcaram a história da música, acompanhadas de análises técnicas e musicais. O objetivo é oferecer material de estudo que auxilie músicos e pesquisadores na compreensão da linguagem dos grandes baixistas e na ampliação de seu repertório técnico e estilístico.

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Fernando Tavares

domingo, 6 de setembro de 2026

Sugestão do Mês - Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik

Olá, pessoal!

Na coluna deste mês, temos um dos trabalhos mais emblemáticos da década de 1990: o sensacional Blood Sugar Sex Magik, do Red Hot Chili Peppers.



Lançado em 24 de setembro de 1991, Blood Sugar Sex Magik é o quinto álbum de estúdio da banda e marcou um momento decisivo em sua trajetória, contribuindo para transformar o Red Hot Chili Peppers em um dos grandes nomes do rock mundial.

O álbum reúne uma série de canções marcantes, com destaque para The Power of Equality, Breaking the Girl, Suck My Kiss e Blood Sugar Sex Magik, além dos grandes sucessos Give It Away e Under the Bridge.

Além da importância do álbum para a história da banda, esta edição da coluna é uma oportunidade para observar o trabalho de Flea, um dos baixistas mais influentes da música popular contemporânea. Sua abordagem do contrabaixo combina elementos do funk, do rock e de outras tradições musicais, contribuindo de maneira decisiva para a identidade sonora do grupo.

Faixas

  1. The Power of Equality — 4:03
  2. If You Have to Ask — 3:37
  3. Breaking the Girl — 4:55
  4. Funky Monks — 5:23
  5. Suck My Kiss — 3:37
  6. I Could Have Lied — 4:04
  7. Mellowship Slinky in B Major — 4:00
  8. The Righteous and the Wicked — 4:08
  9. Give It Away — 4:43
  10. Blood Sugar Sex Magik — 4:32
  11. Under the Bridge — 4:24
  12. Naked in the Rain — 4:26
  13. Apache Rose Peacock — 4:43
  14. The Greeting Song — 3:14
  15. My Lovely Man — 4:39
  16. Sir Psycho Sexy — 8:17
  17. They're Red Hot — 1:11

Créditos

Todas as músicas foram escritas e compostas por Anthony Kiedis, Flea, John Frusciante e Chad Smith, exceto “They're Red Hot”, de Robert Johnson.

Músicos

  • Flea — contrabaixo, vocais de apoio, trompete, percussão e teclado
  • John Frusciante — guitarra, vocais de apoio e percussão
  • Anthony Kiedis — voz, percussão e guitarra base
  • Chad Smith — bateria

Músicos adicionais

  • Brendan O'Brien — Mellotron em “Breaking the Girl” e “Sir Psycho Sexy”
  • Gail Frusciante e seus amigos — coro em “Under the Bridge”
  • Pete Weiss — berimbau de boca em “Give It Away”

Vídeo

Confira o vídeo desta edição da coluna, no qual exploramos aspectos do álbum e do trabalho de Flea.




Ouça o álbum completo no Spotify e aproveite para revisitar um dos grandes discos do rock dos anos 1990.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Vídeo - Two Hands (Touch Style) — Edição #42 - Bass Player Brasil


Olá, pessoal!

Nesta semana, resgatamos do nosso arquivo uma matéria publicada originalmente na Bass Player Brasil #42, dedicada à técnica de Touch Style, também conhecida como Two Hands Technique.

O Touch Style constitui uma abordagem particular dos instrumentos de cordas, permitindo que as duas mãos atuem diretamente sobre a escala e possibilitando a execução simultânea de diferentes linhas e vozes. Embora muitas vezes seja associado ao Two Hands Tapping, trata-se de uma abordagem que apresenta características e possibilidades próprias.

A matéria foi publicada na edição que trazia Tony Levin na capa e fazia parte de um especial que incluía também uma entrevista e uma análise de seu estilo. Na ocasião, preparei uma série de exercícios voltados ao desenvolvimento inicial da técnica, buscando adaptá-los às possibilidades do contrabaixo de quatro cordas.

Para acompanhar a publicação, foi produzido também um vídeo para o canal da Bass Player Brasil, no qual apresento alguns dos conceitos e exercícios abordados na matéria.

▶️ Assista ao vídeo:

Este é mais um conteúdo de uma sequência em que resgatamos e publicamos aqui no site, materiais produzidos ao longo da minha trajetória como baixista, professor e colaborador de publicações especializadas.

Este artigo faz parte da minha coleção, que inclui diversos estudos sobre contrabaixo, teoria e análise musical.

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