Em 10 de outubro de 1969, o mundo da música presenciava o lançamento de Hot Rats, o segundo álbum solo de Frank Zappa, um marco na história do jazz rock. Mergulhando em um contexto de efervescência musical, a obra se destaca por sua sonoridade inovadora, pioneirismo no gênero e influência duradoura em diversas gerações de artistas.
Nascido em meio à década de 1960, período de grande experimentação e contestação social, Hot Rats surge como um reflexo desse momento. Artistas como Miles Davis, John Coltrane e Jimi Hendrix exploravam novas fronteiras musicais, fundindo gêneros e desafiando convenções. Nesse cenário, Zappa, figura singular e multifacetada, desponta como um dos principais expoentes da vanguarda musical.
Com exceção de Ian Underwood, nenhum outro músico do Mothers of Invention, banda lendária comandada por Zappa, participou da gravação de Hot Rats. Essa escolha reforça a natureza experimental do álbum, onde o artista se entrega à sua criatividade sem amarras. Predominantemente instrumental, a obra apresenta apenas uma música cantada: "Willie The Pimp", com a voz marcante de Captain Beefheart.
Destaque para a genial "Peaches and Regalia", uma das canções mais populares de Zappa, que transborda energia e virtuosismo musical. Outras faixas notáveis como "Son of Mr. Green Genes" e "Little Umbrelas" também conquistam o público com seus improvisos jazzísticos impecáveis e melodias cativantes.
Mais do que um mero álbum, Hot Rats é considerado por muitos como um dos primeiros a explorar a fusão do jazz com o rock. Cada faixa transborda elementos dos dois gêneros, criando uma sonoridade única e inovadora que influenciaria profundamente o desenvolvimento do jazz rock nas décadas seguintes. Destacamos as melodias contagiantes, os improvisos virtuosos e a fusão inovadora de jazz e rock que nos convidam a uma jornada sonora inesquecível.
Mergulhar nessa obra-prima é uma experiência enriquecedora que nos permite apreciar a genialidade de Frank Zappa e a força transformadora da sua música.
Músicas
01 - Peaches en Regalia - 3:38
02 - Willie the Pimp - 9:16
03 - Son of Mr. Green Genes - 9:00
04 - Little Umbrellas - 3:04
05 - The Gumbo Variations - 16:56
06 - It Must Be a Camel - 5:15
Créditos
Frank Zappa - guitarra , octave bass, percussão
Ian Underwood - piano , flauta , todos os clarinetes , todos os saxofones
Capitão Beefheart - vocais em "Willie the Pimp"
Max Bennett - baixo em todas as faixas, exceto "Peaches en Regalia"
Shuggie Otis - baixo em "Peaches en Regalia"
John Guerin - bateria em "Willie the Pimp", "Little Umbrellas" e "It Must Be a Camel"
Paul Humphrey - bateria em "Son of Mr. Green Genes" e "The Gumbo Variations"
Ron Selico - bateria em "Peaches en Regalia"
Don "Sugarcane" Harris - violino em "Willie the Pimp" e "The Gumbo Variations"
Jean-Luc Ponty - violino em "It Must Be a Camel"
Para quem quiser escutar o álbum no spotify
Aproveito para dizer que, em 2019, celebrando os 50 anos de lançamento do álbum, foi lançada uma caixa com as sessões de gravação. Ela pode ser acessada no spotify:
Nesta semana temos a música Green Dolphin St. como repertório de Jazz.
Disponibilizamos a melodia, a harmonia e a análise harmônica.
Este material faz parte de um acervo utilizado como material de apoio nas aulas do meu curso de contrabaixo presencial e on-line.
Para maiores informações sobre o curso entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com
Tonalidade de C;
Forma: A B ao separarmos cada parte com 16 compassos ou A B A C se separarmos com 8 compassos;
Na parte “A” temos o I seguido pelo i homônimo, depois um subV do sub V7 do I. Neste trecho podemos perceber o baixo pedal na Tônica.
Na segunda parte do “A” (compasso 9), temos um ii V7 → I, seguido por um ii V7 → do bIII. Para finalizar o trecho um V7 para preparar o I com o qual se iniciará o "B".
Na parte “B” temos uma repetição dos 8 primeiros compassos do “A”;
Na segunda parte aparece um ii, seguido por um ii V7 do vi. Após estre trecho temos uma sequência de ii V7 estendidos até finalizar no I no compasso 31.
Nesta semana temos a música Equinox como repertório de Jazz.
Disponibilizamos a melodia, a harmonia e a análise harmônica.
Este material faz parte de um acervo utilizado como material de apoio nas aulas do meu curso de contrabaixo presencial e on-line.
Para maiores informações sobre o curso entre em contato pelo e-mail: femtavares@gmail.com
Equinox
Análise Harmônica
Tonalidade de Cm;
Forma: Blues (12 compassos);
Harmonia tradicional de Blues menor, inclusive, a última seção (compassos 9 ao 12) possui uma passagem muito característica do tipo: subV7 (Ab7) do V7 (G7) do i (Cm). Várias músicas do estilo Black utilizam esta passagem.
Este estudo pode servir de base para outras músicas como Mr. P.C. e Footprints. Bons estudos e até a próxima coluna!
Estamos de volta com a nossa coluna mensal sobre Jazz. Nas colunas anteriores trabalhamos com a compreensão de como o estilo funciona, além de introduzirmos os walking bass. Ademais aplicamos estas ideias em Autumn Leaves.
Lembrando que são dois pontos que norteiam estas nossas colunas: (1) passar como os músicos do estilo pensam, por meio de ideias harmônicas, melódicas e rítmicas e (2) aplicar em um repertório que tenha elementos suficientes para contribuir para o crescimento do estudante.
Desta forma, buscamos aprimorar o conhecimento do estilo por músicas clássicas que formem o vocabulário do estudante.
Antes de continuarmos, precisamos saber, como andam as tétrades sobre Autum Leaves?
Nesta semana vamos utilizar as tétrades da coluna anterior só que pensando em um conceito rítmico muito utilizado pelos músicos de Jazz.
No Jazz é importantíssimo que o segundo e o quarto tempo soem mais fortes que o primeiro e o terceiro. Deste modo, quando estiver estudando tente tocar as notas sobre o segundo e o quarto tempos acentuadas. Vale ressaltar que muitos músicos estudam o walking com o metrônomo marcando somente estes dois tempos.
Entendemos a dificuldade para se estudar desta maneira, então vamos demonstrar um passo a passo para adquirir a proficiência para tal execução.
Exercício 1
Vamos trabalhar as pulsações de semínimas a uma velocidade de 140bpm. Em nossos estudos, normalmente utilizamos o metrônomo marcando cada semínima no compasso 4/4.
Podemos visualizar esta ideia, com a sílaba "Tá" representando o metrônomo:
Metrônomo: Tá Tá Tá Tá
1 2 3 4
No Jazz, o metrônomo deve marcar o tempo desta maneira:
Metrônomo: Tá Tá
1 2 3 4
Para tanto, coloque o metrônomo pulsando em 70bpm e marque o dois e quatro. Aconselho contar até se sentir confortável com a marcação. Além do mais, isso fará com que você aprenda a tocar com suingue similar ao dos músicos de Jazz.
Abaixo segue um II, V, I em Dó maior com as notas que devem ser acentuadas marcadas com o sinal de >.
O ideal seria o auxílio de um professor para vocês desenvolverem este conceito. Para aqueles que tiverem dificuldades, utilizem uma bateria eletrônica com o ritmo de jazz, pois ela provavelmente o auxiliará a tocar com o suingue. Mas lembre-se, a bateria é como uma rodinha de bicicleta, uma hora você terá que abandoná-la para poder andar, ou seja, o estudo de jazz com o metrônomo marcando o dois e o quatro é imprescindível para quem quiser desenvolver a linguagem do estilo.