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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Artigos & Resenhas - Marcenaria (1º Álbum) - Por Luiz Domingues


Olá pessoal!

Estamos de volta com mais uma coluna "Artigos e Resenhas" aqui no nosso site. Dessa vez o nosso querido amigo e sensacional escritor Luiz Domingues nos fala sobre o primeiro álbum da banda Marcenaria, um grande trabalho que envolve grandes músicos. Vale a pena conhecer o trabalho desta banda apresentada pelo Luiz.

A matéria original pode ser encontrada neste link.


Lembrando que o nosso amigo possui três blogs diferentes que estão nos links abaixo.


Um breve release do Luiz feito pelo próprio:

Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Sem mais, vamos ao texto do Luiz

Marcenaria (1º Álbum) - Por Luiz Domingues


Os tempos atuais são tão desoladores no âmbito cultural em geral no Brasil e no mundo, que chega a causar estupefação que ainda haja artista que empenhe-se em perpetrar obras com substância artística inquestionável e nesse caso, agrega-se um fator a mais a enaltecer-se : a incrível resiliência que demonstra ter, com tal determinação.
É o caso do sexteto “Marcenaria”, que produz um som de extrema complexidade e baseado num caldeirão tão vasto de boas e diferentes influências, que torna o seu trabalho, um verdadeiro exemplo de que ficar nos lamentos pelas redes sociais, em nada ajuda-nos a vencer a guerra contra o baixo astral do show business dominado por gente deliberadamente comprometida com a subcultura, anticultura e afins. O negócio é dar apoio a quem está trabalhando firme, mesmo sem respaldo algum dos grandes meios de comunicação e mesmo assim, mostrando seu valor, que é muito grande, caso dessa banda. Ecléticos e polivalentes, os componentes do Marcenaria são todos multi instrumentistas com extrema destreza nos muitos instrumentos que tocam, cada um, e diga-se de passagem, eles também mantém trabalhos paralelos com outras bandas de carreira (o ótimo “Cosmo Drah”, é um exemplo) e trabalham como side man de artistas importantes.


Neste seu primeiro trabalho fonográfico, o Marcenaria transborda sua musicalidade riquíssima em todas as faixas, fazendo uma amálgama forte entre a urbanidade, e as tradições rurais do Brasil. As músicas interligam-se, sem que no entanto o disco seja assumidamente conceitual ou no formato “ópera”, mas simplesmente a conexão existe e tudo é reforçado pelo apoio de um esmerado trabalho gráfico que mescla o conceito “Comics” ou História em Quadrinhos, melhor dizendo. Não trata-se de nenhuma novidade estética, muitos artistas já usaram desse expediente anteriormente, basta uma rápida consulta aos registros na história do Rock, contudo, não vejo mal algum em reutilizar-se o mesmo recurso e basta usar de criatividade para deixar a marca pessoal, e é o que acontece nesse trabalho, com ilustrações de qualidade e texto amarrado inteligentemente, usando as letras das canções.
Sobre o nível instrumental dos componentes, qualidade das canções e sofisticação dos arranjos, sob esses parâmetros citados, é altíssimo. Não surpreendeu-me em nada, já esperava por isso quando recebi o disco em mãos, e como se não bastasse tal fato, ainda fazem vocalizações em harmonia muito sofisticadas, ou seja, algo muito fora do padrão do que ouve-se no mundo mainstream das emissoras de rádio FM ou na televisão e devo observar, ainda bem ! Os rapazes não estão nem aí para os padrões da música pasteurizada que os marqueteiros determinam que o povo vá ouvir. Maravilha, a preocupação é fazer arte e eles cumprem seu objetivo com galhardia e devo acrescentar, hombridade artística.

Sobre as faixas, são 12 canções muito intensas, apresentando sofisticação musical ímpar, belas harmonias; além de melodias e letras buscando signos do folk brasileiro (entenda isso pelo sentido amplo do termo “Folk”), misturando à urbanidade / modernidade das grandes metrópoles.


Em “Intro”, as convenções com acentos mostram força logo no início. Gostei muito das trocas de ritmos e fórmulas de compasso, mostrando destreza instrumental. A brasilidade evocada é nítida e lembrou-me bastante os bons momentos do “Som Imaginário” de Wagner Tiso & Cia., de outrora. Hermeto Pascoal creio que também encaixar-se-ia como influência. Vocais em harmonia muito bonitos e o som de viola caipira passeando com os sopros intermitentes, são muito ricos. E fora o fato de que frases agressivas executadas por guitarra, baixo e bateria, com instrumentos de sopros cortando tudo em passeios assim, são puro Prog Rock, na tradição de bandas como o "Gong" e "Van Der Graaf Generator", entre outras que usavam tal prerrogativa, certamente 

A faixa seguinte, “Meio Tom Acima do Chão” tem muita inspiração na dita psicodelia nordestina dos anos setenta. Não obstante o fato de evocar Lula Cortes, tem elementos sofisticados que muito lembram o Jazz fusion brasuca de Egberto Gismonti, pleno de brasilidades e virtuosismo. As intervenções de sopros são belas ao extremo, garantindo um colorido ininterrupto, como se uma revoada monumental de pássaros coloridos passasse pela janela enquanto ouvimos a faixa. Gostei muito de um solo de guitarra ao estilo “backwards” que é executado sobre uma batida tribal e linha de baixo num “looping” meio caribenho. E o parte final vai para a quebradeira total (ótimo !). Chamou-me a atenção um trecho da letra : 

“Lei de Newton, debaixo da castanheira, um banzeiro na minha cabeça... 
as vezes pareço andar meio tom acima do chão”...

Acho que uma imagem assim espelha bem a proposta da banda em buscar a poética das raízes, sob o viés da amálgama urbana.

Em “Guarânia”, trata-se de fato de desse gênero musical sulamericano / paraguaio / guarany, mas claro, sob uma sofisticação instrumental que a faz mais parecer uma música do "Jethro Tull", tamanha a profusão de detalhes e pegada Progger Rock. Gostei muito do solo de flauta, executado por Claudia Rivera, uma instrumentista convidada especial da banda. E a letra / linha melódica e também interpretação, eu diria, tem uma lembrança forte do trabalho do Zé Rodrix, a meu ver, bem daqueles discos solo dele dos anos setenta, que se o leitor nunca ouviu, conclamo-o a procurá-los no You Tube. É aquele toque de urbanidade que o saudoso Rodrix tão bem sabia dar no seu recado e o Marcenaria parece ter recuperado, ainda bem.

A faixa “Vire o Disco !” tem na sua proposta uma crítica ácida, mas muito pertinente à inércia da atual juventude. Todo mundo com olhos e dedinhos que não desgrudam dos celulares, mas de conteúdo bom que tal interação sócio tecnológica poder-se-ia resultar, nada, absolutamente nada !! E nesse deserto de ideias, chega a ser indecente termos tanta tecnologia disponível para que a imensa maioria fique hipnotizada por futilidades múltiplas. Portanto, a metáfora proposta pela letra é muito boa, ao utilizar a imagem do velho disco de vinil e sua inevitável necessidade gerada de obrigar o ouvinte a vira-lo na pick up, a cada término de lado executado.

“É hora de virar o disco, esse lado já se acabou. 
Levante o corpo do sofá e o braço da vitrola”.

Muito boa a mensagem, faça alguma coisa edificante, senhor "abduzido" das redes sociais...
Musicalmente, essa faixa fez lembrar-me bastante o som da banda Prog Rock brasileira dos anos setenta, “Terreno Baldio”, pela mescla de virtuosismo instrumental "Progger", com brasilidades. Sopros e violas caipiras passeiam o tempo todo.

A faixa seguinte, “O Trem” tem um sabor Blues, todavia pelo viés de um “quase” reggae. A proposta da letra lembrou-me o Zé Ramalho de seus mais inspirados trabalhos e um solo de guitarra, de arrepiar, trouxe o elemento Rock com muita força.

“Bruxismo”, tem fortes elementos do Jazz-Fusion, lembrando-me inicialmente o trabalho do “Weather Report”, mas como a pegada dos rapazes é de Rockers, acredito que soe mais Jazz-Rock, algo na linha do “Soft Machine”. Admirável a quebradeira ao longo das mudanças bruscas no tema. Tem algo de experimental bem na tradição dos compositores malditos da MPB setentista, bem naquela predisposição nonsense de artistas como Tom Zé; Jards Macalé & Walter Franco, com direito a intervenções de vozes e risadas. Muito bom, meninos, sabemos desde os anos setenta que loucura pouca é bobagem.

“Teste de Viola” é um tema instrumental e parece que o “Captain Beyond” foi tocar com violeiros caipiras, tamanho o peso Hard-Rock (em alguns trechos) e uma tremenda performance da viola. Um longo interlúdio, pleno de climas dá espaço para os solos.

“Fusa Roceira” tem uma base harmônica bastante sofisticada, com ótimos vocais em harmonia, percussão criativa e lembrou-me bastante os primeiros trabalhos do Alceu Valença, quando este era menos “pop” e mais instigante como artista, eu diria. As intervenções de guitarra ao final, lembraram-me o som cerebral de Robert Fripp e gostei muito do final épico, que despertou-me a lembrança da sofisticação do “Wishbone Ash”. Bacana o piano, incluso.

“Pessoas de alumínio e cobre, presas de jacaré e pedra. 
Só para descobrir. 
Mais um ponto do encerado pra eu arrochar. 
Mais um ponto do mistério pra eu descobrir”...

Uma letra que deixa bem clara a dicotomia da visão da vida moderna, pelo viés da sabedoria caipira. A pensar-se...

A canção “Chuva”, traz efeitos muito interessantes no seu início. Gostei da onomatopeia que fez-me recordar de uma linhagem melódica da MPB, que simplesmente não existe mais e até meados dos anos 1960, era ouvida em profusão no rádio e na TV. Gostei bastante da linha de bateria e baixo, com um sentido de preenchimento de espaços muito criativo. Fora as múltiplas convenções super técnicas. Tem climas jazzísticos acentuados, igualmente.

Na canção “Rinha de Galo”, a proposta é aparentemente mais regional, com acordeon, mas o Marcenaria não abre mão de seu esmero instrumental e logo entram elementos experimentais diversos. Gostei muito de uma desdobrada proeminente, e logo a seguir, um solo de guitarra ultra anos sessenta, que dá a impressão que Randy California ou Jorma Kaukonen foram trazidos por uma máquina do tempo, direto do palco do Fillmore West, de San Francisco em 1968, para o estúdio. Muito legal. Ótimas as convenções finais e com o belo solo de sax, dobrado.

Na faixa seguinte, “Camping de Noel”, é muito clara a semelhança com os trabalhos mais experimentais / psicodélicos dos primeiros discos dos Mutantes, com direito à robustez dos arranjos do maestro, Rogério Duprat. Mais uma vez, as vozes fazem um belo trabalho em harmonia.

A última canção do álbum tem um título conclusivo : ...”Mas no Final”..., uma ideia interessante, sem dúvida em dar ao ouvinte, um norte do que pretendem, com a obra. Na letra, fala-se :

“Olhou para si, olhou para o céu. 
E se pôs a lembrar tudo o que aconteceu quando então saiu de si em sua Marcenaria”...

Muito bacana dar essa opção para que o ouvinte faça de sua auto reflexão um mergulho, cada qual em sua “marcenaria”, ou seja, sua própria vida. Pela metáfora da oficina e das ferramentas todas à disposição para a livre manipulação e criação de seu caminho / obra / vida.
Sobre a sonoridade dessa canção, soa como um baião bastante sofisticado e com elementos no arranjo que muito recordou-me o som do “Ave Sangria”, uma banda nordestina dos anos setenta, infelizmente pouco citada, mas muito relevante. O final da canção tem mais uma vez um sabor “Van Der Graaf Generator”, muito bonito, a meu ver.


O Marcenaria é formado por Anderson Ziemmer (voz; guitarra; clarinete e percussão); Augusto Miranda (voz; guitarra; viola caipira; violão e flauta transversal); Bruno Costa (sax soprano e tenor); David Forell (voz e bateria); Elton Amorim (baixo; violão; acordeon; piano e viola caipira); Paulo Costa (voz; clarinete baixo; clarinete soprano; sax tenor e percussão).

Além da versatilidade da banda, ainda convidaram músicos para colaborar, casos de Claudia Rivera (Flauta Transversal); Clara Andrade (percussão) e Renato Amorim (guitarra).

Gravado no estúdio X, com Giorgio Karatchuk na operação do áudio; Thiago Nacif na mixagem e André Ferraz na masterização. Criação e lay out final de capa e encarte por Augusto Mendonça. Produção executiva por Marcelo Spindola Bacha. Selo : Melômano / Rock Company.

No cômputo geral, trata-se de um álbum com excelente áudio; é moderno, com pressão e definição, mas apresentando timbres bastante próximos de uma sonoridade mais “vintage” (viva !!). A qualidade musical da banda impressiona muito, tanto no nível instrumental quanto vocal, além da elaboração de arranjos sofisticados e letras com poética muito além da pasmaceira pasteurizada da música mainstream dos tempos atuais de 2017.

Contato direto com a banda, via E-mail : 
marcenaria@gmail.com

O Site oficial da banda :
https://www.bandamarcenaria.com

Eis abaixo, o álbum na íntegra para o leitor conhecer esse trabalho : 


O Link do álbum na íntegra, no You Tube :

Facebook :

É isso pessoal!
Espero que vocês curtam esta incrível banda indicada e resenhada pelo meu amigo Luiz Domingues. O grande "barato" de fazer esta coluna é conhecer bandas como a Marcenaria.
Abraços e até a próxima coluna!


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Documentário do Mês: Titãs - A vida até parece uma festa


Olá pessoal!
Neste mês temos como sugestão o documentário da banda Titãs - A vida até parece uma festa. Este documentário retrata a carreira de 25 anos da banda brasileira, sendo que este longa metragem foi elaborado com fitas gravadas por Branco Mello (vocalista e hoje, também baixista da banda).



Ficha Técnica

Por: Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves
Produção: Angela Figueiredo, Paulo Roberto Schmidt, Maria Clara Fernandez, Fábio Zavala e Cristina Fantato
Roteiro: Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves
Elenco: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Charles Gavin, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto
Idioma: Português

Abraços e até a próxima coluna!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Artigos e Resenhas - Tuca, Uma Artista Esquecida - Por Luiz Domingues


Olá pessoal!

Estamos de volta com mais uma coluna Artigos e Resenhas aqui no nosso site. Mais uma vez temos uma matéria do sensacional Luiz Domingues que nos presenteia com um resgate de uma artista maravilhosa conhecida por Tuca. Infelizmente nossos verdadeiros patrimônios, que são culturais, não são tratados com o devido respeito, mas enfim, o Luiz se posta a resgatar alguns artistas importantes da nossa música.

A matéria original pode ser encontrada neste link.
http://luiz-domingues.blogspot.com/2012/10/tuca-uma-artista-esquecida-por-luiz.html

Lembrando que o nosso amigo possui três blogs diferentes que estão nos links abaixo.
http://luiz-domingues.blogspot.com.br/
http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/
http://luizdomingues3.blogspot.com.br/

Um breve release do Luiz feito pelo próprio:
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Sem mais, vamos ao texto do Luiz

Tuca, Uma Artista Esquecida - Por Luiz Domingues


No Brasil existe um triste paradigma, difícil de ser rompido. Trata-se do histórico descaso com a sua memória, em todas as áreas, e no campo das artes, isso promove uma série de injustiças, que espero um dia sejam devidamente revistas. Se artistas de grande relevância caem no esquecimento eterno rapidamente, o que dizer então de outros mais obscuros que nunca alcançaram grande projeção, a despeito de seu inegável talento ? 
É o caso da cantora/compositora e musicista, Tuca, por exemplo.


Valenza Zagni da Silva nasceu em São Paulo, capital, no ano de 1944. Apelidada de "Tuca", formou-se em música erudita no conservatório paulista em 1957. Posteriormente ingressando na FAU da USP, integrou-se ao grupo de música da faculdade.
Em 1962, teve pela primeira vez uma composição sua gravada, no disco da cantora Ana Lucia. Logo a seguir, Tuca aventurou-se a cantar suas próprias canções e sua primeira apresentação na TV, foi no programa "Primeira audição", na TV Record de São Paulo.
Dali em diante, Tuca foi aparecendo nos festivais da MPB que as TV's faziam costumeiramente na década de sessenta. Participou por exemplo dos Festivais da TV Excelsior, TV Rio e TV Globo.

Lançou seu primeiro LP em 1968, chamado "Eu, Tuca", pela gravadora Chantecler.
Causou espanto ao misturar orquestrações sofisticadas com teor erudito, à violas caipiras de música de raiz.


Descontente com a falta de alavancagem na carreira e também pelos ventos tenebrosos da ditadura em voga no Brasil, em 1969 fixou residência em Paris, onde morou por cinco anos e se tornou amiga de Françoise Hardy, participando de gravações da cantora francesa em estúdio, inclusive com composições, como se vê na capa do LP "La Question", de 1971, abaixo.


Voltando ao Brasil, lançou em 1975 o LP : "Dracula, I Love You".
Tuca era uma compositora e cantora sui generis, que gostava de ousar, fazendo uma música aberta e muito cosmopolita.
Ela faleceu em 1978, vítima de uma parada cardíaca decorrente dos efeitos de sucessivos tratamentos de emagrecimento, mal sucedidos.


Ela tinha apenas 34 anos de idade, e muito o que contribuir à MPB, com sua capacidade criativa. E entrou lamentavelmente assim para o rol de talentos que a falta de memória brasileira costuma condenar ao esquecimento. 

*Matéria publicada inicialmente no Site/Blog Orra Meu e posteriormente republicada no Blog Pedro da Veiga

Bom, é isso aí, espero que tenham gostado deste artigo sensacional do Luiz. 
Abraços e até a próxima coluna!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Documentário do Mês - Frank Zappa: Classic Albums - Apostrophe


Olá pessoal!

O documentário deste mês faz parte da série Classics Albums e fala sobre a composição, gravação e lançamento dos álbuns Over-nite Sensation & Apostrophe' do genial guitarrista e compositor Frank Zappa.

Este documentário é importante para entender como era o trabalho de Zappa na produção de um álbum, além de extras imperdíveis, como "Welcome to the vault" em que o baterista do Zappa Plays Zappa, Joe Travers mostra as fitas que foram gravadas durante toda a carreira do compositor. Vale a pena assistir só por este extra.


https://qello.com/concert/Classic-Album-Apostrophe-Over-Night-Sensation-4388

Ficha técnica
Direção:  Matthew Longfellow
País: UK | USA
Idioma: Inglês
Data de lançamento: 2007 (USA)
Eagle Rock Entertainment, Isis Productions
Tempo: 97 min

Abraços e até a próxima coluna!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Artigos e Resenhas - Anos de Desbunde, Quando a MPB era Hippie e Sensacional - Por Luiz Domingues


Olá pessoal!
Estamos de volta com mais uma coluna Artigos e Resenhas aqui no nosso site. Mais uma vez temos uma matéria do sensacional Luiz Domingues, mas para aqueles que estão acostumados com suas fantásticas resenhas teremos neste mês uma coluna diferente.
Luiz Domingues nos presenteia com uma reflexão fantástica sobre a MPB dos anos 1960-70.
Esta matéria pode ser encontrada em seu blog http://luiz-domingues.blogspot.com/2015/09/anos-de-desbunde-quando-mpb-era-hippie.html
Lembrando que o nosso amigo possui três blogs diferentes que estão nos links abaixo.
http://luiz-domingues.blogspot.com.br/
http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/
http://luizdomingues3.blogspot.com.br/

Um breve release do Luiz feito pelo próprio:
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Sem mais conversas, vamos ao texto do Luiz

Anos de Desbunde, Quando a MPB era Hippie e Sensacional - Por Luiz Domingues

Naquele turbilhão de acontecimentos que ocorreram no campo da cultura e com consequências na área sócio / comportamental entre as décadas de sessenta e setenta, a música popular brasileira também sofreu forte influência de tais acontecimentos gerados.
Após décadas sem produzir grandes novidades estéticas, o grande diferencial na MPB havia sido a explosão da Bossa Nova no final dos anos cinquenta, e a música internacional parecia não incomodá-la, havendo a grosso modo, uma convivência pacífica entre as duas correntes. Mesmo porque, no caso da Bossa Nova, a raiz comum no Jazz como parâmetro, principalmente no tocante à composição e arranjos, privilegiando o uso de harmonia sofisticada, fazia com que a estrutura instrumental de ambos os estilos, fosse bem parecida.
Com exceção de artistas que usavam o violão como acompanhamento, era comum na Bossa Nova, a utilização de uma formação de piano, baixo acústico e bateria para acompanhar cantores dessa escola estética, repetindo o formato do combo clássico de Jazz Stand.
Mas houve um momento em que a nova música pop que vinha principalmente da Inglaterra, começou a incomodar os adeptos da MPB tradicional. Garotos cabeludos e “barulhentos” tentando reproduzir o som de artistas negros americanos, e com raízes no Blues, entraram com força no imaginário popular, assustando os tradicionalistas com tantas mudanças, forçando-os a reagir da pior maneira possível.   
Numa demonstração de incompreensão e ranço reacionário inadmissível por parte de alguns que nem tinham perfil para se portarem dessa forma, organizaram uma vergonhosa “Marcha contra a Guitarra Elétrica”, como forma de “proteger” a pureza da MPB.
Como artistas de qualidades inquestionáveis, puderam participar de uma jornada lastimável dessa monta ?
Não cabe julgamento, tampouco execração pública, no sentido de que todos estamos sujeitos a errar. Faz parte da vida, em qualquer área, a possibilidade de dar um passo errado e no cômputo geral, sábio é aquele que aproveita o momento de adversidade para crescer em cima de sua coragem de ter tentado, e humildade em reconhecer a falha. Mas para efeito de história, essa tal “marcha” pode ser considerada um divisor de águas na MPB, que passaria por mudanças drásticas, doravante.
Logo na metade da década, ainda no calor da marcha reacionária e corporativista, começaram a pipocar festivais universitários de MPB, e logo, a ideia foi parar nos canais de televisão. Nem preciso me alongar nesse parágrafo para exprimir o quanto os festivais da TV Record foram importantes para a MPB. E dentro deles, a grande capacidade de transformação da MPB, já estava em curso, com jovens incorporando elementos do Rock internacional.


Guitarras, baixo elétrico e teclados eletrônicos entraram com tudo, subindo ao palco para interagir com os instrumentos tradicionais e até de orquestras que costumavam acompanhar cantores da velha guarda, usando smokings, com aquelas vozes impostadas e gestual formal. Nessa altura, a Jovem Guarda já dava as cartas nas “jovens tardes de domingo”, e a consequente aceitação de cabeludos com guitarras na TV, já inevitável. Mas a despeito de parecer algo revolucionário, a Jovem Guarda não era Rocker 100%, e nem MPB em sua essência. Influenciada sim, pelo Pop Bubblegum internacional, via British Invasion, sua amálgama brasileira no entanto, flertava fortemente com o brega dos bairros suburbanos das grandes cidades, e sem muito quilate artístico para se sustentar como estética a entrar para a história, a não ser pelo hype midiático.
Portanto, salvo raras e boas exceções, não foi da Jovem Guarda que a MPB achou novos rumos, apesar de artistas como Roberto Carlos terem se tornado mega populares (e para corroborar a minha tese, a carreira do Roberto, no pós anos sessenta, enveredou para o “romântico popular”, é um fato.)
Por isso, a grande mudança começou para valer mesmo, dentro da explosão dos festivais, onde artistas antenados na modernidade e sobretudo isentos de qualquer ranço reacionário, trouxeram o que havia de mais sensacional no Rock; Black Music; Jazz, e experimentalismo em geral para a nova MPB que se construía ali.
Outro ponto importantíssimo ocorreu ao final da década de sessenta e início dos anos setenta, quando a Black Music se fez presente na MPB, com muita força. Além de uma safra sensacional de novos artistas surgidos nessa cena Black, com Tim Maia como “síndico desse condomínio”, é claro, alguns outros artistas se aproximaram dessa onda, com bastante inspiração.


Foi o caso de Marcos Valle, outrora artista consagrado na cena do Samba-Jazz, cujo repertório base até então, privilegiava o samba em várias vertentes, mas depois de conhecer a Soul Music, abriu um novo horizonte na sua carreira, sem dúvida, abrindo-se até para o Rock, nos anos setenta, através de sua própria interpretação, além de cantoras de quilate como Elis Regina e Claudia, por exemplo.




E até o Roberto Carlos flertou (e muito bem), com a Black Music. 


Para quem é historiador da música, sabe bem que existiu um hiato na carreira dele, que é muito interessante entre a fase da Jovem Guarda e o mergulho no romântico-brega, onde ele teve um momento "Soul", muito bom, com o apoio do Erasmo Carlos e Tim Maia, sobretudo, que certamente já curtiam essa onda, anteriormente.
Outra vertente que explodiu no início dos anos setenta, foi a de artistas que eram acintosamente influenciados por correntes do Rock internacional, como a psicodelia e o Rock Progressivo. Nesse aspecto, a proximidade histórica do Rock Progressivo com a música Folk europeia, naturalmente fez com que artistas de diferentes regiões do Brasil, fizessem a mesma associação. Fato explicável com propriedade por qualquer musicólogo, a música folclórica, seja lá de qual nação represente, tem uma raiz comum e é base primordial da música erudita. Como o Rock Progressivo bebe na fonte da música erudita, sempre se casa com o Folk, de uma maneira harmônica.


Isso explica portanto, a extrema felicidade com a qual os compositores mineiros egressos do movimento que entrou para a história como “Clube da Esquina”, entraram com tudo no mercado setentista, trazendo a música Folk das montanhas mineiras, com sonoridade de Rock Progressivo e inquestionável quilate artístico.


O mesmo raciocínio se dá com alguns artistas nordestinos. A junção de suas raízes folclóricas multifacetadas com o Rock, abriu caminho para uma série de artistas geniais, que uniram a psicodelia hippie, lisérgica e ufológica, ao som do agreste.
No meio da década de setenta, uma safra de artistas anteriormente relegados ao quase anonimato do underground, finalmente veio à tona, graças a um festival que tentava resgatar a aura dos festivais sessentistas. Era o Festival “Abertura”, da Rede Globo, realizado em 1975, e que se não conseguiu o mesmo glamour que pretendia repetir de 1967, ao menos teve o mérito de colocar artistas performáticos na crista da onda.


De minha parte, acrescentando agora a minha impressão pessoal de época, visto que nos anos setenta eu era adolescente e já acompanhava com total interesse tal cena artística, nem eu, nem meus amigos, fazia distinção entre o Rock e a MPB. Nossa visão era de que as duas escolas caminhavam juntas, ideológica e esteticamente falando, diferenciando-se apenas em formatos, mas como falam os franceses, “Vive La diference” !!
A essência era Hippie, mesmo para artistas que não se coadunavam abertamente em tal conceito. Se o Walter Franco falava pausadamente em que “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”, isso era coadunado com o Gilberto Gil dizendo : “Se Oriente rapaz, pela constelação”... 
“Viva a Sociedade Alternativa”, poderia ter sido cantado pelo Country Joe McDonald em Woodstock, ou ser palavra de ordem para enaltecer a “Nutopia”do John Lennon...


Com os “cabelos ao vento, gente jovem colorida”, não queremos repetir os erros dos "nossos pais". O negócio é tomar um “táxi para uma estação lunar”, "amiúde, Avohai", ele diz que mora na baleia por vontade própria...
E quem sabe ir para o interior, se instalar numa “Casa no Campo, com meus discos, meus livros e nada mais”, porque “não dá para confiar em quem tem mais de trinta anos”...
Dá para fazer uma série de outras associações, mas a amálgama é sempre a raiz Hippie, com seus ideais de fraternidade; igualdade; amor à arte; liberdade; além de forte apelo espiritualista, com consequentes ligações com a ecologia; ambientalismo; sustentabilidade; anticonsumo; pacifismo, e uma série de outros atributos.
Uma frase da Gal Costa, publicada recentemente (2014), deu a letra : -“A MPB era legal nos anos setenta quando virou Hippie”. Claro, Gal era "le-gal", "to-tal" e "fa-tal"...


De fato, considerando que naquela época, as novidades internacionais sempre chegavam com bastante atraso no Brasil, não é surpreendente constatar que o Flower Power que entrara em declínio no Pós-1969, chegasse no Brasil, alguns anos depois.
Nesse contexto, a explosão Hippie no Brasil foi no início dos anos setenta, e causou esse impacto na MPB, sem dúvida.


Citei poucos artistas e obras nesta matéria, propositalmente, porque esse tema, além de fascinante, gera desdobramentos.
Portanto, para não se tornar um ensaio gigantesco, paro por aqui, mas voltarei ao tema em matérias futuras, porque é um assunto vasto.


Por enquanto, deixo a constatação : a MPB quando era Hippie e "desbundada", era sensacional !!


Matéria escrita inicialmente para a revista impressa Gatos & Alfaces, nº 5, de abril de 2015

Bom, é isso aí, espero que tenham gostado deste artigo sensacional do Luiz. Abraços e até a próxima coluna!

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Artigos e Resenhas - O Voo do Marimbondo / Vento Motivo - Por Luiz Domingues


Olá pessoal!

Como vocês devem saber, todo mês tem uma resenha especial do amigo e espetacular contrabaixista Luiz Domingues. E a resenha deste mês é do álbum O Voo do Marimbondo da banda paulistana Vento Motivo
Esta resenha se encontra no link abaixo:
http://luiz-domingues.blogspot.com/2015/07/o-voo-do-marimbondo-vento-motivo-por.html
Mas, lembre-se, acesse os blogs do Luiz e encontre além desta, outras matérias maravilhosas. 
Abaixo o link dos três blogs administrado pelo amigo Luiz Domingues.
http://luiz-domingues.blogspot.com.br/
http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/
http://luizdomingues3.blogspot.com.br/

Então vamos a resenha:

O Voo do Marimbondo / Vento Motivo - Por Luiz Domingues



Ouvindo o quarto trabalho da banda paulistana, Vento Motivo, denominado, “O Voo do Marimbondo”, tenho boas coisas a relatar. 
O primeiro ponto é a qualidade musical óbvia de seus quatro componentes. Bem, é quase chover no molhado dizer que Fernando Ceah (Vocal e Guitarra); Kim Kehl (Guitarra, Violões e Backing Vocals); Marcião Gonçalves (Baixo, Guitarra e Backing Vocals), e Binho (Bateria), figuras tarimbadas na cena Rocker brasileira, não pudessem fazer algo de ótima qualidade. Todavia, estou na música há 39 anos (1976-2015), e sei bem que para dar “liga”, um conjunto musical precisa mais que reunir bons instrumentistas / cantores. Mais que isso, na história da música e do Rock em específico, nem toda banda formada por grandes músicos deu certo. É preciso haver uma química, e que muitas vezes passa por imponderáveis razões para ser inteiramente compreendida. Mas não é o caso desse disco e dessa formação atual do Vento Motivo.


Segunda constatação, o disco não reúne apenas um apanhado de boas canções, mas sobretudo, posso afirmar que são muito bem arranjadas. Gostei bastante das soluções encontradas pelos seus componentes, que souberam dar brilhantismo extra à proposta pop que a banda certamente se propõe a fazer.

Terceiro ponto, os músicos convidados que atuaram no álbum, vieram com contribuições pontuais ao melhor estilo “cereja do bolo”, enriquecendo ainda mais o resultado sonoro final.


Quarto aspecto, sou muito suspeito para falar do artista plástico/ multimúsico e Web designer, Diogo Oliveira, que foi o responsável pela ilustração da capa, pela evidente ligação artística que tenho com ele, que já assinou capa de disco de banda minha, mas como não elogiar uma ilustração fantástica dessas ?

Quinta constatação : as letras das canções são absolutamente excelentes!
Todas de autoria de Fernando Ceah, com exceção de uma escrita pelo baterista Binho, são na verdade poemas de muita inspiração e profundidade, destoando completamente (ainda bem!), da vergonhosa mixórdia que assola o panorama artístico atual, de 2015, no mundo da música mainstream do Brasil, e quiçá do planeta inteiro, num substrato vergonhoso de subcultura de massa perpetrada pelos marqueteiros e seus malditos pau-mandados, os famigerados “formadores de opinião”.
Portanto, O Voo do Marimbondo trata-se de um trabalho de muita qualidade artística, cercado de predicados.


A primeira canção, chamada “1º de abril”, remeteu-me à jovem guarda, mas ao contrário da ingenuidade extrema daquela escola musical pop dos anos sessenta, e sua inerente aproximação com o brega popularesco, tem muito mais vigor musical e poético. Muito bacana a intervenção melodiosa do trompete do convidado Paulo Roberto Pizzulin, trazendo-me lembranças de Burt Bacharah. Outro convidado nessa faixa, André Knobl, faz um belo solo de sax. E em algumas intervenções de ambos juntos, um certo sabor de Soul Music muito me agradou. Brincando com a questão da mentira, Ceah escreveu uma letra que chega a ser desconcertante em alguns aspectos.
Um exemplo de mega sinceridade de expressão : “Mas se todos vão, eu volto louco pela contramão / Procurando em qual bifurcação eu perdi a acidez/ Pra jogar em tanto açúcar”...

A seguir, na canção “Segunda –Feira Será”, impressionou-me a linha de baixo construída por Marcião Gonçalves. Conheço-o há muitos anos, é meu amigo, eu sei, mas preciso dizer : quase todo guitarrista toca baixo, pela semelhança entre os instrumentos que são da mesma família das cordas. Quando o conheci, era um exímio guitarrista e um dia me disse que migrara para o baixo. OK, pensei, ele vai fazer licks de guitarra no baixo, como quase todo o guitarrista que se arrisca no bólido de quatro cordas, mas não, Marcião, desenvolveu-se como baixista de uma forma impressionante e de fato, é como se tivesse uma chave de liga e desliga dentro do cérebro, pois quando toca baixo, raciocina como um baixista e não como guitarrista tocando baixo. Nesses termos, constrói linhas de extremo bom gosto, com poder melódico e swing de gente grande, caso do que fez no disco inteiro, mas muito realçado nessa faixa que estou citando. Uma inusitada e bonita inserção de música de raiz, com a participação do violeiro Noel Andrade, aparece no final da canção, dando-lhe um colorido todo especial.
“Segunda-Feira será dia de lutar pela vida”, um dos versos da música, nos faz pensar que o condicionamento cultural  a que fomos submetidos por séculos, enraizou a ideia tola de que qualquer ação positiva que fazemos pela nossa sobrevivência, só pode começar nesse dia em específico e que é inexoravelmente carregado de energia de desânimo, pela dura labuta da vida...    
Genial ao seu final, ouvir o toque padrão dos despertadores digitais...a segunda-feira começa assim para a maioria das pessoas deste planeta...

“Mary Jane”, é um Rock que me lembrou de certa forma a fúria garageira dos Stooges de Iggy Pop. Andamento rápido e raivoso, com uma letra quase desesperada em tom de pesadelo descrito. Uma declamação no meio da música e um inspirado baixo com leve efeito de flanger, chamaram-me a atenção, também.

Sobre “O Barco e o Porto”, tenho a dizer que o guitarrista Kim Kehl se destaca com suas intervenções de muito bom gosto. E a letra é um caso à parte :
“Joguei uma garrafa ao mar, com a frase mais linda de se escrever/ Se o barco naufragar, as marés é que vão te dizer”, diz um verso criado por Ceah...ou seja, dá para ser romântico, fazendo poesia e sem cair na breguice.

Em “A História Atual dos Talentos”, digo que o guitarrista Kim Kehl brilha muito. Suas intervenções de solos e contra-solos de inspiração country-Rock, caíram como uma luva para essa canção.   
Participação muito rica do ótimo violinista Cássio Poleto, dando mais signos caipiras norte-americanos, e com uma letra muito boa, traçando um paralelo entre o mercantilismo do mundo e o ser humano .

“Quanto custa você ?”/ “Qual o valor do teu piscar ?”/ “Qual o saldo do seu ser ?”/ “Tem troco para o que sou ?”/ “Você tem garantia ?”/ “Quanto vale a sua palavra ?”/ “O que acontece se eu quebrar ? “/ “Quanto invisto pra te agradar ?”...

Em sua construção poética, é quase como que Ceah quisesse criar um “Procon” para resolver conflitos que todo ser humano enfrenta e nem sempre consegue resolver, nem mesmo quando desabafa, deitado em divãs psicanalíticos.

“Clareia” é uma balada de qualidade.
Gostei muito da intervenção de baixo e guitarra juntos num micro solo bastante melódico. Tem também uma bela harmonia.

“Porta-Aviões e Barcos de Papel”é uma balada bastante densa. Muito bacana a participação do meu amigo Rodrigo Hid aos teclados, outro convidado do Vento Motivo para esse álbum. Com aquele timbre “quase” de “Farfisa”que estabeleceu, deu um toque psicodélico à música. Muito boa a linha de baixo novamente, e da bateria de Binho, também.

Gostei muito do solo “Stoneano” da guitarra do Kim, evocando Mick Taylor exilado na rua principal, se me permitem um excesso de euforia de minha parte, como ouvinte e resenhista.

A faixa seguinte, trata de lealdade, ética, devoção...e mais uma série de valores muito exaltados na filosofia que dá sentido às lutas marciais em geral, mas neste caso, falando do Karate.

“Karate-Do (A Liga da Justiça), fala especificamente desse universo de rígidos valores, a dar substância e sentido maior ao uso da força física por parte de tais seguidores dessa luta.
“Se combato um inimigo, é para fazer mais um amigo”, talvez soe ingênuo numa primeira audição, mas se o ouvinte tiver a paciência de entender o contexto dessa letra, poderá apreciá-la.
Boa sacada no arranjo, a inclusão de gritos e gemidos típicos de praticantes dessa arte marcial, trazendo-lhe o aspecto humano.

“A Despedida do Poeta” é uma balada bastante dramática. Muito boa a intervenção de Rodrigo Hid  ao piano e sobretudo, a performance de Kim Kehl usando o efeito do “Ebow” na guitarra, a reforçar a sua eloquência enquanto canção bastante emocional. Lembra Cazuza, em certos aspectos, a interpretação do Ceah, e a letra é um tanto quanto melancólica : “Toda vez que eu inventei o amor, eu criei a minha dor”...

Em “A Lei que Vale”, o clima é de desabafo e tem uma carga de Rock oitentista bem forte. Não é a minha praia, mas apreciei o bom solo do Kim Kehl.

A última canção do disco, é “Vem Sol, Vai Chuva”é bastante melódica. Gostei muito de uma inserção de Funk-Rock (e acho um saco viver num mundo onde toda vez que cito o Funk, tenho que explicar que não se trata daquela manifestação de baixo nível que vemos por aí, mas sim o “verdadeiro Funk”, que vem da raiz nobre do Soul e do R’n’B, e que foi imortalizado por James Brown e tantos outros artistas geniais).
Com um baixo absolutamente brilhante, Marcião Gonçalves parece estar tocando com a Sly and the Family Stone no palco da Soul Train na Philadelphia...
Muito legal também a inclusão de um clavinete “Stevewonderiano”, e pilotado pelo Rodrigo Hid.
E absolutamente adorável o final, quando uma vinheta construída em torno da melodia e da letra da canção, traz uma criança cantando em ritmo de uma cantiga de roda...”Vem Sol...Vai Chuva”.

Sobre a capa, já elogiei o artista Diogo Oliveira, mas cabe acrescentar que a ilustração mostra uma visão de triplo alcance. É como se estivéssemos num avião, olhando abaixo, a presença de outro avião (na verdade, um caça militar em ação de guerra), sobrevoando a pista de um porta-aviões. Nas asas do caça, as figuras de dois marimbondos, estilizados como logotipo de divisões militares. Tudo em preto e branco, mas com um brilho e contraste impressionantes a realçar tessituras. Dá para ver o movimento do mar, em ranhuras muito elucidativas. Uma ilustração brilhante em minha opinião.

O encarte é recheado de informações; todas as letras e muitas fotos promocionais da banda, posando na região do cais do porto da cidade de Santos, reforçando a ideia dos porta aviões e barcos de papel, nome de uma canção; a ligação desse álbum com voo sobre o mar, e a própria ilustração da capa.

Boa produção de áudio, com a mix seguindo o padrão radiofônico pop. Particularmente gosto mais do conceito Rocker, off-Show Business, com voz mais próxima dos instrumentos, mas entendo a opção da banda e claro que imagino que pelo teor das letras, a preocupação com a inteligibilidade deve ter determinado isso, também.

Gravado nos estúdios Curumim, de propriedade do próprio Fernando Ceah, com produção de Carlos Perren, um profissional bastante competente e extremamente acessível.

Gostei bastante dos timbres dos instrumentos, principalmente o baixo, e não é porque sou baixista, pois quem me conhece, sabe bem que não escuto música prestando atenção nesse instrumento em específico. Mas realmente o brilho e o peso do baixo, ficaram excelentes, só realçando ainda mais a performance matadora de Marcião Gonçalves.

Luizinho Mazzei cuidou da mixagem e Lampadinha, fez a masterização. Fotos a cargo de Marco Estrella.
Lançado pelo selo próprio, Curumim, a banda vem divulgando-o com bastante empenho e obtendo bons resultados.


Recomendo esse trabalho, certamente e reforço a ideia de que se o Rock brasileiro parece morto, na verdade, nos subterrâneos off-mainstream ele vive e muito bem, com dúzias de artistas criativos, caso do Vento Motivo.
E se tais artistas como o Vento Motivo entre eles, não estão fortes na mídia mainstream, é por pura opção dos poderosos que a dominam, e a manipulam há décadas, impedindo que vários artistas talentosos tenham acesso, por conta de seus outros interesses escusos. Só por isso.
Conheça melhor esse trabalho, visitando o Site oficial da banda :
www.ventomotivo.com.br 

Só para lembrá-los que esta é uma coluna em que coloco artigos e matérias escritas por profissionais gabaritados e que serão úteis para os estudantes e apreciadores de música. 
Um breve release do Luiz feito pelo próprio:
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.
Espero que curtam mais esta super banda e este disco bem legal de rock n'roll.
Abraços e até a próxima coluna!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Documentário do Mês - Sobre amigos e canções (Clube da Esquina)


Olá pessoal!

O documentário deste mês é sobre o movimento que ficou conhecido como "Clube da esquina" e que tinha entre seus nomes os fantásticos músicos Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Wagner Tiso, Toninho Horta, entre outros, além dos letristas Marcio Borges e Fernando Brant.
Este documentário feito para um trabalho final do curso de Jornalismo da PUC-SP com apoio da TV Cultura conta com entrevistas com os músicos que fizeram parte do movimento. 


Ficha técnica
Direção e Roteiro: Bel Mercês e Leticia Gimenez
Edição: Thais Cortez
Apoio: TV PUC / TV Cultura

Abraços e até a próxima coluna!

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Artigos e Resenhas - Stringbreaker & The Stuffbreakers - Por Luiz Domingues

Olá pessoal!

Nesta semana temos mais um artigo especial do amigo Luiz Domingues, com uma resenha do álbum Stringbreaker & The Stuffbreakers. Só para lembrá-los que esta é uma coluna em que coloco artigos e matérias escritas por profissionais gabaritados e que serão úteis para os estudantes e apreciadores de música. 

Esta resenha e outras matérias maravilhosas podem ser encontradas nos blogs do Luiz. Segue abaixo o link deste artigo e os links dos blogs.


Um breve release do Luiz feito pelo próprio:
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Então vamos a resenha:

Stringbreaker & The Stuffbreakers - Por Luiz Domingues


Chegou às minhas mãos o CD de um jovem guitarrista paulistano, revelando seu trabalho mais recente em estúdio, despertando-me a atenção, de imediato. Trata-se de Stringbreaker & the stuffbreakers, trabalho de Guilherme Spilack, guitarrista técnico, criativo e influenciado pelas melhores referências do Rock Clássico.
Ao lado do baixista Robinho Tavares e do baterista Sergio Ciccone,  Spilack  gravou um disco com dez temas instrumentais, de agradável audição para ouvidos como os meus, mega simpáticos às sonoridades de cunho sessenta / setentistas.
A despeito dessa ótima prerrogativa Pró - Classic Rock, nem sempre foi essa a orientação de Spilack, entretanto. Sua escola primordial fora o Heavy-Metal, onde ele atuou com a banda Reviolence nesse mundo metálico, além de participações em bandas tributo do Iron Maiden, e do vocalista Bruce Dickinson. Mas mostrando ecletismo, mostra-nos nesse trabalho, um outro lado seu, plenamente identificado com a sonoridade clássica das décadas de sessenta e setenta.


Nas dez faixas do disco, o groove que apresenta é muito grande.
Sua guitarra sai do lugar-comum do virtuosismo puro e simples (e típico de guitarristas de Heavy-Metal, mostrando técnica em torno de exibicionismos hedonísticos), mas a favor da música, com sentido, com propósito. Outro ponto forte é a noção melódica excelente, produzindo,  solos que ficam na memória, com poder semelhante ao de refrães “chiclete” cantados por todos, tamanho o seu poder de identificação. 
E assim se configura o trabalho,  faixa por faixa, onde Spilack e seus companheiros envolvem o ouvinte, prendendo-lhe a atenção , e isso tem um mérito extraordinário em se considerando ser um trabalho de música instrumental, onde a tendência natural é agradar apenas uma faixa restrita de pessoas e invariavelmente formada por músicos em sua maioria.

Sobre as influências que eu detectei, são as melhores possíveis. 
Claro, fica a ressalva que esse tipo de percepção é meramente pessoal e baseada na influência inerente de cada um. Eu sempre ouço música, mesmo que seja moderníssima e buscando inovação absoluta, “pescando” alguma influência antiga, nem que seja subliminar e inconsciente da parte do artista que a concebeu. 
Minha base de influências no Rock, fica mesmo entre as décadas  de cinquenta  e setenta, portanto, tudo o que falarei a seguir, segue tal percepção de minha parte.


Por exemplo, em “Groove Party”, Spilack & Cia. conseguiram fazer com que o Southern Rock soasse forte, com Allman Brothers Band dando as cartas na mesa desse poker sonoro.
“Mad Middle Pickup” me fez pensar em como seria Johnny Winter e Joe Walsh tocando juntos...Spilack teve essa proeza de demonstrar na prática tal efeito explosivo.
Adorável o Blues roots de “Travel at the Southern Lands”.
“75’S spring”, mostrou o lado funkeado do Jazz Rock "ganchudo" de Jeff Beck e de fato, a primavera de 1975 foi pródiga e embalada por tais petardos desse grande mestre.
Jimi Hendrix aparece em manifestação mediúnica, na música, “Grooveria Paulistana”
“Doida” é puro Led Zeppelin, com Jimmy Page indicando o caminho para Spilack, mediante uma luminária montanha acima.
O Folk britânico / europeu mostra sua face em “Rainy Afternoon in Gonçalves”. Guilherme também tira o chapéu para Roy Harper, com certeza.
Um blues denso ao extremo, evocando Hendrix em seus momentos mais soturnos, nos é brindado em “The Inspiration Blues”.
Gosto do sabor pop quase imperceptível, mas muito bem colocado de um violão riscado na faixa, “Under Two Color Sky”. Marca registrada de um mestre carismático como Peter Frampton, e que Spilack soube explorar com galhardia.
A faixa escolhida por Guilherme Spilack para encerrar o CD, foi estratégica. “Taking Road Back Home” é um tema grandiloquente, com um solo dramático e que muito me fez recordar o saudoso Mick Ronson.

O áudio do CD é bastante agradável, respeitando a intenção do artista em buscar timbragens vintage, mas com a inerente modernidade da era digital.
Sobre a capa, achei-a simples, mas bastante criativa em seu lay-out, obra assinada por Débora Born. As fotos são de Renato Ciccone.

Abaixo, ouça uma amostragem do álbum postada no You Tube :


Spilack em pessoa cuidou da produção toda, incluso o áudio, operando em seu estúdio particular (SpilackTAG Estúdio), com exceção da captura de bateria, feita num estúdio diferente, o Estúdio Tool Box 68.

Em suma, um trabalho muito inspirado, que dá-nos esperança que o Rock possa trilhar caminhos melhores doravante, com jovens buscando beber em fontes nobres, novamente.
E uma ótima nova, que soube através do próprio Guilherme : sua intenção é que o Stuffbreakers seja uma banda doravante, seguindo carreira e portanto, não trata esse trabalho como solo. Melhor ainda, em suma.
Jovens como Guilherme Spilack e seus companheiros, nos trazem de volta essa empolgação em acreditar que dias melhores virão para quem ama o Rock.  
Para conhecer melhor esse trabalho, contato na página do Facebook : https://www.facebook.com/StringBreakerRock 

É isso aí pessoal.
Espero que curtam esta resenha do Luiz e principalmente, conheçam o trabalho deste grande guitarrista.
Abraços e até a próxima!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Artigos e Resenhas - DVD - SãoChico da dupla Quiçá, se Fosse - Por Luiz Domingues


Olá pessoal!

Nesta semana temos mais um artigo especial do amigo Luiz Domingues, com uma resenha do DVD SãoChico da dupla gaúcha Quiça, se fosse. Esta coluna proporciona conhecermos muitas bandas do underground brasileiro, graças ao processo de "garimpagem" de pessoas como o Luiz, que sempre buscam novos sons.


Esta resenha e outras matérias maravilhosas podem ser encontradas nos blogs do Luiz. Segue abaixo o link deste artigo e os links dos blogs.


Um breve release do Luiz feito pelo próprio:
Sou músico e escrevo matérias para diversos Blogs. Aqui neste Blog particular, reúno minha produção geral e divulgo minhas atividades musicais. Como músico, iniciei minha carreira em 1976, tendo tocado em diversas bandas. Atualmente, estou atuando com Os Kurandeiros.

Então vamos a resenha:

SãoChico / Quiçá, se Fosse - Por Luiz Domingues


O Rio Grande do Sul sempre foi um celeiro forte de talentos artísticos em todas as modalidades. Sua cultura popular multifacetada onde se observam peculiaridades não exatamente tropicais como acontecem em outros estados brasileiros, lhe confere nuances exclusivas, isso é indiscutível. Por exemplo, o “Folk” gaúcho tem muita similaridade com a música latino-americana, por afinidades múltiplas a começar pela geografia parecida. Os pampas; o frio e o vento, forjaram uma alma parecida, que nem a diferença entre lusófanos e hispânicos foi capaz de separar. Outro ponto importante entre os gaúchos e esses países sul-americanos (principalmente os vizinhos do cone sul, Argentina, Uruguai e Chile), se dá no apreço que os gaúchos tem pelo Rock. São Paulo era assim também, mas perdeu essa identidade Rocker, há décadas, infelizmente.
Nessa soma de ótimas influências, o Rio Grande do Sul há décadas tem lançado artistas muito inspirados, trazendo uma MPB diferente, com aquele pé no Folk da música campeira gaúcha, mesclando-se à moderna música urbana de Porto Alegre, e o Rock em várias vertentes, da psicodelia ao progressivo, do Hard-Rock ao Pop.
Pois é desse caldeirão dos pampas que um duo extremamente criativo tem construído uma carreira sólida no panorama da moderna MPB, a meu ver, ainda que estejam fora dos holofotes do mainstream, pelo menos por enquanto, e eu torço para que alcancem esse caminho. Trata-se do “Quiçá, se Fosse”, formado por André Paz e Róger Wiest, dois jovens compositores, cantores e multi-instrumentistas.



Como se na bastassem tantos atributos, ainda tem a questão da poética, onde demonstram caprichar nas letras de suas canções, buscando inspiração em nomes do quilate de Fernando Pessoa, por exemplo, além de observar bem as tradições de Mário Quintana, Érico Veríssimo e outras canetas fortes da literatura gaúcha.
Performáticos, mas não satíricos como a também dupla gaúcha “Tangos e Tragédias”, tem o respaldo de serem atores e paralelamente à música, desenvolverem trabalhos regulares com grupos teatrais. Toda essa criatividade e qualificação precisava se materializar além dos shows e vídeos que produzem e para tanto, em 2012, lançaram um DVD chamado “SãoChico”, uma alusão à cidade gaúcha de São Francisco de Paula, onde tal material foi filmado.



A concepção do DVD foca na apresentação do duo mostrando toda a sua potencialidade criativa, mas de uma maneira extremamente despojada. Filmado numa cabana isolada no campo, longe do perímetro urbano da cidade citada, mostra cenas do duo executando suas canções, com absoluta tranquilidade e sob uma aura leve, que impressiona muito positivamente.
Recheado de cenas do cotidiano da dupla nesse processo de retiro, lembra muito a experiência da grande banda sessentista “The Band”, quando da gravação de seu álbum de estreia, o excepcional “Music From Big Pink”.
Gostei muitíssimo do trabalho, ao ver o DVD e posteriormente muitos vídeos do duo, ao vivo.


Achei encantadora a criatividade em usar diversos instrumentos de cordas e percussão, mesclando a linguagem do folk acústico ao pop/Rock e MPB urbana. Numa canção como “Cada Dia Mais”, por exemplo, a sincronicidade dos músicos em gravar bases ao vivo de percussão e intervenções vocais estratégicas, disparadas pelo Delay e interagindo com o que continuaram tocando por cima, ficou muito bonito.
Já em “Canção do Pó”, engana-se quem apressadamente deduzir se tratar de uma canção que faz apologia das drogas...mas mediante uma divertida explicação prévia, o pó em questão é o grão de poeira, como se estivéssemos assistindo um documentário sobre o assunto no Discovery Channel.


Impossível não nos lembrarmos da capa do LP “Ummagumma” do Pink Floyd, com a perspectiva da metalinguagem infinita. Não sei se pensaram nisso, mas achei sensacional a ideia do monitor de vídeo ligado, com a imagem de ambos interagindo em paralelo. Usam esse mesmo recurso também em “Quem me Dera”, fazendo um jogral anárquico e divertido.
E assim, outras canções vão sucedendo-se, numa atmosfera amena, muito agradável e poética.
Particularmente, pensei bastante na tal “casa no campo” que Zé Rodrix imortalizou como canção, fazendo-nos crer que o sonho hippie do artista e seu recanto de paz em meio à natureza era plausível.
Em suma, um DVD muito bem produzido, com a música de muita qualidade do duo, executada em performances de extrema felicidade.
Fora a qualidade artística do trabalho e da capacidade de ambos como multiinstrumentistas, tem uma boa dose de humor, embora não sejam satíricos por excelência e bom gosto na ambientação da casa, fotografia e um áudio de qualidade.


Recomendo o trabalho, certamente, e deixo o link para o leitor conhecer melhor o trabalho do “Quiçá, se Fosse”, visitando o seu Blog :
http://www.quicasefosse.com.br/

É isso aí pessoal!
Conheçam o trabalho desta super dupla e acompanhem as outras matérias do blog.
Abraços e bons estudos!